Notas iniciais
Oi de novo! Aqui está mais um capítulo - de novo, desculpe por ter demorado mais que os outros. Esse não tem muita falação... Na maior parte do tempo, vão ser só os pensamentos dolorosos dos personagens, então me desculpe se você não curte muito isso, mas foi necessário. Além disso, sinto que devo avisar que não tem nenhum personagem novo aqui. Está faltando só mais um, e eu decidi que, para que a história fique mais interessante, vou introduzi-lo mais para frente... Sorry :( Espero que não me odeiem por isso... Aproveitem!

Connor saltou da cadeira, os pensamentos que aparentavam não quererem sair de sua cabeça deixados de lado quando o rapaz ouviu um grito estridente vindo da parte de trás da padaria.

Olhou confuso para além do corredor sombrio que se alastrava diante de seus olhos, detectando o cintilar de uma lanterna na última porta e movendo-se sorrateiramente naquela direção. Podia ouvir grunhidos não tão distantes, e seu corpo entrou imediatamente em estado de alerta.

Estivera tão focado em seus próprios problemas que nem havia prestado atenção no paradeiro de Marcos. Agora, se algo tivesse acontecido com o negro, sabia que a culpa seria inteiramente sua.

Droga… — murmurou com as sobrancelhas franzidas, sua mochila pesando em suas costas enquanto tirava a pequena faca, que sempre carregava consigo, do bolso da calça. Seus pés se arrastavam no chão, e Connor podia sentir que havia algo muito errado ali pelo modo como suava frio.

Parou de repente, a luz da lanterna — ainda um pouco afastada de si — revelando a sombra de algo se movendo. Connor sentiu um terrível cheiro emanando do pequeno quarto, e imediatamente abriu sua mochila, sacando sua jaqueta e com ela tapando a própria boca e nariz.

Seguiu seu caminho até chegar na porta do quarto, os grunhidos abafados se tornando cada vez mais altos à medida que ele se aproximava da lanterna, tentando iluminar a fonte de todo aquele barulho.

Com o pé esquerdo, girou a lanterna no chão, e a cena que viu em seguida fez com que estremecesse, um calafrio percorrendo suas costas e se alastrando até os fios de seus cabelos castanhos.

Era Marcos, seu rosto contorcido em uma expressão dolorosa enquanto segurava um homem… Não, uma criatura pelos ombros, em uma tentativa desesperada de mantê-la afastada de seu pescoço.

Connor permaneceu dois segundos — que mais pareceram horas para o negro se debatendo no chão — sem reação. Seu corpo havia entrado em um estado de choque, sendo aquela a primeira vez que o rapaz se deparava com um deles tão perto.

Quando finalmente voltou a si, percebeu com pesar que, apesar de seus esforços, Marcos estava perdendo para o walker em seus braços.

O jovem enfermeiro não precisou pensar duas vezes, impulsionando-se para frente e — ainda segurando a jaqueta em seu rosto — atingindo a criatura um pouco acima da clavícula, consequentemente fazendo com que se afastasse.

Arfou, finalmente tendo tempo para respirar antes de segurar o negro pelo colarinho e o empurrar para trás de si, até que a única coisa entre Connor e o walker fosse a pequena lanterna.

Com a luz iluminando o corpo no fundo do quarto, Connor podia ver que era um senhor mais velho, seu crachá ainda pendurado no uniforme de padeiro, agora completamente arruinado, sendo a única indicação de que era — ou pelo menos fora, algum dia — funcionário da pequena loja em que se encontravam.

O rapaz olhou da criatura para Marcos, tentando decifrar o motivo de seu companheiro ter insistido tanto em ir até aquele lugar. No final das contas, Connor tinha uma ideia da razão para tal comportamento do negro. E não era nada agradável…

Com um último suspiro, o moreno lançou-se novamente para frente, sendo acompanhado pela criatura, que soltou um grito agudo ao abrir a boca e mostrar-lhe os dentes apodrecidos e amarelados. Connor hesitou por alguns segundos ao olhar para o walker antes de enfiar-lhe a faca grosseiramente no pescoço, empurrando o pequeno objeto metálico e afiado — com apenas a mão livre da jaqueta que segurava em frente à boca — até que sua ponta atravessasse a garganta da criatura e ela caísse no chão com um baque.

O jovem enfermeiro caiu sentado para trás em seguida, tentando recuperar o fôlego enquanto arrastava-se no chão até que seu corpo encontrasse com a parede do corredor. Connor esticou o braço para que as pontas de seus dedos — que seguravam a faca, embebida de um líquido amarelado — tocassem a fria maçaneta da porta, a qual ele segurou e puxou, com a força que lhe restava, para selar o quarto.

O moreno imediatamente removeu a jaqueta do rosto, deixando que suas mãos caíssem ao lado de deu corpo e fechando os olhos momentaneamente enquanto tentava controlar sua respiração. Assim que seus olhos se abriram de novo, virou apenas a cabeça na direção de Marcos, e franziu as sobrancelhas ao ver o estado de seu companheiro.

O negro também ofegava, suas narinas abertas enquanto olhava fixamente para a porta, seu corpo inteiro tremendo. Connor notou que Marcos mantinha suas mãos na altura do peito, palmas viradas para cima como se não soubesse o que fazer com elas. Como se, com elas, tivesse cometido algo horrendo. Uma infração inafiançável.

Se Connor tivesse alguma voz, daria seu apoio ao negro. Diria que não precisava se preocupar, que tudo ficaria bem, e que ele não havia feito nada de errado. E de fato, Marcos não havia.

Afinal, fora Connor McCormick quem cometera o crime.

...

Merda... — Joy exclamou com um gemido de dor, arrastando os pés até que chegasse na entrada da sede de um jornal qualquer, utilizando-se da mesa da recepção como apoio para seu corpo desgastado. Passou a mão pela barriga e, quando trouxe seus dedos para examina-los, estavam manchados de vermelho. — Que ótimo... — disse, irônica. Estivera caminhando por algumas horas à procura de algum veículo com bateria, mas andar não havia feito bem algum para sua ferida, agora aberta. Para melhorar ainda mais a situação, não comia há alguns dias, e sua barriga protestava veemente a cada passo que dava.

Havia cometido um enorme erro ao partir.

Isso ela conseguia admitir a si mesma. Connor havia sido grosso, e talvez com razão, mas a loira não tivera coragem de ficar. Havia sido rejeitada mais vezes do que podia contar durante sua infância e adolescência. Agora, com 22 anos de idade, quase nada havia mudado.

O exterior aparentemente impenetrável, as paredes que havia levantado em volta dela própria, serviam apenas para esconder a assustada garotinha de 7 anos de idade dentro de si.

Não, pensou, repreendendo-se por deixar que sua mente vagasse para essas lembranças, foque no machucado, Joy.

Olhou para o sangue na blusa branca que usava— a blusa de Connor — e fechou os olhos, tentando conter outro grunhido de dor.

Lembrou-se da noite em que havia sido atacada. Estava passando por Jackson quando um grupo de 5 pessoas a encurralou. Pegaram sua mochila com água e suprimentos, além de seu carro — só não levando sua arma porque permanecera escondida na barra de sua calça — e apenas poupando sua vida por acharem que a garota morreria naquele beco, sozinha e dolorosamente.

De fato, naquela noite, Joy também estivera certa de que morreria.

Seus pensamentos ameaçaram se desviar para a pessoa que a havia salvado, e Joy balançou a cabeça desesperadamente. Pensar em Connor era a última coisa que queria.

Voltou seu olhar para a fachada de prédios lá fora, procurando algum lugar para se refugiar durante a noite, e mais importante, um lugar para limpar seu machucado.

Avistou um estúdio de tatuagem não muito longe dali, e deu um suspiro aliviado.

A verdade era que, apesar de tudo, estava confiante de que ali encontraria álcool, e com sorte, alguns esparadrapos. Para qualquer um, aquela ideia poderia parecer idiota. Afinal, o primeiro instinto do ser humano, dada uma situação de ameaça à sua vida, seria procurar suprimentos e fugir. Com alguns estados, no entanto, foi um pouco diferente.

Joy havia ouvido no rádio durante a curta viajem com seu Mustang que, em meio ao surto do vírus que começara a atacar sem aviso algum, as autoridades dos estados do Texas, Mississippi, Louisiana, Arkansas e Oklahoma declararam estado de emergência, e o primeiro decreto do presidente a respeito da situação no sul do país foi a evacuação de toda a população dessa região. A maioria das famílias foi tomada de suas casas e transportada para abrigos nos outros estados, e era desnecessário dizer que tais "portos seguros" tinham capacidade para menos de um quarto de todos os desabrigados. A evacuação fora tão repentina que a maioria das pessoas sequer teve a chance de levar suas roupas, muito menos medicamentos ou qualquer produto alimentício, e os poucos que ficaram receberam um trágico fim.

Ou melhor, um trágico recomeço.

O sudeste do país tornava-se cada vez mais um deserto. Um cemitério de almas perdidas, e Joy estava bem no meio de toda essa bagunça...

Com um último suspiro, a loira partiu em disparada na direção do pequeno estúdio, sua mão apertando a ferida em seu estômago tão fortemente que, durante o trajeto, Joy parara de respirar.

Quando finalmente chegou em seu destino, suas pernas estavam bambas e suas mãos banhadas em sangue, e levou alguns segundos para que se recuperasse. Ao olhar ao redor, notou que tudo estava em seu devido lugar, exceto pela caixa registradora, que estava jogada no canto mais próximo da mesa da recepção, todo o dinheiro dali retirado a não ser por algumas míseras moedas.

Joy riu com desdém, balançando a cabeça negativamente enquanto se esgueirava para dentro da loja, arma em mãos ao rondar o local para ter certeza de que não havia mais ninguém ali.

Idiotas, pensou ao abrir uma das portas que levava a um pequeno armazém, ainda acham que dinheiro pode salvá-los numa hora dessas, rolou os olhos para si mesma.

A verdade era que dinheiro nunca havia a salvado. Certamente não a salvaria agora…

Depois de checar todo o estúdio, Joy adentrou uma das salas no canto esquerdo da pequena loja, encontrando apenas uma maca para que os clientes se deitassem e alguns armários, os quais abriu por completo, decepcionada ao deparar-se com agulhas de tatuagem e mais nada.

Procurou por todo o estúdio então, jogando gavetas no chão e quebrando potes de tinta no desespero. Não podia morrer agora. Precisava saber se eles estavam vivos, e se ainda tinham lembrança da promessa que havia feito para ambos. A promessa de acertar todos os erros que já tinha cometido. De dar aos três, mesmo que por pouco tempo, uma vida de verdade.

Tenho que sobreviver,era o que falava repetidas vezes para si mesma.

No final das contas, Joy acabou com apenas uma agulha um tanto torta — o único objeto que restava dentro de um kit de primeiros socorros — e uma garrafa de Jack Daniels pela metade — cortesia do homem que deveria ser o dono do estúdio, seu cadáver tatuado permanecendo sentado diante de uma mesa de madeira, um buraco de bala bem no meio de sua testa enquanto suas mãos ainda seguravam a garrafa de vidro, apesar de seu corpo estar completamente inerte e sem vida.

Joy deu de ombros, olhando para os objetos em ambas as suas mãos e suspirando pesadamente. Determinada, voltou à primeira sala em que entrou, jogando no chão os poucos potes de tinta antes posicionados em cima da maca e sentando-se ali mesmo.

A loira deixou a garrafa e a agulha de lado, segurando a gola de sua blusa e a puxando com força até que o material cedesse em suas mãos. Ignorou o fato da blusa ser de Connor, e de estar com a curva de seus seios aparecendo, e apenas passou o pedaço de tecido — branco, porém manchado de vermelho — pela cabeça e o trouxe para perto do rosto, cuidadosamente retirando a linha da costura, obtendo um pedaço um tanto pequeno, mas que dava para o gasto.

Abriu a garrafa de uísque, jogando a bebida por cima da agulha e, em seguida, dando três tragadas consecutivas no líquido ali dentro.

Droga, pensou, parece que não tem outro jeito…

A mulher respirou fundo, passando a linha improvisada pela agulha reluzente e dando um nó no final do pequeno fio branco. Pegou a parte restante da gola rasgada e colocou entre os dentes, mordendo com toda a força o tecido de algodão e, sem nem pensar duas vezes, enfiou a agulha na pele viva.

Joy soltou um urro brutal, embora abafado pelo tecido entre seus dentes, mas continuou com seu trabalho, segurando as duas extremidades opostas do corte em sua barriga e os prendendo com a linha impiedosamente. Quanto mais rápido melhor, pensava.

A loira grunhia e se debatia em cima da maca, seus olhos lacrimejando embora nenhuma lágrima descesse por suas bochechas. Parou na metade do caminho, tirando o pedaço de blusa de sua boca apenas para tragar mais dois grandes goles da garrafa de uísque antes de morder o pano novamente e continuar seu trabalho.

Durante o árduo processo, o sangue escorrendo pelo estômago da mulher e manchando o cós de suas calças jeans, Joy não conseguia pensar em nada, seu corpo se contorcendo de dor a ponto de fazer com que esquecesse o que estava fazendo inúmeras vezes.

Quando o corte havia finalmente sido suturado, Joy já não tinha mais forças para manter-se sentada. Seu corpo desabou na maca, fazendo com que a garrafa quase vazia de Jack Daniels rolasse no couro acolchoado e tombasse no chão com um estrondo.

A loira, no entanto, não presenciou nada disso.

De fato, o teto manchado foi a última coisa que viu antes de seus olhos rolarem para trás, a deixando imersa na mais completa escuridão.

Marcos soluçava incessantemente, sua respiração falha e seus olhos tão confusos quanto Connor, que não fazia a menor ideia do que fazer.

Passara mais de dez minutos tentando acalmar o negro, cujos olhos lacrimejavam e as mãos ainda tremiam. Não ajudava o fato de seu companheiro parecer não estar entendendo nada que o moreno dizia, balbuciando frases sem nexo algum e eventualmente observando a porta da qual haviam acabado de sair.

— Marcos! — Connor gritava, sem nem mesmo se importar com os walkers espreitando pelas ruas da cidade. Honestamente, tudo o que o rapaz queria era que, pelo menos uma vez naquele dia, algo desse certo. Seu estômago havia aparentemente desistido de se queixar de fome, os roncos que dele saiam sendo substituídos por um vazio que fazia com que o moreno ficasse mais enjoado que qualquer outra coisa. — Marcos, pelo amor de Deus, temos que sair daqui! — tentou de novo, mas o negro sequer virou a cabeça em sua direção. Com um grunhido impaciente, Connor agachou-se em frente ao ruandês, suas mãos agarrando o colarinho do negro desesperadamente, fazendo com que ele finalmente prestasse atenção em suas palavras. — Cara, se controla! - urrou, e o negro o olhou assustado. Connor se afastou de seu companheiro, levantando-se e puxando Marcos consigo de forma que ambos já estavam de pé. — Vamos cair fora daqui antes que nós dois acabemos como aquele cara. — o enfermeiro falou, apontando para a porta, e talvez aquela não tivesse sido a melhor coisa a se falar naquele momento, mas honestamente, ele não estava dando a mínima.

Correu para a frente da padaria e, escaneando rapidamente ambos os lados da rua, deu o sinal para que os dois pudessem sair.

Haviam ido longe demais para parar agora. Sabia que, quem quer que fosse a pessoa que recebera aquele triste fim, era importante para Marcos, mas não estava disposto a deixar que o negro arriscasse a própria vida nem mais um minuto. Estava decidido a manter seu companheiro vivo, e com sorte, ele também sairia com vida dessa confusão.

Andaram por aproximadamente uma hora, mas com as constantes paradas para descansar a pedido de Marcos, calculava que deveriam ter aproveitado apenas 20 minutos do tempo total de caminhada.

Deveria ser em torno de uma hora da tarde quando Connor percebeu o comportamento estranho de seu acompanhante.

Estavam descansando debaixo da sombra de um dos toldos da rua principal da cidade. O sol impiedoso de começo de tarde castigava qualquer um que se aventurasse pelas avenidas, e estava começando a afetar o moreno. Sua jaqueta já havia sido descartada, e a essa altura, ele e Marcos haviam consumido juntos o equivalente a uma garrafa inteira de água. Nesse ritmo, desconfiava que não chegariam a lugar algum, apenas ficariam desidratados.

Connor voltou seu olhar para o companheiro que, até então estivera calado. Estava sentindo falta de alguém para conversar, considerando que conhecera o negro a apenas um dia — o que não era tempo o bastante para estabelecer um conversa tão íntima — e estar na companhia de Joy era praticamente o mesmo que estar sozinho.

O moreno estava prestes a abrir a boca quando notou que Marcos tremia descontroladamente, suas pernas encolhidas enquanto abraçava o próprio corpo, tentando manter-se aquecido, o que era no mínimo estranho considerando a temperatura àquela hora.

— Marcos…? — Connor chamou, aproximando-se vagarosamente e encostando sua mão no ombro do negro. Marcos virou apenas a cabeça, e o moreno levantou uma sobrancelha. — Está tudo bem…? — ele perguntou, e o negro apenas assentiu, tentando sorrir, mas falhando miseravelmente. Connor levou sua mão até a testa do rapaz ao seu lado, e bastou esse gesto para que arregalasse os olhos. — Você está queimando! — o enfermeiro exclamou, preocupado.

— Não se preocupe… — Marcos ofereceu, pausando por um momento ao sentir um calafrio percorrer suas costas. — Deve ser só uma gripe. — completou fracamente, porém Connor podia ver que o organismo do rapaz o contradizia.

O jovem enfermeiro observou seu companheiro cuidadosamente, seu cenho franzido enquanto tentava entender a causa daquele repentino mal-estar. Demorou apenas alguns segundos para que seu corpo enrijecesse, e Connor se afastou um pouco antes de perguntar:

— Por acaso aquela coisa te… Mordeu…? — Connor falou em um fio de voz, e a postura de Marcos ficou tensa.

Seria possível seu próprio pai ter tentado causar sua morte? Sua primeira resposta seria não, mas agora Marcos não tinha mais certeza de quase nada. No final das contas, escolheu acreditar que não, aquela criatura não era, e nunca seria, o pai adotivo que tanto amara. Pelo menos era isso o que vinha dizendo a si mesmo desde que saiu daquele maldito lugar.

— E-eu não… Eu não sei. — Marcos gaguejou, parte por conta do frio que sentia, parte porque estava completamente apavorado por dar aquela resposta. Connor o olhou nos olhos, pedindo permissão, embora silenciosamente, para checar, e ele assentiu relutante.

O moreno examinou os braços e pernas do rapaz, tentando controlar sua respiração para não desesperar Marcos mais ainda. Passou as mãos pelas costas de seu companheiro, em seguida na barriga, e finalmente chegou em seu pescoço.

Connor hesitou. Seu coração batia tão rápido que não podia ouvir mais nada além do rítmico barulho em seus ouvidos, e suas mãos tremiam como as do negro ao seu lado, mas definitivamente não por estar sentindo frio. O moreno respirou fundo e, em um rápido movimento, abaixou a gola da camisa do rapaz, não acreditando em seus próprios olhos: não havia nada ali.

Os dois arfaram ao mesmo tempo, Connor levando uma das mãos até o peito para tentar se acalmar enquanto Marcos deixava que sua cabeça caísse para trás, seus olhos fechados enquanto apertava o tecido de sua calça jeans.

— Puta que pariu… — Marcos sussurrou, deixando que o comentário se alastrasse pelo silêncio da rua, e Connor soltou um riso aliviado, as mesmas palavras repetindo-se em sua mente várias vezes como um mantra.

Depois disso, o silêncio reinou. Ficaram um bom tempo sentados, o susto sendo grande o bastante para fazer com que não quisessem sair dali tão cedo.

Connor foi o primeiro a se levantar. Sabia que, se não voltassem a se mover logo, a noite rapidamente chegaria e, com o estado febril de Marcos, ficar ali até escurecer não era uma opção.

— Temos que continuar andando, cara. — ele falou o mais calmamente possível, e Marcos assentiu, levantando com dificuldade. Connor podia notar o quanto o negro estava mal apenas pelo jeito como suas pernas tremiam e ele procurava suporte na parede para erguer-se do chão. Com um suspiro cansado, passou um dos braços de Marcos por seus ombros, dando a assistência que seu companheiro precisava para continuar caminhando. Os dois passaram a se mover em um ritmo bom, apesar de retardado por conta do estado físico e psicológico de Marcos.

A dupla andou por mais um tempo até que Connor parou abruptamente na virada de uma esquina. Ali, um pouco mais longe, havia uma pessoa.

Não é um walker, Connor percebeu apenas por observar os movimentos corporais do indivíduo. Era definitivamente um homem, o enfermeiro notou, e carregava consigo algo que parecia muito com um grande e pesado fuzil.

Uma pequena voz na mente de Connor insistia em repetir seu mais novo mantra — “puta que pariu” — e o moreno teve o bom senso de escutá-la. Lançou um olhar significativo para Marcos, que entendeu a situação com a qual estavam lidando e, em um movimento rápido, virou-se com a ajuda de Connor. Os dois pararam imediatamente em seguida, seus quatro pares de olhos deparando-se com o longo cano de um rifle de caça.

— Ei, Matt! Dá uma olhada no que eu encontrei aqui… — olhos verdes encaravam a dupla com interesse, um sorriso torto estampado na boca de um rapaz alto e robusto, que tinha sua arma direcionada para a cabeça de Connor.

O homem que Connor havia entendido ser o tal de “Matt" se aproximou, seu rosto completamente sem expressão enquanto caminhava calmamente até seu amigo. Olhou a dupla de cima a baixo, em seguida apontando o fuzil na direção dos dois.

É, Connor pensou, puta que pariu…

Notas finais
Bem, é isso por hoje... Queria agradecer a todos que enviaram seus personagens, e que estão lendo e comentando. O fato de estarem gostando realmente me deixa muito feliz! Comentem com o que acharam, e se encontrarem qualquer erro, por favor me avisem! Espero que tenham gostado da nova capa da fic, e vejo vocês no próximo! PS: Talvez eu passe a postar com menos frequência... Minhas aulas já estão começando, e o stress realmente me deixa muito cansada. Não sei como vão ficar as postagens durante o ano letivo, então considerem-se avisados! Até mais!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.