The Last Tear
13 Capítulo 11 - Confusa Revisado
–Mãe, anda logo! — Gritei para ela se apressar. — Por que você vai levar tudo isso?! — Falei incrédula, ligando o motor enquanto ela jogava uma mala enorme cheia de armas. É claro, era todo tipo de arma que um elfo usaria. Facas, arcos, flechas, lanças, soco inglês e uma... Espada? Santo Deus! Eu não estava gostando disso, na verdade, eu não estava gostando de nada! Enfrentar bestas com essas coisas já era quase impossível, ainda mais com a minha mãe?! Pronto, o mundo virou de cabeça para baixo ou eu estava no inferno. Eu poderia ter uma pistola, pelo menos seria mais útil do que um monte de espadas e arcos da idade da pedra.
–Você ainda está com a adaga?
–Sim, por quê? — O portão da garagem se abria e ela encarava o nada, pensativa.
–Segure e não a solte. — Ela mandou, puxando a adaga do meu bolso e fazendo com que eu a segurasse firme. — Quando eu der o sinal você vai dizer "Lux" e enfiá-la no que vai nos atacar.
–Certo, mas o quê vai nos atacar e por quê? — Perguntei e ganhei um sorriso da mulher sentada ao meu lado, para a minha desgraça. Eu acho que eu já estava morta, só que eu não tinha percebido até agora.
–Você vai ver, é só esperar. — Ela estava gostando da cara que eu estava fazendo agora, totalmente confusa e perdida.
Eu sabia, ela não era a minha mãe. Minha mãe nunca daria um sorriso como esses, se divertindo da situação.
–Santo Deus, quem é você? — Murmurei baixo, esperando o portão se abrir, finalmente.
–Ele me despertou. — Ela sorriu e eu a olhei incerta.
Engatei na primeira e saímos da garagem, quando um lobo enorme saltou no carro e...!
–P*** Q** P****!! — Gritei acelerando, quase batendo em alguma coisa. — E agora?! — Perguntei para ela, que estava procurando alguma coisa na bolsa, mas o demônio ou o filho da merda, para ser mais sincera, tentou entrar pela janela e quase que arrancou a minha orelha.
–Agora, Kate! — Ela disse atirando uma adaga no maldito bicho, que não fez grande diferença e a fez ficar mais brava.
–Lux! — A adaga que eu segurava brilhou e eu a finquei bem no crânio do animal, que explodiu, virando pó.
Uma força incrível estava percorrendo o meu corpo e passava uma ternura, um calor que eu nunca havia sentido antes na minha vida. A força e a energia da adaga era magnífico, dave-me uma autoconfiança incapaz de fazer os arrepios pararem e a sensação de proteção continuava em volta de mim como se alguém estivesse me protegendo.
–Você está bem? — Minha mãe me olhou preocupada enquanto eu encarava a adaga que continuava brilhando,cheia de sangue, sangue preto.
–Sim, estou ótima. — Ergui o meu rosto confiante. — Como que...Como que eu fiz isso? — Gaguejei.
–Você fez porque você tem o poder, filha. — Ela sorriu.
–Você também consegue fazer isso? — Perguntei. — Sentir isso?
–Sim, todos os elfos conseguem. Mas você, você é diferente. Seu poder é maior, mais forte. — Seus olhos estavam vibrantes e demonstravam ... Orgulho? — É melhor nos apressarmos ou mais criaturas vão aparecer.
–Para onde? — Olhei ao redor, analisando o que fazer. — Para onde nós vamos?
–Nós vamos nos encontrar com os outros. — Ela estava séria. — Você vai me levar até eles, até os outros elfos.
O portão estava o mesmo de quando saí. Não tinha nada de diferente. Estava calmo e o prédio também, não tinha nada de suspeito como uma briga ou uma perseguição.
–Como era a frase mesmo? — Eu estava tentando lembrar o que o Keith havia falado. — Liberte, liberta..."libertas" o que, merda?!
–Libertas? — Minha mãe perguntou, pensativa. — Libertas quae sera tamen?
–Isso! — Afirmei. — É isso! Como você sabe?!
–Deduzi. — Ela deu de ombros, pondo as mãos nas barras de prata e depois repetindo a frase. — Libertas quae sera tamen!
O portão se abriu como quando o keith lançou o feitiço, então nós entramos.
–Humana? — Keith me chamou, aparecendo do nada bem na minha frente.
–Quem é você?! — Minha mãe avançou rapidamente, segurando a adaga bem no pescoço dele, enquanto que ele sorria.
–Sou um guardião, mas pode se referir a mim como Deus, certo humana? — O elfo sorriu malicioso e com um olhar cauteloso. — Pode tirar isso de mim? — Ele perguntou apontando para a adaga.
–Ele não é uma ameaça, mãe. — Eu sorri achando isso muito divertido. Ela abaixou lentamente a adaga e a guardou no bolso da calça estilo militar. — O que você está fazendo aqui? — Direcionei a pergunta ao elfo, que olhava a minha mãe com um interesse curioso e ela o encarava séria.
–Não, o que vocês estão fazendo aqui? — Ele levantou uma sobrancelha e cruzou os braços no peito. — Pensei que você nunca mais voltaria aqui, minha cara Julieta. Quanto tempo, heim? — Ele sorriu e sussurrou. — Esse lugar é a nossa casa e só os elfos podem abrir o portão, então como conseguiram entrar?
–Bom, eu vim dar boas notícias! — Fingi estar empolgada.
–Fora que uma mulher tentou me matar? — Ele enfatizou o "tentar". — E bom, ela não conseguiria. Desculpa. — Olhou para a minha mãe e sorriu.
–Olha, criança, sou mais velha que você e te mato em um segundo se eu quiser. — Minha mãe deu um passo até o Keith e ela o impediu de falar quando ele abriu a boca. — Nunca te ensinaram a respeitar os mais velhos?
– Ensinaram-me a respeitar os elfos e não os humanos. — Keith respondeu.
–Então é melhor você começar a aprender rápido, criança. — Eu nunca a vi ameaçar alguém como havia feito com o Keith. Isso era hilário.
–Respeitar os humanos, por que eu faria isso? — Keith deu de ombros.
–Eu fui humana e na sociedade dos humanos eles têm mais respeito uns com os outros do que na sociedade dos elfos.
–Ah, claro. Se você não é humana, o que você é agora minha senhora?
–Eu sou igual a você, uma elfa. — Ela disse completando. — E ela é uma de nós. — Apontou para mim.
–Mãe?! — Tudo estava dando um nó na minha cabeça. — Por que no inferno você é uma elfa e eu também sou uma de vocês?!
–Eu fui enquanto eu não tive as memórias. — Ela me olhou com um rosto triste. — E você, você nunca foi humana, mesmo não tendo as memórias.
–Que memórias?!
–As memórias de um elfo, as memórias que fazem de nós elfos, que tínhamos antes de sermos perseguidas. — Ela dizia. — A visão, o conhecimento e as línguas foram todas "apagadas" enquanto nós éramos humanas.
–Quem as apagou? — Keith perguntou.
–Os anjos. — Ela respondeu e ele franziu a testa.
–Por quê?! Por que eles apagaram as nossas memórias?! Que mal nós fizemos?! — Perguntei. — E por que os anjos apareceriam na merda da Terra?
–Não sei, a única coisa que posso dizer é que você é uma mestiça. — Ela disse e eu fiquei mais confusa ainda. — Você é metade anjo e metade elfa.
–Calma, eu sou um anjo e uma elfa?! — E comecei a rir... — Você está brincando comigo, mulher?! Eu nem sei mais se você é minha mãe...!
Essa era a coisa mais ridícula do mundo. Ou eu estava sonhando ou eu estava morta, certeza. Como que isso foi acontecer?! Antes eu era uma humana, depois um anjo e agora eu sou uma elfa? Mas que porra é essa?!
–Sim, você é um anjo no corpo de uma elfa. — Ela disse e nem eu ou o Keith estávamos entendendo, mas então ele começou a rir.
–Qual é a graça? — Perguntei encarando-o.
–Nenhuma, só o fato de você não ter o espírito, muito menos o jeito de um anjo. — Ele sorriu.
–Ótimo, pelo menos alguém está achando graça em toda essa situação e para a sua informação, você não pode mais me chamar de ''humana''. — Sorri. — Idiota.
–Quem disse? Você ainda continua sendo humana para mim. — Ele estava me olhando de um jeito diferente, como que apreciando um brinquedo novo. — Completamente e essencialmente humana.
–Onde está o encarregado daqui? — Minha mãe interrompeu, perguntando ao Keith e apontando para o prédio.
–Ela não está. Só volta amanhã. — Ele disse, seguindo para a porta de entrada, enquanto ficávamos paradas. — Vocês vão entrar ou vão ficar aí a noite toda? — Olhou para trás e depois voltou a andar.
Eu e a minha mãe nos encaramos e eu já estava me acostumando com a arrogância do Keith. Dei de ombros e o segui até a entrada.
Primeiro nós passamos pela sala de estar que era bem arquitetada, com móveis lindos e uma decoração incrível com cores bem diferentes, alegre, o que chamou a minha atenção. Mas, o quadro que estava pendurado na parede, ao lado do elevador, foi o que mais me atraiu. Eram dois anjos, de sexos opostos e eles estavam caindo, literalmente caindo, como se suas asas tivessem feridas e os dois estavam caindo, um suportando o outro, de mãos dadas, como amantes.
–Que lindo. — Falei sem perceber que lágrimas começaram a escorrer dos meus olhos. Era estranho, porque eu não estava sentindo nada, literalmente nada, nada o suficiente para que lágrimas começassem a escorrer no meu rosto. Era muito estranho.
–Você está bem? — Minha mãe perguntou, colocando a mão no meu ombro, que eu evitei o contato me virando e enxugando as lágrimas.
–Sim, estou. — Entrei logo no elevador, antes que o Keith visse meus olhos, que provavelmente estavam um pouco avermelhados.
O elevador podia ser normal se não fosse pelas grades de prata ao invés de uma porta normal. E quando digo normal, são aquelas de elevadores comuns, que deslizam ao modo de sensor e não grades que precisam ser empurradas para abrirem.
–Bom, o que vamos fazer? — Perguntei quando o elevador parou e estávamos no corredor dos quartos.
–Nada. — Keith disse em frente à sua porta. — Vamos dormir, porque não estou com paciência para ficar cuidando de você a essa hora. — Ele bocejou e me mostrou o relógio de pulso que marcava 5:00 horas.
–Sim, ele está certo Kate. — Minha mãe me deu um beijo no rosto e disse boa noite. Que droga tinha acontecido com ela? Desde quando ela era tãoooo carinhosa? — Onde eu posso dormir? — Perguntou ao Keith, que apontou para a porta ao lado da minha.
Ela entrou no quarto e depois fechou a porta.
Quando o Keith estava se virando, segurei o seu braço impedindo-o de entrar e o levei até o meu quarto.
–O que foi agora? — Ele me olhou cansado.
–Preciso conversar com você.
–Você pode me soltar, eu não vou fugir. — Ele sorriu indicando a minha mão segurando a sua e eu o larguei rapidamente, reparando em seus braços se cruzando no peito. Ele era forte e isso me lembrava a cena de quando ele me carregou no hospital como se eu fosse uma pena. Eu corei. Como que ele podia ser tão forte e Deus, seu corpo era perfeito! — Kate, você não queria conversar comigo? — Sorriu atrevido, percebendo que eu reparara em seu corpo.
–Ah sim, isso! — Eu me atrapalhei e ele deu um sorriso de lado. — Bom, ahn... É a minha mãe.
–O que tem ela? — Pareceu entediado e bocejou, recostando-se na porta.
–Eu não sei, ela está estranha. — Comecei a andar de um lado para o outro, pensativa. — Ela tem agido de um modo estranho desde que eu a encontrei quando voltei para casa. — Fiquei pensativa.
–Como, estranha? — Ele perguntou e eu parei de andar, encarando-o.
–Está parecendo uma mãe! — Fiquei inconformada com as palavras que saíram da minha boca e continuei a andar, de um lado para o outro. Ele me fez parar, segurando o meu braço.
–Você está me irritando, andando de lá para cá. — Ele me soltou e passou a mão nos cabelos, exausto. — Desde quando uma mãe é estranha por agir como uma mãe?
–Bom, desde que eu nasci e a minha mãe virou realmente uma mãe. — Ele me olhou confuso. — Enfim, minha mãe NUNCA foi carinhosa. Bom, até agora.
–Olha, eu não sei qual era a sua relação com ela e eu estou pouco me importando. — Ele disse. — Mas, ela mudou por quê? — Pensei na pergunta.
–Porque, talvez, ela recuperou as memórias e virou uma elfa...? — Não sabia se eu estava respondendo ou perguntando.
–Talvez. — Ele disse. — É melhor você conversar com ela e não comigo.
–Ótimo. — Falei mais para mim do que para ele. Como que eu conversaria com a minha mãe sobre ela ter virado uma mãe? "Mãe, você está estranha e precisa me explicar, o que aconteceu com você?" Era isso o que eu iria falar? Bosta, isso não estava dando em nada.
–É melhor você ir dormir, boa noite. — Keith falou abrindo a porta para ele poder sair.
–Não, espera! Eu tenho mais uma pergunta! — Puxei seu braço para que ele fechasse a porta.
–Olha, eu não sou a "central de dúvidas" e estou morrendo de sono. — Respondeu. — São 5:00 da manhã e eu tenho um trabalho, Kate. Salvar o mundo, lembra? Eu preciso dormir e não tenho tempo para ficar cuidando de crianças agora.
–Eu sei, mas eu preciso conversar com alguém. — Eu estava tentando, ao menos um pouco, fazer com que ele ficasse e eu pudesse encontrar alguma resposta para todas as minhas perguntas. Mas, não deu certo e o Keith levantou a sobrancelha, com uma cara de quem não estava com paciência.
–Não. Você precisa dormir, assim como eu. — Em um movimento só ele me levantou e me carregou até a cama. "Deus, como ele podia ser assim? Ele tinha um corpo perfeito, mas para a infelicidade da minha imaginação elfos não eram perfeitos", pensei enquanto ele me colocava na cama, deixando seus braços fortes fora do meu alcance.
–Como consegue? — Falei sem pensar.
–Consigo, o quê? — Ele me olhou sem paciência para ficar me escutando.
–Como consegue ser tão arrogante? — Sorri, depois ri do comentário. Ele me deu um olhar divertido, achando graça na minha pergunta.
–É a coisa mais fácil do mundo, principalmente quando se faz isto. — Ele se curvou e tocou os meus lábios com os seus. Foi um movimento rápido, mas eu quis mais quando eles se afastaram. Eu me aproximei para beijá-lo, agarrei o seu pescoço e pedi por mais. Eu não quis parar e nem ele, foi ficando cada vez mais difícil para ele ir. Era intenso e ele me agarrou ficando sobre mim. Nós estávamos perdendo o controle e Deus sabia que um de nós tinha que parar. Foi ele quem tomou a iniciativa se afastando.
–Boa noite, humana. — Disse frio e sem se virar para me olhar.
–Boa noite. — Falei sorrindo como uma adolescente boba, mas foi até ele abrir a porta e eu ver ele limpando a boca, parecendo estar com nojo de ter me beijado e estar desinfetando-a.
A porta se fechou e eu fiquei puta, incrédula e por um segundo eu achei... Ah foda-se! Mas que merda foi aquela?! Ele estava com nojo de mim?!
–Filho da mãe! — Gritei, depois joguei o travesseiro na porta com raiva.
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