The Lone Fox
2 Memórias de um lugar distante
Notas iniciais
"Você ja se sentiu sozinho alguma vez?"
"Como se... você estivesse preso à um lugar escuro, onde ninguém poderá lhe ouvir? Se lembra daquela pergunta boba em que as pessoas dizem sobre o que elas fariam se fossem as últimas pessoas da terra?"
"Há muitas pessoas que desejam ficar sozinhas..."
"As causas podem ser desde sofrimento, cansaço, medo... Mas eu lhe garanto, há momentos que a solidão, pode ser pior do que qualquer um pode imaginar... As pessoas são seres sociais... e ser a última pessoa da terra, poderia enlouquecer qualquer um."
"A dor é maior do que parece."
Eu ainda me lembro, daqueles momentos de paz que eu vivia. Meu nome é Mizu, e eu não sou humana... minha raça é conhecida como Fenrir. Por algum motivo, os humanos nos invejam, mas só nos tornamos o que somos hoje por causa do que eles fizeram com nossos ancestrais. Somos as únicas criaturas que receberam poderes e magias, com exceção dos elfos que podem realizar magia de cura.
Eu lembro daqueles sorrisos que todos pareciam radiar. Com apenas um sorriso nossos problemas pareciam se derreter todos os dias. Nós Fenris somos considerados criaturas gentis e generosas, mas... isso não deveria ser o normal? É claro que todas Fenris possuem deveres, e também passam por problemas, mas ficar com raiva não é uma desculpa para se tornar violento.
Eu lembro daqueles dias da minha infância, onde várias novas coisas aconteciam. Aprendíamos magia durante dias e noites, as crianças brincavam entre si junto com bestas, animais e familiares. E comigo não era diferente, mesmo tendo sangue da realeza, eu era tratada como qualquer outra criança, sem qualquer diferença. Sim, por realeza eu sou a princesa deste pequeno reinado, que mais se parecia uma vila.
As Fenris desde pequenas aprendem a realizar vários tipo de magias. Assim que elas completam 7 anos, invocam pela primeira vez seus familiares, que são nada menos do que bestas que podem usar magia. As bestas são um tipo de animal mais forte que 100 humanos e possuem aproximadamente 2 metros cada, também conhecidas como reis da natureza. Entre as bestas existem desde ursos, pássaros, lobos e todos outros tipos de animais. Porém, as bestas são vistas como criaturas irracionais, ferozes e violentas para humanos e elfos, o que não é verdade.
Eu lembro daqueles meus passos, e do som do vento e da grama que rodeavam nosso povo. Era completamente pacífico, e eu nunca imaginei que algo tão terrível aconteceria comigo e com meu povo.
Eu lembro das histórias que minha mãe me contava sobre nossos ancestrais, e sobre a lenda da fonte de Elora. Nossos ancestrais não foram nada menos do que crianças humanas emergidas ao desespero e à solidão guiadas para a salvação através da única existência que poderia salva-las: A Deusa Elora. Elora não aguentava mais ver a situação horrível das crianças, e decidiu separar as crianças especiais e humanas dos horríveis que as rejeitavam como se fossem descartáveis. Ao chegar em um lindo campo aberto rodeado pelo belo céu azul, ela criou uma pequena caverna. Dentro das profundezas dessa caverna, a Deusa junto com as crianças que ela guiava, criou uma enorme fonte. Ofereceu as crianças a beberem da água que ela havia surgido, mas todas as crianças estavam desconfiadas e assustadas. Até que uma criança corajosa se ofereceu à beber da fonte. Essa criança, ao beber da fonte, ganhou orelhas e rabo de raposa. E em seguida as outras crianças beberam da fonte. "Vocês e as suas próximas gerações receberão magia, força, e terão habilidade de se comunicar com qualquer tipo de animal, porém vocês devem acima de tudo proteger essa fonte, que foi feita com minhas lagrimas. Todos humanos que beberem dela se tornarão um de vocês, portanto vocês devem protege-la acima de tudo", Dizia a Deusa. Ironicamente a primeira criança que se transformou numa raposa, era a mais velha e inteligente entre as outras crianças, e todos aceitaram ela como líder. E é assim que o sangue da realeza foi passando de geração em geração, de Fenrir raposa em raposa, o sangue da primeira criança parecia estar muito presente na hora de definir o tipo de animal que a Fenrir herdaria ao nascer.
Com o tempo e o novo surgimento da espécie, começamos a ser invejados, principalmente pelos humanos, que olhavam para nós como maquinas de luta. Era difícil manter paz entre os humanos, que sempre queriam conquistar mais territórios, sem medo de quaisquer consequências. Tudo era balanceadamente bem, até que começou a surgir um rumor entre os humanos e os elfos, nos quais os Fenris guardavam uma fonte da juventude, por terem uma aparência mais jovem e maior expectativa de vida. No começo isso era apenas um rumor, mas foi se intensificando, e chegou no climax depois que surgiu um outro rumor de uma rainha Fenrir que viveu por 1000 anos. Depois de ouvir tal coisa, os humanos levados pelas conclusões e pela ganância consideraram o rumor da fonte verdadeiro. Apesar do rumor da rainha ser verdadeiro, mesmo para uma Fenrir, era anormal viver mais do que 400 anos.
Mas... o pior veio depois... eu lembro que só tinha 8 anos quando tudo aquilo aconteceu diante de mim... Assim que os humanos confirmaram a existência da fonte da juventude, mesmo que essa não seja exatamente o papel que ela emprega, eles decidiram ficar com a posse da fonte. E para isso era preciso acabar com toda a raça das Fenris. Assim numa manha ensolarada, o meu povo ouviu barulhos de trotes de cavalos e sentirão o chão tremendo. Os humanos chegaram com suas armas decapitando e matando todas as Fenris que se encontravam pelo caminho, independente de serem adultos ou crianças. Tratava-se de um ataque de elemento surpresa, já que os humanos sabiam que as Fenris eram fortes, mas mesmo assim as Fenris não tiveram nem sequer chance de se defender. Eu lembro muito bem de olhar pela janela e ver a grama que eu adorava me deitar todos os dias, vermelha de sangue de meus amigos e conhecidos. Eu me negava a acreditar em tal crueldade, e que era tudo um pesadelo. Meus pais, o rei e a rainha do nosso povo sabiam que diante daquela tropa gigantesca e imensa de humanos, ninguém seria capaz de se preparar ou contra-atacar, mesmo com magia. Mesmo com a magia ao nosso lado, meus pais sabiam que eles não seriam capazes de lutar contra vários exércitos armados de humanos, e sabiam que não seriam capazes de me proteger. O que eles mais temiam, era a minha morte, e a morte do nosso povo juntamente com nossa cultura. Eu lembro do olhar de tristeza dos meus pais, ao me olharem e tentar me fazer escapar. Eu me recusava, eu queria lutar pelo meu povo, minha família, meus amigos que eu vi lentamente serem mortos um por um diante da janela de meu quarto, e incapaz de fazer qualquer coisa devido ao choque. Mas meus pais sabiam que eles não poderiam se proteger, ou proteger o resto de nosso povo. "Mizu fuja, lute, proteja e torne-se mais forte, não podemos deixar você morrer assim, você deve viver por nós, e pelo nosso povo. Por favor, nos perdoe pelo que vamos fazer, mas isso é para o seu bem, e o bem de toda a nossa raça.", eu não entendia na época o que eles queriam dizer com aquilo, mas eu não conseguia parar de chorar, foi extremamente doloroso. Meus pais me abraçaram bem forte, e assim, selaram meu corpo e minha magia dentro de uma joia feita de safira. Desde então, eu não lembro de mais nada. A única coisa que me lembro de pensar ao estar selada era "aah, meus pais morreram, e todos aqueles que amam também", depois disso senti um vazio escuro me absorver por completo. Era tão frio e escuro, era tão vazio, e parecia lentamente me consumir dolorosamente pela... saudade. Eu não pude sentir nenhuma outra emoção enquanto estava selada, e o tempo parecia nem sequer existir, era uma sensação estranha. Era como se eu estivesse dentro do núcleo do tempo, onde o tempo passa rápido, extremamente rápido, mas nada muda. Onde o tempo era nulo, e desnecessário. .....
Continua no próximo capitulo
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