Os dois homens avançaram ainda mais com as espadas apontadas para nós e eu olhei para Nathan, ele estava tão pálido que comecei a me perguntar o que aqueles homens faziam ali. Nathan não tirava os olhos deles, e algo em sua expressão dizia que isso não era nada bom.

- O que... — começou Nathan — O que vocês fazem aqui?

- Você se esqueceu do seu próprio aniversário? — disse um deles, ele era o mais baixo, mas sua voz era tão grave que os pelos na minha nuca se levantaram — Pensei que Sua Alteza Real não esqueceria algo dessa importância, considerando o que virá em seguida.

- E o que isso quer dizer? — me intrometi. Os dois homens me olharam como se só agora percebessem minha presença.

- Sua namoradinha não sabe de seu precioso segredo, Alteza? — disse o mais alto dos homens — Perdoe-nos madame, mas parece que seu príncipe esqueceu de contar sobre sua coroa.

- Eu não sou namorada dele — falei tentando não corar -, e de que diabos de cora vocês estão falando?

- De nada — Nathan se colocou na minha frente apontando a espada com ainda mais força na direção dos dois homens — Ela não tem nada a ver com essa história, apenas deixem-na em paz.

Os homens começaram a rir e o mais baixo, que também parecia ser bem novo, se dobrou de rir, o que pareceu acordar Nathan e fazer sua expressão de pânico virar de raiva.

-Algum problema rapazes?

- Não — respondeu o mais alto tentando engrossar a voz — Mas nos parece que ela não sabe de nada.

– E não sei mesmo — falei.

Eles me ignoraram e se controlaram segurando as espadas com mais força.

– Acho que está na hora de partir Alteza.

– Eu avisei minha mãe que eu iria para o casa quando fizesse dezoito anos, eu ainda tenho dezessete — disse Nathan.

– Mas Vossa Alteza sabe que não trabalhamos para sua mãe — disse o mais novo, encontrando o meu olhar e não parando de me encarar.

Nathan não disse nada, apenas continuou parado.

– Então Alteza — o mais velho falou. — Vocês vão por bem ou por mal?

– Eu já disse — eu conseguia perceber a raiva e o desespero na voz de Nathan — Ela não vai, ela nem ao menos sabe o que está acontecendo aqui.

– Não sei mesmo — repeti, agora para mim mesma.

O mais velho começou a me encarar também e tive que me segurar para manter o olhar.

– Se você quer tanto protegê-la ela deve ser importante — ele me indicou com a espada e depois apontou com a cabeça na direção do homem mais novo — Chame os outros, fale que o encontramos — o mais novo já estava voltando na direção em que veio quando o mais velho o chamou de novo: — E não esqueça de trazer as cordas.

O mais velho parou de apontar a espada para os dois e começou a admirar a própria arma.

– Eu avisei meu pessoal para por armas de verdade para vocês — ele não tirou os olhos da arma — Pensei que você iria querer lutar, assim como fez antes.

Nathan continuou sem responder então resolvi me intrometer de novo:

– Quem são vocês?

– Ninguém que você chegará a conhecer — ele parou de admirar sua espada e a guardou no cinto — Como se chama garota?

– Se eu não chegarei a conhecê-lo, o que o faz pensar que irá me conhecer?

– Bom, eu estou meio que no comando, então...

Mas ele não conseguiu terminar a frase, Nathan pulou em cima do homem com a espada esticada a sua frente e a perfurou no seu ombro. O homem uivou de dor e me joguei no chão espantada, levei algum tempo para perceber que a espada de Nathan tinha caído com o pulo e que o homem estava prestes a pegar a sua, eu agarrei minha adaga e a joguei na direção de Nathan, que viu meu movimento a tempo e pegou a adaga no ar, a tempo de perfurá-la no estômago do outro.

Eu ouvi o barulho de folhas sendo amaçadas na direção em que o homem mais novo tinha ido e peguei a espada de Nathan do chão. O barulho da luta dos dois rasgava meus sentidos e tudo o que eu queria fazer era correr, mas algo dentro de mim me mantia firme, e não me deixava ir embora.

Um outro homem, com o dobro de minha altura, apareceu entre as árvores e encarou o amontoado que Nathan e o homem mais velho tinham formado, ele tinha conseguido arranjar uma outra espada e Nathan tentava derrubá-lo com apenas uma adaga, depois de um tempo, o homem de dois metros me viu e partiu em minha direção.

Nem mesmo aquela força que me mantia firme conseguiu me segurar, eu recuei e bati minhas costas no tronco de uma árvore, o homem se aproximou ainda mais e eu gritei posicionando a espada na minha frente com firmeza. Eu ouvi um outro grito vindo da minha esquerda mas não me atrevi a olhar para ver o que era, apenas rezei para que não fosse Nathan e para que seja lá quem fosse esse homem tentando me atacar, pelo menos me desse a chance de me defender.

Ele partiu com o primeiro golpe: uma linha vertical em minha direção, e eu me virei para o lado bem na hora tentando pensar no que fazer. O homem era muito forte e muito alto, nada do que eu fizesse provavelmente o atingiria de verdade, eu tinha que pensar em algo. Mas ele não pareceu pensar muito, apenas agia rápido e eu quase não conseguia me defender de seus golpes.

Uma outra linha, agora na horizontal foi inferido em minha direção, eu joguei minha espada entre nós dois e a espada dele voou longe, eu a encarei enquanto ela voava cada vez amis alto e depois se prendia, de pé, no chão a alguns metros de nós.

O homem me encarou e depois encarou a espada, sem pensar duas vezes, ele correu em sua direção e nesse meio momento de surpresa, eu consegui ver o que se passava no outro lado: Nathan se arrastava no chão e o homem andava em sua direção lentamente, como se estivesse gostando de vê-lo sofrer. Mas eu não consegui encará-los por muito tempo, o homem que lutava comigo recuperou sua espada e já estava se jogando em cima de mim novamente, mas desta vez eu corri, não para a floresta, mas para Nathan, e me joguei a seu lado quando ele tinha acabado de atirá-la na direção do homem que lutava com ele e posicionei minha espada na minha frente, o homem que lutava comigo percebeu tarde demais o que eu estava fazendo e pulou em cima de mim, sendo perfurado por minha espada.

Seu corpo morto caiu sobre mim e eu tive que me segurar para não dar um grito, eu joguei seu corpo para o lado de qualquer jeito e tentei recuperar o fôlego.

Nathan me encarava, nós dois estávamos ofegantes e meus pensamentos não conseguiam se organizar.

Isso tinha realmente acontecido?, me perguntei, exausta.

Manchas de sangue cobriam minha roupa e eu não tinha certeza se eram minhas ou do homem que lutou comigo, mas aquilo não me importava, eu só queria chegar em casa e fingir que nada daquilo tinha acontecido, o que parcialmente deveria ser verdade, ela só poderia estar sonhando, seus sonhos sempre foram estranhos, não seria nenhuma surpresa.

Nathan ficou de frente para ela e segurou seu rosto com as mãos o virando para os dois lados.

– Você está bem? — perguntou — Eles te machucaram muito?

– Se eles me machucaram? — eu joguei suas mãos para longe de mim. — Eu to pouco me importando se eles me machucaram eu acabei de matar um homem!

Ele me olhou como se sentisse pena de mim e depois suspirou, era um suspiro cansado, e mesmo sendo novo, uma ruga se formou em sua testa.

– Eles tentaram te matar primeiro, e — ele me cortou antes que eu pudesse protestar — Eles não iriam sentir culpa depois de fazer isso, e a propósito temos que correr, agora.

Ele se levantou e estendeu uma mão para me ajudar a levantar, mas eu a ignorei completamente.

– Nós? — perguntei incrédula — Você ficou louco? Olha o que acabou de acontecer, você acha mesmo que eu vou a algum lugar com você, eu vou é pra minha casa.

– Não! — ele gritou — Você não vai, ao menos que você queira que seus pais acabem mortos é melhor você vir comigo.

– O que?

– Aquele cara, o que foi buscar os outros na floresta, ele viu seu rosto, ele vai te achar e vai te pressionar de todos os meios possíveis para tentar descobrir algo sobre mim, ou você vem comigo, ou...

Ele não precisou terminar a frase, eu tinha entendido tudo.

– Ou eu você com você, ou... — eu engoli em seco — minha família morre.