The Lecter Family

1 Plenamente Infelizes


Notas iniciais
Essas mil e poucas palavras foram escritas na singela intenção de me divertir e distrair. Espero que elas façam o mesmo com você ♥ . . . Caso encontrem algum erro gritante no texto, por favor me avisem... Corrigirei o mais rápido possível, obrigada desde já :)

Aos olhos de qualquer outra pessoa, tudo aquilo era estranho demais e, muitas vezes, ilegal o suficiente para uma pena de morte ou uma sentença de prisão perpétua. Para qualquer membro da Família Lecter, aquele era só mais um dia extremamente comum.

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Os Lecter viviam em pequeno castelo abrigado no meio de um pedaço de terra razoavelmente grande pertencente à família em algum canto da república báltica da Lituânia. Um casal homoafetivo, uma filha adotiva, dois amigos da família, uma emprega, vários cães e uma fama assustadora e extravagante carregavam o sobrenome Lecter.

Hannibal era o patriarca da família. Psiquiatra e doutor aposentado, hoje, trabalhava como curador no Museu regional de Rokiškis ao norte de sua propriedade na Lituânia. Um cozinheiro de mão cheia, é só dizer "Olá" para o bom senhor e ele já adoraria tê-lo para jantar.

O outro "cabeça" da família é o marido de Hannibal, Will Lecter ou, como também é conhecido, o maior coração mole para vira-latas e cães abandonados... (Hannibal frequentemente brincava que Will só aceitara se casar com ele porque ele estava tão perdido quanto seus cães.) Will passava a maior parte dos dias brincando com a matilha que criou nos terrenos Lecter, bem, isso quando não estava sendo procurado pelo FBI.

A filha adotiva dos dois, Abigail Lecter, é uma garota esperta mas que vive com a cabeça nas nuvens. Atualmente, afastada da mansão da família, por cursar seu terceiro ano de faculdade de direito... Quando a jovem não está na estrada para passar o fim de semana com os pais ou afundada decorando um livro sobre a Constituição de mil novecentos e oitenta e tanto, ela está perdendo a cabeça atrás de um namorado que consiga a aprovação de seus pais super-protetores.

Esse era o exato caso naquele dia.

Hannibal planejava um grande banquete para a família Lecter e amigos naquele fim de semana, então Abigail estava à 120 quilômetros por hora rumo a sua casa, isso tudo com seu novo pretendente a namorado no banco de passageiro.

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Todos os quilômetros que separavam a faculdade da mansão Lecter passaram em um instante e Abigail não conseguia conter o sorriso de mais pura infelicidade que era estar de volta ao lar. Seu acompanhante por outro lado, não conseguia conter a expressão de surpresa com o tamanho da propriedade que estavam entrando... Abigail tinha certeza que esse era o motivo e não o fato daqueles portões velhos, enferrujados e obviamente não automáticos abrirem sozinhos.

Quando chegaram na frente da mansão, Abigail estacionou de qualquer jeito e correu até a porta. Apenas um instante depois da primeira batida foi o suficiente para que a grande porta de madeira abrisse e revelasse Chiyoh. Enquanto a garota mais nova abraçava a serva com força, sua companhia colocou-se a falar:

— Você deve ser a senhora Lecter, é um prazer conhecê-la! – terminou estendendo a mão com o objetivo de cumprimentá-la.

Abigail apenas riu e negou o laço familiar com a serva explicando levemente a situação para o pré-namorado que acabou sem graça e sem aperto de mão algum já que a moça mais velha ignorou completamente a presença e talvez até a existência do rapaz.

— Meus pais devem estar na sala... – disse a garota enquanto guiava o rapaz pela mão e era seguida por passos rápidos pela silenciosa Chiyoh.

— De qualquer forma, ela não me cumprimentou de volta... – sussurrou o garoto tentando passar por cima da própria vergonha com uma risada abafada.

— Ela não fala... Não mais. E ela também está com as mãos sujas. – Abigail disse sem perder o sorriso.

O garoto apenas olhou para trás por cima do próprio ombro, a empregada japonese apenas lhe acenou com a cabeça e ele conseguiu notar o vermelho em suas mãos e avental. Bem, ele não culparia a moça já que também vivia fazendo sujeira na hora de colocar ketchup em qualquer coisa.

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Se apresentar para os pais de Abigail o deixara desconfortável.

— Olá, senhores Lecter... Eu sou Darius Pavardé, curso Direito junto de sua filha e espero que não se incomodem com minha estádia... – o garoto não sabia o que mais falar ou como agir, o olhar do mais baixo dos dois homens na sua frente lhe causava calafrios e os olhos do mais alto o faziam sentir uma sensação de perigo eminente.

Conhecer os pais da garota que você está afim nunca é fácil.

— Prazer em conhece-lo, Darius... – disse o mais baixo dos homens enquanto lhe estendia a mão para cumprimenta-lo enquanto sorria docemente.

O rapaz não falou nada e continuou imóvel.

— O que foi, rapaz? O canibal comeu sua língua? – perguntou o mais alto de forma cômica.

Darius tentou quebrar a tensão rindo enquanto cumprimentava os futuros sogros e não percebeu o claro desconforto de Chiyoh logo atrás deles depois daquela leve piada.

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— Ah! Esse é o Jack, um amigo da família... – Abigail disse enquanto abraçava um velho senhor imóvel em uma cadeira na sala de jantar e, vendo o olhar confuso de seu acompanhante, começou a explicar calmamente – Ele pode não ter mais movimento algum no corpo, mas suas histórias sobre seus grandes feitos atrás do "Assassino de Chesapeake" sempre me deixam na ponta da cadeira... Por mais que o assassino tenha conseguido escapar no fim. E tenha construído uma família.

Jack o cumprimento brevemente e disse que ficaria feliz em contar suas histórias para ele no jantar, “se você não virar a nova vítima do assassino até lá” – palavras do ex-agente do FBI.

Cara engraçado.

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Tudo começou a ficar realmente estranho quando passaram a subir as escadas rumo ao quarto de Abigail. Os jovens andavam com passos rápidos e mesmo assim foram deixados para atrás por algo que aparentava ser uma mão, mas se movimentava quase como uma aranha – de cinco patas, é claro.

Com a confusão nos olhos de Darius, Abigail colocou-se a explicar.

— É o que sobrou da Tia Bedelia... Não é muito, mas as unhas estão sempre bem feitas e os anéis de ouro continuam enfeitando os dedos. Ela diz que não é tão ruim quanto parece.

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Quarto à dentro, ambos se sentaram no chão quando Abigail confessou ter algo para contar para Darius. O rapaz era só sorrisos pensando que a garota finalmente diria “sim” para seu pedido de namoro.

— Você sabe que eu vivo perdendo a cabeça, não é? – ela disse em um tom triste.

Ele concordou, Abigail tinha pavio curto e odiava perder ou estar errada.

— Não, não... É algo mais... Literal. – continuou a garota tirando o costumeiro lenço que sempre cobria o pescoço e tombando a cabeça para o lado tornando a cena algo digno de algum fantasma de Harry Potter.

Cômico.

Se não fosse completamente assustador.

Abigail daria risada se não fosse os gritos agudos de seu pretendente enquanto ele corria escada abaixo.

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Ficou rapidamente perdido nos diversos corredores da grande mansão Lecter, mas deu sorte de chegar na cozinha.

— Senhor Hannibal! Sua filha! Sua filha... – Darius começou a dizer quase que sem folego ao adentrar o grande cômodo de paredes e piso completamente forradas com azulejos brancos com alguns detalhes estranhos de vermelho.

— Eu sei... – afirmou Hannibal se virando e entregando um cutelo encharcado de ketchup (ou sangue) para Chiyoh – Quer ficar igual? – completou o homem.

Darius preferiu não arriscar na sua chance de 50% entre ketchup e sangue. Correu cozinha afora sem nem olhar para trás.

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Nunca ficou tão feliz em ver uma saída e, quando chegou relativamente longe da casa principal, se escondeu atrás de algumas árvores altas e conseguiu ver claramente Chiyoh saindo da mansão com uma sniper e o senhor Lecter com uma faca de cozinha. É, não era ketchup.

Voltou a correr pelo caminho que acreditava levar para a entrada da propriedade antes que toda a loucura daquela família o atingisse em cheio (com tiros ou facas, aparentemente).

Depois de alguns muitos passos, passou a ouvir latidos... Depois, a ver cães e, ainda depois, viu Will Lecter brincando com os animais. Will tinha sido gentil com ele mais cedo, talvez estivesse tão perdido quanto ele naquele lugar... Bem, talvez.

— Senhor Lecter! Me ajude! – disse correndo na direção do mesmo – Seu marido! Sua filha... Ele está me caçando e...

— É, ele é um caçador... – disse Will virando para Darius – E Abigail normalmente serve de isca.

Um silencio amedrontador reinou assim que Will terminou sua breve resposta, nem os cachorros ousavam latir.

— E você? – perguntou o rapaz após um tempo já esperando pelo pior.

— Sou apenas um pescador. – sorriu singelo causando um sorriso e olhar de esperança na face de Darius – E esse peixinho tolo veio direto para meu anzol.

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— De novo?! – exclamou Abigail enquanto encarava a mesa posta do jantar – A mesma coisa aconteceu semana passada, você está perdendo a inspiração e o elemento surpresa, pai...

— Na verdade, semana passada foi o carteiro... – Hannibal disse com um sorriso de canto enquanto Abigail tomava seu lugar a mesa ao lado direito de seu pai.

— Então é por isso que as cartas e entregas não estão mais chegando! – Will bradou adentrando a sala de jantar e saindo da cozinha.

O breve momento de silêncio que reinou pela mansão durante o ato de Will tomar seu lugar na mesa sorrindo bobamente acompanhado do olhar orgulhoso de seu marido só provava que aquele fato, na verdade, não era surpresa alguma para Will e que Hannibal não se arrependia de absolutamente nada.

— De qualquer forma, Abigail – começou Hannibal calmamente – Se você tivesse arrumado um namorado hoje, seu castigo seria ficar sem jantar.

O riso sarcástico de Hannibal somado a faceta de Will tentando conter a risada causaram um sorriso bobo nos lábios de Abigail.

— E, querido... – Hannibal começou virando o rosto para Will – Espero que os cães estejam com fome, tenho 206 ossos para eles.

— Na verdade, não... O nosso vizinho da frente jogou um cachorro na rua e eu e os cães não gostamos muito da atitude dele. – Will disse soando pensativo – Ah! Esqueci de dizer que temos um novo cachorro! E que a casa da frente está à venda de novo...

Eram só uma família completamente comum e, para a felicidade deles, plenamente infelizes.

Notas finais
Obrigada por ler ♥ Que tal deixar esse projeto de autora (que só queria se divertir um pouco misturando os Murder Husbands com meu amado casal Addams) contente? Comente um ''Gostei'', um ''Não gostei'', até um ''Lhamas são legais''... . . . Até uma próxima vez!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!