The Light Of The Past.
4 Capítulo 3 - Kiss me.
Notas iniciais
12:00hr – Quarto 205.
Minha cabeça doía, a ressaca trouxe consigo dor e mais perguntas. Ainda me lembrava da ultima noite, não tinha bebido tanto, mas o suficiente pra minha cabeça doer pelo menos a tarde inteira. Senti meu celular tremer.
“24 novas mensagens.”
Eu sabia que eram dela ou de Rachel, não dei notícias desde o fim do show e ela não era uma pessoa paciente, e sim meio paranoica. Não queria abrir, medo de que tivessem mensagens da loira me pedindo distância, ou até mesmo perguntando o que aconteceu, o que acontece. O que eu iria responder? Eu não sei como me sinto ou o que sinto perto dela. Qual a razão dos flashs que me perseguem diante da presença dela?
Denovo meu celular vibra, mas dessa vez era uma ligação.
“Alô.”
“PORQUE VOCÊ NÃO ME RESPONDEU NENHUMA MENSAGEM? JÁ ESTAVA FICANDO PREOCUPADA.”
“Desculpa Rach. Eu saí ontem de noite e acabei dormindo mais do que deveria.”
“Ah, tudo bem... Duffy amou sua apresentação e disse que você tem um enorme potencial para fazer fama, sinta-se totalmente honrada.” – Sorri, que ironia... Quem diria que um dia eu chegaria a conhecer a Duffy, ainda mais ser elogiada pela mesma.
“Que linda... O show dela foi lindo também.”
“Ah, e aquela dançarina, Brittany, convidou eu e você pra sairmos com ela... Que achas?”
Automaticamente meu coração acelerou e eu fiquei feliz por ela não estar com raiva. – “Quando?”
“Amanhã, provavelmente. Hoje tenho que arrumar as coisas para seu contrato, que tal?”
“Combinado então.” – Desliguei o telefone e sorri para mim mesma. Aqueles flashs ainda me atrapalhavam e eu continuava a me perguntar diariamente qual o funcionamento de tais coisas. As roupas que usávamos nesses “sonhos” são diferentes como se fossem de outro século, outra época. Enfim, me direcionei ao banheiro e olhei-me no espelho. Eu estava literalmente um caco, tinha cortes pelo meu rosto e olheiras gigantes e pretas. Sorri novamente, um dos cortes foi quando eu dançava com a loira, sua blusa tinha uma ponta e quando ela me virou acabou raspando em meu rosto.
Ainda era possível sentir o cheiro da loira nas minhas roupas. Não as que eu usava, é claro, mas as que usei quando saí com ela. Perfume de chocolate talvez, o cheiro me entorpece não consigo pensar direito diante daquilo. Sorri mais uma vez, apesar de não me lembrar da noite inteira o tempo passado com ela foi especial. É como se fosse tão natural pra mim me sentir assim por ela, como se já fosse meu destino ou algo relacionado a isso.
Olhei pela minha volta e encarei o nada por alguns minutos. Suspirei diante dos meus pensamentos.
Eu me sentia confusa e diferente de antes de conhecê-la. Nunca realmente soube qual era minha opção sexual, sempre tive atração por ambos os sexos, porém, com ela era diferente, é como se ela não tivesse um sexo definido, como se fosse ela por si só e ninguém fosse igual ela, como se ela tivesse sido feita exatamente para mim. Eu podia sentir essas coisas sem ao menos ter tido um contato grande com ela, ou até mesmo uma conversa. A mais longa das nossas conversas talvez tenha sido depois de eu quase beija-la. Atração que eu sinto por ela vai além de algo sexual ou até amoroso. Vai além das razões pelas quais eu normalmente me sinto atraída. Seus olhos me lembram de meu passado, me lembram de paixões passadas, momentos, pessoas. E esses sonhos que tenho com ela? Não sei definir se é realmente ela em tais sonhos, alguém muito parecida com ela ou se eu quero que seja ela. Às vezes eu desejo que não sejam apenas sonhos e sim que ela esteja ali me observando de perto, me tocando.
“Alô?”
“Oi, Santana.” – Ouvi a voz suave no outro lado da linha.
“Hey, Britt.”
“Vai sair amanhã?”
“Rachel me ligou avisando que talvez nós fossemos sair com você.”
“Ah sim. É, então, ia te convidar para ir conosco, mas como ela já fez isso...” – Ela riu baixinho – “Combinado, então. Amanhã vamos sair eu, você, Rachel e uma amiga minha.”
“Eu conheço?”
“Provavelmente não, mas vai gostar dela.”
“Então... Até amanhã Britt.”
“Até.”
Deitei na cama e sorri. Observei o teto na esperança que sonhasse com ela denovo. Como só o som de sua voz me deixa assim? E será que ela se sente do mesmo jeito?
– x -
Já estava pronta e esperava Rachel no saguão do hotel. As pessoas que passavam me observavam com um olhar estranho, como se estivessem me julgando. Eu não estava tão diferente do normal. Uma blusa preta agarrada escrito “Born to die” e uma saia cintura alta preta com um salto vermelho e batom vermelho escuro.
Encarava as pessoas conforme as mesmas passavam olhando intrigadas. Meu celular tremeu então provavelmente a Rachel havia chego.
Cheguei. -R
Avistei o carro de Rachel e sentei-me no banco da frente. Ela pareceu um pouco tonta com a visão das roupas que eu usava, que realmente eram chamativas. Já tive alguns casos com Rachel, mas nada que fosse além de sexo.
Ela me encarava sem tentar esconder o desejo em seus olhos. Eu ria, porém, não podia negar que ela estava linda naquele vestido vermelho, curto e agarrado que deixava suas coxas a vista.
“Então... Brittany disse que terá uma festa em uma cidade que é 30 minutos daqui. Quer ir lá?”
“Pode ser.”
Rachel tornou a olhar para a pista e ligou o carro com um sorriso meio “maléfico”. Sorri diante da reação dela e observei meu celular lentamente que trazia uma foto minha e dela abraçadas. Foi uma foto que tiraram há mais ou menos um ano e seis meses atrás, estávamos bêbadas e felizes porque ela tinha passado em sua faculdade.
Chegando ao local da festa, observei uma loira sorrindo se direcionando a nós duas. Não consegui prestar muita atenção na garota ao seu lado, pois a outra estava totalmente estonteante. Seus cabelos loiros beiravam seu ombro e um sorriso dominava seu rosto. Com blusa cinza, um salto preto e uma saia ela chamava a atenção de todos os homens e mulheres por onde passava.
“Hey!” – Ela comprimentou Rach com um beijo no rosto e se direcionou a mim. – “Oi, Sant.”
“Oi.” – Foi tudo que eu consegui falar.
Ela me abraçou levemente e beijou minha bochecha de um jeito suave sussurrando em meu ouvido. – “Você está muito linda, muito mesmo.”
Sorri e provavelmente devo ter ficado vermelha. Observei ela se afastar lentamente enquanto um sorriso brotara em seu rosto.
“Essa é Quinn. Ela é uma amiga próxima que gerencia meu trabalho.” – Brittany apresentou a loira ao seu lado. Um pouco mais baixa, com uma beleza inimaginável e um sorriso cativante.
“Olá.” — Ela parecia tímida.
“Prazer, Santana.” – Ela sorriu de volta e tornou a virar seus olhos para Rachel que estava observando-a com um olhar de desejo.
“Rachel. Oi” – Ela sorriu e beijou a bochecha da mesma sensualmente. Não pude conter minha risada diante da situação. Rachel podia ser bem convincente quando deseja algo, principalmente alguém.
“Prazer, Q.” – Ela sorriu de volta, provocando-a.
“Vamos dançar?” – Rachel não escondia o desejo pela loira mais baixa.
“Acho que preciso de uma bebida... Santana me acompanha?” – Brittany jogou seus cabelos para trás e sorriu tentando convencer-me. Acompanhei-a até o balcão e observei as pessoas a minha volta.
“Algumas pessoas daqui me assustam.” – Arrisquei começar uma conversa e de fato, tinha muita gente estranha e desconhecida.
“Observando-as de perto elas são menos arrogantes, eu acho.” – Ela sorriu.
“Não se senta incomodada com elas te encarando?”
“Um pouco. Às vezes chega a ser irritante não sei muito bem como lidar com isso.” – Ela foi sincera. Suspirou e sorriu em retorno para mim. Observei-a curiosa, ela era diferente e ao mesmo tempo intrigante. Seus atos demonstravam-na muito confiante e também tímida. Ela pediu bebida por mim enquanto eu olhei pra Rach e Quinn que dançavam juntas na pista. Senti inveja, mas não das garotas e sim de como elas estavam se sentindo dançando e felizes. Eu tinha esse pressentimento de que estava acontecendo algo ou iria acontecer, não conseguia julgar bom ou ruim. E eu também não sabia se estava relacionado à Brittany ou eu estava delirando. Minha cabeça doía, meu corpo começou a esquentar, não sentia minhas pernas e de repente tudo ficou preto.
– x -
Senti a claridade invadir meus olhos e tentei abri-los sem sucesso. Virei-me de um jeito que menos luz pudesse clarear minha visão. Minha cabeça ainda doía e eu não reconhecia o lugar onde estava. Parecia um quarto, e de fato era um, mas eu não sabia de quem. Levantei-me com esforço, pois meu corpo ainda estava dolorido e minha cabeça parecia girar. Desequilibrei-me e acabei caindo de novo na cama e estralando algo nela.
“Santana? Você acordou?” – Reconheci a voz e sorri.
“Sim, o que aconteceu? Onde estou?”
“Ontem quando estávamos no balcão você desmaiou... Fiquei preocupada e te trouxe pra casa.” – Ela tinha um olhar agonizante no rosto.
“Rachel e Quinn também estão aqui?”
“Elas vieram de noite, mas não dormiram aqui.” – Ela ria entre as palavras, sabia que as duas deviam ter dormido juntas. – “Se sente melhor?”
“Mais ou menos, minha cabeça e meu corpo ainda dói.” – Ela me olhava preocupada e eu senti meu rosto corar, deitei-me na cama e observei o teto.
“Quer ir a algum médico ou tomar algum remédio?” – Ela sentou do meu lado e passou a mão na minha testa para ver se eu tinha febre.
“Não precisa. Deve ser só um mal estar temporário.” – Eu sabia que não era, e ela também, mas ela não ousou me contrariar só continuou com o mesmo olhar preocupado estampado.
“Descanse mais um pouco então e se continuar mal nós iremos a um médico.”
“Deita comigo.” – Ao mesmo tempo em que sussurrei, corei e esperei que ela não tivesse ouvido, mas vi-a sorrir e concordar com a cabeça.
Ela deitou-se ao meu lado e nós ficamos nos observando rosto a rosto. Ela afagou minha bochecha e jogou meu cabelo para trás.
“Eu me assustei na festa.” – Ela falou como um sussurro podia sentir a dor e a preocupação nas palavras dela.
“Mas eu estou aqui.” – Sussurrei de volta e me aproximei mais. Ela encostou nossos narizes e pareceu tímida com a situação.
“Mesmo assim, não faça isso denovo. Nunca.” – Ela se aproximou mais ainda e nossos lábios quase se tocaram... Não aguentei e avancei tocando meus lábios nos dela. O beijo começou em um ritmo lento, mas acelerou e se tornou um beijo desesperado e por incrível que pareça muito emocional. Separamos-nos a procura de oxigênio e eu observei seus olhos azuis, profundos e nítidos, tão nítido quanto o que eu sentia por ela naquele momento.
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