The Lost Books

5 A patrulha.


Notas iniciais
Demorei para escrever, eu sei, eu sei. Me desculpem por isso. O capítulo anterior ficou meio ruim, mas vai melhorar. Palavra de poeta morto -q.

Josh ficou apavorado. Diana mais ainda. Eles precisavam de uma desculpa rápida e convincente. Por um segundo, o garoto achou que tudo estava perdido. A professora segurou seu braço com força e disse:

– Eu peguei o sr. Brand espiando algumas garotas trocando de roupa no vestiário, após a aula de educação física.

Vagabunda!, ele pensou. Inventou uma mentira brilhante para salvar a pele dos dois, mas conseguiu meter Josh em outra encrenca.

– Isto é verdade? — perguntou Jackson.

– E-Eu... — ele mal tinha forças para falar. A língua adormeceu de tão perplexo que ficou com toda a situação.

– Ainda há pouco, ele me implorava para não lhe contar. Mas é o meu dever. Creio que não mereça uma punição severa, diretor Jackson. Afinal de contas, é um dos melhores alunos de sua classe e seu histórico escolar me parece bom.

Jackson fitou os dois mentirosos. Alisou o bigode com os dedos e, por fim, decidiu.

– Leve-o a coordenação e diga para lhe darem uma pequena advertência. Espero que isso não se repita, sr. Brand.

Do lado de fora, Josh viu sua amiga tentando descobrir o que estava acontecendo na porta da sala. O diretor pediu licença e fechou a porta. Depois de alguns segundos, a professora soltou um grande suspiro de alívio.

– Não conte a ninguém, Josh — ela pegou um papel no bolso e entregou ao aluno — Tome. Qualquer coisa, me ligue.

Ela se virou e seguiu pelo corredor, deixando-o sozinho. Ele ainda estava em choque com tantas informações rodeando sua mente. Porém sabia que, não importa o que acontecesse, Diana atenderia sua ligação. O sinal tocou para o final da aula e as turmas saíram de suas salas. Josh foi até seu armário e Alicia apareceu em seguida.

– O que foi aquilo? — ela perguntou rindo.

– O quê?

– Aquela discussão com o sr. Jackson, idiota.

– Ah...Eu andei espiando umas garotas no vestiário.

– Você o quê? — Alicia disse rindo — Sempre soube que você era um pervertido nojento.

Josh não conseguiu conter o riso. Era engraçado, de verdade.

– O que o diretor estava fazendo na sua sala? — ele perguntou como quem não quer nada.

– Ah, ele queria saber quem gostaria de participar de uma patrulha de segurança. Tipo guardas, sabe?

– Pra quê? Já não temos segurança o bastante aqui?

– Uma patrulha de segurança contra revolucionários.

– C-Como assim? — Josh começou a sentir uma crise de ansiedade subir até seu cérebro.

– Denúncias anônimas. Parece que esses babacas voltaram para mudar o sistema. E estão dentro da nossa escola. — ela respondeu sem importância.

– Ah é? E o que mais? — Josh questionou enquanto revirava suas coisas no armário.

– Eu me ofereci.

O garoto fechou o armário com força. Duas situações o cercavam agora: 1) os revolucionários voltaram e 2) sua melhor amiga se tornara sua maior inimga.

– O que foi? — Alicia perguntou percebendo o desconforto do amigo.

– N-Nada. Lembrei que tenho dever de casa. Preciso ir.

Ele se despediu dando um beijo no rosto da menina e saiu correndo pelo corredor, em direção a saída. Esbarrou em vários alunos até abrir a porta e chegar a rua. Um arrepio percorreu suas espinha. Se Alicia entrasse para a nova patrulha de segurança, seu plano iria por água abaixo. Ela era esperta, não demoraria para descobrir que Josh participava de um grupo revolucionário.

Após alguns minutos de caminhada, ele chegou em casa. Subiu correndo as escadas até seu quarto. Trancou a porta e jogou sua mochila no chão. Suas mãos tremiam enquanto apertava os números que apreciam na tela do celular. Diana precisava saber o que estava acontecendo.

Sua chamada está sendo encaminhada para a caixa de mensagem. Estará sujeito a cobrança após o sinal. Josh desligou. Tentou novamente. Nada. Tentou mais cinco vezes. Nada.

– Merda! — ele gritou, jogando o celular na parede — Por que você não atende?!

Ele ouviu sua mãe bater a porta.

– Josh? O que aconteceu, filho?

– Tá tudo bem, mãe! — ele respondeu.

O garoto entrou em desespero. Sentou-se na cama e começou a mexer nos cabelos. O suor escorreu pelo seu rosto e as mãos ficaram geladas. As horas passaram e seu pânico só aumentou. E se ela não me ligar de volta?, ele pensava. Josh levantou e pegou seu celular que estava jogado no chão. O relógio marcou 7:30 pm. Não demorou muito para ele se sentir cansado demais para ficar de pé. Sentou no piso e encostou-se na cama. Após alguns minutos, adormeceu com o celular nas mãos.

Josh acordou com a vibração do celular. Olhou o relógio novamente. 2:47 am. A tela mostrava o contato salvo como Diana. Piscou os olhos para acordar de verdade.

– Alô?

– O que aconteceu?– a voz de Diana parecia calma.

– Uma patrulha de segurança contra revolucionários na escola — ele respondeu com a boca seca — Alicia se ofereceu.

– Patrulha de segurança?

– Parece que existe um grupo de revolucionários dentro da escola. O diretor Jackson passou em todas as turmas. Ele queria guardas para combater esse tal grupo.

– O que mais você sabe?

– Só isso. O que faremos?

– Entre para a patrulha.

Josh simplesmente não acreditou no que a professora acabara de lhe dizer.

– Entrar? Tá maluca?

– Será a nossa vantagem. Vamos descobrir o que eles planejam e como vão deter os revolucionários.

– E se não der certo?

– Só não vai dar certo se você fizer merda, entendeu? Falo com você amanhã.

E desligou.

No dia seguinte, Josh sentia-se exausto física e mentalmente. Estava ansioso. Saiu atrasado de casa e só chegou na escola no segundo tempo. Encontrou Alicia mexendo em seu armário, mas passou correndo pela amiga.

– Ei, Josh! — ela gritou.

Virou algumas esquinas, até a sala do diretor. Respirou fundo e bateu a porta.

– Entre - ele ouviu a voz do diretor Jackson.

Josh abriu a porta e encarou Jackson.

– Feche — ele ordenou.

O garoto obedeceu e fitou o diretor por mais alguns segundos. O velho careca e gordo tinha um aspecto ruim. Seus olhos verdes pareciam procurar por alguma vítima. De fato, assim como o presidente Will, Jackson era uma pessoa má e ambiciosa. Josh sabia que o diretor era capaz de fazer qualquer coisa para conseguir o que quer. Sentado com os pés em cima da mesa, ele perguntou:

– Como posso lhe ajudar? — Jackson esboçava um sorriso malicioso.

– E-Eu gostaria de entrar para a patrulha de segurança.

A notícia pegou o diretor de surpresa.

– Você? Na patrulha? Quanta ironia! Quem diria que o irmão do último traidor gostaria de entrar para um grupo que combate os revolucionários?

Josh ignorou a piadinha e tentou parecer forte.

– Quero tentar impedir que outros acabem que nem ele.

Jackson levantou e começou a rir.

– Muito bom — ele disse batendo palmas — Estou surpreso. Agora me diga: o que você realmente quer fazer dentro da patrulha?

– Já lhe disse, senhor. Quero combater os revolucionários.

O diretor se aproximou de Josh, que conseguiu sentir a respiração do velho.

– Estou de olho em você, Brand. Não ouse me desafiar. Sabes que tenho contatos.

– Sem problemas, senhor.

– Saia.

Josh se dirigiu até a porta e abriu. Antes que pudesse sair, esbarrou com alguém que estava prestes a entrar na sala do diretor. Este alguém era Diana. Ela segurava vários livros na mão e soltou todos no chão.

– Me desculpe, sr. Brand! — ela disse com tom de voz um tanto quanto alto. Lançou um olhar do tipo Não seja idiota e junte os livros comigo.

Josh se abaixou junto a professora e fingiu juntar os livros.

– O que está fazendo aqui? — ela cochichou.

– Entrando para a merda da patrulha.

– O que o diretor disse?

– Ele está de olho em mim. Você sabe, meu irmão.

– Ótimo, seja discreto. Não vamos colocar tudo a perder.

Em meio aos sussurros, eles se levantaram e se encararam por alguns segundos como sempre faziam.

– Vão ficar quanto tempo se olhando, srta. Jones e sr. Brand? — Jackson interrompeu a troca olhares.

– Perdão, senhor diretor. Só passei a odiar esta professora que me dedurou. — Josh respondeu de longe.

Diana fez uma expressão de alívio. Finalmente, Josh tinha pegado o espírito da coisa. Lançou-lhe um sorriso e piscou o olho esquerdo como forma de agradecimento. Ele acenou com a cabeça e foi embora.

– Entre, professora. — Jackson disse.

Ela entrou e fechou a porta.

– Queria me ver, diretor?

– Sim, sim. Sente-se, por favor.

Ela obedeceu e o velho se aproximou. Encostou-se na mesa e a olhou por alguns segundos.

– Srta. Jones, sabe que confio muito em você, certo?

– Sim, senhor diretor.

Ele se aproximou mais. Alguns fios de cabelo caíram sobre o rosto de Diana e Jackson se prontificou em colocá-los por de trás da orelha. Aproveitando-se da situação, ele acariciou seu rosto.

– Você é uma profissional impecável, sabia disso? — ele continuou.

– P-Podemos ir direto ao ponto, diretor? — O diretor havia chegado ao ponto fraco da professora. Ela se sentia vulnerável, como uma garotinha de 5 anos.

Sem demora, o diretor beijou Diana. Uma ânsia de vômito subiu à garganta dela.

– D-Diretor, não deveria ter feito isso — ela se defendeu, levantando.

Jackson se dirigiu até a porta e trancou. Diana sentiu o desespero bater no seu peito ao ouvir o barulho da chave.

– Diretor, abra a porta!

Ele apenas a ignorava e se aproximava mais ainda. Andando de costas, a professora recuou até encontrar uma sequência de gavetas de metal, onde se guarda milhões de arquivos. Jackson a encurralou e a beijou novamente. Diana tentava se soltar, mas o velho era forte e a segurava com força. A professora virou o rosto para impedir o próximo beijo, mas não obteve sucesso.

– Não me deixe assim, professora. A senhora é tão competente — ele sussurrava em seu ouvido — Se gritar, sabe o que pode acontecer.

Cada palavra parecia um tiro para Diana. Jackson mostrou uma arma presa ao corpo. As lágrimas começaram a escorrer pelas bochechas. Ela não tinha forças para se mover.

– Me deixe em paz — ela conseguiu dizer.

O diretor sentou a professora em sua mesa que ficava ao lado do armário. Pegou seu revólver e colocou dentro da boca de Diana.

– Uma palavra, um movimento e você morre.

A professora chorou mais. Em poucos segundos, sentiu a mão de Jackson entrar em sua saia. Diana fechou os olhos. Não queria ver o rosto do velho.

– Para o sistema, pelo sistema e com o sistema, querida — ele dizia várias vezes.

Ela tentava falar, mas a arma em sua boca a impedia. Se mover era impossível. Durante o ato, o diretor falava:

– Você deve estar se perguntando o porquê disso tudo, certo, querida? Pensa que eu não sei que andou dando conselhos ao sr. Brand?

Agora, Diana já não estava sentada na mesa. Estava deitada. E o diretor já não usava mais as mãos. O velho ria de prazer, enquanto a jovem professora chorava de desespero e medo.

– Se tentar qualquer coisa, você será a próxima.

Notas finais
Espero que tenham gostado (: