Notas iniciais
TÃ-DÃ! Finalmente o primeiro capítulo! Está fresquinho, acabei de terminar de escrever. Ufa.
É de conhecimento geral que os primeiros capítulos/episódios de qualquer série ou livro são meio cansativos, por serem exclusivamente explanatórios, afinal, servem para que conheçamos os personagens. Mas logo, logo a história engrena.
Espero que gostem, escrevi com muito amor e carinho e tentei ao máximo transcrever o que vocês me passaram de cada personagem. Espero que esteja de acordo às suas expectativas.
Enjoy it!

Sean Connor havia acabado de estacionar o carro no estacionamento da Lima High e, no pequeno trajeto do estacionamento ao prédio da escola, viu um aluno sendo atirado na lixeira por um grupo de jogadores de futebol. Ele franziu o cenho, pensando onde diabos estavam as autoridades da escola para evitar que esse tipo de coisa acontecesse. Pensou em ele mesmo ir cuidar da situação, mas hoje era seu primeiro dia lecionando na escola e, por não ser conhecido pelos alunos, sabia que os mesmos não reconheceriam sua autoridade.

Ele desceu do carro e em vez de ir diretamente à sala dos professores, resolveu andar pela escola e conhecer melhor o local. Passou por todos os corredores, foi até o campo, olhou o auditório, o ginásio, o vestiário e por fim parou em frente à grande estante centrada em frente à secretaria que exibia todos os troféus já ganhados pela escola. Campeonatos regionais e estaduais da Banda Musical, grupo de xadrez, os torneios de líderes de torcida e principalmente de futebol. Porém, no canto inferior esquerdo, havia um pequeno troféu exibindo algumas notas musicais. Ele franziu o cenho e se abaixou para observar melhor.

“Campeonato Regional de Corais — Terceiro lugar”.

– O Glee Club... — ele murmurou para si mesmo.

Ajeitou a alça da bolsa sobre o ombro, com novos pensamentos em mente, e começou a se levantar, logo sentindo uma forte pancada nas costas e em seguida ouvindo alguém cair no chão.

– Ai!

– Camila, você está bem?! — Sean se virou e viu uma garota caída ao chão e em pé ao seu lado um garoto lhe estendendo a mão. — Se machucou? — ele a puxou para cima assim que ela aceitou sua mão.

– Meu Deus, me desculpe — ele se apressou a se desculpar, se aproximando um pouco dos dois adolescentes. — Você está machucada?

– Ah, nah — ela passou as mãos pelas vestes, tentando ajeitá-las. — Acho que só ralei o cotovelo, mas nada de mais — ela deu de ombros e se abaixou para recolher seus livros e bolsas, sendo seguida por Sean, que a ajudou.

– Pronto — ele disse, se levantando novamente.

– Obrigada — ela sorriu e ajeitou a alça da bolsa. — E me desculpe, sou completamente desastrada. Tenho de prestar mais atenção...

Sean meneou a cabeça, certificando à garota de que não fora nada, e desejou aos dois um bom dia de aula, tendo a mente presa em outras ideias no momento. Tudo o que ele mais queria agora era ir falar com o Diretor Stevens.


Ok, Liz. Tudo que você precisa fazer é se focar na aula e vai dar tudo certo. Elizabeth batia nervosamente o pé, conforme o ritmo da música que soava em seus ouvidos através dos fones. Ela suspirou. Diabos, a quem estou querendo enganar? Só queria ter um amigo. Tudo bem, respira fundo, nada vai dar errado.

Ou era o que ela pensava. Ao menos até sentir uma bolinha de papel sendo atirada em sua cabeça. Ela olhou para trás e viu um garoto falando alguma coisa para ela. Ele usava o casaco do time de futebol da escola. Tirou os fones de ouvido ao ver que ele não parou de falar.

– ...perdedora! O sinal já bateu, tira esses fones de ouvido! — e jogou mais uma bolinha de papel, desta vez acertando o rosto da garota.

É, parece que seria um grande desafio se enturmar na nova escola.

Bem, isso não pode ser pior do que morar com mamãe, certo?

Ela guardou os fones de ouvido na bolsa e se virou para a frente da classe, onde o professor acabara de colocar sua bolsa sobre a mesa. Ele se virou e escreveu “Sean Connor” com um canetão azul sobre o quadro branco.

– Bom dia, classe — ele sorriu para a turma. — Sean Connor — ele apontou o nome no quadro -, seu novo professor de história. Então... — ele apoiou uma perna em uma das pontas da mesa -, acredito que a maioria de vocês já se conhece há muito tempo, mas também sei que temos alguns alunos novos... — ele franziu o cenho e pegou a lista de chamada.

Ah, não. Pelo amor de tudo que é mais sagrado, não. Se há algum Deus aí em cima, por favor, que não faça ele...

– Camila Hernandez, Hanna Carson e Elizabeth Lork — ele olhou novamente para a turma. — Por favor, levantem a mão.

Merda.


Tudo bem, então o homem que eu atropelei sem querer no meio do corredor se chama Sean Connor e é meu professor de história. Não me anima muito a ideia de ele querer nos apresentar para a turma, mas quem sabe assim seja mais fácil para me enturmar... Quero dizer... Será mais fácil conhecer pessoas se elas já me conhecerem, certo?

A garota ergueu a mão ao ouvir seu nome ser chamado.

– Sou Camila — ela disse, sorrindo de canto enquanto algumas pessoas se viravam para ela.

– Seja muito bem vinda — o professor sorriu e olhou novamente a lista de chamada. — Elizabeth e Hanna? — ele esperou alguns segundos sem resposta. — Elizabeth Lork? Hanna Carson?

A garota de cabelos levemente ondulados nas pontas suspirou e ergueu um pouco a mão.

– Perdedora! — o garoto com o casaco do time de futebol tossiu, fazendo alguns de seus colegas rirem.

O professor franziu o cenho para o rapaz e o encarou.

– Não vou aturar bullying em minha sala de aula. Espero que isso não se repita.

Levou alguns segundos para Sean identificar o aluno, mas assim que o fez, estreitou levemente os olhos.

– Eu sei quem você é. Você estava junto com alguns outros alunos hoje de manhã atirando um garoto na lixeira. Na próxima vez que eu ver isso acontecendo, vou me certificar pessoalmente para que você receba uma detenção e a passe separando o lixo da escola.

O garoto pareceu ficar sem jeito e se encolheu levemente na carteira. Sean tentou não demonstrar, mas sentiu-se orgulhoso de si mesmo por conseguir repreender o aluno por algo que antes fora incapaz de repreender.

Ai, Jesus. Hanna se encolheu na sua cadeira, com medo de que sua recepção fosse igual à da pobre garota.

– Hanna e Elizabeth, desculpem, podem levantar a mão? — Sean pediu novamente.

Ambas respiraram fundo e ergueram lentamente as mãos.

– Ah, certo — o professor sorriu para elas. — Sejam igualmente bem vindas.


O Sr. e a Sra. Dursley da Rua dos Alfeneiros, n° 4, se orgulhavam de dizer que eram perfeitamente normais, muito bem, obrigado. Eram as últimas pessoas no mundo que se esperaria que se metessem em alguma coisa estranha ou misteriosa, porque simplesmente não... A leitura de Louis foi interrompida ao ver que a professora adentrara a sala. Sua primeira aula do ano seria Espanhol. Capisce? Aliás, acho que isso é italiano...

Havia um garoto sentado ao seu lado, com os cabelos loiros bagunçados. Ele o olhou e este assentiu levemente com a cabeça, comprimindo os lábios em um pequeno sorriso. Louis retribuiu o aceno e se ajeitou na carteira, prestando atenção ao que a professora (a qual ele descobrira que se chamava “Marta Lopez. Soy su nueva profesora de español!”) estava falando, apesar de quase não entender, pois ela falava uma espécie de Espangles.

O garoto ao seu lado logo ficou inquieto, mexendo impacientemente o pé embaixo da carteira. Ele copiava desatentamente o que a professora passava no quadro enquanto cantarolava baixinho alguma música qualquer.

– Hey, cara — um garoto loiro que estava ao seu lado o encarou. — Tente se acalmar um pouco.

– Desculpe, não consigo evitar — ele encolheu levemente os ombros.

Procurou nos bolsos do casaco um pacote de gomas de mascar. Isso sempre o acalmava. Qual é, cadê essa coisa? Ah, achei. E pegou um dos doces, o colocando na boca e jogando o papel dentro do penal.

– Ah, droga — ele suspirou. — Meu lápis quebrou — ele se inclinou para a frente e cutucou o ombro da garota à sua frente. — Hey, você tem um apontador para emprestar?

Ela bufou e procurou algo em seu penal, até que se virou e entregou o instrumento a ele, erguendo ambas as sobrancelhas.

– Obrigado — ele apontou o lápis e devolveu o apontador à ela. — E, aliás... Olá... Meu nome é Hector.

– E eu com isso? — ela ergueu a sobrancelha esquerda e tirou o apontador da mão dele, virando-se para a frente da sala novamente.

Droga. Já estou pisando na bola antes de o ano mal começar.


Finalmente — ao menos para a maioria -, a hora do almoço chegou. Demorou demais. Bem, antes tarde do que nunca, certo? Hanna pensava enquanto arrastava sua bandeja, escolhendo a comida disponível. E agora... Onde vou sentar? Não conhecia ninguém e sua leve timidez a impedia de tentar sentar em uma mesa cheia. Por fim, avistou uma mesa vazia no outro extremo do refeitório e logo se sentou nela.

Tirou um livro de dentro da bolsa e o apoiou na mesa, começando a comer enquanto lia.

– Ahn... Com licença? — ela olhou para cima e viu uma garota de cabelos levemente ondulados à sua frente. Ela lhe parecia vagamente familiar. — Nós estudamos História juntas... Posso sentar com você? Eu não conheço mais ninguém aqui e não sei onde meu irmão se meteu — ela se apressou a complementar.

– Ahn... Claro, eu acho — Hanna assentiu. — Fique à vontade...

– Obrigada — a garota sorriu e sentou na sua frente. — Sou Camila Hernandez — ela começou a comer.

– Hanna. Hanna Carson — a garota sorriu timidamente.

– É, eu sei — ela riu baixo. — Você também é nova aqui, então? Eu mudei para cá no início das férias de verão com meu pai e meu irmão. E você?

– Ahn... Eu mudei para a casa da minha tia — ela ajeitou uma mecha teimosa de cabelo.

– Isso deve ser divertido.

– É, até agora está sendo...

Hanna ficou meio sem jeito, afinal não queria comentar sobre o divórcio dos pais — mal conhecia a garota -, mas tampouco sabia como puxar algum assunto.

– Hmm... — ela limpou a garganta. — Você gosta de ler, Camila?

– Gosto sim — ela sorriu. — Digo, não tanto quanto meu irmão, mas eu gosto. Ele está sempre andando com algum livro embaixo do braço — ela deu de ombros.

Não estrague tudo, Hanna. Esta é sua chance de fazer alguma amizade.

– Ah... legal. O que você gosta de ler, normalmente?

– Hm... Depende do meu humor, eu acho — ela fez cara de pensativa. — Tem uma variação bem grande, desde romances até investigações policiais.

– Legal — Hanna sorriu. Preparara-se para fazer outra pergunta, mas foi interrompida por uma garota em pé ao seu lado.

– Hey... Posso sentar com vocês? — a reconheceu como sendo Elizabeth, a outra garota nova da sua classe de História.

– Claro — Camila se apressou a responder. — Quero dizer, por mim tudo bem — ela sorriu e olhou Hanna.

– Fique à vontade — Hanna sorriu de canto.

– Obrigada — a garota sentou.

– Então, Elizabeth — Camila começou com um tom de pergunta, ao qual a garota assentiu -, por que se mudou para cá?

– Minha mãe se casou novamente — ela encolheu os ombros.

– Ah, entendi — ela acenou com a cabeça. — E você está gostando daqui?

– Uhum...

– Hey! – Camila falou animada, em tom de quem acabara de ter uma ideia. — Vocês deveriam ir um dia no restaurante do meu pai – ela sorriu. — Podemos passar a tarde lá provando as comidas — ela sorriu.

Não pense em recusar, Elizabeth! Nem ouse pensar isso. Tudo que você queria era algum amigo e aqui estão duas garotas igualmente querendo amizade. Mais fácil que isso é impossível.

– Claro, eu adoraria — ela sorriu para Camila.

– Ótimo! — a garota parecia que estava presenciando o Natal mais cedo naquele ano. — E você, Hanna?

Ela levou alguns segundo, parecendo estar sofrendo uma espécie de conflito interno, mas por fim aceitou: — Obrigada, Camila.

Camila sorriu, satisfeita consigo mesma. Espero que Louis esteja se saindo bem também.


Ótimo, mais um ano nessa escola estúpida, com professores estúpidos e alunos estúpidos. Lucinda bufou, sentando-se na escadaria do colégio para comer seu lanche. Sentou-se sozinha, como de costume. Estou melhor sem ninguém, ela costumava falar a si mesma, pensando piamente que acreditava nessas palavras. Pelo menos se eu estiver sozinha, ninguém poderá me machucar novamente. É para o meu bem.

Colocou os fones no ouvido e ligou alguma música qualquer, batendo os pés no ritmo da música enquanto comia.

Quero dizer... Quem precisa de outros? Só servem para atrapalhar e ficar no meu caminho. Ela suspirou. Eu só queria que esse ano fosse melhor de algum jeito.


David estava sentado em uma mesa em um dos cantos do refeitório, junto com seu amigo Louis. Conhecera Louis naquelas férias ao ir ao restaurante de seu pai e desde lá se tornaram amigos. Faziam um belo par, ambos estavam sempre lendo ou estudando, apesar de David levar esse assunto muito mais a sério. Tudo o que fazia era estudar, ler, estudar, ler e estudar mais um pouco. E em seu tempo livre fazia cursos de matéria avançada, em nível de faculdade, e ainda dava aulas particulares.

Não tenho tempo para brincadeiras, ele dizia, o que importa é estudar.

Ergueu um pouco os olhos de seus exercícios (já terminara de almoçar e agora estava estudando) para procurar uma certa garota, logo a achando do outro lado do refeitório.

– Parece que sua irmã já fez amizades — ele comentou para Louis, que ergueu o rosto de seu livro para seguir o olhar de David.

– Não sei como ela faz isso — ele franziu de leve as sobrancelhas, analisando a mesa das garotas -, ela consegue amizade com qualquer pessoa.

David deu de ombros. — Camila é uma garota carismática.

– E é incrível como ela sempre atrai o seu olhar — Louis comprimiu os lábios em um sorriso, tentando conter uma risada.

O loiro encarou o garoto, sério, e ergueu uma sobrancelha.

– Não tem graça, Louis.

– Eu acho que tem — ele sorriu.

Ele revirou os olhos e, antes de voltar-se novamente aos exercícios, deu mais uma olhada na garota.


A mesa das cheerleaders era a mais barulhenta do refeitório, ganhando até mesmo da mesa dos jogadores de futebol. Eles riam alto e falavam sobre as roupas das outras garotas. Cheerleaders eram um protótipo ambulante de garotas arrogantes e exibidas — ou ao menos era assim que metade da escola as viam. A única que se salvava deste pré-julgamento era Valentina, a capitã das cheerios.

– Josh — ela constantemente dizia -, você não pensa que se um dia você não fizer mais parte das cheerios, as pessoas vão devolver tudo o que você fala delas?

Valentina fazia parte do círculo íntimo de Josh e era uma das pessoas que sabia seu segredo. Não era muito difícil de adivinhar, se você prestasse atenção nele, mas ele não espalhava para todos que encontrava no corredor — sempre fora muito discreto. A maioria das cheerios conhecia esse segredo, mas eram o único grupo na escola que o aceitaria apesar disso (ou era o que ele achava).

Ele sempre respondia à sua pergunta com uma jogada de ombros e o seu usual “Eu não me importo”, porque acreditava piamente que nunca sairia das cheerios, pois adorava aquele grupo.

A ruiva não aprovava a atitude das outras garotas — e principalmente a de Josh -, mas não conseguia contê-los. Não mais do que já conseguia, ao menos.

Um dia, infelizmente, eles vão receber tudo de volta. Pelo menos vou estar com a consciência limpa; eu tentei avisá-los.


Hector Cooper sentia-se desanimado e extremamente ansioso. Acabara por sentar sozinho no almoço. Fizera isso por opção, recusando-se sentar com o resto do time de futebol – não gostava muito do comportamento dos outros jogadores. Estava acostumado a passar a maior parte do tempo sozinho.

Na realidade, o que queria eram outros amigos. Precisava disso. Precisava de um grupo novo, que não fosse formado por brutamontes estúpidos e que o aceitasse do jeito que era.

Ou você pode deixar isso de lado, ele tentava se convencer, esquecer essa história toda, namorar alguma garota qualquer e ser igual aos outros garotos. Certo?

Ele suspirou. Sabia que não era assim que as coisas funcionavam. Mas não custa tentar, não é?


Sean estava extremamente satisfeito com o seu primeiro dia no colégio Lima High. Acreditava ter feito um bom trabalho como professor e gostara do colégio em si. Tirando o incidente com o aluno no primeiro período de aula, o dia não poderia ter sido melhor.

Ele tinha a sensação de que esse ano tudo seria diferente. Não sabia como e nem por que sentia isso, mas também acreditava que era por essa pequena ideia que estivera martelando em sua cabeça o dia inteiro.

Então no final do dia ele adentrou a saleta do diretor e o cumprimentou. Passou a língua nos lábios e respirou fundo.

– Diretor Stevens — ele começou calmamente -, o que o senhor acha de reativar o Glee Club?

Notas finais
Então, é isso! Como disse, não foram todos os personagens que apareceram. Tiveram muitos personagens que são novos na cidade/escola, então alguns deles aparecerão daqui alguns capítulos. Infelizmente tem de ser assim, se não a história fica muito repetitiva.
Espero de coração que tenham gostado.
Beijos!