The Last Tear
9 Capítulo 7 - O alvo - Revisado
Não, não e não! Eu fui enganada, muito enganada! A droga do arco parecia ser feita de chumbo!
Nós estávamos no 4°andar, onde obviamente era o andar da tortura. Só tinha armas, em todo lugar, quartos com equipamentos com facas, arcos, flechas e outras coisas que eu jurava que não existia.
Eu estava com os dois elfos, Keith e Gabriel, que me acompanharam até uma sala de treinamento. Eles pegaram os equipamentos para que eu colocasse. Camila tinha dito que era perda de tempo me ver sendo humilhada e não quis ficar para ver, aquela menina mimada era mais um motivo para eu ganhar a aposta. Vou esfregar na cara dela a minha vitória, só espere diabo.
–Você vai perder, sabia? — Ela disse enquanto estávamos no elevador.
–Um dia, mas hoje não. — Eu estava puta com ela e queria dar um tapa, se não fosse o Keith segurando o meu braço.. – Não vou perder, ainda mais uma aposta como essa, com essa coisa. — Apontei para o Keith.
–Elfo. — Ele disse. — Pode me chamar de majestade, também.
–Claro, a majestade dos insetos.
–Por um lado não sou a "majestade” dos humanos, algo que não seria nada agradável. Imagino os porcos sendo comparados a vocês. — Ele riu. — Principalmente agora que achei uma, comendo uma maçã. – O sorriso estava me irritando mais do que deveria, então esperei 2 segundos para me acalmar. Não, foda-se.
–Você nunca se cansa de você mesmo?! — Cerrei os punhos e ele deu de ombros. — Você me irrita. – Apertei o braço que estava me segurando. Ele ainda me encarava sorrindo.
–Eu não ligo. Quem se irrita são os fracos, eu estou acima disso. Eu provoco. – Soltou uma risada de dar nos nervos. — E quando falo que não perco é porque nunca, na minha vida, eu perdi.
–Viu? — Camila falou para mim. — Quando se aposta com ele não é nada fácil ganhar, principalmente com o ego.
–Você já fez alguma aposta com ele?
–Já e perdi. — Ela me olhou irritada. — Você não devia fazer uma aposta como essa se está claro que vai perder. – E saiu.
–Como que eu perderia se só preciso segurar o arco e atirar? — Perguntei para ela, que me ignorou. — Você não vai assistir a minha vitória? – Cruzei os braços e sorri.
–Não, isso é perda de tempo e eu já sei o resultando. — Ela riu. — Você vai perder.
O Keith e o Gabriel me olharam.
–O que?! — Perguntei irritada.
–Nada. — Gabriel disse, incomodado. Ele tinha estado quieto, só observando.
–Você também pensa que eu vou perder?! – Perguntei exasperada. — Até você acha que eu vou perder? – Bufei. Eu esperava que pelo menos ele ia me apoiar, diferente dos outros dois, mas são todos iguais.
–Talvez, não sei, nunca vi uma humana usando um arco. Principalmente alguém que nos vê, Kate. – Disse sincero.
–Certo, então confie em mim, eu não vou perder. – Olhei para os dois, mostrando minha confiança e capacidade. Eu não perderia.
O Keith riu.
Eu estava com uma luva de couro preta, que o Keith havia me dado, e um protetor para um dos braços, do mesmo material que a luva e a mesma cor.
–Se você perder vai ser minha escrava por uma semana. — Ele disse levantando a mão para que eu a apertasse como uma forma de acordo.
–Ótimo, então o mesmo serve para você. — Apertei a mão dele e ele sorriu bem diabólico, depois foi pegar um arco em outro quarto, assobiando alguma música melancólica e harmoniosa enquanto saia dali.
Certo, ele voltou com um arco, era um arco longo que eu nunca havia usado. Eu só usava aqueles que eram recurvos quando acampava com o meu pai e ele tentava me ensinar, mas eu nem prestava muita atenção e acabei só aprendendo o básico. Sabe, o básico do básico, pôr a flecha no arco e depois puxar para atirar? Só. Esse não era diferente, mas parecia ser arco de índio. Não tinha apoio para a flecha e só contava com a força e a concentração para colocá-la na corda.
Eu me ferrei legal. Agora não tinha outro jeito depois de ter falado tudo aquilo na frente deles.
–Eu só vou te mostrar uma vez, então presta atenção. — Ele estava se posicionando. — Você vai acertar o alvo, em qualquer um dos pontos. Mas, só vai ter três chances para atirar. Se você não conseguir acertar o alvo nessas três tentativas então perde a aposta. — Ele atirou a flecha como se fosse uma coisa fácil e acertou bem no meio do alvo, levando um 100 se estivesse competindo.
Concordei com a cabeça e ele me entregou o arco. Eu quase caí. Era muito, muito pesado e eu nem sabia como segurá-lo direito com uma das mãos, apesar de ser feito de prata, parecia ser feito de chumbo. A flecha também, não era uma flecha simples, era feita de prata e ambos o arco e a flecha estavam marcados com algumas escritas que agora eu sabia, era latim e outra língua morta.
–Merda, vocês não podiam ter feito algo mais simples e mais leve? — Resmunguei.
Os dois riram do meu comentário.
–Para quê? Os arcos simples são fracos e não resistem, as flechas normais não matam coisas anormais, e não foram feitos para elfos treinados. — Keith disse sorrindo. — Quero ver você ganhar, humana.
–Eu também. — Murmurei baixo para eles não ouvirem. Não, eu acho que o Keith ouviu porque ele deu um sorriso como sempre, o largo sorriso de “você perdeu”.
Tentei endireitar o arco com a mão esquerda, segurando-o firme e alto, enquanto me posicionava, da mesma forma que o Keith fez colocando primeiro o pé esquerdo na frente e depois o direito atrás, fazendo com que meu corpo ficasse de lado, como se eu estivesse surfando.
Eu estava concentrada e com a flecha na mão, porém o arco era tão pesado que o meu braço não parava de tremer no ar. Eu não conseguia entender, como que eles levantavam o arco tão facilmente? Parecia ser fácil para eles, ainda mais quando o Keith atirou no demônio, ele foi tão rápido que nem parecia estar carregando esse treco do capeta. Só eu, claro, uma pessoa normal achava que o arco de um elfo era simples, a coisa mais leve criada pelo ser humano. A estúpida humana, como o Keith dizia, sabia muito sobre elfos e seus arcos, lógico, e ainda fazia uma aposta com um deles. Ótimo, agora não tinha volta.
Eu não saberia o que fazer se eu não conseguisse levantar esse arco na hora de atirar, eu provavelmente cortaria os meus pulsos. Encaixei a flecha no arco, mirando o alvo que devia ter uns 50m de distância de onde eu estava até ele, para a minha infelicidade. Ainda bem que eu sabia o básico de como usar um arco, graças ao meu pai que não me ensinou quase nada.
Só o que faltava! Não era só o arco que era feito de prata, ele tinha que ter uma corda que parecia ser feita de ferro de tão duro que eu me esforcei para puxá-la. Encarei o Keith, amaldiçoando-o de tudo quanta praga eu conhecia no meu vocabulário. Ele deu um sorriso, se divertindo muito com a minha frustração.
Eu estava pronta para atirar, me concentrando ao máximo para fazer o meu braço ficar parado. Ele estava tremendo como o inferno de um terremoto. O arco era pesado, eu já havia falado. E, merda! Eu soltei a corda, fazendo a flecha acertar aonde?!
–A Karen não vai gostar nada disso. — Keith falou balançando o dedo, reprovando a cena e rindo ao mesmo tempo.
Eu tapei meus olhos, sentando no chão e deixando as coisas caírem ao meu lado. Eu tinha 5 segundos para manter a calma.
Mentira, mentira e mentira!! Não, não dava para acreditar, mas a flecha ficou presa no chão, não sei como, mas ficou. Eu só havia soltado a corda e a flecha foi parar no chão! Não era nem perto do alvo! Era a alguns metros de mim, sabe quando você dá uns 5 passos? É, eu acertei exatamente o chão.
–Você está de brincadeira comigo, Deus. – Levantei a cabeça para o teto. — Como que eu fui acertar o chão se eu estava mirando o alvo?! E o alvo para mim era reto! Inferno, eu estava mirando reto e não para baixo!
–Só agora você foi perceber que esse não era um arco para humanos? — Keith disse, apreciando cada momento da minha frustração e decepção.
–É claro que esse não era um arco para humanos, o que eu estava pensando, é o arco de um elfo, certo? – Eu estava sendo cínica para não surtar, então dei um sorriso e forcei-me a levantar ou eu não levantaria mais.
–Você está indo bem. — Gabriel disse. — Talvez acerte da próxima vez. — Ele estava tentando me encorajar? Não estava dando certo, provavelmente porque o Keith estava me dando aqueles sorrisos de "você vai ser minha escrava" e isso me perturbava mais ainda. Eu nunca seria escrava dele, pelo amor de deus, eu me mataria ao ter que fazer isso.
Não tem como ser escrava dele, nunca. Imagina a humilhação, ele me pediria cada coisa absurda que eu nunca fiz na vida por um homem, como dar comida na boca dele e ainda me chamaria de escrava. Só o que me faltava, me chamar de escrava além de "humana". Ele já era uma dor de cabeça dos infernos sendo ele mesmo, com certeza ele seria um câncer seu eu fosse sua escrava.
Certo. Eu precisava me concentrar e não precisava me preocupar com o Keith ainda, eu tinha mais duas chances. Concentração.
Peguei a próxima flecha, respirando fundo antes de colocá-la no arco. Mirei novamente no alvo e puxei a corda, segurando forte para que não soltasse.
Fui analisando onde seria o ponto certo para atirar e achei. Soltei a corda com os olhos fechados, só abrindo-os depois de não ter volta.
Era brincadeira?! Só podia ser algum truque deles dois, não era possível! Eu consegui!
–Quem foi? – Perguntei desconfiada, olhando para os dois que não entenderam a minha pergunta.
–Você ficou louca ou perdeu os neurônios no acidente? — Keith disse.
–Nem um e nem outro. – Apontei para ele. — Você virou mágico por acaso?
–Não preciso, nasci com dons que nenhum mágico tem. Seria pura humilhação me comparar com os humanos que fingem ser como nós, mágicos por nascimento. — Ele sorriu.
–Foi você, não foi? – Aproximei-me dele, ficando furiosa.
–Eu o quê? — Keith levantou as mãos e a sobrancelha. — Sou culpado por ter nascido assim? Desculpe-me se no seu mundo não exista alguém como eu, no mesmo nível que deus.
–Não, idiota. Aquilo! — Apontei para a flecha que havia atirado a poucos momentos atrás. Ela estava ao lado da outra, no chão. Dá para acreditar? Ao lado da outra, exatamente ao lado. — Você pôs alguma mágica no arco, não foi?!
Só para aumentar minha raiva ele olhou para o Gabriel e os dois começaram a rir.
–Eu estou falando sério.
–Olha, por que nós colocaríamos algum truque ou mágica em um dos arcos que nós usamos? — Ele perguntou sorrindo. — Você acha que somos idiotas?
–Sim, vocês são idiotas, principalmente você. — Apontei para o peito dele com força. — Por que eu não consigo atirar no alvo?!
–Bom, primeiro que você está usando o arco de um elfo e segundo que você é uma humana. — Respondeu como se eu fosse uma criança. — Deu para entender? "Nunca mexa nas coisas que não lhe pertence"?
–Não. Eu não entendi nada e só pelo fato de eu não ter acertado em nenhuma dessas duas vezes, eu vou ter que acertar na próxima e se você arranjar mais algum truque, eu te mato. — Falei ameaçando-o.
–Então tenta, humana. — Disse e riu, dando gargalhadas.
Eu peguei o arco com raiva. Muita raiva mesmo. Eu senti que a corda iria se quebrar dessa vez.
Posicionei a flecha no arco, novamente, olhando precisamente no alvo e puxando a corda que nem parecia ser tão dura quanto era. Fiquei um bom tempo me concentrando para me acalmar. A tensão de ser a última flecha estava me pressionando muito e as minhas mãos suavam embaixo das luvas.
Eu sabia que dessa vez iria acertar o alvo, quando estava pronta para soltar a flecha, minha cabeça começou a doer, a doer muito e logo eu perdi a concentração, fazendo-me perder o equilíbrio, como reflexo à minha dor eu soltei a corda e a flecha se foi.
Eu perdi. Eu sabia, eu tinha errado o alvo, mas minha cabeça começou a doer, mais e mais , até eu me ajoelhar e sentar no chão, fechando os olhos e colocando as mãos na cabeça. Era insuportável.
–O que foi?! — Ouvi o Keith e o Gabriel falando em uníssono ao meu lado. — Você está bem?! — Perguntaram.
Não respondi, tudo ficou desfocado e aos poucos eu perdi os sentidos e fiquei leve, então apaguei.
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