The Love Key
4 Tensos demais
Notas iniciais
No dia seguinte, acordei um pouco menos dolorida, após uma noite bem dormida, inteiramente sonhada com aquele beijo perfeito. Eu sei que não foi lá essas coisas, mas... O que eu podia fazer? Aquele tinha sido... Meu... Primeiro beijo...
Levantei, calcei os chinelos e parti para a cozinha, onde preparava a água para fazer café. Olhei para minhas chaves, penduradas na porta, e sorri envergonhada, nem percebendo o que estava fazendo.
-AH! O que você está pensando, Lucy?! — Disse, chacoalhando a cabeça e tentando afastar os pensamentos — Ele é um de seus espíritos, vocês não podem ter nada assim!
Olhei de volta para a água que borbulhava. A imagem de Loki aparecia a minha frente, como que automáticamente. Eu já não conseguia evitar. Balancei a cabeça mais uma vez e cocei o cabelo.
"Lucy... O que há com você...?" Pensei, confusa. Olhei mais uma vez para a chaleira, dessa vez vermelha como um morango.
Kimonos, um templo deserto. Luz de lanternas de papel, um único futon.
-Loki-sama, me possua...
-Não podemos, Lucy. Não nos casamos ainda!
-Me torne a mãe de seus filhos, Loki-sama!
-Eu não queria quebrar a honra de nossos familiares. Mas meu desejo é tão grande que não garanto que conseguirei me controlar...
-Não se controle. Faça amor comigo com toda sua paixão, Loki-sama!
Eu imaginava esta cena de repente e do nada, sem nem me tocar. Eu fazia as duas vozes, sendo a minha mais delicada e a do Loki um pouco mais grossa e máscula, mas ainda sim as duas eram de mulher, o que tornava a visão para algum possível espectador realmente bizarra.
-Natsu, o que a Lucy está fazendo olhando para a água e falando com ela mesma? — Perguntou uma voz fininha e irritante do gato azul, companheiro do Salamander.
-Eu acho que ela não anda dormindo muito bem e por isso está ficando louca — Respondeu a outra voz, num tom irreverente ao qual eu já estava acostumado
-Ei... — Retruquei, irritada — Eu posso ouvir vocês!
-Yo, Lucy! — Disse Natsu, alegre, como sempre — Temos um trabalho bem legal, hoje!
-Ho-Hoje?! Mas Natsu...
O rapaz me agarrou pelo ombro e mostrou o papel do trabalho. 300 mil Jewell só pra recuperar uma vaca... COMO ASSIM, CARA?! O que essa vaca fazia de tão importante? Dava leite de ouro?!!
-A vaca não tem nada de especial, Lucy — Disse ele, como se prevendo meus pensamentos — Mas o dono gosta muito dela, pois ela fala. Não que isso seja difícil... Aquela sua vaca também fala, não é?
-Taurus? Ele é um espírito estelar, não uma vaca
-Esse mesmo. Que bom que entendeu.
-Um maluco pegou a vaca, segundo o papel — Disse Happy, subitamente — Eu não quero imaginar o que ele pode estar fazendo agora
-Certo, então vamos — Disse, não querendo essa imagem na mente de forma alguma — Onde fica?
-No Norte — Disse Natsu, com um olhar obscuro e terrível — Vamos ter que pegar trem...
-Quando partimos?
-Hoje mesmo, Lucy. — Respondeu Happy, animado — Arrume suas coisas que já estamos indo.
-Ué? Mas e a Erza,o Gray e a Juvia...?
-Ele não vão — Respondeu Natsu, muito animado, envolvendo o punho direito com a mão esquerda — Esse trabalho vai ser divertido por que nem a mulher de lata e nem o picolé irão me atrapalhar!
-Você esqueceu a Juvia — Lembrou Happy, conturbado.
-Eu queria que eles te ouvissem, Natsu. — Disse, sombria — Você iria apanhar bastante
-Ha! Eu não perco pra eles! — Disse, socando a parede
-MINHA PAREDE! — Berrei, irada com o Salamander — SUMAM DAQUI! Eu encontro vocês lá embaixo.
Depois que me troquei, tomei o café, colocava o chicote na saia e então peguei as chaves. Foi inevitável quando vi a de Loki, corei na hora. Era mesmo motivo para tanto? Eu não consegui entender... Como tudo isso havia chegado a esse ponto? Quando e por quê, de repente, eu estava assim, apaixonada por ele... Loki nem é humano, isso não parece certo...
"É quase como praticamente Zoofilia. A levar em consideração que ele é um Leão..." Pensava, distraída. Então, de repente eu tomei um soco no ombro. Era Natsu, me apressando para ir logo.
-AHHH! Isso doeu!
-Nossa Lucy — Disse Happy, sorrindo — Eu sabia que você não era forte. Mas esse soco foi muito fraquinho... Você é tão frouxa assim?
Encarei o gato alado com ódio. Não respondi, apenas levantei da cadeira e abaixei a manga da blusa, mostrando uma escoriação enorme lá.
-CARACA! Dá onde saiu isso?! — Berrou Natsu, numa misturada de surpresa e preocupação, e então de admiração — SUGOIII!! Eu também quero um machucado de batalha!
-Natsu, você está sendo idiota — Concluiu Happy, finalmente sendo inteligente — Lucy, como você fez isso?
-Longa história — Retruquei, séria — Não quero falar sobre isso.
Voltei a manga para o lugar, levei a xícara para a pia. Voltei para a porta tão calado quando fui para a pia
-Vamos, quero logo pagar o aluguel antes que atrase — Virei para trás e vi os dois se entreolhando espantados. Então indo atrás de mim apressadamente.
Chegamos a estação, pegamos o trem. Natsu como sempre, muito fraco com transportes, desmaiou enjoado. Ele caiu no meu colo e eu realmente não me importava, pois já tinha me acostumado. Olhando para a janela do vagão, comecei a me distrair em meio as paisagens, e a lembrar do que tinha acontecido corei novamente. AH! Era impossível tirá-lo de minha cabeça. Viajei tanto em meus próprios pensamentos que quando vi já tinhamos chegado.
-Natsu, okite! — Disse Happy, chacoalhando o amigo — Nós chegamos!
-Deixa eu me recompor, Happy.
-Se você parar pra se recompor o trem vai sair com você dentro — Disse eu, séria. Eu queria terminar aquele trabalho o quanto antes.
-Aye, sir! — Berrou o rapaz, correndo o mais rápido que pode de dentro do trem.
Fomos a pé até onde o panfleto indicava, e lá onde a vaca supostamente estaria sendo mantida refém, era uma casa uito luxuosa, com fontes e arbustos. Bastante parecida com a antiga mansão de me pai, mas bem mais modesta, é claro.
Batemos na porta, e uma garota ruiva com roupad empregada atendeu.
-Posso ajudá-los?
-NOSSAAAA! — Berrou Natsu, soltando fumaça pelas narinas — Uma Minko ruiva!
-É Virgo, Natsu — Replica Happy
-Posso ajudá-los? — Repetiu a garota, um tanto irritada.
-Hm, er... Nós buscamos pelo senhor...
-Zampi — Completou a empregada.
-Sim, esse mesmo — Disse um pouco nervosa — Ele está?
-Sim, vou chamá-lo. Só um instante. Entrem, onegai.
Entramos na casa, que era monstruosamente decorada, com coisas muito variadas. Desde couro de animais a peças de ouro reluzentes. Vimos a ruivinha voltando com um homem moreno e alto, e conforme ele se aproximava, o ar ficava estranhamente mais pesado. Havia alguma coisa errada, eu podia sentir. Natsu então, nem se fala. Com seu poderoso faro de Dragão, quando o homem surgiu no topo da escada ele virou e disse, desconfiado:
-Algo não me cheira bem aqui, Lucy. estou co um mão pressentimento...
-Aye... — Completou o gato azul, com uma expressão apreensiva.
O homem estava diante de nós, com a face tranquila. Estávamos tensos demais, no entanto. Ele olhou nos olhos de cada um e então disse, deixando todos surpresos.
-Boa tarde, magos da Fairy Tail. Vocês não irão pegar aquela vaca, não tão rápido.
E de repente, comecei a ficar sonolenta, e minha cabeça pesava cada vez mais. Tudo foi ficando escuro, at´que senti o impacto do chão, e tudo se apagou.
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