The Lion
13 Capítulo XII
Notas iniciais
Capítulo XII
The Wasp não foi capaz de tirar os olhos da morena que caminhava lentamente a sua frente. Ele viu, com demasiada atenção, quando ela se recostou a porta recém-aberta de casa e retirou os sapatos de salto alto, os segurou com as pontas dos dedos e soltou um suspiro.
Ele queria prensá-la contra aquela mesma porta, beijá-la... Amá-la. Mas isso não aconteceria. Não aconteceria porque existia um menino hiperativo correndo sala adentro e porque, mesmo que estivessem sozinhos, Bella encontraria uma forma de se esquivar.
O campeão tinha sido positivamente surpreendido ao buscá-la na locação onde o maldito ensaio fotográfico ocorria. Tinha ido até lá, ciente de que sua presença, possivelmente, a deixaria irritadíssima. No entanto foi recepcionado por um abraço apertado e pela voz baixa e sensual dela lhe dizendo que aceitava se casar com ele.
James havia sonhado com isso, mas no fundo estava se preparando pelo momento em que ela criaria coragem suficiente para lhe dizer “não”. Ele não era tolo, tinha bastante ciência de que ela não o amava, mas ele nunca foi capaz de perder a esperança de que um dia isso viesse a acontecer. Então quando ela lhe disse “sim”, o loiro foi invadido por tamanha euforia que não conseguiu pensar em nada que não fosse beijá-la e mostrar o quanto a amava.
Menos de 5 minutos depois, ele já era capaz de entender o porquê das ações da namorada, agora noiva.
Ele reconheceu o olhar perdido, o silêncio súbito e a forma como ela estava se agarrando a ele como se estivesse em um oceano revolto e ele fosse sua única boia salva-vidas.
O caminho para casa só reforçou o que ele já sabia: algo tinha acontecido e a feito recordar de coisas que ela preferiria esquecer que um dia aconteceram.
Os olhos verdes permaneceram presos em um ponto qualquer além da janela da porta do passageiro da confortável pick up que os conduzia até em casa. Ela não disse nada, nem mesmo quando Jared a chamou por inúmeras vezes, seu corpo pequeno estava meio encolhido contra a porta como se ela estivesse com frio e ele a viu estremecer algumas vezes e quando isso acontecia, ela imediatamente procurava pela mão masculina sobre o câmbio e a apertava.
No início do relacionamento que mantinham, James tinha visto muito desse comportamento, mas o tempo a transformou em alguém muito mais forte do que a frágil menina por quem ele tinha se apaixonado. Ela aprendeu a esconder bem os seus sentimentos, todos eles. As lágrimas deixaram de aparecer com tanta frequência, sua língua se tornou mais felina e provocante do que ele gostaria. Ela encontrou uma armadura e passou a usá-la o tempo todo.
Infelizmente, embora vivessem juntos há alguns anos, ele nunca tinha conseguido desvendá-la de verdade, vê-la agir espontaneamente mais do que algumas vezes e, em todas essas raras vezes, os sorrisos verdadeiros eram sempre causados e direcionados à Jared. Nunca à ele.
Wasp sabia que tinha dias que merecia a distância emocional que ela impunha entre eles. Aquele até deveria ser considerado um desses dias, já que ele tinha, mais uma vez, perdido o controle e sido violento. Mas não tinha sido a sua explosão de ciúmes que a tinha deixado aérea e deprimida. Ele sabia que não porque não era primeira vez que eles tinham chegado tão longe em uma briga e ela nunca tinha se deixado abalar daquela forma.
Quando ela caminhou até a escada sem dar qualquer atenção a nada mais que não fosse seus pequenos passos, ele cerrou os olhos e deu as costas à mulher que amava. Por conhecê-la bem, ao menos quando o assunto era o passado que a atormentava, ele sabia que ela precisava de um tempo sozinha e, depois, ela viria até ele, como sempre fazia e então ele seria brindado com alguma revelação que o chocaria e o deixaria louco para matar alguém ou com sexo violento e sem sentido. Talvez os dois.
A bem da verdade, o campeão não apreciava esses momentos. Não gostava de ouvi-la falar sobre as coisas que foi obrigada a viver e também não gostava de vê-la se entregar para ele mecanicamente e como uma forma de esquecer o que quer que a incomodasse. Obviamente, ele sempre estava, fisicamente, pronto para ela, mas esses momentos, felizmente raros, o fazia se sentir usado. Mas, independente da forma como se sentiria, ele nunca a deixaria sozinha, nunca negaria a ela o ombro que sabia que ela precisava. Não importa o que, ele sempre estaria lá para ela. Para tirá-la do fundo do poço, para levantá-la quando caísse, para continuar tentando fazê-la enxergar que, mesmo com todos os defeitos que certamente tinha, ele a amava tão loucamente que seria capaz de matar e morrer por ela.
...
Isabella Swan deixou a bolsa, sapatos e roupas pelo chão do quarto e seguiu até o espaçoso banheiro da suíte que dividia com James. Seu corpo tremia quando ela se colocou debaixo da ducha de água quente. Quase imediatamente, ela parou de lutar contra si mesma e se permitiu escorregar pelos azulejos gelado do boxer, sentar-se ao chão e abraçar os joelhos.
Embora desejasse, a morena recusou-se a chorar. Fez um esforço hercúleo para manter sua mente em branco. Não queria pensar em nada do que ele já havia lhe dito desde que se reencontraram, não queria pensar no que ele tinha feito naquela tarde e muito menos queria pensar no que seus atos a tinha feito se lembrar. Mas nem sempre querer é poder, ela bem sabia.
Longos minutos se passaram sem que a modelo mexesse um músculo sequer. A água continuava a cair sobre o corpo feminino, mas ela quase não a sentia tamanho era o transe em que tinha conseguido se colocar.
Sua mente só voltou ao presente quando sentiu um toque calmo em seu rosto. Sentindo o pescoço estalar, Bella moveu seu rosto em direção a James e não ficou nem um pouco surpresa por encontrá-lo ali ainda vestido e lhe estendendo a mão.
Era o que ele fazia de melhor: erguê-la.
Com um sorriso fraco, ela colocou sua mão contra a dele e se levantou lentamente. Nenhum dos dois disse nada por um bom tempo. Ele a puxou para um abraço sem se importar com o fato de suas roupas estarem encharcadas e em seguida lavou os cabelos compridos e cada centímetro da pele de porcelana. Vez ou outra um grunhido escapava dos lábios masculinos, ao se deparar com os inevitáveis hematomas que ele próprio tinha causado, mas Bella não conseguia se importar com eles naquele momento.
- Eu pedi pizza... – James comentou casualmente enquanto retirava o condicionador dos fios castanhos. – Jared queria que você cozinhasse para ele, mas não foi difícil convencê-lo de que pizza seria ainda melhor. Você acha que pode descer e comer conosco?
Isabella se moveu, impedindo que o campeão continuasse com o banho, e o abraçou uma vez mais.
- Claro! – Ela respondeu baixinho. – Não há nenhum outro lugar que eu gostaria de estar.
Tanto ele quanto ela sabiam que aquela frase não era verdadeira e que, honestamente, ela nem mesmo estava ali, com eles, agora. Sua mente estava em outro lugar. James apenas não sabia se naquela mesma cidade – com o seu rival, ou em outro país com os pais que tinha deixado para trás e com um passado breve e, ainda assim, tão cheio de lama que a fazia se sentir suja até o presente momento.
...
A taça de vinho estava vazia mais uma vez e Bella se inclinou em direção à mesinha de centro tencionando enchê-la novamente. A mão grande e máscula de James tirou a garrafa quase vazia de seu alcance.
- Chega! – Ele disse baixo, mas em inconfundível tom de comando.
Isabella ainda não estava bêbada o suficiente então, ela se levantou, foi até a cozinha e apanhou uma nova garrafa da geladeira. Ela preferia seu vinho levemente gelado e James preferia o que ela quisesse, na maior parte do tempo.
Um olhar contrariado se prendeu nela por um instante, quando seu corpo voltou a se acomodar no espaçoso sofá, mas o loiro preferiu não dizer nada por ora.
Usando os braços fortes para erguer o corpo pequeno do filho que tinha, felizmente, adormecido, James se levantou após decidir que estava mais do que na hora de colocar Jared na cama e ver como a noite terminaria para os dois adultos.
Não foi nenhuma surpresa encontrar a nova garrafa de vinho quase no fim quando o lutador retornou a sala. Ele teve o cuidado de trancar a porta do quarto do filho e resgatar a velha babá eletrônica que não usavam desde que Jared tinha aprendido o caminho para o quarto dos pais e percebido que apesar das broncas sempre haveria um lugar para ele na cama do casal. Mas em noites como aquela,o melhor seria que o pequeno dormisse a noite toda... Em seu próprio quarto.
James jogou a babá eletrônica no sofá perto de Bella e, resoluto, apanhou a taça e garrafa que ela usava. Dessa vez, a morena nada fez. Apenas se acomodou melhor, recostando o pescoço no estofado e descansando as pernas bem feitas e nuas sobre a mesinha a sua frente.
Antes mesmo que o campeão fosse capaz de se sentar ao lado dela, a voz feminina se fez ouvir.
- Você se lembra da nossa primeira briga? – Ela perguntou de olhos fechados, de forma tão natural e calma que, por um segundo, o loiro se questionou se tinha ouvido corretamente. – De como gritamos um com o outro? Do jarro que eu pretendia tacar em uma parede e acabou atingindo você? Da forma como eu estava tão histérica quanto você e só consegui me calar quando você me acertou pela primeira vez?
- Deus, Bella! – James passou a mão nervosamente pelo cabelo. – Eu gostaria de esquecer. Porra, eu gostaria de voltar no tempo e apagar esse dia.
- Estranho... – A morena comentou como se ele não tivesse acabado de dizer nada. – Eu não lembro porquê brigamos. Foi culpa minha, eu sei. Sempre é culpa minha. Eu te deixei com ciúmes? Te contrariei? Flertei com alguém mais do que deveria?
O Campeão imitou a pose da noiva e fechou, ele também, os olhos.
- 3° aniversário de Jared. Depois de todos terem ido embora e ele já estar na cama. Você estava tão bêbada como eu nunca tinha visto. Estávamos apenas nós dois, Alice e Jasper. Você a beijou, na boca, na minha frente. Como se fosse a coisa mais natural do mundo. Eu senti meu sangue ferver e ele continuou a borbulhar até que Jasper arrastasse sua mulher para fora. Eu gritei com você, você gritou de volta. Teríamos ficado apenas nisso, mas você olhou para mim, riu e disse: “Você esqueceu onde me achou, baby? Alice não é a primeira mulher que eu beijo, mas é a primeira de quem eu gosto de beijar, a primeira pessoa, em muitos anos, que me deixa excitada.” Eu tentei ignorar a sua provocação, mas quando você continuou e deixou bem claro que embora eu a tratasse tão bem quanto nunca tinha tratado mulher alguma, você não passada da minha prostituta particular e que como eu pagava bem, muito bem, você continuaria abrindo as pernas para mim sempre que eu quisesse, eu... perdi o controle.
- Merda! – Bella se remexeu em seu lugar. –Eu não deveria ter dito isso... Foi cruel!
- É... Essa é uma das suas especialidades.
- Você deveria me bater de novo. Por todas as vezes em que eu disse algo como isso. Por todas as vezes em que dormi com Alice mesmo sabendo que você odiava isso. Por todas as vezes em que flertei com outras pessoas. Por todas as vezes em que fui uma cadela... Você deveria me bater de novo, James, agora. Por eu ter dormido com ele.
O campeão cerrou os punhos o mais forte que pode. Ele sabia. Tinha ficado bem claro naquela manhã, embora ela tivesse negado. Mas ouvi-la dizer isso com todas as letras o fez sentir como se uma faca estivesse sendo cravada em suas costas... E justamente pela pessoa em quem ele mais depositava confiança e amor.
Ele não poderia negar que em seu intimo desejou fazer, exatamente, o que ela estava lhe dizendo para fazer, por isso se colocou de pé e se afastou dela. Ele já tinha passado dos limites naquele dia e, além do mais, sabia o que ela estava fazendo. Não era a primeira vez que ela recorria a feri-lo o máximo que podia até que ele enlouquecesse por um momento. Apesar do ódio borbulhando dentro de si, James não estava interessado em reviver essa experiência.
Isabella abriu os olhos e os fixou no olhar atordoado do homem que já tinha magoado tanto e que, cedo ou tarde, voltaria a magoar.
- Você deveria. – Ela repetiu.
- É isso que você quer? – James se pegou falando mais alto do que gostaria. – Quer me ferir até que eu perca o controle mais uma vez e...
- E me bata! – Ela completou com fingida e ensaiada diferença.
Edward havia dito a ela que ela apreciava aquilo. Não era verdade. Mas as dores causadas pelas surras eram preferíveis à dor que ela sentia, naquele momento, trespassando seu corpo e tentando roubar o ar que ela precisava para se manter viva.
Quando, em um átimo, James se aproximou e se inclinou sobre o corpo feminino, um pequeno sorriso se formou nos lábios de Bella.
- Isso é doentio! – Ele sussurrou. – Nós dois... Nós dois somos doentes e ficamos ainda mais doentes juntos. Você me enlouquece e se diverte com isso. Você insiste em voltar para a lama, Bella, e sempre me carrega com você. E ainda assim... Porra, ainda assim, eu me deixo arrastar por você. Mesmo com tudo isso, mesmo você me dizendo agora que dormiu com ele e eu querendo mais do nunca descontar toda minha fúria em você... Mesmo agora, Lover, eu me pego pensando se essa será a última vez que eu vou te ver, se levantar a mão para você mais uma vez te fará, finalmente, me deixar... e Droga! Mesmo agora, pensar em você me deixando me faz querer morrer, pensar em matá-lo, você, a mim mesmo. O que eu sou, Lover? Só um cara patético que é tão viciado em uma mulher que não consegue sequer cogitar a possibilidade de mandá-la embora mesmo depois de saber que ela me presenteou com um maldito par de chifres.
Bella viu, e mal pôde acreditar, os olhos azuis do noivo transbordarem e lágrimas escorrem pela face máscula e retorcida de dor.
- Eu sou uma puta, James! O que mais você esperava de uma puta?
- Deus! Você me faz querer quebrar o seu pescoço... – O campeão não fazia ideia de onde tinha tirado força de vontade, mas conseguiu reprimir a vontade quase sufocante que sentia e deixou seu corpo desabar pesadamente contra o sofá.
- Faça isso! – Bella resmungou ao seu lado e ele levou as mãos à cabeça. – Faça isso, droga!
Com as mãos tremendo, Wasp puxou a modelo para o seu colo e embora suas mãos se fechassem contra a pele dela com força, ele não fez nada a não ser prendê-la entre os braços dele.
- O que eu faço, Isabella? – Ele disse entre dentes. – O que eu preciso fazer para você entender? Você enfiou a porra de um punhal no meu peito e embora eu queria te matar por isso, eu enlouqueço só de pensar em não te ter mais por perto. Você vai se destruir... E me destruir junto. E eu vou permitir isso porque sou tão doente por você que prefiro definhar ao seu lado do que viver longe de você.
...
Isabella Swan colocou seus braços ao redor do homem que tremia sob ela e se sentiu ainda mais indigna dele, e de qualquer outro, ou ouvi-lo chorar.
Por que ela tinha que fazê-lo sofrer? Por que tinha que ser tão cruel? Por que tinha que provocar tanta dor e sabotar o que poderia ser bom para ambos?
Ela não sabia porquê. Não sabia e não entendia porque agia como agia, porque estava sempre levando James e a si mesma ao limite.
Ele estava certo. Eram doentes. Ele por ela e ela por Edward. Nunca dariam certo, mas ainda assim ela era egoísta o suficiente para obrigá-los a viver de forma tão dolorosa apenas porque não era capaz de abrir mão da única pessoa no mundo que se importava com ela, que a amava enlouquecidamente mesmo sem que ela merecesse.
- Eu quero... – Ela disse aumentando o aperto dos seus braços ao redor do corpo masculino. – Eu quero te amar, James. Droga, eu quero muito. Eu quero ser boa para você e te fazer feliz. Mas... Mas eu não sei se consigo. Merda! Nesse momento eu não amo nem a mim mesma, como posso amar você? Mas, ainda assim, eu não quero, eu não posso, te deixar. Eu deveria... Eu deveria sair da sua vida, deixar que você encontre alguém que te mereça, alguém que não estrague tudo, mas eu não posso. Quem vai me salvar se eu fizer isso? Quem vai me abraçar como você tá fazendo agora? Quem vai me trazer de volta?
- Eu... – A voz grave de James soou rouca e carregada de demasiada tristeza e derrota. – Sempre vai ser eu, Lover. Sempre vai ser eu.
...
Tanto o lutador quanto a modelo tinham os olhos vermelhos e inchados quando conseguiram enfim se olharem. Ela pôde ver toda a dor que tinha causado nele, ele pôde ver toda a dor que ela sempre carregava dentro de si.
- Aquela vez... – Bella disse baixinho, quase como se estivesse se confessando. – A nossa primeira briga. Aquela não foi a primeira vez que alguém levantou a mão para mim... Sinto muito se eu te fiz acreditar nisso.
Aí estava a revelação que ele sabia que em algum momento viria e que ele não gostaria de ouvir.
- Foi ele? – James questionou. Seu rosto se transformou, a dor visível deu lugar a revolta, a mesma revolta que Bella já tinha visto nele em todas as vezes que tinha contado algo sobre seu passado: a primeira noite na rua, o primeiro “roubo”, o primeiro cliente...
- Ele sempre disse que nunca ia me machucar... – Ela respondeu vagamente. – Ele cumpriu isso até que fosse embora.
- Quem? – O loiro cerrou os olhos, embora já imaginasse quem poderia ser e não gostando nenhum pouco de seu pensamento.
- Meu pai. – Isabella encostou sua testa na de James e não se importou quando o sentiu apertar involuntariamente a sua cintura. – Meu pai fez muitas primeiras coisas. Ele sabia, me dizia, o que eu iria me tornar.
Wasp tentou se manter impassível enquanto ouvia Bella sussurrar para ele como tinha sido seus últimos dias em sua cidade natal. No fundo, ainda estava magoado com ela, tão ferido quanto nunca tinha estado, mas a cada nova palavra, ele sentia a mágoa dar lugar ao ódio... Ódio pelo homem que deveria ter cuidado dela, como ele estava cuidando agora, e que tinha sido o primeiro a mostrar a ela o quão devastador o mundo podia ser.
Charlie Swan tinha sido um canalha filho da puta ainda maior do que todos os outros que Isabella conheceu em sua vida, e James o detestava por isso, quebraria a cara dele se pudesse por isso. Mas, ao mesmo tempo, também era, de certa forma, grato a ele. Se ele não tivesse feito tudo o que fez, ela nunca teria parado em seus braços.
- Eu não faço ideia do que ele pensa hoje... Se ele sabe ou não que Jared está vivo. Provavelmente, não se importa. – Isabella continuou a falar. – Eu também não me importo. A última coisa que ele me disse foi: “Tire essa merda! Tire ou eu mesmo vou arrancar isso de dentro de você.” Ele me deu algum dinheiro, U$ 1.000,00 que eu deveria pagar a alguém dentro daquele lugar fétido e repugnante para onde ele tinha me levado, depois de terem me livrado do que ele dizia ser um vermezinho. Eu fugi pela janela quando me levaram para uma sala no fim do corredor... Ele procurou por mim de novo, eu sei. Mas eu sabia que se me encontrasse seria muito pior, então eu não parei de correr até que estivesse o mais longe possível, me escondi e fiquei lá, em um buraco qualquer perto de uma estação velha de trem por alguns dias, com medo de sair e dar de cara com ele. Até hoje não sei muito bem como eu consegui deixar a cidade sem que ele me encontrasse... Talvez tenha sido sorte. Talvez tenha sido azar.
Sem saber o que dizer, James apenas ficou lá, parado olhando para Isabella. Ela forçou um sorriso.
- Eu não me arrependo! Faria tudo de novo, absolutamente tudo, só para ter Jared comigo.
O lutador assentiu e sentiu um pouco do orgulho que sentia por ela, vir à tona. Ela sempre faria de tudo pelo menino que os dois amavam desesperadamente.
- Isso acabou! – Ele, finalmente, conseguiu dizer algo. – Tudo o que você precisa fazer por nosso filho agora é amá-lo. Eu faço todo o resto.
A modelo se acomodou melhor sobre o colo masculino e lentamente levou seus lábios até os lábios de James. Ela sabia que ele não a afastaria.
O loiro queria se negar a retribuir aquele beijo, mas não tinha forças suficientes para isso. E teve ainda menos força quando os lábios dela passaram a percorrer o pescoço dele.
Quando ele se deu conta de que, mais uma vez, ela venceria o cabo de guerra que ambos mantinham, ela já estava nua sobre o seu colo e ele sentia a crescente e incontrolável excitação que ela sempre provocava.
- James... – Bella gemeu baixinho no ouvido do lutador. – Eu estou tão molhada para você, baby.
Não era a primeira vez que os lábios cheios e provocantes dela proferiam tais palavras, mas era a primeira vez que essas palavras eram verdadeiras.
A constatação de que o noivo tinha mesmo despertado seu corpo fez com que Isabella sorrisse e tentasse puxar o lutador para mais perto. Ela mal podia acreditar que estava mesmo excitada por ele, e sem ter que recorrer a qualquer outro estimulo que não fosse as palavras de amor que ele tinha proferido há pouco com tanta tristeza e as de luxuria que ele proclamava naquele momento.
Cedendo ao avanço dela, James acomodou o corpo pequeno e curvilíneo sobre o sofá, retirou, apressadamente, suas roupas, vestiu um preservativo e se colocou por cima dela. Quando ela usou as pernas bem feitas para abraçar a sua cintura, ele olhou dentro do mar verde que o fitava e aceitou, para si mesmo, o fato de que nunca a mandaria embora não importa o que ela fizesse.
- Você vai se casar comigo? – Ele perguntou.
- Vou. – A modelo garantiu e se remexeu tentando trazê-lo para dentro de si.
As mãos fortes se apossaram do quadril feminino e Bella foi obrigada a parar de se mover.
- Por quê? – Ele capturou um mamilo intumescido com os dentes e a modelo gemeu. – Por quê?
- Porque você é o melhor para mim. – Os dedos dela se infiltraram no cabelo dele. – Porque você me ama.
- Eu amo... – Ele confirmou. – Porra, eu amo! Não deveria mais amo.
- Continue a amar... – Ela pediu. – Por favor, continue a amar. Eu preciso disso!
- Eu vou! – James garantiu e voltou a erguer o seu olhar para encontrar o dela. – Eu vou te amar e te dar tudo o mais que desejar. E só preciso que você me dê uma coisa em troca, só uma coisa. Você pode fazer isso por mim, Bella?
- James...
- Só uma coisa. – Ele repetiu e para deixá-la ainda mais perdida, deslizou lentamente para dentro do canal apertado da modelo.
Isabella fechou os olhos com força, apreciando a sensação de estar, realmente, aproveitando aquele momento de intimidade. 6 anos juntos e aquela era a primeira vez que ela, realmente, doava o seu corpo para ele.
- James, por favor! – Ela pediu quando percebeu que ele pretendia se manter parado sobre ela. – Por favor...
- Só uma coisa, Lover. Eu só quero uma coisa...
Agarrando com mais força os fios loiros, Bella trouxe o rosto do noivo para mais perto de si.
- O que? – Ela sussurrou ofegante. – O que você quer?
O campeão a beijou ardentemente e se deliciou com o gosto único que a boca feminina tinha.
- Um filho... – Ele disse com seus lábios colados nos dela.
Com a mente nublada pela excitação física e pelo êxtase de uma primeira experiência de prazer com quem ela julgava certo, a morena não conseguiu entender o pedido.
Sorrindo, ela voltou a beijá-lo.
- Nós já temos um filho... Droga, um filho que pode acordar e nos encontrar aqui. Por favor, baby, se mova...
- Um filho, Lover. Um filho meu, completamente meu, só meu.
Com o coração acelerado e o corpo em chamas, a octagon girl parou de esfregar seu corpo no de James.
- Você está me pedindo...
- Um filho. Eu estou te pedindo um filho. Outro filho.
- Eu não posso... – Bella desviou o olhar.
Antes que o calor que ele sentia emanar dela se perdesse, James a obrigou a olhá-lo mais uma vez e começou a se mover dentro dela, lentamente.
- Vai ser diferente... – Ele garantiu. – Totalmente diferente. Você não vai estar sozinha. Eu prometo!
- Odeio promessas! – Ela disse, mas ele escolheu esse momento para ir mais fundo.
- Eu cumpro as minhas promessas, Lover. Nada vai ser igual. Eu vou estar aqui, cuidando de você, mimando você... Vendo um pedacinho meu crescer dentro de você. Eu não vou pedir nada mais, Bella. Nem amor, nem fidelidade, nem...
- Não! – Ela disse com desespero. – Me peça amor, me peça fidelidade, me peça para arrancar meu coração e te dar, mas não me peça para passar por tudo aquilo de novo.
Carinhosamente, Wasp beijou as bochechas dela, capturando as lágrimas que começaram a jorrar.
- Então, me dê o seu amor, me dê a sua fidelidade, me dê o seu coração... Mas também me dê um filho.
Tudo o que Isabella fez foi tentar calá-lo com um beijo e forçá-lo a se mover com mais vigor.
- Olhe para mim! – Ele pediu quando o beijo desesperado que ela tinha iniciado chegou ao fim. – Eu juro! Juro por Jared que não vai ser a mesma coisa. Nem mesmo a morte me faria ir embora.
Olhando no fundo dos olhos de safira, Bella viu a determinação, a força por trás de suas palavras.
Mas nem mesmo a certeza que ele morreria antes de deixar de cumprir a sua promessa, era o suficiente para ela. No entanto, isso não a impediria de fazê-lo um pouco feliz, momentaneamente. Seria como uma pequena e fugaz compensação por toda dor que ela já tinha causado e viria a causar.
- Um filho... – Ela sussurrou. – Só um.
- Um é tudo o que eu quero.
- Ok... – Ela disse com suavidade.
O mais bonito e contagiante sorriso que ela já tinha visto surgiu no rosto de James.
Ela retribuiu o sorriso e o manteve mesmo quando ele se afastou dela para se livrar do preservativo.
Um bebê não seria feito aquela noite, ela sabia. Por segurança, sempre se certificava de estar com o anticoncepcional em dia.
Como se lesse seu pensamentos, James voltou a penetrar o corpo excitado da jovem e disse em seu ouvido.
- Nós vamos nos livrar daquelas malditas pílulas...
- Ok... – Ela concordou mais uma vez. Sempre existiria as injeções contraceptivas que ele não precisaria saber que ela encontraria uma forma de tomar e as pílulas do dia seguinte. – Agora, me fode!
Ela não precisou pedir duas vezes. Esquecendo qualquer coisa assunto relacionado a uma futura gravidez que ela se certificaria de nunca acontecer, Isabella se entregou ao novo prazer que James estava se mostrando capaz de proporcionar.
Foi, para ela, um momento único quando ele a fez estremecer e gozar. Pela primeira vez, ela não precisou fingir ou se policiar para não gritar o nome errado. Pela primeira vez, a modelo sentiu que, caso se esforçasse de verdade, poderia fazer dar certo.
Quando o campeão acomodou sua cabeça entre os seios dela tentando recuperar o fôlego, ela acariciou os cabelos sedosos dele e fez uma promessa silenciosa para si mesma: Eu vou ser, pelo menos, um pouco do que você merece ter.
Ela não poderia amá-la, mas poderia parar de fazê-lo sofrer por ela. Isso bastaria para serem felizes, ou tão felizes quanto eles podiam ser.
...
James gastou um longo tempo admirando a bela, jovem e tão complicada mulher que estava deitada sobre a sua cama. Ela dormia tranquilamente, como se a noite deles tivesse sido perfeita e sem qualquer incidente. O lutador não conseguia, não podia dormir... Sua mente ainda fervilhava ao processar tudo o que ela tinha lhe dito. Gostaria de fazer algo a respeito, de encontrar uma forma de pôr fim em tudo o que se colocava entre ele e a mulher que o tinha enfeitiçado, mas estava de mãos atadas... Pelo menos, no que dizia respeito ao que lhe oferecia maior risco de perdê-la.
Tentando conseguir um pouco de alívio para si mesmo, o lutador se afastou da cama, apanhou seu telefone celular e procurou por um velho número que há muito não chamava.
- James, meu chapa! – Ele foi saudado alegremente, como se o homem do outro lado da linha o tivesse visto no dia anterior. – Precisando de uma mãozinha?
Antes de responder, o campeão gastou mais alguns segundos olhando a noiva adormecida.
- Mais do que uma mãozinha, Brow! Mas você vai curtir o trabalho... E com direito a viagem grátis.
- Esse é o tipo de trabalho que eu sempre curto. – Uma risada sarcástica ecoou pelo celular. – Onde? Quem?
- Napanne, Canadá. Charlie Swan.
- O de sempre?
- Não! Eu tenho uma lista especial só para ele... Você vai se divertir.
...
Desligando o telefone e se certificando que a babá eletrônica ainda estava ligada, Wasp finalmente se deitou, com de costume, passou seus braços ao redor do corpo feminino e a puxou para mais perto de si.
Isabella se mexeu, acomodando-se melhor sobre o tórax musculoso do noivo, mas não acordou.
Os lábios masculinos beijaram a testa dela e ele sussurrou baixinho, mais para si mesmo do que para qualquer outra pessoa.
- Ele nunca mais vai te machucar, Lover.
Antes de fechar os olhos, embora soubesse que não dormiria, James repassou, mais uma vez, todo o dia e voltando a sentir as lágrimas escorrem por seu rosto, decidiu que ele precisava de ajuda. O pensamento era amargo e o corroia, mas ele o aceitou com resignação. Era o que ele sempre fazia, de qualquer forma. Ignorar o gosto amargo por ela.
CONTINUA...
Notas finais
xoxo
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