The Lord And The Maid
1 Então você é a nova Maid?

O homem loiro olhou com desconfiança o líder dos vampiros.
Quando Tougo Sakamaki, ou melhor, Karlheinz, entrava em sua casa, pode acreditar, nada de vantajoso poderia resultar das suas propostas, por mais tentadora que ela possa parecer.
—O que você quer?
—É assim que me trata Byron? Eu vim aqui de forma tão amigável!
Ambos sabiam que ele estava sendo sarcástico, e que nada tinha de cortesia aquela visita.
—Repito, o que quer?
—Modere esse tom Byron. Você é um dos vampiros mais fortes que ainda estão neste mundo, mas as regras são as minhas.
—Você nunca vem sem querer alguma coisa.
Ele riu diante da expressão desconfiada de Byron.
—Deixe disso. Somos família não é verdade?
—Mais ou menos.
—Byron, você me entristece.
—Não tanto quanto você me enoja.
Karlheinz riu novamente.
—Sua coragem e falta de bom senso me divertem. É por isso que está vivo.
—Por favor, deixe de floreios e diga a que veio.
—Vim cobrar o que me deve.
—Não te devo nada.
—Nada?
Ele deu um sorriso ameaçador.
—Você me roubou.
—Não foi um roubo.
—Você sabe que me roubou. Eu poderia puni-lo mas fui benevolente e deixei-o colher o resultado de seu fruto.
O medo subiu pela espinha de Byron. Então ele sabia!
—Achou que eu não perceberia?
—Sinceramente não. Se minha irmã não te importava viva por que importaria morta?
—Algumas pessoas nos servem melhor mortas. Você deu um bom uso aos restos da sua irmã não deu?
Byron se levantou, o olhando com firmeza.
—Ela não. Você não vai tirar a única coisa que me restou!
—Gosta tanto assim da sua cobaia?
—Ela é muito mais que minha cobaia, é a minha família! E graças a você, a única família que eu posso ter!
—Não pensei em algo permanente. É só por um tempo é lógico. Ela me servirá na mansão e auxiliará meus filhos.
—Eu não me importo com o que você quer.
—Pense bem. Você tem duas opções. Me entregue a menina e a deixe vir comigo como serva ou eu pegarei o que é meu que está dentro dela. Só acho difícil ela poder sobreviver ao processo.
Sem perceberem, uma jovem de cabelos ruivos e roupas aristocráticas entrou no ambiente.
—Eu vou.
—De jeito nenhum Ylena!
—Eu vou.- ela repetiu com firmeza.
—Vejo que sua cria tem bom senso. Pegue suas coisas e se despeça dele.
O líder dos vampiros saiu, entrando no carro.
—Ficou louca?
—Você o ouviu Byron. Se eu não for, seremos mortos. E mais cedo ou mais tarde ele viria. Sou uma das poucas experiências bem sucedidas.
—Eu devia ter te levado para longe. Muito mais longe.
—Não há esconderijo. Não com aquele homem.
—Não queria que chegasse a esse ponto! O que eu fiz? O que me tornei?
—Você ainda é o homem que me salvou.
Os dois se abraçaram.
—Fique bem.
Ylena deu mais uma vez seu olhar firme para o homem que era seu criador, pai, irmão e melhor amigo.
—Eu vou sobreviver. Eu sempre sobrevivo.
***
Ela não demorou para conhecer a toda equipe de servos da casa.
O mordomo passava suas instruções, que eram no sentido mais básico ser silenciosa e discreta.
Jamais ser notada por ninguém dos irmãos e nem pela Noiva de Sangue.
Afinal, fazia tempo que não tinham uma.
Claro, elas não vinham sempre mas quando eram enviadas para lá deviam ter sua alimentação e estadia bem vigiados sem que percebesse.
Vampiros não precisam de sangue humano com tanta frequência quanto se imagina.
Na verdade, aguentavam bastante tempo bebendo o que vinha de sua própria raça ou mais recentemente dos bancos de sangue ou açogues.
Mas o sangue humano tinha algo especial. Ele dava muita força ao vampiro que bebia. Ele aumentava o poder de sua raça, enquanto os outros apenas nutriam.
Por isso as Noivas De Sangue.
Elas vinham para manter a família real poderosa o suficiente quando o efeito do sangue da última menina acabava.
E eles não bebiam só o sangue dela, só bebiam bem pouco para se manterem poderosos, senão precisaria de mais de uma Noiva por vez.
E claro, sempre eram meninas. O sangue sempre tinha que vir do sexo oposto, visto que beber do mesmo sexo era em geral com sabor amargo.
E claro, sangue jovem e fresco.
Como Byron havia eexplicado algumas vezes.
Ylena sabia das regras.
As ditas e não ditas.
Mas as vezes... Regras eram quebradas.
***
—Leve isso para o senhor Sakamaki, ele está no seu laboratório. Quarta porta, não se esqueça.
Ela pegou a bandeja com chá.
Bateu na porta e ouviu a ordem para que entrasse.
Ele estava olhando concentrado para o quadro, em que escrevia uma complicada fórmula.
—Deixe na mesa.
Sem responder colocou o chá de Reiji lá.
Viu o quadro de relance e não resistiu a falar.
—Senhor Sakamaki?
Ele a olhou com contrariedade, mal acreditando que ela lhe dirigia a palavra e interrompia seus pensamentos.
—O que foi?
—Pó de antimônio.
—Hã?
—A sua fórmula. Falta pó de antimônio. É isso que vai fazer com que funcione.
Ele ficou sem palavras, e ia falar algo quando Ylena saiu sem lhe dar a chance de resposta.
Assombrado com o acontecimento, olhou para a porta pela qual ela passou.
—Quem é você?
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