The Lion

25 Capítulo 25


Notas iniciais
Boa leitura!

Para Isabella Swan era estranho, desconfortável até, estar tão próximo de Edward Masen, com ele a tratando com alguma cordialidade. Sim, vez ou outra ele ainda soltava alguns dos seus agora habituais palavrões, mas ela podia ver que ele estava, por alguma estranha razão, se esforçando para ser gentil na maior parte do tempo.

E aí estava o grande problema. Se ele precisava se esforçar é porque, no íntimo do lutador, nada havia mudado. Não que ela esperasse que isso acontecesse. Estava conformada de que ele jamais a perdoaria, embora ela não tivesse feito nada que exigisse perdão.

Por Deus! Se um dia ele descobrisse que ela tinha se prostituído para sustentar a si mesma e ao filho antes de James entrar em sua vida... Seria ainda pior. Era por isso que ela se mantinha calada. De qualquer forma, de nada adiantaria falar sobre o passado, o que estava feito não podia ser mudado e, embora desejasse ter tido outras opções, Bella não se arrependia de nada que havia feito, como bem salientou ao ex-namorado. Tinha feito o que era preciso por seu pequeno e frágil embrulho e por ele faria ainda mais.

Esse era outro ponto que fazia a modelo perder o sono. Seu filho era também de Edward, ao menos biologicamente e, talvez, a coisa certa a fazer fosse contar isso ao ruivo, mas ela tinha medo. Medo da reação do lutador, medo de que ele tentasse lhe tirar o filho, medo de que ele magoasse o menino... A verdade era que Isabella não conhecia o homem que Edward havia se tornado, não sabia do que ele era capaz e, principalmente, não era capaz de confiar nele. Como poderia dividir com ele o seu bem mais precioso quando o ex-namorado era quase um desconhecido total?

Jamais o faria se tivesse alguma outra escolha. E ela tinha.

Tinha James que sempre seria o verdadeiro pai do seu filho e o campeão estava, agora mesmo, dando-lhe mais uma prova disso.

— James... – Ela voltou sua atenção para a ligação que tinha acabado de receber, depois de se certificar que Lion não estava em nenhum lugar do pequeno flat para o qual Jasper os tinha levado. – Está tudo bem? Você está bem? Tem certeza que...

Ela não conseguiu terminar quando se deu conta de que era a primeira vez que estava realmente preocupada com o noivo, temerosa de que algo lhe acontecesse e não era apenas pelo fato de que ela precisava dele, era porque, realmente, queria vê-lo novamente, sentir os braços fortes ao seu redor mais uma vez.

Ela ouviu o sorriso dele do outro lado da linha.

— Lover, você não prestou atenção em nada do que eu disse? Está tudo resolvido...

— Mas você disse que foi chantageado... – Ela insistiu, estremecendo ao lembrar do que ele tinha lhe contado.

— Bom, isso é o que acontece quando se mete com as pessos erradas... – O campeão respondeu como se nada demais tivesse acontecido. – O que me deixa puto de verdade é não ter conseguido o doador. Eu teria pago o que quisessem por isso.

— Você sabe que isso pode ser considerado tráfico de órgãos e tecidos, né? Você poderia ser preso.

— Isso foi o que o cara que me chantageou disse... Mas, honestamente, Alyssa, se para conseguir o doador para o nosso filho, eu tivesse que parar na cadeia, eu não me importaria.

Ela tinha mil e uma coisas que poderia ter dito, que deveria ter dito, mas sua voz sumiu diante da convicção com que o noivo falava.

— Eu... – O choro que chegou de repente a calou.

— Lover... — James continuou, com carinho. – Por que o choro? Eu não desisti. Nunca vou desistir. Dessa vez foi um alarme falso, mas eu tenho certeza que vou encontrar alguém que, com um pouco de incentivo financeiro, vai aceitar ser o doador. Eu vou lutar até o fim, Bella.

— Eu sei... – Ela respondeu. – É por isso que estou chorando... Obrigada! Meu Deus, obrigada, por tudo o que você faz por Jared e por mim... Eu não sei o que faria sem você.

— Ele é meu filho, Bella! – Gigandet respondeu com orgulho e convicção. – Não existe nada que eu não faria por ele, por você... pela nossa família.

— Eu te amo... – Ela disse baixo, quase inseguramente, mas assim que as palavras saíram de sua boca, ela percebeu que era verdade. Amava o noivo, talvez não como ele merecia, mas ela o amava.

— O quê? – Wasp não foi capaz de manter a incredulidade longe de sua voz. Não quando ele ouvia da noiva a declaração com qual sempre sonhou e imaginou que nunca viria.

— Eu te amo, James! – Ela repetiu, mais forte. – Eu te amo!

∞

Edward estava cansado, exausto da luta constante para se controlar quando estava perto de Bella. Quando aceitou servir de segurança da ex-namorada tinha imaginado que a teria apenas para si durante alguns dias, que assim que ficassem sozinhos, ela se entregaria... o aceitaria de volta, corresponderia ao desejo aniquilador que estava, pouco a pouco, enlouquecendo o lutador em ascensão.

Nada disso aconteceu. Passados dois dias, tudo o que Masen conseguiu da Swan foram algumas palavras cordiais e um silêncio sufocante.

Tinham deixado o hotel para trás, depois de Jasper argumentar, com afinco, que teriam maior privacidade em um discreto flat no coração de Toronto, mas a mudança de local apenas afastou Isabella ainda mais. Ela mantinha-se trancada em seu quarto o máximo de tempo que podia e ele não sabia como se aproximar, não depois do que ela tinha lhe dito.

“Eu acho que não te amo mais...” — Essa frase nunca mais sairia da cabeça de Edward.

Como poderia quando sabia que a declaração significava que estava perdendo-a definitivamente? E embora o lutador tentasse com afinco não demonstrar como de fato se sentia, foi o medo de perder a modelo para sempre que o moveu, quando ouviu a declaração de amor sussurrada.

Ela não o tinha visto e mesmo após a ligação ser encerrada, a presença do ex-namorado ainda não era notada... Bella estava ocupada demais mantendo um olhar vago sobre a aliança de noivado que tinha em seu dedo anelar esquerdo, acariciando o brilhante como acariciaria um amante, como costumava acariciar Edward anos atrás, quando eram apenas dois adolescentes inconsequentes e apaixonados.

Quando um pequeno sorriso se formou nos lábios cheios, deixando o rosto de boneca ainda mais encantador, Lion ignorou o embrulho em seu estomago e adentrou o quarto mesmo sem ser convidado.

– Vem comigo... – A ringue girl se sobressaltou, mas poucos segundos depois já tinha o nariz empinado e um olhar desafiador apontados para o rosto do lutador.

­Ignorando-a quando ela sussurrou um “o quê” incredulamente, o lutador se aproximou da cama onde ela estava sentada. Por um momento cogitou a possibilidade de se apossar de um dos braços femininos e a arrastar com ele, mas respirou fundo e com forçada paciência estendeu a sua mão para a jovem.

­– Vem comigo, B... – Ela estava empenhada em mantê-lo longe, mas em momentos como esse, quando ele encontrava uma forma de lembrá-la da história de amor que compartilharam, mesmo que apenas usando um apelido carinhoso há muito esquecido, ele podia ver nos olhos verdes que ainda a abalava.

O cômodo ficou em silêncio por alguns minutos. Edward com a mão estendida, fitando a ex-namorada atentamente até que ela reciosamente tocou a palma da mão masculina.

— Edward, eu...

Ele não a deixou terminar, inverteu a posição das mãos até que seus dedos se fecharam sobre o pulso delicado e a puxou em sua direção, tirando-a da posição confortável, da sua falsa zona de segurança. Com o impulso o corpo de Bella foi de encontro à parede sólida de músculos que era o tórax masculino. Os dois corpos tão perto que um era capaz de sentir a respiração do outro. Seria preciso menos que um segundo para Edward colar sua boca à dela, mas ele sabia pelo olhar que ela lhe dirigia e pela forma como o corpo pequeno se mantinha tenso que não seria, nem de longe, correspondido caso a beijasse.

Quando se obrigou a colocar um passo de distância entre eles, o inconfundível suspiro de alívio que a Swan não foi capaz de calar foi como um golpe certeiro em seu peito, roubando-o ar. Ainda assim, ele apenas respirou fundo e com seus dedos ainda ao redor do pulso dela, a conduziu até a sala de estar do pequeno flat.

Bella se sentia fora de lugar, parada em um canto da sala, observando o ex-namorado afastar os poucos móveis espalhados pelo cômodo.

­– O que você está fazendo? – Ela questionou depois de alguns minutos, sem aguentar mais o silêncio, sem entender porque ele a tinha levado até ali.

Ele não a respondeu, mas sem esforço arrastou o sofá de couro até que o mesmo estivesse encostado em uma parede, deixando o centro da sala completamente vazio.

— Muito bem... – Ele começou depois de analisar o espaço que tinha acabado de criar. – Venha aqui.

Ela pensou em negar ou em apenas dar-lhe as costas e voltar para o seu quarto, mas a curiosidade a moveu até que estivesse parada de frente para o lutador.

Acanhada, ela o observou retirar o casaco e blusa que usava e, com um movimento despretencioso, jogar a roupa por cima dos ombros, antes de cravar os olhos de safira em seu rosto.

Não foi um movimento sexual, longe disso, mas ver os braços nus a deixou desconfortável, especialmente quando o via analisar o seu rosto, talvez em busca de algum sinal do quanto ainda a afetava, mas encontrando apenas os hematomas que seu pai tinha deixado e um olhar de desafio.

Sem dizer nada, ele se aproximou e, para a incredulidade da modelo, ergueu o punho esquerdo e o conduziu em direção ao rosto delicado. Instintivamente, Isabella afastou a face, encolhendo-se o máximo que podia, tentando amenizar a potência do soco que a atingiria e, com os olhos fechados, esperou pela dor que nunca chegou.

Com o coração martelando no peito e as mãos levemente trêmulas, ela abriu os olhos para encontrar Edward de volta a posição inicial, parado a sua frente, olhando-a calmamente como se não tivesse acabado de ameaçar atingir o seu rosto com um soco.

Ela estava a ponto de xingá-lo, quando ele repetiu o movimento, conseguindo dela a mesma reação anterior.

— Quando você vira o rosto assim, apenas se deixa mais vulnerável... – Ele disse como se comentasse o tempo, antes que ela se recuperasse do novo susto e voltasse a olhá-lo. – E se encolher também não ajuda. Quando você se encolhe, o seu corpo se inclina ligeiramente para o lado o que deixa uma das faces exposta, assim como o seu cabelo.

Antes que a modelo entendesse o que estava acontecendo, Lion repetiu o falso ataque e embora ela já tivesse percebido que ele não ia, de fato, agredi-la a reação da modelo foi a mesma.

Dessa vez, ele não parou quando ela se encolheu.

— Assim fica fácil atingir o seu rosto... – Ele disse fazendo com que o punho fechado tocasse uma das bochechas dela levemente, quase como uma carícia. – Ou com que eu use o seu cabelo para puxá-la para onde eu quiser. – Os dedos masculinos se apossaram de um pouco de cabelo castanho, prendendo-o pela raiz e mesmo que não tenha doído, a modelo gritou. – Depois disso, uma gravata, e eu tenho você praticamente rendida.

Com os pensamentos a correr, Bella sentiu suas costas encontrar o tórax de Edward ao mesmo tempo em que o braço masculino fazia pressão sobre a sua garganta, prendendo-a ele. Ela gritou de novo, dessa vez um xingamento e tudo o que ele fez foi levar a mão esquerda até os lábios femininos, calando-a.

Ela o mordeu. Com força.

Ele amaldiçoou, mas em seguida riu baixinho.

— Bom! – Ele elogiou. – Usamos as armas que temos. Uma mordida poderia ajudar se o cara não estivesse esperando por isso... Mas também vai irritá-lo.

— O que você está fazendo? – Ela questionou, tentando afastar o braço que ainda prendia seu pescoço.

— Eu pensei que estivesse óbvio... – O lutador respondeu e aproximou seu rosto do dela. – Te ensinando a se defender.

­ – O quê... Edward...

— Se você estivesse presa assim... Como se soltaria? – Ele a interrompeu.

— Me solta, Edward! – Ela colocou o máximo de raiva em sua voz. – Eu não estou gostando disso.

— Pedir não vai adiantar... Como você se soltaria?

Ela suspirou e passou a usar as mãos para afastar o braço que a prendia, quando não conseguiu, as unhas foram usadas para arranhar a pele de seu novo professor de defesa pessoal. Ela continuou tentando até que deixou seu corpo tombar contra o de Edward, cansada, sem fôlego.

— Isso é inútil e só vai ajudar o agressor... Arranhões não são nada e só vai te deixar cansada.

Rendendo-se ao fato de que teria uma aula de como se defender, querendo ou não, Isabella deixou os braços caírem e sussurrou:

– O que eu tenho que fazer?

Lion a soltou e tinha um sorriso grande quando ela o olhou irritada.

— Tenta me acertar...

Ela nem mesmo pensou a respeito, apenas levou a palma da mão de encontro ao rosto presunçoso do ex-namorado. Antes que ela conseguisse tocar o rosto masculino, Edward interrompeu o movimento do braço e parou o golpe.

— Para começar... – Ele voltou a falar quando ela soltou um muxoxo. – Você precisa deixar os tabefes afeminados de lado e treinar alguns socos... Mas isso fica para depois. Para se defender de um soco, você precisa bloquear o golpe. Sua vez...

Antes que ela se preparasse, ele atacou mais uma vez...

— Droga! ­– Ela vociferou. – Eu não tive tempo de me preparar...

— Diga isso para o cara que a arrastar para um beco escuro da próxima vez... – Quando ela abaixou o olhar, ele se obrigou a ser gentil. – Nenhum agressor vai esperar você se preparar, ele vai atacar e pronto.

Mã vontade a parte, a aula improvisada e forçada de defesa pessoal acabou se tornando produtiva e, de certa forma, divertida. Assim como fez os dois ex-namorados confortáveis o suficiente para brincarem um com o outro.

— Você nunca vai conseguir me derrubar... – Edward se vangloriou quando Bella tentou mais uma vez, mas não conseguiu derrubá-lo após ensiná-la um novo golpe.

— Conheço um jeito... – Ela se aproximou, sorrindo para ele, passou a ponta dos dedos sobre os ombros nus dele, arranhando a pele até alcançar a nuca masculina.

Como ela esperava que acontecesse, Lion abaixou a guarda e quando ele enlaçou a cintura feminina, ela levantou o joelho, pronta para atingi-lo da mesma forma que o tinha feito soltá-la quando se reencontraram pela primeira vez depois de sete anos.

Ela riu quando ele percebeu o que ela pretendia e parou o movimento antes de atingi-lo.

— Sempre posso recorrer a isso.

Masen balançou a cabeça, mas riu com ela.

— Só se o cara for idiota o suficiente para se deixar engarnar...

— Você foi... Mais de uma vez. – Ela alfinetou e mandou um beijo no ar para o lutador.

Sim, ele era mesmo um idiota que sempre se deixaria enganar por ela, prova disse é que ele esqueceu qualquer boa vontade de realmente ensiná-la a se defender e voltou a agarrá-la, com o força o suficiente para chocar o corpo pequeno contra o seu e quando ela tentou se afastar, os dois foram ao chão, com ela por baixo do corpo forte e suado, olhando-o como se suas vidas não tivessem se tornando tão ferradas, como se ainda o amasse, como se ainda pudessem consertar tudo o que tinha se quebrado entre eles.

Um segundo. Era tudo o que Edward precisaria para vencer a distancia entre a sua boca e a dela, mas o o som do celular tocando quebrou o encanto que ele parecia ter sobre Bella antes que os lábios dos dois se encontrassem, o que a modelo achou providencial. Se continuasse tão próxima do ruivo, acabaria fazendo mais uma das suas muitas burradas.

Estava decidida a não ceder mais aos avanços do lutador em ascensão após se dar conta dos sentimentos que nutria pelo noivo. Já havia negligenciado demais a família que formava com o campeão e Edward, certamente, não merecia que ela continuasse a se afundar por ele.

O problema é que ainda era difícil resistir a ele, existia essa tensão no ar, uma atração quase dolorosa que agia como um imã, a arrastando diretamente para os braços do homem que mais a magoava no mundo. Era exaustivo demais lutar contra isso, especialmente quando ele continuava a usar a mascara de cara doce e arrependido.

Isabella não era tola, sabia que no fundo ele ainda era o mesmo e nutria a mesma raiva sem sentido por ela. Assim como ela ainda nutria os mesmo sentimentos inquietantes.

O amor tinha desaparecido há muito, ela agora conseguia admitir ao menos para si mesma e tudo o que tinha ficado era a atração inegável e a raiva opressora, não podia ser diferente quando ela o culpava por tudo o que tinha lhe acontecido. Ainda assim, não conseguia pensar com clareza quando ele ficava tão próximo e agia como quando eram um casal adolescente apaixonado e inconsequente.

Usando o golpe que tinha ensaiado há poucos minutos, ela se desvencilhou dele e correu para longe.

Fechando a porta do quarto que ocupava, deixando Edward e toda a bagagem que ele trazia do lado de fora, a morena suspirou antes de finalmente apanhar o telefone celular que continuava a tocar sobre a mesa de cabeceira e aceitar a ligação.

A voz do Dr. Carlisle Cullen trouxe certo pânico. Ligações fora de hora do médico de Jared, geralmente traziam más noticias.

— O que aconteceu? – Ela interrompeu a saudação calorosa que ouvia, sem se importar em soar má educada. – Meu filho…

— Se acalme, Bella. – O médico disse suavemente, a voz contendo uma pontada de diversão.

A convivência de anos trouxe certa intimidade, que costumava vir à tona apenas em momentos esporádicos, quando a condição médica de Jared estava sobre controle.

— Jared está bem.

Respirando fundo, a modelo se sentou na beirada da cama.

— Sinto muito, Dr Cullen. — Ela respondeu aliviada. – Sua ligação me pegou de surpresa. Por um momento imaginei que teria más noticias.

A possibilidade, embora descartada, a fez estremecer levemente. Nunca se acostumaria com o medo constante de perder o filho.

— Eu tenho noticias… — A voz masculina anunciou. – Mas dessa vez são boas. Na verdade, estou sendo um pouco precipitado em lhe contar agora, antes que as comunicações oficiais ocorram, mas imaginei que você e James ficariam contentes em saber que temos um doador.

Bella sentiu o ar faltar e, inconscientemente, levou a mão livre até o peito como se dessa forma pudesse conter a forma como seu coração parecia soltar. A mesma mão foi levada aos lábios após um soluço ser emitido. Não tinha percebido que chorava até ouvir o som angustiado. Tantos anos aguardando por uma notícia que nunca chegava e ainda assim a modelo não estava preparada para o que ela significava… Um transplante, a melhor chance de cura do seu embrulho. A aparição de um doador era tão surreal quanto animadora que fazia a modelo temer estar sonhando.

— Você tem certeza? – Não foi capaz de evitar questionar. – Não pode ser um alarme falso?

— Nós testamos a compatibilidade duas vezes, para não restar duvidas… — Carlisle respondeu tão animado quanto a modelo, tinha se apegado ao seu pequeno paciente e a possibilidade de curá-lo trazia, além de satisfação, um imensa dose de contentamento ao médico. – Estão provavelmente entrando em contato com o doador agora. Essa é outra razão para que eu tenha decidido contar logo. Imaginei que gostaria de saber que a última campanha foi a responsável por isso. Edward Masen é o nosso doador.

Se antes o ar estava escasso, agora havia desaparecido. Edward… Era uma possibilidade, bastante alta por sinal, tinha sido exatamente por isso que o lutador havia sido convidado para a campanha, mas Isabella não sabia bem como se sentia sobre isso.

O ex-namorado a detestava, assim como odiava o seu noivo e estava completamente ignorante sobre a paternidade de Jared… Ninguém poderia prever como ele reagiria quando soubesse que era o pai biológico da criança por quem não nutria muita simpática e, sendo honesta consigo mesma, a modelo gostaria de manter essa informação em segredo para sempre. Talvez ainda pudesse… Bastava que ele soubesse que era compatível, não que era o pai. De qualquer forma, sabendo ou não, teria uma divida eterna com o lutador caso o transplante realmente acontecesse. Caleb ainda poderia se negar, não é? Durante a doação de sangue, ele havia dito com todas as letras que não doaria uma gota de seu sangue para Jared.

— Ele pode se negar? – Ela questionou baixinho, rezando para o médico lhe dissesse que isso não poderia acontecer.

— Bom, eu nunca vi acontecer… Quando uma pessoa aceitar fazer parte do banco, geralmente, está ansiosa em poder ajudar a salvar uma vida. – o médico fez uma pausa e isso foi o suficiente para fazer Bella tremer. – Mas não há nada que o obrigue a doar, caso decida desistir.

— Aí meu Deus! – A modelo permitiu que seu corpo tombasse contra a cama. – Ele precisa saber para quem vai doar?

Talvez se ele não soubesse, aceitasse sem pestanejar e isso evitaria que ela tivesse que lhe contar coisas que preferiria manter em segredo.

— Não necessariamente. Normalmente, apenas informamos que há uma compatibilidade e damos inicio aos procedimentos. No entanto, vocês são próximos e eu imaginei que…

— Você já disse a ele? – Um arrepiou subiu pela espinha da modelo, fazendo-a cerrar os olhos com força.

— Minha equipe deve estar falando com ele agora… Bella, não imaginei que seria um problema.

É claro que não. Ninguém imaginaria. E talvez não fosse mesmo. Se ainda existisse dentro do lutador um pouco do que ele costumava ser quando adolescente, ele aceitaria sem um segundo pensamento.

— Tudo bem…. Eu só… Parece que eu estou sonhando…

— Você não está.

— Finalmente! – Bella se permitiu sorrir e as lágrimas, agora de felicidade, vieram com mais força. – Finalmente! Ele vai ficar bem, não vai? Depois do transplante…

— Vamos fazer o melhor que pudermos… — O médico gostaria de afirmar que o transplante resolveria tudo, mas ainda existia uma chance de não ser assim. Jared estava a tanto tempo aguardando por um doador que um transplante poderia não ser o suficiente e ainda poderia ocorrer uma rejeição. Não mentiria e criaria falsas esperanças, embora desejasse que seu paciente finalmente se curasse.

— Ele vai ficar bem. – Isabella afirmou. – Eu tenho fé. – Era estranho que ela falasse em fé quando tinha perdido a sua há anos, mas a possibilidade de cura de Jared parecia estar trazendo isso de volta. – Essa é a melhor noticia que você poderia me dar. Obrigada!

— Deixe para me agradecer quando tudo estiver terminado… — O médico sorriu. – E, Alyssa, eu também tenho fé. Ainda de olhos fechados e com lágrimas escorrendo por seu rosto, a modelo murmurou mais algumas frases antes de encerrar a ligação.

Seu coração ainda estava aos saltos, assim como as mãos tremiam, ainda assim ela não foi capaz de se conter, largando o celular sobre a cama, ela correu de volta a sala. Não importava os medos que tinha, Edward aceitaria.

Ela parou, próximo ao sofá que ainda estava encostado a parede, sem saber o que dizer ou fazer ao perceber que o ex-namorado estava com uma das mãos apoiadas na janela, enquanto a outra apertava o celular. Não podia ver a expressão dele, já que ele estava de costas para ela, com o rosto voltado para a paisagem lá fora, mas a postura ereta a deixou saber que ele já sabia.

Cruzando os braços sobre o peito, ela tentou um passo em frente, mas parou quando ele se virou em sua direção. Os olhos azuis estavam cobertos por uma nuvem densa. Ela não sabia se era raiva o que via no olhar dele, mas teve medo que fosse algo ainda pior.

— Edward… — Ela disse baixinho. – Eu…

Ele se moveu e ela, instintivamente, recuou. Tudo nele indicava perigoso, como um sinal luminoso a alertando para fugir.

Pensou que ele a puxaria para perto, talvez a agarrasse e a obrigasse a beijá-lo, talvez fosse violento… No entanto, tudo o que ele fez foi passar pela modelo e deixar o flat para trás.

Isabella não tinha como saber, mas Edward estava perdido, travando uma luta interna que ele não tinha esperanças de ganhar.

De início tinha ficado feliz com o telefonema que o deixou saber que a sua medula poderia ajudar uma criança. Quando aceitou fazer parte da campanha, não imaginou que poderia contribuir efetivamente com mais do que a sua imagem, no entanto seria realmente gratificante que pudesse, de alguma forma, salvar uma vida. Mas ao ouvir o nome do filho de Bella, a satisfação que sentia foi substituída pela costumeira opressão que tudo relacionado a ex-namorado lhe causava.

Ainda se lembrava da forma como ela havia contado sobre a necessidade do filho de conseguir um doador e, no fundo, desejava ser aquele que daria a Swan o que ela mais queria, mas não sabia como se sentia sobre a possibilidade de fazê-la feliz quando, na verdade, queria fazê-la sofrer. E definitivamente não desejar uni-la ainda mais ao seu rival e ele sabia que o filho era o que mantinha Bella e James juntos… Talvez se a criança não existisse, o noivado também deixasse de existir.

O pensamento fez o estomago do lutador embrulhar. Em quem havia se tornado para desejar que uma criança morresse para que tivesse a mulher que desejava para si?

Não se reconhecia. O ódio que tinha dentro de si era maior e mais aniquilador do que ele imaginava.

Enquanto andava pelas ruas movimentadas de Toronto sem rumo certo, chegou a conclusão de que Bella estava certa. O adolescente por quem ela tinha se apaixonado não existia mais, tinha morrido durante os anos em que passou em uma prisão. Era a única explicação para os pensamentos que não lhe deixavam.

Ele estacou e permaneceu parado em meio aos transeuntes que desviavam de ser corpo, sem se importar com os ocasionais empurrões e xingamentos dos canadenses apressados, quando algo cruzou a sua mente.

Bella o odiaria ainda mais, se é que isso era possível, mas existia uma forma de tê-la para si, destruir James e ainda ajudar a salvar o filho dos dois… É claro que isso confirmaria o quão canalha Edward havia se tornado, mas cada um lutava com as armas que tinha e Masen usaria as suas, mesmo que isso acabasse de vez com o amor que a ex-namorado ainda poderia nutrir por ele.

De qualquer forma, não era o amor dela que ele queria. Bastaria ter o corpo e alguma dose de sofrimento.

Ainda em conflito interno, mas decido a fazer o que precisava para conseguir o que desejava, o lutador fez o caminho de volta para o flat alugado que dividia com a ex-namorado que deveria proteger.

Não foi nenhuma surpresa encontrá-la encolhida sobre o sofá, esperando pelo seu retorno. Ela também não era mais a mesma, mas Edward ainda reconhecia um pouco da adolescente por quem se apaixonou nela. O olhar verde ansioso sobre si e os lábios presos nos lábios eram sinais de ansiedade e nervosismos, ele sabia.

Ele se recostou contra a porta que tinha acabado de fechar e suportou o olhar dela por longos minutos.

— Então… — Ele foi o primeiro a falar. – Parece que o destino está sempre encontrando uma forma de colocar nós dois juntos.

Bella puxou os joelhos ainda mais para próximo do peito e abraçou as próprias pernas com força. A máscara de docilidade e arrependimento tinha caído, o que ela via era um homem magoado, a encarando com um brilho de satisfação no olhar, como se tivesse em mãos uma arma que pudesse destruí-la… E ele, de certa forma, tinha.

— Edward… — Ela queria gritar e xingá-lo, era sempre essa a sua vontade com ele. Mas não conseguia, então sua voz saiu baixa, hesitante, temerosa. – Sei que tem suas diferenças comigo, mas o meu filho… Jared não tem nada a ver com isso. É só uma criança e…

— Salve o seu discurso, B. – Caleb usou propositalmente o apelido carinhoso que tinha dado a ela, anos atrás. – Eu não tenho nada contra o seu garoto… — Ele prosseguiu e estava contente por, pelo menos, isso ser verdade. – Se ele precisa de um pouco da minha medula, eu posso dar isso a ele…

Isabella estava preparada para uma negativa, pronta para argumentar e, até mesmo, implorar se fosse necessário, afinal a saída intempestiva do lutador tinha feito a modelo acreditar que ele não aceitaria ser o doador que Jared precisava. A pronta aceitação fez a morena soltar do sofá e encarar o ruivo, sem saber exatamente como reagir.

— O quê? – Ela questionou, tentada a voltar a chorar e a começar a sorrir, tudo ao mesmo tempo.

— Eu vou ser o seu doador, B. – Edward pronunciou as palavras devagar, intimamente abalado pelo sorriso que via surgir no rosto de boneca a sua frente.

Ela era linda, ainda era linda quando sorria e ele desejou ser capaz de guardar aquele sorriso para sempre porque ele iria embora antes daquela conversa acabar.

Quando a modelo correu para ele e o abraçou, Masen não soube como reagir. Por alguns segundos, enquanto a sentia contra si, sorrindo contra a pele do seu pescoço, ele pôde fingir que ainda estavam em Napanne, juntos, inseparáveis, completa e enlouquecidamente apaixonados, talvez por isso a tenha abraçado de volta, apreciando o calor do corpo feminino e o cheiro bom que ela sempre teve. Quase a beijou quando ela se afastou um pouco e, com lágrimas nos olhos, sorriu ainda mais.

— Você vai mesmo ser o doador? – Ela perguntou em um misto de incredulidade e felicidade.

— Eu vou… — Ele confirmou e fez um carinho lento no rosto dela, sentindo a pele úmida da bochecha. – Mas você vai ter que fazer algo por mim também.

Ele observou impassível o sorriso de Bella lentamente desaparecer, ainda que por dentro desejasse ser capaz de esquecer todo o resto, passar por cima da sua mágoa e só seguir em frente. Mas não era capaz disso, em algum momento durante os anos em que esteve afastado da modelo, o ressentimento e a vontade de se vingar de James tinham se tornado maiores e mais fortes que o amor que sentia por Isabella.

A morena deu um passo inseguro para trás. Enquanto estudava o rosto de Edward se questionava no quanto ainda era apenas uma garotinha boba. Tinha sido muita ingenuidade acreditar que o ruivo apenas faria uma boa ação, sem desejar nada em troca. E sabendo o quanto o tempo tinha mudado o lutador, ela só podia imaginar que seja lá o que ele pediria em troca da doação, finalmente daria a ele o que tanto desejava: vingança.

Bella ainda estava tentando reunir coragem para perguntar o que ele queria, quando o viu sorrir.

— Você sabe o que eu quero, Bella. – Ele nem mesmo tentou esconder a satisfação que sentia.

— Tudo isso por algumas transas, Edward? Acredite em mim, eu não valho a pena. Não sou mais a menininha inexperiente que fazia tudo o que você queria… Você vai enjoar rápido. Não vale a pena ser um canalha por conta disso.

O sorriso dele aumentou.

— Nós dois sabemos que sexo com você eu posso ter sempre que eu quiser… Você pode continuar com o seu joguinho de noiva arrependida, mas se eu realmente quiser te faço ceder.

As palavras dele eram como um tapa na cara da morena, porque era verdade. Bella podia estar tentando, mas não tinha certeza de que era forte o suficiente para resistir.

— O que eu quero é você… por inteira. Só para mim. Sem desfilar seminua em uma arena, sem noivo, sem filho. Você, como era há sete anos.

Isabella quis rir, gargalhar mesmo e quase fez isso no que, obviamente, seria um surto justificado. Aquela Bella estava morta e chantagem nenhuma a ressuscitaria. Queria rir da sua estupidez e do fato de Edward ter perdido seu coração no meio do caminho que o levou a estar bem a sua frente, matando-a um pouquinho mais e enterrando tudo o que tiveram. No entanto tudo o que fez foi levantar a sua mão e estalá-la contra o rosto masculino.

Não dava a mínima para suas aparições como ring girl e, sendo sincera, abriria mão de James por seu filho sem um segundo pensamento, Mas Jared… nada, nunca, a faria deixá-lo.

Ela atingiu o ex-namorado uma vez mais, com mais força, querendo destruí-lo como ele estava fazendo com ela. Imaginou que ele revidaria, ansiava por isso, mas Edward apenas ficou lá, parado, deixando que ela o estapeasse o quanto quisesse.

— Nada, nem ninguém, me faria deixar o meu filho. – Ela sibilou, bastante inclinada a continuar o seu ataque. – Muito menos alguém tão baixo quanto você.

O lutador abriu os braços como se não se importasse com a decisão que a mulher a sua frente tomaria.

— Então você e terá um filho morto em seus braços… — Sabiamente ele se afastou antes que as unhas dela se cravassem em seus olhos. – Sua escolha, B.

CONTINUA...

Notas finais
Por favor, se você chegou até aqui, me deixe saber o que achou. xoxo
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.