The Last Tear
6 Capítulo 4 - Atormentada - parte 1
Eu estava pensando... Como que o Keith toda vez vai embora sem deixar rastro? Como o Nate não conseguiu vê-lo? Como tudo isso foi acontecer? Como a Laura sumiu? Como eu endoidei de vez?! Como, como e como?!
Eu estava confusa e perdida em meus pensamentos depois que o Keith foi embora e fiquei sem motivação para fugir do Nate ou tentar impedi-lo de me arrastar até o carro.
–Você está bem? – Eu o olhei indignada, muito cansada e sem entusiasmo algum para responder.
–Sim, eu acho que sim. — Falei, apoiando a cabeça na janela e olhando a paisagem da vasta floresta maldita que em um único dia virou a minha vida de cabeça para baixo. — Será que eu enlouqueci? — Murmurei.
–Não, você não enlouqueceu. – Nate respondeu à minha pergunta estúpida. Eu sabia que tinha enlouquecido. — Só está em choque com o que aconteceu. – Tentou me convencer, só que não.
–Não, eu não estou em choque — Respondi vagamente. — Vamos esclarecer uma coisa. Você não viu ninguém comigo quando estava na floresta? – Fixei meus olhos no asfalto, reparando na vastidão da estrada que não tinha fim. Inferno, como o Keith conseguiu correr tudo isso? Como?!
–Não. – Nate disse, fazendo a minha mente voltar á realidade.
–Nate, você vai ter que me internar. — Coloquei a mão na cabeça e forcei-me a não gritar. Como que eu enxergava o ELFO e o Nate não?!
Ele começou a rir.
–Por que eu iria te internar? – Seu rosto era gentil e mostrava um pouco de preocupação.
–Porque eu realmente estou vendo coisas e começando a ficar esquizofrênica. – Falei o óbvio, a resposta mais franca que já disse para alguém.
–Interessante. Isso é o que um esquizofrênico diria? — Ele não estava acreditando. Eu bufei frustrada. Boa sorte Kate, tentando explicar um elfo imaginário que brotou na floresta e desapareceu igual pó. Muita sorte!
–Não sei, acredite. – Apontei para o peito dele. – Eu vi um elfo e ele estava comigo naquela maldita floresta 10 minutos atrás com você presente. Acredite, ele estava em cima de mim quando você apareceu.
–Kate, você está confusa. – Ele disse calmo, porém firme e sério. – Não tinha ninguém lá e você tem uma concussão na cabeça. O que você acha que viu pode ser por causa do acidente. Você está confusa.
–Bom saber, vindo de um adolescente com 16 anos. – Falei irônica.
–17 anos. — Ele me corrigiu. — Sou um ano mais velho que você.
–Tanto faz se é 16 ou 17 anos, você ainda é adolescente. — Revirei os olhos. — Se fosse um médico ou um psicólogo, eu até acreditaria que não estou ficando louca.
–Ótimo, porque você está voltando para o hospital e nós podemos fazer um check-up. – Estreitei os olhos e funguei.
–Sério, Nate? – Eu estava ficando louca e estressada. — Aquele lugar é um tédio e ficar uma semana... Sim, eu vou acabar matando alguém se não me tirarem de lá.
–Eu até que gostaria de te levar para outro lugar, mas você realmente precisa ficar lá por um tempo. – Pôs a mão no pescoço, meio incomodado. – Principalmente porque a sua perna está sangrando. – Indicou, olhando sem jeito e foi aí que eu vi. Estava sangrando, apesar de estar enfaixada. O corte tinha sido grande e profundo. Nem vi quando começou a sangrar e nem sentia a dor, já que a briga com o Keith estava tão emocionante e pouco me importei com o quanto o meu corpo estava um lixo.
–Tudo bem, não dói. – Tentei um sorriso. — Consigo deixar ela pior.
–Desculpa? — Ele perguntou, fazendo uma cara de preocupado.
–De várias formas. – Comecei a contar várias histórias do meu eu aventureiro. — Treinando com o mestre Chang, caindo de uma árvore, treinando com as líderes de torcida, acampando sozinha. Sabe, é até normal ter só esse corte na perna.
–Se você fala que um corte de 30 centímetros é normal, então não quero imaginar o que não é. — Ele sorriu e logo após fez uma cara de nojo. — Você já acampou sozinha?
–Sim. Faço isso, às vezes, quando quero pensar e passar algum tempo sozinha. – Recordei as várias vezes que o meu pai me levava para acampar quando eu era pequena. Ajuda a tirar o estresse e as coisas ruins, ele dizia. — Eu até que gosto, é divertido e você sente a adrenalina de como sobreviver em um lugar onde não há pessoas. — Eu deveria fazer isso depois de sair do hospital, pensei.
–Da próxima vez me leva com você. – Piscou e sorriu bobo.
–Pode apostar que não. Eu vou sozinha, é como se fosse um mantra para mim. Não posso levar ninguém, nem mesmo a Laura eu nunca levei. — Eu lembrei dela um dia me pedindo para levá-la e foi difícil resistir, mas por fim, ela não quis ir porque odiava insetos. — Pena que nem agora posso levá-la. – Murmurei, sentindo uma sombra nas minhas costas.
–Você não quer descansar? — Nate perguntou, tentando mudar de assunto.
–Sim, isso seria bom, por um tempo. – Fechei os olhos. — Me acorde quando chegarmos. – Avisei antes de apagar.
Acordei com o som de um pássaro. Eu estava de volta ao hospital, no mesmo quarto entediante, mas já estava á noite. O Nate provavelmente me trouxe de volta ao quarto, sem me acordar. Era estranho, um pássaro á noite? Saí da cama em um pulo e vi que minha perna não estava mais sangrando. Fui andando lentamente até a janela, que estava aberta, e as cortinas balançando por causa do vento. Coloquei a cabeça para fora e não vi nenhum pássaro. Olhei para cima, para baixo, mas nada. Eu estava sonhando?
–Sim, você está sonhando. — Algo falou, atrás de mim. Virei-me para ver o que era.
–Como... – Fiquei muda. Não estava entendendo nada. Tinha um pássaro, mais especificamente uma águia, no criado mudo, e estava falando comigo?. — Por que você está falando?
–Porque é um sonho — O pássaro disse. — Você... — Ele não conseguiu terminar, porque tudo estava ficando borrado.
–Kate, Kate! – Alguém me chamava e me balançava forte. – Kate!
–Já acordei. – Abri os olhos, encontrando o rosto do Nate. — Não precisa ficar com essa cara de preocupação. — Ele estava pálido, igual um albino.
–Você não acordava e eu te chamei várias vezes. — Ele estava uma bagunça, com o cabelo desgrenhado e isso me fez rir. — Pensei que estava tendo uma hemorragia cerebral e desmaiou enquanto dormia, ou que... Não sei, fiquei muito preocupado.
Eu ri. Mas ri muito mesmo. Ele ficou vermelho.
–Desculpa. — Enxuguei uma lágrima. — Sua imaginação é fértil, Nate. Devia escrever um livro, já até sei um nome, "Milagres de uma noite”.
–Vamos. — Ele se virou, abrindo a porta do carro. Provavelmente estava nervoso.
Eu saí do carro com a cabeça confusa. Esses acontecimentos, tudo estava acontecendo muito rápido. Um sonho? Eu realmente tive um sonho com uma águia falando? Eu precisava falar com o Keith, mesmo se ele fosse fruto da minha imaginação, eu precisava falar com ele.
–Kate. — Ouvi o Nate falar. — Você precisa abrir a porta.
–Que? — Eu estava de frente para a porta do quarto do hospital. Eu devia estar tão ocupada pensando que nem sabia como tinha parado na porta do quarto. — Ah, certo. Olha, eu preciso me trocar, você poderia me deixar sozinha? – Virei-me para ficar de frente para ele.
–Certo, mas depois venho te visitar. — Ele me deu um beijo na bochecha.
–Tudo bem. – Fingi não me preocupar e sorri. — Até depois. – Ele começou a andar e eu limpei aquele beijo nojento da bochecha, credo. Ninguém merece.
Abri a porta, o quarto estava escuro e frio. Eu estava com a roupa do hospital, uma camiseta e uma calça, ambos brancos, que estavam sujas por causa do sangue e do barro. Encontrei minha roupa dobrada, em cima do criado mudo. Despi-me e coloquei minhas próprias roupas, as que eu usava na festa, tomando muito cuidado para não relar na perna quando coloquei a calça. Depois de me trocar, deitei na cama e fiquei repensando tudo o que aconteceu até agora. A Laura sumiu, o Keith é um elfo, o Nate não conseguiu ver o Keith, eu estou vendo coisas, a mensagem do mestre Chang, o sonho. Tudo não tinha sentido algum, não fazia ligação uma com a outra e droga, eu precisa de um médico.
–Desisto. – Resmunguei com o braço na testa e encarando o teto, deitada na cama horrível do hospital.
Primeiro eu precisava encontrar uma forma de achar o corpo da Laura. Qualquer coisa me ajudaria, mas não encontrei nada no local do acidente e o Keith sabia de alguma coisa, provavelmente sabia, ou eu esperava que ele soubesse.
Ouvi uma batida na porta e logo levantei para abri-la.
Ao invés do Nate, era uma enfermeira, que provavelmente foi avisada para vir olhar meu corte na perna. Obrigada, senhor, por mandar uma distração(que não seja o Nate) e a minha mente não pifar.
–Boa noite, senhorita Kate Maureen.- Ela disse, formalmente. Era uma mulher com seus 30 e poucos anos, os cabelos castanhos amarrados em um coque e a roupa branca de enfermeira. — Vim para trocar os curativos.
–Ah, claro. Pode entrar. – Indiquei para que ela entrasse e depois fechei a porta.
–Você poderia se sentar e levantar a calça? — Ela perguntou sorrindo.
–Tudo bem. – Tentei ser simpática e fazer o que ela pediu. Eu poderia persuadir ela a me dar a chave do carro e assim ir embora desse inferno quadrado e branco que me dava náusea.
Alguma coisa estava errada, um sentimento de que algo estava errado. Olhei para a enfermeira se agachando e ela estava com um bisturi? Por que ela estava com um bisturi se eu só precisava trocar os curativos?
–O que você está fazendo? — Perguntei quando ela passou a mão na minha perna.
–Analisando a qualidade. — Ela respondeu, olhando fixamente para o sangue na minha perna. Seus olhos estavam vermelhos, literalmente vermelhos e os dentes eram como os de um tubarão. Eu recuei apressada, levantando e me afastando.
Droga. Eu estava no quarto com uma coisa que nem sabia o que era? Um monstro?
Saí de perto dela, indo direto para a porta. Ela foi rápida como um raio e chegou mais rápido que eu.
–Você não vai sair, queridinha. – Puta merda, ainda me chama de “queridinha”.
A coisa estava bloqueando a porta, então corri para o outro lado do quarto, tentando me afastar ao máximo dela, mas a "mulher" me agarrou. Eu dei um soco no rosto dela que a fez me soltar, depois procurei algo para usar como arma. Não tinha nada, só um lápis no criado mudo e era a única coisa que prestou, então o peguei. A "coisa" estava vindo em minha direção, novamente, só que eu tinha um lápis. Grande coisa, um lápis, mas é melhor que nada.
Ela me acertou em cheio no rosto e eu cambaleei, mas logo me recuperei e a segurei forte pelos braços, depois dei um chute em seu estômago e a soquei. A bicha era forte e parecia não ter sentido nada quando a soquei, mas os meus dedos sentiram e não gostaram nem um pouco. Fui rápida e tentei dar outro soco, só que ela desviou e me jogou no chão com o seu corpo. Eu estava encurralada com aquilo em cima de mim, tentando me morder. E o lápis tinha caído da minha mão. Tentei sair de baixo dela, me debatendo, socando-a, chutando-a e a empurrando, quando consegui pegar o lápis que havia caído, então enfiei em seu coração.
Merda. Eu enfiei o lápis fundo em seu coração, mas não adiantou nada. Ela ainda estava viva e sorrindo!
–Que pena, meu docinho. – Disse com uma voz estranha e aquele sorriso de dar medo. — Mas, isso não vai me matar. – Seu sorriso se alargou, abrindo a boca para me morder.
–Isso vai te matar. — Eu ouvi a voz do Keith, depois vi a flecha entrando no coração da "coisa". Ela desapareceu igual ao lobo, como cinzas e pó e carbono tostado.
Minha roupa ficou suja com as cinzas e olhei para o Keith com raiva.
–Por que você não veio antes? – Resmunguei, brava e cansada.
–Porque eu sou um elfo muito importante, com vários compromissos e não sou babá de humanos. — Disse vindo em minha direção. — Você lutou bem. — Passou a mão em meus cabelos e deu um sorriso carinhoso, de matar, e depois se agachou para pegar a flecha que havia acertado aquela coisa.
–Como a bicha não morreu, quando acertei seu coração? — Apontei para as cinzas no chão.
–A "bicha" não morre com um lápis. — Ele riu. — Era um demônio sugador, só morre com prata.
–Bom saber, da próxima vez me dê uma flecha dessas antes de ir embora. — Apontei para a flecha que ele estava segurando. Era prata e longa, com umas escritas que eu desconhecia.
–Para quê? Ficar brincando de varinha enquanto não aparece um demônio? — Debochou de mim.
–Se não aparecer eu poderia até tentar te matar. Seria mais divertido. – Sorri.
Alguém bateu na porta e depois a abriu.
–Kate? — Nate perguntou me olhando, depois viu o chão. — O que aconteceu?
–Ah... — Como eu iria explicar o que aconteceu se nem eu sabia o que tinha acontecido direito? — Eu não sei, acordei e o chão estava assim. – Resumi uma mentira ridícula. O Keith riu e eu dei um soco de leve em seu ombro, sem o Nate perceber. O quê eu acho que o ele nunca iria perceber, já que o Keith era um amigo imaginário e arrogante.
– Você quer que eu chame alguém para limpar? — Nate perguntou.
–Sim! Faça isso! — Falei mais empolgada que o normal.
–Tudo bem, já volto. – Ele pareceu feliz com a meu entusiasmo. Menos mal.
–Ok. – Fiz um tchau rápido, enquanto o Keith ria.
A porta se fechou e eu olhei para o Keith.
–Agora, você não vai fugir. — Peguei o braço dele, apertando forte. — Me explica, por que o Nate não consegue te enxergar?
–Não sei, vai ver ele não evoluiu o suficiente para me ver. – Deu de ombros, sorrindo de lado e mostrando os dentes perfeitos e aquela boca sexy. – Humana? – Ele perguntou, ainda sorrindo.
–Humm... – Desviei meus olhos dele e tentei formar uma pergunta, ainda imaginando aquela boca sexy e sorrindo. Kate, você está ferrada. Sim, lembrei! Estou muito ferrada! — Então por que eu consigo te enxergar?! – Gritei frustrada.
–Isso que eu acho estranho. Você é diferente. – Ele me olhou intrigado. — Você consegue enxergar tudo, tem o dom, porém não sabe de nada. Você é diferente, não é do meu mundo, porém nos enxerga e humanos normalmente têm a visão bloqueada.
–Minha teoria é que, talvez eu esteja em um nível acima do seu? — Brinquei.
–Nem morta você iria conseguir ficar acima de mim. – Seu orgulho chegava a me irritar, mas fazer o quê? Com aquele tom de "eu sou o cara" isso até que era de tirar o fôlego. Inferno, eu estava perdida com a minha loucura.
–Você é um ser imaginário que eu criei, como que eu não posso estar acima de você? – Ele começou a rir, muito. – Quem disse que eu não posso, heim?
–Eu. — Ele chegou mais perto de mim, quase tocando os meus lábios. — Humanos não têm a mesma capacidade que os elfos. – Sua respiração estava tão próxima e tão quente.
–E por que você acha isso? – Falei ofegante e minhas pernas quase cedendo.
–Porque é a pura lógica. – Inclinou para falar em meu ouvido. — Nós somos mais fortes, mais ágeis e principalmente mais inteligentes que vocês. – Disse com aquela voz rouca e grossa e eu estava ardendo de raiva e alguma outra coisa, mas não sabia o que era.
–É a lógica do seu mundo. – Tentei me afastar empurrando-o, porém não o soltando. — Não acho que nós somos burros, fracos e lerdos. — Mostrei o dedo do meio e foda-se, ele estava me perturbando.
–Eu não disse isso, mas já que você falou, a maioria é. – E novamente deu de ombros.
–Então me diz senhor inteligente, como que eu te enxergo e como a Laura sumiu? — Levantei uma sobrancelha.
–A sua amiga deve ter sido sequestrada por um bando de canibais. — Ele zombou. – E você deu errado em algum momento quando Deus te criou. – Sorriu como o inferno e o diabo, me fazendo apertar mais o seu braço.
–E a sua vida piorou no dia em que me conheceu. — Respondi furiosa, fechando a outra mão para socá-lo e o fiz.
–Pode-se dizer que sim. — Ele estava segurando a minha mão, suposta a acertar o seu rosto.
–Argh! — Fiquei frustrada e pisei em seu pé com força. — Você não está ajudando em nada!
–Porque eu não sei onde ela está. – O tom dele era sério. — Provavelmente virou um monstro ou foi comida pelos demônios. – Disse sinceramente sério, sem o tom sarcástico.
–Não, ela não foi. – Encarei seu rosto frio, sem desviar os olhos. Era meio que um desafio.
–Como você sabe? – Foi uma pergunta simples e inofensiva, vindo dele...
–Porque eu sinto, aqui. — Apontei para o meu coração, confirmando tudo quanta coisa incompreensível. — Ela está morta, mas não foi comida por demônios ou virou um bicho.
–E o seu coração virou uma bola de cristal por acaso? – Seu sarcasmo atingiu um ponto fraco no qual eu não estava preparada para responder.
–Não, ele virou pedra e por isso que eu não sinto nada. – Sorri como uma víbora. – Nada, nem um afeto, nem mesmo pelos meus parentes se eu tivesse algum.
O clima ficou tenso, eu segurando o braço dele e ele sem dizer nada até o Nate voltar. Nós ficamos nos encarando por um bom tempo.
–O humano voltou. – Ele desviou os olhos para a porta. — Quer que eu vá?
–Não. – Falei rapidamente. — Você fica e faz com que o Nate te veja. – Ordenei.
–Você só pode estar brincando. – Duvidou não acreditando no que ouviu.
–O quê? Você não consegue?
–É claro que eu consigo. – Falou normal, típico de Keith, todo orgulhoso.
–Então faz. Desbloqueie a visão do Nate e faça com que ele te enxergue. – À vezes, eu chegava a ser uma Cleópatra de tão autoritária e mandona que eu era. Enfim, eu não me importava.
– Por que eu iria fazer uma coisa dessas? – Retrucou, soltando o seu braço da minha mão.
–Porque você é um elfo bom e gosta de ajudar uma humana. – Tentei ser meiga e convincente. — Não foi isso o que você disse?
–Sim, sou um elfo muito bom, mas não sou idiota. – Sorriu. – E nem gosto tanto de humanos para falar a verdade, o que eu ganho com ele me vendo? – Cruzou os braços.
–Umm... – Pensei um pouco e uma ideia surgiu como bomba. – Um beijo? – Falei. Até parece que eu ia fazer isso. Há. Não mesmo!
–Vamos pensar. — Ele pôs a mão no queixo. — Tudo bem, vai ser interessante. – E deu a mão para eu apertar, como um acordo. Eu o apertei e ele sorriu.
Nós fomos até a porta, quando o Nate a abriu. O Nate ficou a alguns metros de mim enquanto o Keith andava até ele, depois colocou a mão na cabeça do Nate e começou a falar algumas palavras em uma língua desconhecida. Quando o Keith terminou o seu ritual, o Nate parecia estar com dor de cabeça e foi se ajoelhando, até se sentar no chão e ficar estável após um tempo. Ele me olhou confuso e depois olhou para o Keith.
–Quem é ele? – Perguntou olhando para o Keith e depois para mim.
–Esse é o Keith. Um el... – Não terminei de falar porque o elfo me agarrou e me beijou. Beijou mesmo, era um intenso e longo beijo, parecia um vício e foi ficando cada vez mais doce até ele me soltar.
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