The Last Tear

11 Capítulo 9 - Frustrada Revisado


Eu tinha terminado de tomar banho e o keith lia um livro que parecia ser o mesmo que eu havia visto, nele alguns símbolos estavam se mexendo.
–O que você está fazendo? — Sequei o meu cabelo molhado com a toalha e eu estava particularmente sem uma calça, só com a camiseta enorme que ele me deu.
–Você não está vendo? — Respondeu sem tirar os olhos do livro. — Lendo.
–ÓBVIO. — Dei um meio sorriso irônico. — Não é isso, idiota. Por que você ainda está aqui e não foi jantar?
Ele finalmente me olhou, depois sorriu.
–Bonito vestido. — Seus olhos percorreram o meu corpo começando pela minha cabeça até os meus pés, depois fechou o livro e se levantou, vindo em minha direção, ficando a centímetros de mim. — Eu ainda não descobri, por que os humanos são tão curiosos? — Sussurrou em meu ouvido.
–Por que você é tão estúpido? — As palavras saíram tão amargas que nem eu reconheci a minha própria voz.
Ele segurou o meu braço e pegou uma mecha do meu cabelo, alisando com os dedos.
–Você é uma criatura tão gentil, humana. — Disse com um sorriso diabólico e os olhos concentrados em minha boca. — Cuidado para não pegar um resfriado. É melhor você secar esse lindo cabelo. — Ele puxou o meu cabelo para trás com tanta força e tão rápido que não pude me mover. Prendeu-me com seus braços, fazendo com que eu estivesse totalmente imobilizada, em todos os sentidos, e depois lambeu os meus lábios. Eu o mordi e ele sorriu, afrouxando o aperto em meu braço. Senti o gosto do sangue em minha boca e quando ele estava se afastando, dei uma bofetada em seu rosto.
–Eu faço o que eu quiser com o meu cabelo e se da próxima vez você me tratar como uma puta, vou ter certeza de que você nunca mais vai conseguir enxergar.
Eu estava furiosa, irada e... Ele começou a rir, muito, tanto que sentou na cama e curvou-se como se a barriga estivesse doendo.
Essa coisa era insuportável, eu não acreditei que ele estava rindo de mim. Comecei a andar até a porta e sair de perto dessa criatura, ou eu iria matá-lo, quando parei abruptamente com ele na porta.
–Saia da minha frente, Keith.
–Kate, desculpa. — Ele enxugou uma lágrima que ainda não tinha caído.
–Saia da minha frente. — O ignorei e fiquei olhando para a parede que estava após ele. — Agora! — Esperei, esperei e nada até que desisti e olhei o elfo que me encarava sério. — O quê?!
–Não, só estou pensando...Como que uma humana pode ser tão diferente? — Ele estava procurando uma resposta, porque me encarava com intensidade e algo mais. Eu tive que desviar os meus olhos dele.
–Não me ofendo. — Falei sem pensar. — Seus comentários só me preocupam quando não está humilhando ou provocando, ou debochando de alguém.
–Você me conhece tão bem assim, humana?
– Graças a Deus que não. — Ele estava sorrindo.
–Vamos, eles já devem ter acabado de comer. — Disse abrindo a porta do quarto.
Nós saímos e pegamos o elevador, até descermos no 1° andar e seguirmos até a cozinha, que dava para a sala de estar.
–Você não pode ir sozinha! — Gabriel dizia a Karen, quando entramos na sala.
–Eu não escolhi, foram eles que me convocaram. — Karen respondeu.
–Quem te convocou para onde? — Keith perguntou, sentando-se.
–Para... — Ela falava, mas então me viu e não terminou de responder. — Olá, Kate! Você está melhor?
–Sim, estou, obrigada. — Falei com calma e sendo educada.
–Sente-se. — Ela disse, indicando para que eu sentasse ao lado do Keith.
–Então? Para onde você vai? — Keith perguntou à Karen.
–Para nenhum lugar. — Camila respondeu. — E por que a humana ainda está aqui?
É, por que eu ainda preciso aguentar essa menina? Não era para ele me ajudar em vez da Karen que não sabia de nada?
–Bom, a humana precisa conversar com a Karen e o mais provável era que ela ficasse aqui até que isso acontecesse. — Keith respondeu.
–Mas, por que eu? — Karen me olhou curiosa.
–Sinceramente, eu também não sei. Foi tudo tão rápido que nem sei mais o que fazer. — Falei. — Primeiro eu estava em uma festa e segundo, eu não estava bêbada para ter desviado de algo caindo do nada. Terceiro, minha amiga morre e eu fico viva. Ah! Claro, o mais interessante é que eu conheci elfos e...Não, não são elfos pequenos, com orelhas pontudas, mas elfos que se parecem com humanos, exatamente humanos. Dá para entender?
–Sim, certamente. — Karen disse. — Você teve dias difíceis.
–Difíceis? — Eu ri. — Calma, eu só estou começando. Depois desses acontecimentos, eu tive sonhos que não pareciam ser normais e olha que eu achava que ter sonhos estranhos eram normais, mas depois de conhecer ele, eu não tenho mais certeza sobre o que é normal e o que não é. — Apontei para o Keith.
–Por que acha que seus sonhos não são normais? — Keith peguntou.
–Porque, em um dos meus sonhos eu estava com uma mulher e era uma mulher que eu nunca tinha visto em toda a minha vida. Mas, o estranho era que ela me chamou de "filha" e depois virou uma águia. A mesma águia que eu havia sonhado antes, quando eu estava no hospital. — Respondi.
–E como era a águia? — Gabriel perguntou.
–Era uma águia normal, penas, garras e um... bico? — Falei. — Só que o único problema era que ela falava.
–Falava? — Keith riu. — Ainda bem que era só um sonho ou você estaria no hospício. Nem mesmo nossas águias conseguem falar.
–Bom, continuando... — Eu o ignorei. — Eu não entendi, mas a águia disse " Você começou a despertar", o que foi sinistro e depois virou pó, pó igual a quando o Keith matou um demônio.
Eles ficaram quietos, um olhando o outro.
–O que está acontecendo? — Um homem falou, entrando na sala. Ele estava com as mesmas roupas de caça iguais aos do Keith, quando o conheci. Só que agora o idiota usava um jeans e uma blusa branca, definindo o seu abdome e os ombros.
–John! — Karen disse. — Ainda bem que você voltou, eu estava ficando preocupada.
–Eu só estava caçando, por que você ficaria preocupada? — Ele sorriu despreocupado.
–Porque já está ficando tarde. — Ela disse, ganhando um beijo do homem que a olhava terno.
–Então, o que está acontecendo? — Perguntou à todos e a ninguém em específico. — Quem é a senhorita? — Ele parou o seu olhar em mim.
–Eu me chamo Kate. Kate Maureen, prazer em conhecê-lo. — Levantei-me apresentando. — E o senhor?
–Jonathan Hazelwood, prazer em conhecê-la. — Ele apertou a minha mão, que parecia ser minúscula em comparação à dele, depois ficou me olhando. — Você é humana.
–Sou sim, algum problema? — Respondi sem pensar. E é claro que tinha um problema: eles são elfos! Humanos não enxergam elfos! — Bom, é, tem vários problemas, quer conhecer os meus? — Sorri.
–Vamos ouvi-la. — Respondeu olhando para os outros.

Todos me olharam e eu comecei a contar, contar tudo de novo, até a parte em que eu fiz a aposta com o KEITH e perdi.
–Você não perdeu a aposta. — Gabriel disse, depois que terminei de falar.
–Eu não perdi? Por que que o Keith disse que eu tinha perdido então?
–Eu NUNCA disse isso, humana. — Keith protestou. — Eu falei que poderia te contar o que vi, depois que você desmaiou, mas você não respondeu, ao invés, jogou um travesseiro em mim. — Ele deu de ombros.
–Ah! E o que foram as ameaças então? — Perguntei.
–Que ameaças? Eu não preciso de ameaças para você fazer algo, eu sempre consigo as coisas que eu quero, mesmo se for escrava ou não. — Ele sorriu me olhando como se eu estivesse despida, sentindo-me totalmente exposta e com calafrios.
–Ah é? Então o que foi o lance do quarto? — Retruquei sem saber o que eu falava.
–Aquilo? — Ele riu alto. — Não foi nada. Você está ficando louca?
–O que aconteceu no quarto? — Camila perguntou.
–Nada. — Keith respondeu. — Eu só emprestei uma blusa a ela.
–Certo, mas o que eu posso fazer para te ajudar? — Karen mudou de assunto.
–Nada, porque nem eu sei o que fazer. — Olhei para baixo, percebendo que o tempo passava e nada, nem uma dica de onde a Laura estava. — Ela sumiu. A Laura sumiu, mas não sei quem a levou ou o porquê de tê-la levado. — Falei baixo, para mim mesma.
–Será que alguém não sentia raiva ou ressentimento dela? — Gabriel perguntou.
–Não, a Laura não era uma pessoa que consegui inimigos tão facilmente como eu. Ela se dava bem com qualquer tipo de gente e tinha um espírito caridoso, sempre se preocupando com o próximo. — Parei, pensando em mim. Eu até que tinha bastante inimigos. — Eles poderiam tê-la levado para me fazer ficar com raiva ou algo do tipo, mas por que levariam um corpo morto?
–Para fazer macumba com o corpo dela? — Camila disse indiferente.
–E eu vou fazer com o seu se você não fechar o bico, passarinho. — Sorri para ela que me olhou com raiva, pegando uma faca do bolso.
–Você ainda vai falar como se estivesse no mesmo nível que eu, humana? — Ela jogou a faca em minha direção, mas eu desviei, fazendo um corte pequeno em minha bochecha e o sangue escorrendo em meu rosto.
–Camila! — Karen gritou, brava.
Todos ficaram quietos, até eu começar a rir.
–Isso é o melhor que consegue fazer? — A desafiei, levantando com uma faca na mão.
Ela me olhou furiosa, derrubando a cadeira quando se levantou, disparando até mim. Mas, John a segurou e ela ficou imóvel com o aperto dele.
–Gabriel, leve a Kate para fazer um curativo no rosto, agora! — Karen ordenou brava e depois olhou para o Keith, que estava sentado, se divertindo muito.- E você, nós vamos ter uma conversinha. — Ela disse para ele, que deu de ombros.
–Vamos, antes que você veja a Karen furiosa. — Gabriel me puxou quando eu não me movia.
–Por que? Ela é tão brava assim? — Perguntei quando saímos da sala e estávamos na cozinha.
–Brava? — Ele riu. — Ela é pior que a Camila quando está brava.
–Ainda bem que ela não tem um pavio curto como a Camila. — Falei me encostando na parede, enquanto o Gabriel procurava algo, nos armários. — O que você está fazendo? — Observei.
–Procurando o kit de primeiro socorros. — Ele disse.
–Nem precisa, o meu corte não é tão grande assim. — Passei a mão na bochecha para limpar o sangue que escorria.
–Achei! — Ele gritou se levantando e segurando uma caixinha de plástico. — Vem aqui, eu vou desinfetar o corte. — Ele pôs a caixinha em cima da mesa e pegou uma cadeira, indicando para que eu sentasse.
Nós sentamos e ele pegou um paninho molhado, passando em minha bochecha para tirar o sangue, depois pegou um vidro com umas coisas estranhas escritas na tampa.
–Ai! — Eu gritei. — Que negócio é esse? — Perguntei segurando a mão dele, impedindo-o de passar o remédio.
–É uma pomada feita com ervas e gengibre. — Ele me olhou como se eu fosse esquisita, achando graça que eu segurei a sua mão com força. — Você tem medo de uma pomada e não da Camila? — Ele riu.
–São duas coisas diferentes. — Respondi. — A pomada me afeta de uma forma que eu não posso evitar, mas a Camila não faz muita diferença na minha vida então eu posso acabar com ela quando eu quiser. Entendeu?
Ele começou a rir.
–Agora eu entendo porque que o Keith te trouxe aqui. — Ele disse. — Você é muito diferente. Não tem medo de elfos, que são mais fortes que você e ainda não consegue passar uma pomada?
–Eu consigo passar uma pomada, mas antes eu preciso me preparar mentalmente. — Respondi e ele me olhou engraçado. — O quê? Isso aí é ardido. — Apontei para a pomada.
–Pronta? — Disse após um tempo.
–Sim. Pode passar. — Ele riu quando confirmei.
Eu sentia o corte rasgar minha bochecha cada vez mais quando ele passava a pomada.
–Isso arde! — Falei finalmente depois que terminou de fazer o curativo.
–Arde, bom, porque está tirando o veneno.
–Que veneno?! — Levantei surpresa.
–Kate, não se irrite. — Ele tentou me acalmar. — Na faca tinha um veneno que só a Camila consegue fazer para matar demônios e machucar os humanos.
–E agora que você me conta?! — Eu estava puta.
–Bom, se você não passasse a pomada eu até teria te contado, mas você passou e está tudo bem agora. — Ele sorriu fazendo a minha raiva passar, porque era um sorriso doce e inocente. Eu sabia que não era culpa dele. Era a culpa da Camila.
–Eu vou acabar com ela! — Fui em direção á porta da sala.
–Calma! — Ele apareceu na minha frente, igual ao Keith quando aparecia e sumia do nada, me impedindo de passar. — Kate, a Karen está ''cuidando" da Camila e não é preciso que você vá lá ou então é você quem vai ouvir um bom sermão da Karen.
–Por que eu vou ouvir sermão se não fiz nada?! — Respondi.
Gabriel não disse nada e quem falou foi o Keith, que entrou na cozinha.
–Porque foi você quem começou a provocar a Camila, quando você não tem direito de responder. — Ele me olhou enfurecido, sentando-se na cadeira. — Entendeu, humana?
–Ótimo, agora sou eu quem levo a culpa?! — Retruquei. — Quem foi que me trouxe aqui, heim?!
–Fui eu e por isso que você vai me obedecer sendo uma empregada, escrava ou qualquer coisa do gênero ou não, você vai ter que me ouvir. — Ele sorriu. — Ou você não vai conseguir encontrar a sua amiga. Entendeu? — Ele me olhou sério, até eu não conseguia falar nada com aquele olhar. Revirei os olhos de tão nervosa que eu estava, então não suportei olhar para ele de novo e resolvi sair da cozinha.
–Kate! — Gabriel me chamou quando eu abria a porta.
–Não me siga! — Ordenei. — Quero ficar sozinha por um tempo! — Falei batendo a porta da cozinha.