The Losers plays it.
1 Rubber Soul. - I I'm Looking Throught you.
Notas iniciais
Part I- Rubber Soul
I’m Looking throught you
I’m looking throught you
Where did you go
I though I knew you
What did I know?
–Se vocês vão substitui-lo, façam o favor de me substituir também. – Eu disse irritada, batendo a porta do hotel logo em seguida.
–---
1959
Meu joelho continuava sangrando, mesmo depois da “tia” passar álcool, que diga-se de passagem, só ajudou a doer mais. Mas o garotinho moreno ao meu lado garantia-me que isso tudo era para desinfeccionar o machucado.
–Ainda dói? – Roger perguntou.
Apenas concordei com a cabeça, as maças do rosto corando violentamente. Era tímida demais para dizer qualquer coisa para o garoto de cabelo curto e penteado de lado.
Visto que eu não cederia tão facilmente, Roger desistiu de dirigir qualquer palavra à mim e passou a cantarolar algum hit da época, que logo me toquei se tratar de Elvis Presley.
Como qualquer garota, eu era fã de Elvis. E aos meus seis anos, qualquer garoto mais velho cantando Elvis era maravilhoso. Devo ter passado tempo demais o encarando, pois virou-se para mim e disse:
–Hm... É Elvis, sabe?
–Sei! – Sorri. Elvis faz qualquer garotinha perder a vergonha. – Você gosta dele?
–É, por ai.
Eu continuei sorrindo até a “tia” aparecer. Ela se agachou para ficar da altura do sofá em que estávamos sentados e gritou:
–Já agradeceu o menino?!
–Não. – Eu praticamente assinei minha sentença de morte. Roger apenas olhava-me espantado.
–Então peça! E peça logo, seu irmão já chegou!
–Obrigada, hm...
–Roger. Roger Watson.
–Judy Styles. – Sorri, enquanto a tia pegava meu braço e me arrastava pelo corredor.
Assim que vi o rosto sorridente de Rick, desvencilhei-me do braço musculoso da tia e corri até o abraço do meu irmão mais velho.
–Ricky! – Gritei
–Little Jude! – Ele beijou minha bochecha.
Éramos incrivelmente parecidos. Olhos cinzas, cabelo preto (Mas o meu já comprido) lábios desenhados. Felizmente, não o mesmo nariz. O dele era longo e pontudo, enquanto o meu era arrebitado e fino.
–Vamos para a casa? – Eu disse.
–Claro! – Ele roçou seu nariz no meu.
–-
1969
–Jude! – Roger gritou no meio do anfiteatro enquanto arrastava John.
Eu, Roger e John éramos como carne e unha, embora os rapazes fossem dois anos mais velhos que eu, sempre que podíamos, fazíamos tudo juntos.
John era visivelmente mais bonito que Roger. Embora ambos tivessem a pele extremamente branca e olhos claros, o cabelo de John ainda era um corte inspirado nos Beatles, enquanto Roger usava uma bandana para prender a franja e o cabelo longo oleoso. O rosto dos dois era fino, as maças do rosto apareciam bem. John tinha uma certa delicadeza do começo da década de 60, até mesmo nos lábios finos. Já Roger estava mais para o lado “Hippie”, já não se importava com a aparência fazia tempo.
–O que fazem aqui? – Perguntei, recebendo um beijo de cada um na bochecha.
–Ah, dissemos que estávamos passando mal. Não perderíamos essa apresentação por nada. – John se explicou
–Se pegarem vocês aqui, a culpa não é minha. – Sorri, cruzando as pernas.
–Não jogue praga em nós. – Roger disse. – Agora silêncio, começou!
Uma garota ruiva entrou no palco e sentou-se atrás do teclado, John olhava-a com muita atenção, mas Roger começava a perder o interesse.
A ruiva abaixou a cabeça e escondeu seus olhos e nariz atrás da franja reta e curta. Aproximou-se do microfone e disse com uma voz doce:
–In My life, The Beatles.
Ao citar a banda favorita de Roger, o garoto volto a sua atenção para a garota, que começou a tocar, e logo em seguida, a cantar.
Sua voz doce combinava exatamente com cada melodia do teclado. Agora, os rapazes a olhavam espantados, vez ou outra trocando olhares.
Quando a garota terminou, os rapazes se levantaram e disseram:
–Vamos falar com ela. Você... Você vem?
Eu apenas neguei com a cabeça, observando os dois rapazes correrem até a ruiva.
–-
1970
No começo, confesso que dividir meus amigos com Harriett (A garota ruiva) não foi nada agradável. Eu não tinha amigas do mesmo sexo, então conversar sobre como fulano era bonito era algo estranho para mim. Enquanto os rapazes conversavam sobre música, guerra do Vietnã e sexo, Harriett conversava sobre moda, músicos e fofocas. E eu estava no meio disso.
Mas não demorou muito para Harriett se enquadrar no padrão dos rapazes, embora ainda os censurassem por alguns palavrões.
Até chegamos a montar uma banda. Eu fiquei meio receosa com a ideia, afinal, meu irmão acabou sendo expulso de casa depois de conseguir uma gravadora para a banda dele. Nunca mais tive notícias.
Mas enfim, Harriett tocava teclado, John cantava, Roger tocava baixo, eu tocava guitarra e o atual namorado da Harriett tocava bateria, Kevin Johnson.
Pois bem, estávamos na garagem da casa da Harriett, tentávamos ensaiar algo, mas a ruiva e o namorado não estavam em um bom dia.
–Não Kevin, você não está tocando certo! – Harriett disse, segurando as baquetas do rapaz.
–A culpa não é minha se você está de TPM! – O rapaz retrucou. Roger e John seguraram o riso.
–Oh! Desculpe, não me lembro de te dar detalhes tão íntimos assim!
–Tão íntimos?! Você é a minha namorada!
–Se continuar assim, eu era.
–Ah, então você quer terminar?!
–PAROU! – John gritou, arrastando Harriett pelo braço e trazendo-a para perto de nós. – Seguinte, se vai terminar com ele, termine depois da apresentação de hoje, por favor! Eu preciso de dinheiro, e não vamos achar um baterista nessa altura do campeonato.
Harriett suspirou, mas como sempre, fez o que John mandava.
–Ok, Kevin. Podemos falar disso mais tarde. – Ela se virou para o namorado.
O rapaz suspirou, mas aceitou. Voltamos a tocar com menos entusiasmo.
–--
A apresentação foi um fracasso.
Kevin e Harriett brigaram no meio do palco, e bom... Kevin já estava bem alterado quando partiu para cima de uma ruiva qualquer (Que ele julgava ser Harriett) com uma garrava de cerveja. John e Roger precisaram segura-lo com muita força para que parasse.
Quando apenas nós quatro saímos do bar arrasados, ouvimos um rapaz nos chamando, assustados, olhamos para trás.
Era Keith Muller, meu colega de classe. Qualquer pessoa que estuda na Quarrybank School o conhece. Não só pelo fato dele sempre ter uma piada na ponta da língua, ou pela cara “fofa” que várias garotas adoravam, ou pelo simples fato dele ter coragem de fazer o que as pessoas com “bom-senso” jamais fariam.
–Muller. – Roger o cumprimentou, girando os calcanhares.
–Ei! Eu vi que vocês perderam o baterista e... – Ele arqueou a sobrancelha – E a garota perdeu o namorado, uh?
Harriett revirou os olhos inchados pelo choro e se aninhou nos braços de John, provavelmente ela não estava com paciência para o Keith.
–Enfim. – O meu colega continuou – Eu... Posso tocar bateria nessa... Banda? Isso é uma banda, né?
–É, é uma banda. – Roger disse. – Bom, vamos voltar lá, se a bateria ainda estiver montada, mostre para nós o que sabe fazer.
Keith sorriu, balançando a franja penteada de lado, quase o mesmo penteado de John. Mas o sorriso quase infantil do rapaz era um grande diferencial.
Entramos atrás do Keith, que parecia bem animadinho com a ideia de poder entrar numa banda. Ele se aprontou atrás da bateria de Kevin e pegou as baquetas, respirou fundo e começou a bater nos bumbos.
Logo Keith parecia um polvo entre todos os bumbos e pratos. O assistíamos impressionados, principalmente quando ele trocou de batida, fazendo algo como a marcha fúnebre e voltou a tocar com rapidez, nossos queixos caíram. Ele era perfeito.
–Caralho! Puta que pariu! Puta merda Judy! Você viu aquilo?! Viu né? – Roger gritava para que eu o escutasse no meio de tantas pessoas conversando e aplaudindo Keith Muller.
–Vi, Roger! Ah Deus...! – Gritei junto, abraçando o moreno. John ainda estava espantado, e Harriett sorria sem sair dos braços de John.
Keith desceu do palco e veio até nós.
–E então...? – Perguntou incerto.
–putaquepariu! – Roger emendou as palavras, talvez por causa da euforia. – Eu te amocara!
–Respira. – Eu ri. – Keith, você é... Perfeito!
Keith parecia envergonhado, mas as luzes neon daquele pub não ajudavam em saber se ele realmente estava.
–Caralho cara! – John gritou. – Hm... Você é do Quarrybank, certo?!
Keith acenou com a cabeça.
–Ok, nos falamos mais lá, tá?!
–John, ele tem aula de biologia comigo! – Avisei
–Ah, ótimo! Nós temos que ir! Precisa de alguma carona?
Keith concordou dessa vez, nós quatro pegamos nossos instrumentos e deixamos a bateria para Kevin.
Eu realmente gostava da minha guitarra. Embora fosse um pouco grande e pesada, amava o som que produzia. John não tinha nenhum instrumento, então carregou uma parte do teclado de Harriett, a outra ficou com Roger, que carregava o baixo nas costas. Logo, Keith nos acompanhou para a saída do bar. Fomos até a kombi de John e Roger, pintada de todas as cores possíveis. Diga-se de passagem, eu ajudei naquilo.
–Judy... –Harriett chamou.
–Sim?
–Posso... Dormir na sua casa hoje? Eu disse que iria passar a noite na casa do K-Kevin... Mas...
–Pode. – A cortei antes que voltasse a chorar.
Ela agradeceu e entrou na Kombi junto comigo e Keith. John e Roger foram na frente, passando atrás só para deixar os instrumentos.
–And it’s one, two, three, four, why are we fighting for? Don’t ask me I don’t give a damn, next stop is Viet Nam! – John e Roger cantavam em plenos pulmões a música que estava tocando no rádio. Keith acompanhava vez ou outra, e eu fiquei tentando consolar Harriett.
Ao chegarmos na minha casa, me despedi dos dois garotos restantes (Keith já tinha chego em casa) dando-lhe um beijo na bochecha, Harriett apenas acenou.
Não era tão tarde, então minha mãe ainda estava acordada e meu pai continuava a trabalhar. Pude arrumar um colchão para Harriett e ela se virou rindo para mim, dizendo:
–Judy, não me chame de safada, ok? Mas eu acho que tenho uma queda em bateristas... Se é que você me entende...
Revirei os olhos, percebendo que ela se referia a Keith.
–Você é suja, Harriett.
–É... Eu sei. – Nós duas rimos.
Talvez essa seja uma boa hora para começar a contar a história da nossa banda...
You don’t look different
But you have change
I’m looking throught you
You’re not the same
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