The Light of Dawn
7 Lembranças - Parte 1
Notas iniciais
A comitiva marchava pelo último segmento da trilha que os levaria para fora de Trollshaws. A proximidade com as Montanhas Nebulosas fez com que as canções cessassem, pois eles sabiam que o perigo se aproximava.
O ruído de um galho partido despertou a atenção de Calad. A elfa voltou-se na direção de onde o som ecoara e observou durante longos minutos até constatar de que nada havia por ali.
E então foi surpreendida pela sensação fria da lâmina tocando sua garganta.
— Então é isso que chamam de Bardo em Dunland? — Indagou o encapuzado quase no mesmo instante em que os anões empunharam suas armas.
— Solte-a! — Ordenou Kili, direcionando seu arco para a mão que empunhava a espada.
Calad revirou os olhos e os braços foram lentamente erguidos em um sinal de rendição, mas logo em seguida os cotovelos foram flexionados e empurrados contra as costelas de seu algoz. A rapidez do movimento fez com que a espada fosse desequilibrada por tempo suficiente, então a elfa girou o corpo para a lateral e desembainhou Morinehtar.
— Então é isso que chamam de chefe da Guarda em Rivendell? — Retrucou ela.
Foi a vez de Fili apressar-se na direção de ambos, mas antes que pudesse intervir na luta, Thorin o interrompeu. — Essa luta não é nossa.
Calad investiu contra o guarda três vezes seguidas, mas todos os golpes foram aparados.
O som do metal colidindo ecoou pela floresta, até que cessasse completamente em uma medida de forças entre os dois. Então, a disputa foi encerrada quando o homem empurrou o pé contra a barriga de Calad.
O impulso a fez cambalear, mas uma árvore próxima impediu a sua queda.
Fili e Kili se tornavam mais impacientes a cada movimento desferido pelo desconhecido e tentaram intervir inúmeras vezes, mas sempre eram interrompidos pela comitiva.
Finalmente, ele se aproximou da elfa e estendeu-lhe a mão. — Êl síla erin lû e-govaned vîn. As estrelas brilham no momento de nosso encontro.
Calad anuiu com a cabeça e ergueu uma das mãos para aceitar a ajuda que lhe fora ofertada, mas no instante em que os dedos se tocaram, a elfa lançou a mão oposta coberta de lama contra o rosto do guarda.
Ele desferiu alguns passos para trás e buscou compreender a investida da mulher. Logo, Calad sacou uma das adagas e a colocou contra o pescoço do guarda. — Nunca subestime seu adversário.
— Você continua a mesma, Estrela do Oeste. — Riu-se ele.
— E mesmo assim você não foi capaz de prever isso, Elladan. — Retrucou a elfa pouco antes de soltá-lo. Por fim, abraçaram-se e riram sozinhos durante longos minutos até que sua atenção fosse voltada para a comitiva de Thorin. — Esse é Elladan, filho de Elrond. — Calad tornou a embainhar a espada antes de acrescentar — Um antigo e desagradável amigo…
— Gandalf me enviou para escoltá-los até Valfenda, rei anão. — Explicou-se Elladan e estendeu a mão para Thorin, mas foi imediatamente recusado.
— Nada temos com os elfos, nada temos em Valfenda. — Retrucou o anão.
— Em verdade, atravessar pelo vale nos daria quatro dias de vantagem… — Calad encolheu os ombro e anuiu com a cabeça. — E o Senhor Elrond poderia nos ajudar com as Runas da Lua.
— Três Eras e você não sabe como ler essas Runas? — Kili zombou.
— Aos sábios o que é dos sábios, mestre anão. — Um sorriso gentil se delineou entre os lábios da elfa.
— Assim seja. — Thorin concluiu e embora não tivesse simpatia pelos elfos, sabia que sua ajuda seria essencial para aquela jornada.
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Havia música quando chegaram em Rivendell. Os festivais de Solstício eram as celebrações mais esperadas pelos elfos e — aquele em especial — exaltaria a luz de Eärendil que pairava sobre eles desde a Primeira Escuridão. Os anões logo se encantaram pela beleza do lugar e pelo aroma apetitoso que dominava os salões da Última Casa Amiga.
Estavam aconchegados na sala de jantar quando Elrond e Gandalf apareceram para saudá-los e apesar da gentileza, Calad pode notar as expressões que carregavam consigo o resultado da discussão que travavam antes da chegada dos anões.
— Sejam bem-vindos, filhos de Erebor. — Exclamou Elrond. — Comam e descansem, pois a vossa presença será muitíssimo apreciada durante o festival.
A elfa esfregou as mãos e estava prestes a pegar um dos pratos quando Elrond a interrompeu. — Menos você, Cäle. Você é aguardada no Pátio.
— Qual o propósito disso? — Indagou a elfa. Os olhos foram revirados em suas próprias orbes antes que ela assentisse com a cabeça.
— Ela está aqui.
Calad ergueu-se de imediato e rumou para a porta no que Bilbo gentilmente chamou por seu nome.
— Milady, guardarei alguns bolinhos para você! — Exclamou ele.
Ela riu uma última vez antes de deixar a presença da comitiva de Thorin.
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