Notas iniciais
-Eu resolvi colocar essa parte, pq eu pensei nela uma hora e achei que ia ficar legal, um pouco mais madura, sabe.
-Ela é um pouco deprimente, mas é bem emocionante, pq começar do jeito que eu tinha começado ia fazer vcs cansarem da história e tals, ai eu resolvi fazer uma história de verdade, uma mais emocionante.
-Espero que gostem, deixem reviews

Eu estava sendo carregada para a jaula novamente. O cara que me levava, me puxava com força e não me deixava escapar, mesmo eu estando esperneando loucamente.

Ele me jogou na cela com tudo, e quando eu cai no chão frio, bati com a cabeça em uma das extremidades da cela que era feita de ferro. O garoto que estava sendo carregado pra longe, e que por incrível que pareça, eu queria ajudar, estava gritando meu nome, e gritando para me soltarem. Os guardas finalmente ficaram com raiva dele e o jogaram na porta de minha cela. Mas ele foi mais inteligente que eu e se segurou antes de bater com a cabeça. Ele esticou a mão pra mim.

–Anne -ele disse fraco- Me desculpa, eu...

Ele não conseguiu terminar a frase, o puxaram de volta. Eu gritei alguma coisa, provavelmente o nome do garoto, mas eu nunca consegui entender direito.

Era como se isso estivesse acontecendo em outra realidade. Como se minha alma estivesse muito longe de meu próprio corpo.

Um cara alto, com cabelos grisalhos e olhos fundos e negros se aproximou do garoto que havia sido puxado por um dos guardas. O velho parecia ser a autoridade por ali. Além de mandar nos guardas, ele usava uma roupa extremamente extravagante, cheia de cordas douras e com duas ombreiras da mesma cor. Ele parecia ser da realeza, e por mais que eu tentasse, eu não entendia como aquilo não me surpreendia. Era como se eu já soubesse a esse tempo todo que ele estaria ali. Como se eu soubesse quem ele era.

–Anne querida, gostando de nossa hospitalidade?

–Se você tocar um dedo nela... -começou o garoto que eu estava tentando salvar. Eu não conseguia ver seu rosto, mas toda vez que ouvia sua voz era como se eu já o conhecesse, mesmo tensa, a voz me acalmava e me deixava louca ao mesmo tempo.

–Tocar nela? -perguntou o velho- Eu nunca faria isso, você sabe que eu não sou disso... -Ele falou o nome do garoto, mas era como se eu a ouvisse e não prestasse atenção, eu ainda não entendia o nome.

–Solte-o -eu exclamei, eu não entendi porque, mas salvar aquele garoto parecia ser meu único objetivo.

O velho se virou pra mim.

–Anne minha querida, porque acha que eu faria isso?

–Então solte-a -tentou o garoto- Ela não tem nada a ver com isso, você me quer -sua voz estava fraca, ele parecia ter apanhado muito- Solte-a

Sua voz já se comparava a um sussurro. Eu praticamente não conseguia ouvi-lá.

–Exatamente querido -o velho voltou sua atenção ao garoto- Eu quero te machucar, mas porque você acha que essa pobre jovem não seria útil para realizar essa tarefa?

Ele estampou um sorriso no rosto fino, um daqueles que você vê na cara dos vilões dos filmes infantis.

–Por favor tio –o garoto exclamou tentando gritar, mas já não possuía fôlego suficiente- Me mate, mas deixe-a ir.

Tio? Como assim tio? Que tio faria uma coisa dessas com o próprio sobrinho.

–Querido sobrinho, me chamar de tio não me arrancará piedade! -Ele estampou o sorriso de vilão novamente- Mas essa garota é realmente bonita, agora eu vejo porque a escolheu.

Ele foi chegando cada vez mais perto de minha cela. Eu comecei a me debater, tentando me soltar das cordas que prendiam meus pulsos e meus tornozelos, a bandana que cobria minha boca já havia caído. Eu estava desesperada, e chorava como uma louca. Isso nunca havia me acontecido, mas espere um minuto, eu estava prestes a ser estuprada? E ainda pelo tio do cara que além de querer me salvar, conseguia me fazer querem salvá-lo também, e ainda me fazia sentir alguma coisa parecida com o que os homens geralmente chama de amor?

Ele abriu minha cela e se abaixou na minha frente, levantando meu rosto com o polegar.

–Calma garota, não vou fazer o que você está pensando... -ele fez uma voz calma, que quase me fez ficar calma também- ...vou fazer algo pior! -ele sorriu novamente, me acordando do devaneio que minha cabeça sentiu ao ouvir sua voz calma e me fazer espernear novamente, agora um pouco mais desesperada.

Ele se cansou de meus gritos e me deu um soco na cara, me fazendo virar em direção a parede e bater o topo de minha cabeça no ferro, agora ele parecia mais forte, minha visão ficou turva.

O garoto gritou meu nome novamente e tirando força de sei lá onde, começou a se debater com, tentando em vão, que os guardas o soltassem.

–Sobrinho querido, não quero te ver com a cara toda ensanguentada, pare de se debater como uma criança e se comporte como o verdadeiro herdeiro que é.

–EU JÁ DISSE PARA SOLTÁ-LA -o garoto gritava, sua voz ficava mais desesperada a cada segundo.- Eu prometo, eu juro, o trono será seu, apenas deixe a ir, ela não tem nada a ver com isso, POR FAVOR!

O velho deu uma gargalhada.

–Você acha que é isso que eu quero querido? -ele se aproximou do garoto apontando o dedo indicador para seu peito- Você acha que eu quero o trono, assim, tão facilmente conquistado? Eu quero sua ruina querido sobrinho, quero acabar com a sua raça.

O sorriso triunfal já não se instalava mais em seu rosto, ele fora substituido por um sorriso doloroso, forçado, cheio de tristeza e mágoas.

–Por que você quer tanto acabar com ele? -minha curiosidade foi maior que minha dor, que quase não me deixava respirar.- Por que a dor de seu próprio sobrinho vai satisfazer seus desejos?

–Porque minha querida Anne...

–Não me chama de querida -eu o interrompi, ele havia se aproximado de minha cela novamente e estava agachado ao meu lado

–...porque não é a questão, eu acho que agora você deveria estar se perguntando o que eu irei fazer com você. -ele me puxou pelos cabelos, literalmente, e me arrastou para fora da cela. Eu gritava de dor, eu só não sabia se todos os gritos que eu ouvia vinham de minha boca, ou do garoto sem rosto.

–SOLTE-A, SOLTE-A -o garoto gritava, quando o velho me posicionou a frente do garoto, mesmo eu não conseguindo visualizar seu rosto eu conseguia ver as lágrimas caírem de seus olhos.

Eu não entendia como eu não via o rosto, ele estava bem na minha frente, mas é como se eu tivesse lendo algum livro e pensando em uma coisa completamente diferente, eu não conseguia entender nada, mas eu estava lendo mesmo assim.

–Olhe pra ela sobrinho -eu virei o rosto para o outro lado, e quando percebeu, o velho tornou a virá-lo na direção do garoto com força- OLHE, olhe como todos os que ficam ao seu redor acabam se machucando.

Agora as lágrimas também estavam brotando de meus olhos, eu conseguia senti-las caindo no meu rosto, mas elas não eram de medo nem de tristeza, eram de raiva.

Eu não queria que aquele garoto sofresse, as únicas palavras que vinham em minha mente eram “não se preocupe” e “eu não me importo de morrer para te salvar”. Eu não queria ser nenhuma heroína, eu só queria que aquele garoto sobrevivesse, custe o que custar.

–Esta vendo sobrinho, o amor faz isso com as pessoas -o velho sorriu- Eu te avisei lembra? Quando você fugiu, eu te avisei para não se apaixonar por nenhuma garota estúpida... -ele jogou meus rosto com força pro lado e tornou a coloca-lo na direção do garoto, me obrigando a olhar para o rosto que eu não conseguia entender- Elas são chaves extras para te torturar, é só eu encostar um dedo nela, e quem desaba no chão é você. Você passa a depender dela, ela passa a ser a sua vida.

A voz dele começou a falhar, eu tentei o encarar, mas ele continuava a forçar meu rosto na direção da do garoto.

–Como você pode dizer o que o amor é capaz de fazer se nunca o encontrou? -eu o provoquei, tentando fazer com que ele me soltasse se ficasse com muita raiva.

Ele me virou na sua direção.

–Por que você sua garota estúpida e imunda acha que eu, nobre do jeito que sou, não encontraria nenhuma garota que mexesse com meu coração?

–Porque você é um canibal, nenhuma garota, jamais, se apaixonaria por um patife como você! -eu praticamente cuspi as palavras em sua cara, mas ele apenas me encarou, já sem sorriso, seus olhos estavam fundos e distantes.

–Você está errada -ele murmurou- Eu me apaixonei uma vez, eu pensava que ela gostava de mim também, mas a infeliz só estava comigo pra conquistar meu próprio irmão. Acredita nisso? E sabe o que eles geraram com a minha infelicidade? Esse garoto medíocre que você diz amar. O que você realmente quer com ele? Destruir seu coração ficando com o irmão dele?

Ele gritava agora, me jogando para um lado e para o outro, até que finalmente ele me parou sorriu, e eu senti uma lâmina fina rasgando meu estômago.

Ele havia enfiado uma adaga em minha barriga, deixando-me caindo no chão frio novamente, que agora se comparava a uma enorme pedra de gelo.

Tudo pulsava, minha visão estava mais turva do que antes, e até mesmo minha audição estava afetada, eu deitei no chão, a tempo de ver o garoto sem rosto se debatendo agora com mais força e finalmente conseguindo se soltar, ele gritou meu nome, e bateu nos três guardas que o seguravam, o velho apenas assistia a cena como se já soubesse que aquilo iria acontecer.

Eu retirei a adaga de meu corpo, e a joguei no chão, minha mãe estava ensanguentada, assim como minha blusa, e a parte do chão em que eu estava. A voz do garoto gritando meu nome ficava cada vez mais distante, mas eu senti duas mãos fortes e protetoras me segurando antes que eu batesse com a cabeça no chão.

O garoto havia me acalçado e tentava pensar um jeito de me ajudar. Mas antes que ele pudesse fazer qualquer coisa, ele gritou de dor acompanhado de mim, o velho havia me esfaqueado novamente.

Eu acordei ainda ofegante e gritando, bem a tempo de ainda conseguir visualizar a imagem de minha mão toda ensanguentada.

Notas finais
Gostaram?
Acho que assim da um quê de emoção na história, e ai tem mais gente que prefere ler
Mas é como eu disse lá em cima, deixem reviews, acho q a história ta ficando legal e eu to merecendo o comentário d vcs