The Lost Camp
1 Apresentações e Vadias
Notas iniciais
http://www.polyvore.com/lost_camp/collection?id=2721143
Debby Rodriguez
Às vezes eu acho que deveriam extinguir logo toda vida na terra. Porque deu merda.
Bem, se apresentar primeiro. Meu nome é Deborah Rodriguez e minha vida é uma droga. Eu nasci como uma pessoa “diferente”. Não, eu não sou deficiente. [Retire o que disse, Carol, AGORA!] Eu apenas tenho um azar desgraçado, uma hiperatividade compulsiva e uma mania maldita de cegar os outros com meu brilho. Ah, e eu sou a filha de uma mortal com um deus antigo que controlava os mares antes da raça humana aparecer.
Isso é um tanto diferente, mas existem outros como eu. Não os gregos olimpianos que são filhos de Zeus, Poseidon e essas coisas, ou romanos filhos de Marte, Vulcano. Esses são fichinha. Somos filhos de deuses primordiais que á muito tempo formaram o universo. Sabe-se lá porque temos um “imã de azar” ou “sistema para atrair desgraça” porque a gente não pode sair na rua sem que tenha algum bicho nos seguindo e tentando, sei lá, matar pra assar e comer com farinha. O que seria uma coisa ruim, porque eu não acho que tenha um gosto lá essas coisas.
A vida nesse “Acampamento” é muito estranha. Pra começar nós moramos numa geleira no meio do golfo do Alasca. O que significa: Frio. Muito Frio. Estupidamente Frio. O pior é que eu não posso nadar quando está frio. Porque está frio, vou ficar com frio, agora eu percebi que falei frio tantas vezes que já perdeu o sentido. Frio, frio, frio.
A questão é que: Aqui faz frio.
O acampamento é divididos por “clãs” que significa a linhagem divina. Tem o primeiro clã de Gaia, Éter, Eros, Tártaro e Urano. O segundo tem Chronos, Érebo, Hemera, Nyx e Ananque. O terceiro tem Selene, Ponto, Ceto, Tálassa e Nesoi. O quarto e último, Fanes, Ofíon, Quione, Clóris e Morfeu e os indeterminados. Eu fico no terceiro que não é o pior, mas está bem longe de ser o melhor.
Sim, vamos á porque a vida é uma merda, ou deu merda. Tudo começou de manhã que eu erroneamente achei que era uma manhã normal.
– ACORDANDO, VADIAS – Maya gritava pelo corredor do dormitório. Ela era minha irmã e era um idiota. Ela era a nossa representante junto com o Jhonny Halt, filho de Nesoi.
– Pra quê?! – Essa era a Carol, na parte de cima do beliche.
– Porque se não eu deporto dois alguém que estão no aquário... – Maya sempre tentava deportar Cece e Tyler, os dois tubarões brancos que a Carol achou quando eles ainda eram filhotinhos e os criou como se fossem seus filhos. Maya os odiava porque tomavam metade do espaço da nossa piscina. Sobre a Carol, faz sentido, porque ela é filha de Ceto.
– Deixe meus bebês fora disso...
– Eles estão ficando com fome...
– Eu to indo... – Carol se levantou de contragosto e foi se vestir lá em baixo. Arrastei-me para fora da cama também e...
– Debby, bom dia! E de dias eu entendo – Oh, droga. Essa era Felícia Ouli, filha de Hemera, deusa do dia. Ela era a prova viva que alguém sem escrúpulos pode sobreviver até os 15 anos.
– Hey, Felícia. Vamos descer? – Falei tentando parecer cansada, mas não fui poupada da ladainha. – Um minuto, matraca, eu tenho que fazer uma coisa.
Fui até a quinta beliche onde a filha de Selene, Allison, ainda estava sonhando e sorrindo. Devia estar tento um sonho bom, o que é muito raro. Talvez nunca aconteça novamente.
– ACORDA VAGABUNDA! SÃO QUASE MEIO DIA E VOCÊ AÍ VADIANDO!
– O quê? Quem? Onde? – Ela olhou para o Relógio do centro da parede – Debby, são oito da manhã.
– Vamos, a Maya tá de mau humor e eu muito mais.
– Não quero acordar...
– Mas está um lindo dia! – Felícia falou, como se a gente se importasse. Ally cogitou.
– Hum... Foda-se. – E se deitou de novo.
– Okay. Você que pediu. – Então eu agarrei o pé dela até a beirada da escada – Quer descer como gente ou como está agora?
– Tá, me larga. – E fomos tomar uma ducha. – Vamos antes que eu recupere a razão.
A cabine 3A era um galpão imenso de dois andares, coisa que não se pode dizer do lado de fora. O segundo andar era uma plataforma, sem a parte do meio, onde ficavam os beliches e os baús onde guardávamos algumas coisas pessoais. No piso, um vestiário-banheiro, uma sala de reunião e de lazer. O lazer significa livros. E os livros de lá são chatos. Logo, sala de lazer é uma ironia.
Descemos e tomamos banho ainda com a Felícia dizendo o quanto o dia era belo e o quanto de coisas sem futuro ela iria fazer hoje. Por fim, trocamos de roupa e saímos para tomar café. Pela frente, a nossa “área” onde Carol já doava peixes enormes, ainda vivos, para os seus “bebês” comessem.
Nossa “área”, dos campistas das cabines 3, era do tamanho de um campo de futebol, desses estádios loucos que tem no continente. Metade dele tinha as cabines, 3A e 3B, e a outra metade, um terreno para construir o que quiser. Cada pai divino tinha uma estrutura montada. Os filhos de Hemera tinham uma estufa, os de Selene, um observatório, e o que restou, foi cavado uma piscina gigantesca de água salgada, para os filhos de Ponto e Ceres. Ainda tinha uma ilha no meio para os filhos de Nesoi, deusa das ilhas. E era nessa dita cuja piscina que estavam nossos “amiguinhos” Cece e Tyler.
Subi, junto com Ally, pela plataforma acima da piscina, onde a Carol estava sentada e jogando peixes que sumiam na boca dos tubarões brancos. Adoráveis bichinhos. Pra quê um hamster?
– Carol, temos que ir tomar café da manhã, lembra?
– Tô indo... – E deu um beijo no nariz estranho do tubarão. – Volto já, bebê. Hum...Sim, eu vou ver se consigo.
– O que ele quer?
– Primeiro. Essa é a Cece, ela é fêmea.
– Como sabe? – Ally perguntou olhando para a “tubaroa”
– Apenas sei. – Carol respondeu desviando o olhar – Segundo, ela quer alguma coisa que não seja peixe.
– Eu voto na Natasha. – Falei levantando a mão.
– Não... Eu procuro alguma coisa de qualidade. Uma cabra?
– No meio do Alasca. Claro. Podemos também e na praia e tomar sorvete? – Ally falou rindo de si mesma.
– Ha-ha. Palhaça. Vamos logo antes que nos vejam. – Carol falou tirando as botas de borracha que ela usava para ficar na parte rasa da piscina.
– Eu sou o Batman, logo seu argumento é inválido. – Ally falou apontando para a camiseta que estava por debaixo do casaco.
– Mas você não é... – Carol disse. O que foi um erro. Ally colocou os dedos no lábio da filha de Ceto e cantarolou.
– Shiu. It’s a secret, can you keep it?
– Você tem que parar de assistir Pretty Little Liars.
– Vamos, estamos perdendo o café da manhã! – Agarrei o braço das duas e fui arrastando. Eu não tenho medo da Carol. Não mesmo. Mas ninguém fica respondendo uma filha de Ceto do lado de um aquário com dois tubarões brancos.
Para você não fique perdido se vier aqui, eu vou descrever de uma maneira que só a Felícia não entenderia, certo?
Entre os quatro campos passava uma ruazinha de pedra negra. Do outro lado, ficavam as cabines 4. De um lado as duas outras cabines e do outro uma imensa floresta de coníferas que usávamos em projetos de treinamento avançado. Passadas as cabines, nós dobrávamos e íamos até a “Área de Ninguém”. Era como o centro do nosso acampamento. Lá estavam quatro pavilhões, a cabana de Administração e do lado uma arena-auditório. Os pavilhões eram o de refeitório, hospital e depósito, templo e cultural.
O pavilhão refeitório era um galpão imenso com oito mesas de acampamento gigantescas de pinheiro e cozinha. Era um lugar rústico e de certo modo aconchegante. Com uma fogueira que crepitava dia e noite. O de hospital era uma grande enfermaria e também onde guardávamos ingredientes e remédios. Provisões no geral. O templo era onde conversávamos com os deuses e onde os filhos de Ananque passam a maior parte do tempo, pois são como videntes. Muitos morreram. As moiras são cruéis com seus irmãos, mas uma ainda está viva e ativa, sem promessa de morte. O pavilhão cultural era de longe meu favorito. Tinha uma biblioteca descente com todo tipo de livro que você imaginar, um cinema (que quase nunca passava filme legal, mas não estamos podendo se dar ao luxo de escolher o filme) e salas de aula. Ok, não é TÃO legal assim. Mas é melhor do que a “sala de lazer”.
Chegamos ao pavilhão refeitório assim que as tias da cozinha colocaram os talheres e pratos em cima da mesa. Pela frente, já estava uma fileira enorme dos mais variados itens de café-da-manhã, mas com um problema... Porque tem que ser saldável? Frutas, saladas, sanduíche integral, mingau de aveia... Alguém me traga bacon! Mas como a gente é mais esperta que esses manés da aveia, sempre damos um jeito.
– Hey, Frida, tem bacon? – Ally perguntou se escorando no balcão. Frida era a tia da cozinha e como toda tia da cozinha boa, ela era nossa gorda tia da cozinha. E era uma ninfa. Temos tubarões e uma ninfa gorda. Somos demais, bitches.
– Não. – Gorda, curta e grossa.
– Hey, Frida... Olhe para essa pobre criatura – Ally apontou dramaticamente para a Carol – Olhe para essa pele amarela de anemia...
– Eu não tenho pele amarela, só estou... AI! – Carol tentou argumentar, mas, sem querer, claro, eu meio que pisei no pé dela com força.
– Olhe para esse corpo esquelético – Ally falou e Carol prendeu o ar – As bochechas descarnadas... Ela precisa de um pouco de bacon...
Era uma estratégia interessante e Frida vivia dizendo que só comíamos porcarias e mesmo assim, estávamos desnutridos. Também! Quando tem pra comer é só barrinha de cereal e leite de soja. Ela olhou com compaixão para nossa desnutrida postiça e deu um “own”, depois foi correndo buscar alguma coisa. Por fim, não ganhamos bacon, mas waffles gigantes.
– Aproveitem e comam também. Estão palitinhos. – Frida acrescentou.
– Conte conosco, Frida.
Saímos cantarolando com nossa bandeja das delícias.
O refeitório era dividido da mesma forma que as cabines. Mas há muito tempo que ninguém respeita isso. Como sempre, sentei eu, Carol, Ally, Sammy, Becky, Mary, Dean, Drake, Arty e, infelizmente, Felícia. Todo mundo comia e ás vezes conversavam, mas quem precisa de contato social quando se tem comida?
Sammy era filha de Nyx. Ela era meio perturbada e não a culpe. Isso é Vegas, colega. Ela ficava quase o dia todo conversando com o Arty só porque ele foi seu primeiro amigo aqui. Grande coisa. Minha primeira amiga foi a Felícia e eu não gosto dela. Tapa na cara da sociedade. A Mary é a única filha de Ananque que temos hoje, portanto, fica muito tempo no templo, mas ela não tem o que chamamos de “Integridade com a obra”. A Becky ama esse lugar. O motivo: filha de Quione.
Já o Dean é filho de Éter e adora esfregar na minha cara que está na cabine 1. Panaca. Mas ele passa bons bocados com a gente, principalmente pregando peças. O Drake é o mais normal entre nós. Você já ouviu aquela história que nasceu um raminho de folha no pulmão de um cara não sei da onde? Nunca fomos acampar com o Drake de novo, desde que um carinha filho de Ofíon o chamou de maricas por ser filho da deusa da primavera, Clóris, e isso aconteceu. O Arty era filho de Gaia. E mesmo achando a mãe dele a mistura de “tudo que há de ruim”, só ele pode dizer isso. Então fale pelas costas dele mesmo.
Estávamos já saindo do refeitório quando os garotos se despediram e foram competir na Arena. Nós seis que sobramos ficamos meio sem rumo até achar o que fazer. Bem. Sabe a parte que deviam extinguir a vida na terra? A razão vem aí.
Natasha Draynor. A russa filha de Eros. Era loira oxigenada, com olhos azuis brilhantes e um cheiro enjoativo de perfume barato. Sinceramente, ela rebolava tanto que um dia eu juro que ela quebra o quadril. Como sempre estava toda maquiada, com salto e um volume de “50 Tons de Cinza” debaixo do braço. Desde que eu me entendo por gente, o marcados de lacinho estava no começo do livro. O pior dessa nojenta era que ela tinha um aura que fazia todo mundo querer se arrumar antes de falar com ela. Eu ainda ameacei ajeitar minha franja (toda amassada), mas resisti.
– Bom dia, vaquinhas. – Natasha falou – Enfim, aqui seria a terra dos perdedores?
– Sim, bem vinda pra casa. Tínhamos vindo te visitar, mas você não estava. – Ally falou com um sorriso mais falso que o nariz da Natasha.
– Andou treinando respostas? Uh, está tão longe. Com quem aprendeu essa resposta brega?
– Com a rainha das bregas. Grata pelas aulas, majestade. – Ally respondeu com uma mesura.
– Deuses, você é irritante. Com licença. – Ela falou com aquele gesto muito maduro “Fale com a minha mão”
– Dê a volta – Falei. Ela queria simplesmente me atropelar.
– Saia do meio, sua nada.
– Olha aqui. Você sabe com quem você está falando, vadia? – Falei estralando os dedos.
– Com quem?
– Você está falando comigo... – E dei aquela voltinha com o pescoço.
– Nunca disseram o quanto você é idiota?
– Nunca disseram o quanto você é artificial, puta, descartável? Não andam nos contando um monte de coisas.
– Debby, para. – Carol, para a minha surpresa, falou. Ela brincava com uma caneta esferográfica, desmontando-a – Natasha, você é tão legal!
– Sério? – Até ela estava surpresa.
– Não, eu queria de dar de comida para meus tubarões, mas eles teriam indigestão – Então pegou a caneta que tinha desmontado e soprou forte o “canudo” da tinta, na cara da vadia, espirrando tinta na cara dela e na blusa de marca – Agora a gente corre.
Então corremos das pragas que Natasha lançava. Chegamos à Arena e nos escondemos no fim dos degraus da arquibancada para assistir á luta dos garotos.
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