The Lost Battle
1 O Golpe da Espada
Talvez você se arrependa, mas ainda é cedo. Talvez aquelas noites sem dormir te lembrem de alguma coisa, ou foram apenas horas que passei de suporte em atordoadas reclamações enquanto você se via sozinho. Lembra-se de mim, nobre paladino? Sou a dama da noite que teve exímia e ilustre presença naquele conto de ninar. Talvez os sinais no relógio não são mais suficientes pra você. E acho que nunca mais me recuperei daquela manga repleta de lágrimas minhas, no canto esquerdo da sua camisa.
Valente cavaleiro, quando poderá me salvar de novo? O dia que me chamou de melhor amiga, embaixo daquela árvore, quem sabe eu não lhe contei, mas quando viraste as costas chorei por pensar em ser tão marcante na vida de um ser tão honroso. Acho que me enganei mais uma vez.
Todos foram embora e eu não senti nenhum fio de dor; mas você, cavalariano, me afligiu com sua espada e dói admitir, maior do que a angústia da ferida, eu queria que ainda estivestes aqui pra ajudar nas cicatrizes que você mesmo causou.
Deveras, éramos sangue do mesmo sangue em um passado de aldeias e batalhas, mas agora o laço se derramou e a ligação fora desfeita, tudo isso por um fantasma passado. O dia que você jurou que choraria se eu fosse embora, agora você pediu minha ida.
Será que dói só em mim, jovem tolo? Ou você se perdeu em devaneios alguma vez nestes dias, lembrando-se do que sua dama abandonada significou? Lembrando-se da minha voz em desespero tentando aprender a lidar com a vida, ou de suas noites de sono perdidas, preocupado por ter me visto chorar pela primeira vez.
Arriscaras tudo para me ver sorrir e hoje você não sabe a saudade que deixou, por ter sido único. Meu orgulho não me fez assumir que te amei, mas já é tarde demais. Talvez nunca houvesse sido o suficiente. Talvez eu mesma só tenha sido o que precisava naquele momento, como um viajante sem nada busca um gole de gin em uma noite tempestuosa para conseguir um pouco de esperança. Eu fui isto pra você? E agora me sinto a garrafa velha, onde tomara todas as gotas e restara em mim apenas o que você deixou, nada. Talvez reflexos e sombras daquilo que já fui um dia, quando você estava comigo para chamar de irmão. Nosso tolo, cavaleiro e a rosa... você deixou ela morrer.
Não pensei no buraco que deixastes, mas talvez eu seja só uma personagem do jogo que você fazia questão de jogar todas as tardes. Hoje, quem está jogada sou eu. E antes de dormir eu ainda penso em como alguém tão nobre pode fazer tanto estrago em mim? Talvez seu corte não cicatrize nunca mais, mas o cavaleiro que teve este poder não está mais ali, apenas os efeitos do que ele causou.
E agora? E quando ela se for, você voltará para buscar mais uma dose de mim? A taça quebrou e no chão estão pequenas gotas minhas que fizera questão de derramar. Obrigada por não deixar nada, mas fazer questão de legar tudo o que pôde naqueles dias. Hoje só posso desejar o mais cordial e corriqueiro de uma desconhecida: Passar bem.
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