Notas iniciais
Vamos jogar?

Leandro encara Nora. Espera que ela fale algo, mas ela mantém o silêncio. Ele continua:

— Para mim, existem duas Noras completamente diferentes. Uma antes do namoro com o Diego e outra depois que virou a namorada dele. Depois que você começou a namorar o Diego, você mudou. Parece que foi jogada dentro de uma gaiola e pressa ficou. Sem liberdade alguma para dizer ou fazer qualquer coisa sem a permissão dele, virou submissa. Se ele gostar você pode fazer , se ele não gostar, é proibida. Ele quer exclusividade sobre você. Você esqueceu seus amigos, foi por isso que me afastei. Essa mudança não trouxe nada de bom. Consigo perceber que para você esse namoro já acabou. Pense no que eu disse e verá que tenho razão.

Silêncio. Ouve apenas o barulho dos carros passando pela rua. Nora olha em direção ao horizonte, com o pensamento longe. Leandro tenta deduzir o que ela está pensando.

— Você tem razão. – Ela respondeu diz – Tive que gastar maior parte do meu tempo com o Diego e não era isso que eu queria.

— Devia ter me ouvido quando disse que a idéia de vocês começarem a namorar, era completamente estúpida. Mas o que importante agora é você terminar com ele. Não serão tão difícil, vocês já estão dando um tempo mesmo.

— Mas eu tenho medo. Como a relação entre eu e o Diego depois que terminamos? Será que ele vai continuar falando comigo? Eu sei que ele me ama, muito, de verdade. Foram 3 anos tentando me conquistar, sinto pena dele por não conseguir retribuir este amor. Tenho medo de perder a amizade dele.

— Enfrente o seu medo. O Diego sempre sonhou com vocês namorando, já pensou até em casamento e no futuro nomes dos filhos de vocês. – lembra Leandro com desdém – Mas você tem que criar coragem para fazer o que será melhor para você. – ‘’ Para nós ‘’, pensa ele.

Nora tira o celular do bolso de trás da sua bermuda, ela olha. Já passa de duas horas da tarde.

— Acho melhor você ir embora, preciso almoçar e ainda vou caminhar com a Karen. – o tom da conversa fica mais descontraído – Quer ir com a gente?

— Que horas vocês vão? Ainda tenho que fazer um monte de coisas.

— Vamos 4 horas. Você tem uma hora e meia para fazer tudo.

— Beleza, eu vou.

Nora leva Leandro até o portão da sua casa.

—Te espero na frente da escola. – avisa Ela

Após não mais de 10 minutos andando, Leandro chega próximo a uma praça que é rodeada por árvores e com alguns bancos de cimentos cobertos pelas sombras causadas pela folhagem das árvores.

Ele vê três colegas do time de basquete, deitadas nos bancos.

— Vocês não têm casa? – indagou Leandro, em tom de brincadeira, chegando perto do banco onde está Maycon

— Está vindo da escola agora? – pergunta Mateus.

— Não, estava na casa da Nora. – Leandro vê que os garotos estão tristes e bebendo um refrigerante de marca barata.

— Você gosta da Nora? – questiona Miguel, o mais alto do time.

Leandro deixa claro que não, que eles só são melhores amigos.

— Já que não quer nada com ela, você podia passar o número do celular dela.

O pedido é feito quase que simultaneamente pelo trio. Talvez seja apenas uma brincadeira. Leandro sabe que não deve passar o número do celular da Nora para qualquer um.

— Mas ela não tem namorado? – pergunta Mateus – O Diego, não é?

— Tinha. Não tem mais. Eles estão praticamente separados. – esclarece Leandro.

— Nunca vi eles juntos nos treinos ou na escola. Nem parecem que são namorados. – comenta Mateus

O tempo passa, já chega perto de quatro horas e Leandro ainda está na praça. Não daria mais tempo de voltar para casa e depois ir caminhar com a Nora.

— Preciso ir. – despede Ele dos garotos

— Não se esquece de pedir o número da Nora e depois passar pra gente! – lembra Maycon

Leandro volta para casa da Nora, com o intuito de deixar sua mochila lá, mas encontra sua amiga pelo caminho.

Ela vem correndo com roupas esportivas e na mão uma garrafa de bebida energética de cor Laranja. Nora diminui a velocidade quando vê seu amigo mais a frente. Estranhou por ele está com as mesmas roupas de quando tinha saído de sua casa.

— Não fui para casa. – Ele começou explicando, ficando lado a lado com Nora na calçada.

— E onde estava até agora?

— Na praça lá de cima. Encontrei o Maycon, o Mateus e o Miguel.

— O que vocês conversaram? – Nora fica curiosa. Sabe que seu amigo não é tão próximo dos colegas de time.

— Falmos sobre o jogo, sobre o time do ano que vem. Falei também que estava na sua casa e eles começaram a falar sobre você.

— O que falaram de mim? – questiona ela surpresa por ter sido assunto entre os garotos.

Leandro fica em silêncio. O que falaria para a Nora? E de que maneira falaria?

Novamente o flash de luz.

De volta a escuridão da sala Dark.O mentor estava sério. Olhava para Abassay se perguntando por que havia parado sua primeira jogada.

— Eu quero ter o Right to lie.

— Posso conceder o Right to Lie nessa jogada, poderá usar-lo apenas uma vez. Mas terá que retroceder duas casas.

— Eu volto duas casas. Para chegar até o final e vencer, eu preciso disto.

— Não use este direito mais de uma vez na sua jogada.

Abassay leva sua mão até o botão e aperta.

Flash de luz.

Leandro, Nora e Karen caminham em torno de uma praça esportiva. Karen é a melhor amiga de Nora. Fisicamente está um pouquinho acima do peso, mas está se esforçando para chegar ao peso ideal.

— Eles pediram seu numero. – diz Ele a Nora

— Porque eles queriam meu número? –

— Não sei, mas não passei. Eles elogiaram você também. Você ficaria com alguém do time de basquete?

— O Mateus é lindo. – elogia Karen

— Acho o Mateus muito bonito. E o Eduardo, eu também acho. Ele é engraçado e legal, isto o deixa bonito. Os outros... Alguns estão comprometidos e o restante não me interessa.

— Então o Mateus tem chances com você? Bom saber...

— Por quê? – questiona Karen

— Na praça ele começou elogiar a Nora. Vai saber se um não gosta do outro?!

— Mas eu não estou interessada no Mateus. Eu nem o conheço direito. E ainda tenho que terminar definitivamente com o Diego.

— Tudo bem, mas eu tenho certeza que alguém do time de basquete está gostando de você. O Maycon me disse.

— Quem gosta de mim? – Nora está curiosa

— Ainda não sei. Mas vou descobrir.

E o direito de mentira foi usado.

Um flash de luz. De volta a escuridão.

Sala Dark.

— Fim da sua primeira jogada – declarou Caim – É a vez do segundo jogador.

O outro jogador está do lado oposto do tabuleiro que Abassay se encontra. Não dá para ver o rosto de nenhum dos jogadores, está muito escuro. A iluminação da sala foca apenas no imenso tabuleiro em cima da mesa e o botão souvenirs.

— Jogue os dados – ordenou Caim

Na sala Dark ouve-se apenas o som dos dados sendo jogado por Asmodeu, o segundo jogador da batalha.

— Não começou com sorte – avisa o mentor, observando a soma dos dados lançados. Dois. – Ande duas casas. Essa não é uma das melhores casas do tabuleiro. Ela exige que você volte ao seu passado. Boa viagem, Asmodeu.

O segundo jogador aperta o botão souvenirs.

Um clarão.

“No próximo episódio:

...

— A aniversariante tem que beijar todos os garotos da festa!- grita Nora, em tom de brincadeira.

...

Por que voltei ao dia 17 de dezembro?- perguntou Asmodeu.- Por que tive que relembrar daquele dia?

...

— Já fiz minha parte do desafio, agora é sua vez Nora. — diz Luana. -Terá que beijar o Diego.”

LOVE GAME: Jogue com o coração.

Notas finais
Comentem o que estão achando!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.