The Librarians e o Vale das Árvores Secas
8 A Ida ao Hotel da Cidade
Notas iniciais
Os Bibliotecários e Eve realmente estavam cansados. Não imaginavam que apenas interrogar os habitantes, ouvir o relato sobre os acontecimentos na cidade e analisar a casa da margem do ribeirão pudesse ser tão cansativo. Pelo menos até aquele momento eles não haviam se envolvido em luta corporal. Por isso acataram a sugestão do prefeito com prazer.
Assim que eles retornaram da casa do ribeirão, passaram na Câmara Municipal, o local onde o vereador Gabriel – ao indagar pelo político, assim que chegaram no local, descobriram seu nome – trabalhava, e ele prontamente entregou o celular de seu filho, o qual havia ido buscar em casa, a Ezekiel.
Quando estavam do lado de fora do recinto, Eve pôde enfim perguntar:
― Como sabia que o celular do garoto estava em casa e não com ele? – ela indagou voltando sua atenção a Flynn.
― Uma simples questão de lógica, minha cara. Se eu fosse um jovem que tivesse brigado com meus pais e estivesse muito chateado, porque acho que era assim que o menino se sentia, tentando fugir de casa, eu não levaria meu celular comigo. Deixaria meus pais muito preocupados. Adolescentes são todos iguais, muda apenas o endereço – ele comentou com um sorriso triste.
― Você já fugiu de casa Flynn? – quis saber Eve, colocando uma das mãos no bolso de sua calça.
― Sim, uma vez – Flynn começou a responder com os olhos começando a lacrimejar – Mas isso não vem ao caso – ele cortou subitamente. Não gostava de se lembrar daquele episódio de sua vida. Doía demais.
Andaram em silêncio mais uma vez até o hotel da cidade, o único que existia na verdade, que nada mais era que uma das grandes casas antigas adaptadas para o serviço. Suas paredes eram pintadas em branco e verde. Era um ambiente simples e ao mesmo tempo acolhedor. A porta estava aberta para que os futuros hóspedes pudessem entrar sem cerimônia e acanhamento.
Flynn tocou a campainha chamando a recepcionista. Esperaram por cerca de cinco minutos.
― Boa noite! Sejam bem vindos ao Anhanguera Hotel – saudou-os uma senhora sorridente, na casa dos sessenta anos, de cabelos grisalhos e olhos castanhos.
― Queremos cinco quartos – comunicou Flynn.
― Lamento, senhor! Mas dispomos apenas de três quartos. Como o senhor pode ver nosso hotel não é muito grande – anunciou a recepcionista, que além de desempenhar aquela função, também era a dona do lugar.
― E agora? Somos cinco! Como vamos dividir cinco pessoas para três quartos? – indagou Cassandra.
― Diga você! Você que é a matemática do grupo! – exclamou Eve exasperada.
Cassandra parou para pensar.
― Algumas pessoas terão de dividir o quarto – ponderou ela.
― Já digo logo que quero um quarto só para mim. Não sei dividir espaço – alertou Ezekiel.
― Restam apenas dois quartos. Eu divido um com a Cass – informou Jacob – Isso se ela aceitar, claro – ele explicou com as faces coradas.
― Eu aceito – respondeu Cassandra também com as faces coradas.
Flynn e Eve se entreolharam.
― Sobramos somente eu e você no outro – afirmou Flynn para Eve.
Ela revirou os olhos.
― Já que não tem outro jeito!
A dona do hotel voltou sua atenção para Eve e Flynn e indagou sorrindo:
― Vocês são namorados?
― Não. Somos apenas amigos. Parceiros de trabalho na verdade – respondeu Flynn.
― É assim que começa – retrucou a senhora deixando escapar uma sonora risada – É assim que começa.
Flynn corou.
Eve Baird observava a conversa entre Flynn e a recepcionista do hotel e teve vontade de dominar aquele idioma fascinante. Estava curiosa para saber o que tanto eles conversavam. O jeito era perguntar para Flynn.
― O que ela disse? – indagou Eve curiosa.
― Nada de importante – ele limitou-se a responder sorrindo, omitindo o que a sorridente senhora lhe havia dito.
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