The Librarians e o Vale das Árvores Secas
4 A Pequena Anhanguera
Notas iniciais
Flynn e seus companheiros seguiram pela estrada da pequena cidade de Anhanguera e ficaram impressionados com o que viram. Em um primeiro olhar, aquele desatento, poderia se dizer que aquela era uma cidadela como outra qualquer, entretanto, com um olhar mais apurado, podia-se observar o charme escondido por detrás daquela pacata cidade.
No centro da cidade havia uma graciosa praça adornada com bancos e flores de várias espécies e tamanhos, lugar o qual provavelmente os habitantes se reuniam para fofocar sobre a vida alheia. No fundo dela, uma pequena igreja católica de estilo colonial de uma torre somente e um sino, o qual badalava anunciando a missa reinava impoluta inconsciente do que acontecia na cidade. Aquele era o palco das confissões de pecado da população.
As poucas ruas – Flynn contou sete, mas poderia ser mais – todas pavimentadas, abrigavam alguns comércios que serviam de local para que os poucos habitantes se encontrassem e falassem sobre os males que os afligiam ou sobre seus problemas familiares. Havia também as residências de construções antigas marcadas pelo passar do tempo.
Jacob Stone a tudo observava admirado. Já ouvira falar sobre o estilo arquitetônico da cidade através de seus estudos.
― É incrível! Eu já tinha ouvido falar sobre o estilo colonial dos países em desenvolvimento preponderante em diversas cidades do hemisfério sul, porém nunca tive a oportunidade de vê-las. Sabiam que os portugueses que aqui vieram utilizaram os produtos que tinham disponíveis para a construção? Por isso a diversidade é enorme – Stone falava como se estivesse dando uma aula para uma plateia invisível. Cassandra o olhava admirada com tamanha inteligência e conhecimento – Ali ao longe – ele apontou para o horizonte – dá para ver o ribeirão Pirapitinga, o que a julgar pelo tamanho da cidade deve ser uma das poucas diversões que as crianças daqui possuem – ele comentou tristemente.
― Você gosta de criança, Jake? – Cassandra perguntou arriscando chama-lo pelo apelido e torcendo para que ele não reclamasse, sem saber onde colocar suas mãos.
― Gosto – ele sorriu timidamente ao responder – Acho que por ser filho único, meu sonho é ter uma porção de filhos.
Cassandra sorriu de volta para ele. Queria falar para Jacob que ele ficava ainda mais lindo quando sorria e desejou profundamente ser a mãe dos filhos dele, entretanto seu pensamento foi interrompido pela voz de Eve.
― Precisamos de um plano – ela anunciou empertigada.
― Conversamos com a população, descobrimos o que está acontecendo e resolvemos esse mistério. Esse é o plano – explanou Flynn sorrindo.
A coronel Eve Baird revirou os olhos.
― É sério Flynn! – ela retrucou – Não podemos agir aqui sem um plano estruturado. Além do mais, alguém aqui sabe que idioma se fala nessa cidade?
― Português – Stone e Flynn responderam juntos.
― E alguém aqui fala português? – ela quis saber.
Somente Flynn levantou a mão.
Eve lançou um olhar enviesado para Flynn e Stone.
― Não me olhe assim. Eu sou Bibliotecário e é meu dever aprender idiomas que possam ser úteis em nossas missões.
― Eu não falo tão bem, mas arranho um pouco. Dá para me comunicar – desculpou-se Stone.
Enquanto eles estavam nesse embate não perceberam que um pequeno grupo de pessoas comandado por uma mulher de estatura baixa, de cabelo preto encaracolado, de corpo rechonchudo, se aproximava deles.
―Quem são vocês e o que querem? – perguntou a mulher, a qual parecia ser a líder.
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