The Lost Number

7 Nº 6: A Lenda.


Notas iniciais
E CÁ ESTÁ! Um dos caps que eu tava muito animada para trazer e teria trazido mais cedo, se eu nom tivesse ficado super desanimada por causa de uma coisa que aconteceu esses dias passados e eu expliquei nas notas iniciais do ultimo cap da minha five-shot de Franticshipping, mas como eu nom tou afim de falar disso de novo e encher a paciência de vocês, se alguém ficou curioso/a, é só ir no cap 5 de One and the Same e ler as notas iniciais, oka? owo Voltando ao assunto, eu nom posso falar muito desse capítulo porque eu posso acabar estragando alguma surpresa ou dando algum spoiler, por isso... Boa leitura!!

Estava escuro.

Absurdamente escuro.

Passos rápidos eram ouvidos. Descompassados, desajeitados, desesperados.

O dono deles ofegava, sentia suas pernas arderem de cansaço, mas ele não tinha intenção de parar. O medo que corroia suas veias mandava pulsos de adrenalina que o motivavam a continuar.

Ouviu um bater forte de asas acima de si e tentou, em vão, aumentar o passo.

Um grito estridente soou alto em seus ouvidos.

Alto demais.

E ele cometeu o terrível erro de olhar para trás, deparou-se com duas garras grandes e afiadas indo em direção às suas costas enquanto o seu próprio grito irrompia de sua garganta.

Após isso, sentiu como uma forte rajada de água atingisse seu rosto.

–AAAAAAAAAAAAH! — Red berrou e se sentou na cama de repente.

Quando seus olhos rubros mandaram a mensagem para o seu cérebro de que não havia nada o seguindo e que estava em segurança, pôde sentir seu coração vibrar com clareza.

–Até que enfim ele acordou. — Ao ouvir aquela voz, virou rapidamente o rosto para a direção de onde ela viera e deparou com Green de pé ao lado de sua cama.

–Senpai, você tá legal? — Virou o rosto para o outro lado e encontrou Gold também de pé.

O moreno respirou fundo.

Era só um sonho.

Aquele sonho.

–E- Estou sim... — Conseguiu murmurar. — Foi só um pesadelo...

–Deu para perceber! — Gold pôs as mãos atrás da cabeça. — Você tava se remexendo feito um doido na cama.

Green assentiu.

–E por que eu tô todo ensopado? — Red perguntou ao olhar para si mesmo.

O moreno de olhos dourados deu alguns tapinhas na cabeça de seu Politoed que estava ao seu lado.

–Cortesia do Poltaro aqui. — Ele riu, mas parou ao ver o mais velho o encarar. — Ei, não é culpa minha! Tentamos te chacoalhar, mas não adiantava.

–Fique feliz por ter sido água ao invés de um choque. — O líder de ginásio apontou para o Pikachu que estava em cima da cama do garoto. — O Pika estava prestes a fazer isso.

Olhos vermelhos se moveram para o Pokémon em questão e o dono dos mesmos percebeu como o pequeno rato o encarava preocupado, Red abriu um sorriso pequeno e afagou a cabeça do Pokémon.

–Desculpa, Pika. E obrigado vocês dois. Foi bom ter acordado.

–Você tá com uma cara horrível, senpai.

–Valeu, Gold.

–Mas é ué.

–De qualquer forma, melhor irem se arrumar. Silver me disse que Lyra avisou a Crystal que ela já está em Celadon City, por tanto quanto mais rápido formos, melhor. — O moreno de cabelos mais claros avisou ao se afastar.

–Ah, certo! — Red se descobriu e pulou para fora da cama, lutando contra o sono.

Estaria mentindo se dissesse que não se sentia nostálgico, fazia vários meses — talvez mais de um ano — desde que tivera aquele pesadelo.

E apesar disso, ele não mudara. Cada detalhe, cada som, cada feixe de luz... Tudo era igual.

O garoto suspirou ao colocar seu boné e indicou para que seu Pikachu subisse em seu ombro, quando ele o fez, caminhou para fora do quarto e trancou a porta.

Fazia dois dias que estavam viajando, pelas contas que ele e Green fizeram, levaria dois dias e meio para chegar em Cinnabar.

Ou seja, mais cedo ou mais tarde, ele voltaria para o mesmo lugar em que seu inocente eu de antes entrara por pura curiosidade e que conseguira sair por sorte.

Bocejou assim que pisou fora do centro Pokémon, onde os outros o esperavam.

–Eh! Senpai… — Crystal piscou. — Você tá bem? Aconteceu alguma coisa?

–Não conseguiu dormir de novo? Sua cara tá pior do que ontem. — Blue perguntou.

O garoto tombou os ombros.

–Eu falei. — Ouviu Gold comentar atrás de si e resmungou.

–É- É… Eu tive uns pesadelos, nada demais… — E se preguiçou. — Então, vamos?

–Ah, sim. — A morena de olhos cristalinos assentiu. — Lyra está esperando por nós.

–Certo! Vamos então. Celadon é perto mesmo, não deve demorar muito.

–Uhum, mas espera aí. Alguém avisou para a Lyra o porquê de irmos para Cinnabar tão

De repente? — A morena mais velha perguntou.

–Eu não tive a oportunidade ainda. — Crystal respondeu. — Mas explicarei tudinho quando chegarmos lá e eu tenho certeza que ela vai concordar em ajudar. A Lyra gosta muito da Yellow também.

–Tá bom, tá bom! Chega de conversa mole! — Gold acenou para os outros, impaciente e já montado em seu Togekiss. — Eu vou deixar vocês para trás!

O que era, de fato, verdade. Por isso que não demoraram mais nem um minuto e liberaram seus Pokémons; Red com Aero, Crystal com sua Xatu, Silver com seu Honchkrow e Green junto de Blue em seu Charizard.

–-000--

–Estou indo então!

–Faça uma boa viagem e tome cuidado!

–Claro! — A loira sorriu junto de Chuchu. — Crystal-san e os outros devem chegar logo, não?

–Sim, sim… Mas acho que ainda vão demorar bastante, ai ai. Não gosto de ficar esperando sem fazer nada, mas fazer o quê?

–Quer que eu te faça companhia?

–Ah! Não, não, imagina! — Lyra abanou ambas as mãos e riu um pouco. — Não precisa se preocupar comigo, Yellow-chan. E eu também não quero te atrasar.

–Não me atrasaria de modo algum, mas você tem certeza?

–Poderia até morrer de tanta certeza, confia em mim!

–Bom, se você diz então tudo bem. — Yellow ajeitou suas coisas e pôs seu fiel chapéu de palha em sua cabeça. — Até!

E acenou enquanto dava as costas para o centro Pokémon.

–Até! Boa viagem! — A morena abanou com ambos os braços enquanto dava saltinhos. A loira riu e virou completamente para frente, depois saiu correndo na direção da saída da cidade.

Estava animada, mesmo que a pista que tinha pudesse a levar a lugar nenhum. Não tinha certeza se encontraria o Pokémon em Cinnabar, mas pelo menos teria mais informações.

É como o velhinho de Viridian lhe dissera, se a lenda surgira de lá, então deveria haver alguém que soubesse onde encontrá-lo, tinha de ter!

Ou sobre como ele era, quais eram seus ataques, qual era o seu comportamento… E o que fazia com que aqueles que o conheciam agissem da maneira como Red e Professor Oak agiram.

Ou até talvez…

–Ai! — A pequena parou assim que atingiu a saída da cidade e pôs a mão na nuca. Parecia ter sentido como se uma faísca estalasse ali junto daquela mesma sensação fria de antes, só que muito mais forte.

“Yellow? Tudo bem?”

Ela piscou.

–T- Tudo sim, Chuchu. Não foi… Nada.

Balançou a cabeça, chamou Dody para fora de sua pokébola, montou o Pokémon e seguiu na direção de Cinnabar.

Aquelas sensações que vinha tendo desde que encontrara o papel eram tão estranhas… Será que estava ficando doente?

–-000--

–Ly-chan!! — Um moreno acenou enquanto corria na direção do centro Pokémon, mais especificadamente na direção da garota que estava na frente da construção e dava de comer para o seu Azumarill.

–Gold! — Lyra se levantou e acenou de volta, mas quase caiu para trás quando o garoto a abraçou de repente. — Uah!

O moreno riu e a levantou no ar, dando rodopios.

–Gold, não! Eu vou cair! AAAAH! — A morena debateu-se, mas conseguiu se soltar do abraço assim que ele parou.

–Eu faço isso desde que a gente é criança, você devia estar acostumada, sabia?

–É impossível se acostumar com isso! — Ela estufou as bochechas e colocou as mãos em punhos a frente de si, fazendo o garoto rir mais.

–Você vai matar a Lyra do coração um dia desses, sabia? — O ruivo se aproximou, com o cenho franzido. — Você só vai aprender no dia que derrubá-la e ela se machucar, não é?

–Talvez. — Ela respondeu com uma gota ao ajeitar sua blusa.

–Meh, meh, meh. — Gold deu língua. — Você tá falando isso porque queria abraçar a Ly-chan e tá morrendo de ciúme.

–Eu não! — Silver respondeu com as bochechas levemente rosadas. — Só estou falando a verdade.

–Uhum, sei! Ly-chan, acho que você devia dar um abraço no Silver para ver se ele deixa de ser tão cabeça dura.

A morena piscou e voltou seu olhar para o ruivo em questão, depois abriu um sorriso e esticou seus braços.

–Vem cá, Sil!

–Lyra, não!

E se afastou rapidamente quando a mesma avançou para cima dele, mas não adiantou de muita coisa quando ele teve que repetir o ato já que Lyra não desistiu.

–Ah, Sil, vem aqui!

–Eu já falei que não quero abraço! — O garoto exclamou com as bochechas mais avermelhadas que antes e continuou desviando da garota. Enquanto isso, Gold quase caiu no chão de tanto rir.

–Por Arceus, vocês não mudam nunca, né? — Crystal suspirou assim que chegou perto deles, seguida pelos veteranos de Kanto.

–Ah, Crys! — Lyra exclamou enquanto segurava o casaco de Silver — que tentava, em vão, se soltar — e piscou ao ver os mais velhos. — Eh? Blue-san, Red-kun e Green-kun? Vocês vieram também?

–Não avisou isso para ela? — O líder de ginásio perguntou para a garota com brincos de estrela e ela comprimiu os lábios.

–Eu disse que não tive oportunidade…

–AHÁÁ!! — A morena com o chapéu branco e grande exclamou assim que conseguiu pular em cima do garoto e se segurou pelo pescoço do mesmo.

–Ai! Sai de cima de mim, mulher! — Silver exclamou, quase caindo para trás.

–Ora, Silver. — Blue falou entre risos com a mão posta na frente da boca. — Abraça a Lyra. Qual o problema?

–Nee-san, não comece você também!

Blue riu mais um pouco seguida de Gold.

–Não quero ser estraga-prazeres e nem atrapalhar... — Red começou, chegando até a rir um pouco da cena. — Mas precisamos ir.

–Ah! — Lyra apoiou o queixo na cabeça do garoto em que se segurava — ignorando o protesto dele — e voltou seus olhos para eles. — Ir para onde?

–Cinnabar.

Ela piscou.

–Cinnabar...?

–Sim, é que eu não tive tempo de te explicar. — Crystal caminhou até mais perto dela. — Precisamos encontrar a Yellow o mais rápido possível.

–Yellow-chan?! — Ela arregalou levemente os olhos.

–Sim. Digamos que ela tá quase se metendo numa encrenca muito perigosa e a gente precisa achá-la antes que isso aconteça. — Red explicou. — A Crys te explica direito no caminho, va-!

–Não é isso! — Lyra o interrompeu. — É que a Yellow-chan tava aqui comigo até uma hora atrás.

Silêncio se espalhou entre os dexholders enquanto todos encaravam a garota.

–...Eh?

–Como assim?! — Crystal exclamou.

–A baixinha tava contigo?! — Gold apontou para amiga.

–Por que você não avisou?! — Blue fechou as mãos em dois punhos, frustrada e surpresa.

–Uma hora?! Faz uma hora que ela foi embora?! — Red entrou na roda de perguntas, se aproximando.

–AAAAAH! ESPEREM AÍ! — Lyra berrou e pôs as mãos nos ouvidos, saindo de cima de Silver. — Assim eu não consigo!

–Tá bom, chega. — Green decidiu intervir e levantou uma mão para fazer com que os outros se calassem. — Vamos com calma ou não vamos chegar a lugar nenhum.

–Explique isso direito, Lyra. — Silver pediu.

–Ah, bom. — Ela levantou três dedos. — Sim, ela tava comigo. Eu não avisei porque não sabia que precisava. E sim, faz uma hora. Ela foi direto para a saída da cidade.

–Aah... — Crystal suspirou e olhou para baixo. — Isso é culpa minha, eu devia ter te contado.

–Pera lá, Garota Séria. Não tinha como você saber!

–Mas-!

–O Gold tem razão. — O campeão da Liga assentiu. — Não fique se culpando, Crys.

–Ai, mas maldita Lei de Murphy! — A mais velha das garotas bateu o pé e cruzou os braços.

–Erm... — Lyra levantou a mão. — Com encrenca, você quis dizer... Tem algo haver com o Missingno?

Red piscou.

–Como você sabe?

–A Yellow-chan me contou. Ela disse que ouviu de um velhinho de Viridian que a lenda do Missingno surgiu em Cinnabar, então ela espera conseguir informações lá.

–... Ela sabe mais do que eu pensava. Isso não é bom. — Ele comprimiu os lábios. — Espera, ela conhece a lenda?

Lyra balançou a cabeça.

–Só por nome. Eu já ouvi uma vez, mas esqueci de grande parte dela.

–Eu também. — Silver se pronunciou. — É estranho, ter esquecido assim.

–Será que é porque a lenda é triste?

–Hm?

–É que uma das coisas que eu mais me lembro a respeito dessa lenda, é que ela era muito triste.

O ruivo piscou algumas vezes e arregalou os olhos.

–... Como se não pudesse ter um final feliz.

–Exatamente!

Green caminhou para o lado de seu melhor amigo e o encarou ao cruzar os braços.

–Não acha que tá na hora de contar para eles?

O moreno de olhos vermelhos estreitou os olhos, mirando seu olhar para baixo.

–Você sabe que eu não gosto de lembrar disso, Green. — Ele falou. — E eu me forcei a esquecer.

O líder de ginásio suspirou. E naquele momento, o outro garoto sentiu algo puxar sua manga.

Quando subiu o olhar, encontrou olhos azuis sérios.

–Sei que você tá aflito, mas precisa ser forte pela Yellow. — Blue falou. — Não tem problema se você não se lembra da lenda, mas deve conhecer alguém que lembre.

Red respirou fundo, mas antes que pudesse responder, uma nova voz cortou o ar de silêncio do grupo.

–De fato, ele conhece.

Ao olharem para a direção do som, encontraram um homem de idade, que usava óculos escuros, pequenos, redondos e um longo jaleco branco.

–Sr. Blaine? — O garoto piscou, surpreso.

–-000--

–E aqui estamos! — Um marinheiro de aparência simpática exclamou enquanto mantinha o motor do modesto barco de porte médio ligado. A garota piscou e assentiu, virou para trás com seu chapéu de palha balançando.

–Obrigada, senhor!

–De nada, mocinha. Ah! — Ele apontou. — Mas não tenho certeza se o Blaine vai estar aí.

–Não tem problema, eu precisava chegar à ilha mesmo! — Yellow sorriu e se curvou levemente antes de pular para fora do barco. — Muito obrigada mais uma vez.

O marinheiro riu.

–Cuide-se, então. Se precisar de carona para voltar, é só me chamar.

–Uhum. — Ela assentiu e acenou, o homem fez o mesmo e virou o barco para se distanciar da ilha. Yellow pôs a mão sobre o peito e respirou fundo.

Girou nos calcanhares e encarou a ilha.

–Eu cheguei…

“Para onde agora, então?” Chuchu torceu o focinho. “Seria bom falar com o Blaine, sabe! Ele conhece essa ilha melhor do que ninguém.”

–Bem, quem não tem Snubbull caça com um Meowth!

“Eu nunca gostei muito desse ditado, vou te dizer.” A ratinha amarela resmungou enquanto se segurava no ombro de sua treinadora que começara a correr em direção ao centro Pokémon.

–-000--

–Entendi… — O homem de óculos escuros murmurou de braços cruzados. — Então a mocinha resolveu ir atrás dele?

–Uhum. — Red assentiu, olhando para baixo.

Depois que encontraram Blaine, seguiram o líder de ginásio até a casa onde estava hospedado em Celadon. Sentaram todos em volta da mesa da sala e após contá-lo tudo o que havia acontecido, esperavam pelo o que viria em seguida.

–É bem do feitio dela. Para alguém que conseguiu ficar amiga de um cabeça dura como o MewTwo, eu não duvido nada. — Blaine riu levemente. — O que ela disse a respeito do Missigno?

–Que ele parecia solitário. — O garoto deu um sorriso pequeno, mas que logo depois desapareceu.

O homem assentiu.

–Ela é boazinha demais.

Foi aí que o dialogo dos dois foi interrompido por algumas batidas na madeira, criadas por ninguém mais, ninguém menos que Gold ao bater na mesa com a mão em punho.

–Eeer, tá! A baixinha é toda boazinha e compreensiva e etc, etc, etc. — Ele gesticulou com as mãos. — Isso a gente já tá careca de saber! Agora, vamos logo para o que realmente interessa!

–Gold! — Crystal e Lyra exclamaram juntas com o cenho franzido.

–Não me olhem assim, vocês estão curiosas também que eu sei. — E encarou as duas, depois, sua amiga de infância que arregalou os olhos e olhou para baixo enquanto batia a ponta de seus dedos indicadores.

–T- Talvez…

–Eu estou, mas não seja mal-educado!

–Meeh. — O garoto se debruçou sobre a mesa e afundou o rosto nos braços. — Tá, tá, desculpa.

–Tudo bem. — O homem de jaleco levantou uma mão. — Não culpo Gold por estar curioso, aposto que vocês também devem estar. Certo, acho que está na hora…

Mas ao invés de começar, voltou seu olhar para Red que apoiava a testa na mão e mantinha seus olhos fechados.

–Não precisa ouvir se não quiser, Red. — Blaine comentou, preocupado e ciente da condição do garoto.

Ele levantou rapidamente a cabeça e sacudiu-a depois.

–Não, eu… Eu estou bem.

–Tem certeza?

–Sim, pode continuar, Sr. Blaine.

–Bom, se você diz… — O líder de ginásio suspirou. — Faz um bom tempo que não conto essa história… Ela existe em Cinnabar desde muito tempo e sempre se foi feito o possível e o impossível para que ela não se espalhasse pelos outros lugares de Kanto.

Pika aconchegou-se no ombro de seu treinador que fez carinho em sua cabeça.

–... A lenda da Ave Amaldiçoada e do Cavaleiro Desafortunado.

–Cavaleiro? — Blue murmurou.

–Vou explicar. — Blaine assentiu e ajeitou seu chapéu. — Há muito, muito, muito tempo atrás… Não existiam apenas 3 aves lendárias de Kanto, mas sim 4. Todas ainda sobre o domínio de Ho-oh, começou com apenas Articuno, Zapdos e Moltres, até Arceus achar que Ho-oh precisava se um auxiliar, um moderador para ajudar a cuidar delas.

–O Missingno? — Lyra perguntou e Blaine assentiu.

–Quando Arceus criou Missingno, nem o próprio Deus conseguiu identificar o tipo de poder que ele possuía, apenas que era algo estupidamente poderoso. Durante muitos anos, tudo correu bem e Missingno estava fazendo um excelente papel, mas...

Red sentiu uma dor aguda atingir-lhe a cabeça, porém manteve-se firme.

–Mas? — Gold piscou. — E aí?!

–Na lenda, Missingno estava ficando mais poderoso, ao ponto de começar a ter mais controle sobre as Três Aves Lendárias, o que deixou Ho-oh ameaçado e enfurecido, mas como o outro não a lhe dera ouvidos, ambos acabaram numa luta terrível que quase destruiu Kanto.

–Eh?! — Blue exclamou. — Houve algo assim? Então, cadê as ruínas?!

–Não sobrou nada.

Ela engoliu em seco.

–Quando a luta estava no final, e tanto Ho-oh quanto Missingno não tinham mais forças para continuar, mas eram teimosos demais para parar, Arceus apareceu para dar um fim naquilo. Embora Missingno estivesse ganhando, ele não teria como lutar contra Arceus e, de fato...

O Deus Pokémon retirou seu domínio sobre as outras Três Aves Lendárias e boa parte de seus poderes e o exilou em uma dimensão-prisão.

–Deixe-me adivinhar. — Green se pronunciou. — Ela fica em Cinnabar.

O outro líder de ginásio assentiu.

–Claro.

–-000--

A pequena loira soltou um leve suspiro ao sair do centro Pokémon.

"Eu te avisei que era melhor falar com o Blaine."

–Ah, mas Chuchu! Pelo menos descobrimos algo mais!

"Que o Missingno está preso numa dimensão paralela que..." A Pikachu mexeu suas patinhas. "Pode estar em Cinnabar."

–Exato! Vamos procurar!

"Yellow!"

Mas a garota saiu correndo ilha adentro e parou perto do que parecia ser o meio.

–Tive uma ideia!

"Esqueci o quanto você consegue ser teimosa quando tá determinada." Chuchu suspirou, gostando ainda menos da situação. "Que ideia?"

–Vou tentar escutá-lo.

"O quê?! Yellow, espera!" A rata elétrica exclamou. "Você não tem certeza se esse Pokémon está mesmo aqui! Se você se forçar demais para nada, vai acabar desmaiando aqui mesmo."

–Mas eu não tenho outra escolha, Chuchu. — A loira suspirou. — Preciso tentar.

Ao não ouvir resposta, Yellow encarou aquilo como o consentimento de sua Pokémon e fechou seus olhos.

Concentrou-se no ar ao seu redor, silencioso. Preenchido apenas pelo som das águas, dos ventos e alguns murmúrios vindo de nadadores e barcos.

Até que tudo se calou. Absolutamente tudo.

A pequena conseguiu ouvir sons distintos que logo sumiam, mas recomeçavam. Pareciam sussurros, rápidos, inquietos...

E depois, silêncio outra vez.

Até que um berro absurdamente agudo rasgou pela extenção de sua mente.

Yellow gritou com o susto e pôs as mãos na cabeça, agachando-se. Chuchu caiu de seu ombro.

"Yellow?!?!"

A loira arregalou seus olhos verdes.

–Achei.

–-000--

–Após fazer isso... — Blaine continuou. — A lenda diz que Arceus decretou que alguém receberia o fardo de encontrar Missingno e ceifá-lo.

–Ceifar? — Gold piscou.

–Significa matar. — Red explicou e o mais novo engoliu em seco.

–Como eu dizia, o fardo cairia sobre um cavaleiro de cor quente.

–Ah! Agora eu me lembro porque é tão triste! — Lyra exclamou, mas olhou para baixo. — Erm, desculpa.

–Tudo bem, Lyra. — O homem sorriu, seu bigode branco movendo-se um pouco. — Pode continuar.

–Ah, obrigada. — A morena respirou fundo. — Agora eu lembro, é triste porque é meio injusto...

–Como assim, Lyra? — Crystal tombou a cabeça.

–É porque.... Sabe, mesmo que ele seja o vilão, depois do que Arceus fez, o Missingno está só com metade da vitalidade dele e não está em condições de lutar, mas por outro lado... Se ele é tão poderoso assim, o cavaleiro não vai ter chance contra ele, mas tem também...

–A chance de ambos acabarem se matando. — Silver completou, sério e a morena assentiu.

Silêncio se seguiu pela sala enquanto as palavras se acomodavam no cérebro de todos, formando uma marca permanente.

–Tem uma coisa que eu não entendi. — O moreno de olhos dourados murmurou. — Como assim "Cavaleiro de cor quente"?

–É como chamam certas tonalidades de cores, Gold. — A garota com brincos de estrela começou. — Sabe as cores frias são azul, verde e roxo. E as quentes são laranja, vermelho e amarelo.

Olhos azuis médios se arregalaram.

–Então... Nesse caso, o Cavaleiro seria um Cavaleiro Laranja, um Cavaleiro Vermelho ou um Cavaleiro Amarelo.

Green percebeu as mãos de Blue tremerem sobre o colo da garota e o olhar estranho que ela direcionava a lugar nenhum.

–-000--

–Meu Arceus... — Yellow murmurou enquanto encarava o enorme buraco a sua frente.

"Eu não acredito." Chuchu falou no mesmo tom, no chão e de frente para o buraco também. "Está aqui..."

–Sim...

"Espera! Yellow, você não vai descer, vai?"

–Erm, eu teria que... Mas esse buraco parece não ter fundo, não sei como eu faria isso...

"Que tal não fazer? Pelo menos por agora, não sei."

–É, tem razão... — Ela assentiu enquanto se virava. — Melhor esperar até eu pensar em algo.

Mas, como se o tempo a sua volta estivesse impaciente, ele não quis esperar.

Pelo menos, foi o que pareceu quando Yellow escorregou numa pedra e caiu para trás.

–Eh?

"YELLOW!"

Viu seu chapéu voar para longe e o céu se fechar em um formato circular, enquanto a gravidade lhe puxava para a escuridão infinita.

Em direção ao conto

Rapidamente

Ela caiu sem escolha

Notas finais
....................... =D Acho que vocês se lembram quando eu disse que esse cap. seria o ponto de partida das tretas, nom? Ora pois é. Até o próximo~ P.s: Tem uma referência absurda nesse capítulo a um dos personagens da história, mas eu aposto que ninguém vai descobrir qual é uwu