The Lost Prince

8 Capítulo 7: Nathan


Eu comecei a recolher as espadas e adagas o mais rápido que pude, no final, tive que roubar um dos cintos dos guardas e pendurá-lo em minha cintura. Eu olhei para cima do ombro, para Anne que olhava para a floresta tentando fingir que estava de guarda, eu conseguia perceber que seu olhar estava mais distante do que o normal e que seu brilho habitual não estava por lá, mas não tinha nada que eu pudesse fazer.

Pelo menos ela não tinha corrido. Tenho certeza que se tivesse sido qualquer outra garota, ela já estaria a quilômetros de distância, mas Anne ficou, até mesmo salvou minha vida jogando aquela bendita adaga.

Eu olhei para minha perna esquerda, onde sangue escorria cada vez mais, toda vez que eu pisava uma onda de dor subia pelo meu corpo e parecia me queimar de dentro para fora. Eu soltei um guincho c]surdo de dor ao me abaixar para pegar o cinto do outro guarda e dar para Anne.

Eu encarei seu rosto pálido. Algo dentro de mim não se arrependia do que eu tinha feito, mas outra se sentia suja por isso. Mas o que mais me preocupava mesmo era o que aqueles dois guardas do meu pai estavam fazendo ali.

Mas nós não trabalhamos para sua mãe, um deles tinha dito.

Isso não poderia ser possível, porque se fosse...

Eu senti uma mão segurando meu ombro e me virei de um pulo, mas era apenas Anne.

– Nathan? — ela arqueou as sobrancelhas e olhou para meu joelho — O que aconteceu com a sua perna?

Mas eu não tive tempo de responder, um barulho de folhas sendo amassadas veio na direção em que um dos guardas tinha ido para chamar os outros. Eu não pensei duas vezes, com uma mão segurando a de Anne e outra segurando o cinto cheio de armas dos guardas eu comecei a correr na direção contrária do barulho o mais rápido que minha perna permitia.

Os galhos arranhavam meu rosto, mas eu não me importava, tínhamos que sair dali, mas eu não sabia para onde ir. A casa dos meus tios? Não. Se eu fosse os guardas poderiam achá-los, se é que já não tinham achado.

Eu comecei a diminuir o passa assim que nos distanciamos um pouco da clareira. Eu olhei para trás ainda segurando a mão de Anne e falei:

– Pra onde...? — não tive fôlego para continuar.

Ela me encarou com raiva.

– Você me puxou para cá, você deveria saber onde estamos indo!

Uma luz se acendeu em minha cabeça e eu arregalei os olhos, o único lugar seguro... Mas como iríamos chegar até lá?

Eu olhei para o lado e vi a pequena estrada por onde tínhamos passado para chegar a clareira. Eu corri até ela, puxando Anne comigo e começamos a correr de novo. Não sei dizer se era pela situação que estávamos passando, ou pela dor incontrolável na minha perna, mas a estrada parecia mais longa do que quando passamos por ela antes.

Quando finalmente chagamos a entrada do parque, eu avistei a mesa com as armas, que ainda estava um pouco cheia, e corri até ela, finalmente soltando a mão de Anne.

Eu analisei arma por arma. Já fazia um tempo que eu não fazia um teste desse tipo comigo mesmo para ver se eu estava sabendo tudo. No começo, quando eu era muito pequeno, meu pai tinha que me cobrar esse tipo de coisa, mas depois de um tempo eu comecei a me cobrar por conta própria.

Anne me analisava enquanto eu tentava achar as melhores armar, inquieta, seu olhar vagava por todos os lados, como se achasse que apenas ao virar o rosto, algo a atacaria por trás. Eu não poderia culpá-la, se eu estivesse em sua pele eu já teria fugido à muito, coisa que até estou acostumado a fazer.

Peguei uma das adagas que achei que serviriam mais e joguei na direção de Anne, pensei que ela deixaria a arma cair no chão, de medo, mas ao invés disso, ela a pegou no ar e a rodou entre os dedos, como se sempre fizesse esse tipo de coisa.

– Você... — comecei sem tirar os olhos da mesa — Você já tinha usado uma espada antes?

– Quando eu era pequena meu tio costumava me levar para caçar, ele me ensinou a como jogar uma faca.

Claro, pensei.

- Então- começou ela — Você vai ou não vai me dizer porque estamos sendo perseguidos por um bando de loucos?

- É complicado...

- Complicado? — repetiu ela — Eu fui atacada por um desconhecido que no final eu acabei matando e você ainda acha que nossa situação está complicada? Nós já passamos disse faz tempo!

- Olha, eu não queria que isso tudo acontecesse!

- Mas aconteceu! — gritou ela — Aconteceu e eu matei alguém — ela soluçou -, eu matei uma pessoa, Nathan...

- Se isso ajuda — falei me aproximando dela — Ele tentou te matar primeiro.

- Temos que conseguir ajuda — ela ignorou meu comentário — Precisamos ir na polícia, ou sei lá, temos que fazer alguma coisa, eles vão nos matar.

- Já sei disso, mas não podemos ir na polícia agora — eu segurei o braço dela — Não podemos confiar em ninguém, temos que chegar ao Castelo em segurança e depois...

- Castelo? — ela repetiu com as sobrancelhas arqueadas.

- Você vai ver, tudo vai...

- Não! — ela me interrompeu soltando seu braço — Eu quero saber o que diabos está acontecendo aqui, eu quero saber porque querem nos matar!

- Ninguém aqui veio te matar — eu gritei irritado — Isso só tem a ver comigo, e se não corrermos, fugirmos agora, isso vai acabar te envolvendo também, e o preço é a morte.

- Que dramático... — ela murmurou entre dentes.

- Dramático? — joguei as palavras em seu rosto — Isso está muito longe do dramático, estamos prestes a morrer, Petrovit, e se você quiser salvar a sua pele e a daqueles que você ama, é melhor vir comigo.

Ela fincou os pés no chão como uma criança tentando convencer os pais a comprarem o que ela quer e cruzou os braços.

- Eu não vou a lugar nenhum se você não me dizer o que está acontecendo, para onde estamos indo e porque estavam de tratando como uma realeza.

- Você não quer saber, confie em mim.

- Se eu não quisesse saber — disse ela — Eu não teria perguntado. Agora vamos, desembucha.

- Okay — eu me virei para ela chegando o mais próximo que podia de seu rosto — Se você quer tanto saber, a verdade é que sou um príncipe.

Ela ficou em silêncio por um bom tempo antes de começar a rir como uma louca e até mesmo se curvar.

- Um príncipe? — ela perguntou ainda rindo — Sabe, Stromberg, eu sempre soube que você se ama bastante, mas nunca pensei que seria capaz de se achar tão superior assim numa situação como essa.

- Eu disse que você não ia querer saber.

- Ah, mas é claro que você é um príncipe — ironizou ela — Agora me diga: quem é a sua mãe? A rainha da Inglaterra?

- Não temos tempo para isso — me apressei em dizer antes que eu pudesse usar da violência — Temos que ir antes que eles cheguem, e tenho certeza que com todo esse escândalo eles já sabem onde estamos.

- Eu não vou em lugar algum com um maluco feito você.

- Quer saber? — disse praticamente me atirando em cima dela para agarrar seu braço com força — Se você quiser ficar aqui para morrer, fique, depois não quero ver a sua família ridícula botando a culpa da sua morte em mim.

Eu soltei seu braço com mais força ainda e comecei a andar em direção a mata irritado, ouvi passos atrás de mim e me virei, a tempo de ver o corpo de Petrovit caindo no chão e Hal, o guarda gigantesco que antes tinha se atirado em cima de mim, sobre ela.

Seu sorriso doentio cobria seu rosto. Peguei minha espada e corri em sua direção, mas tive que me virar quando uma flecha passou raspando em meu ouvido e me joguei no chão também. Minha espada voou da minha mãe, ficou parada a alguns metros do meu pé, me levantei cambaleante e corri até ela, Hal tinha se levantado e também corria na minha direção, me abaixei a tempo de desviar de seu primeiro golpe, fincando minha espada em sua perna. Ele urrou de dor e deixou a espada cair no chão, observei confuso o corpo pesado do guarda caindo no chão.

Anne estava parada atrás dele com a adaga que joguei mais cedo para ela nas mãos, ensanguentadas. Ela arfava enquanto observava o corpo morto do guarda, mas mesmo assim tirou os cabelos da testa e colocou-os atrás da orelha, guardando a espada no cinto.

- Podemos ir agora?

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.