The Last Tear

12 Capítulo 10 - Cansada Revisado


Eu estava nervosa, ao ponto de quebrar tudo, exatamente tudo. Até o portão que estava na minha frente.
Perai, tinha um portão na minha frente? E Como que eu vim parar em um jardim estranho, simplesmente bizarro e com um portão enorme?
–Droga! De novo eu não estava prestando atenção para onde eu estava indo! — Gritei. — Olha o que me dá ficar perdendo a cabeça com aquele elfo idiota! "Você vai ter que me ouvir'' uma merda! — Eu o imitei, inconformada com aquilo. Ele não tinha o direito de falar comigo daquele jeito, muito menos porque foi eu quem ganhou a aposta e não ele! Quem ele pensa que é para ficar me dando ordens? ORDENS?! VÁ PARA A MERDA!
Eu precisava fazer alguma coisa e rápido, antes que alguém me encontrasse e mandasse eu ficar nesse inferno sem nenhuma alma normal. Eu estava de saco cheio com tudo e com todos, principalmente agora com esse portão ridículo que impedia a minha liberdade. A rua estava logo ali, se eu saísse da área protegida por "Deus".
Ótimo, a porra do brinquedo prata e brilhante não abria, não tinha fechadura e nem buraco para pôr uma chave. Como que se abria uma coisa dessas? Chutar? Não, eu já tentei. Fazer macumba? Não, se eu gritasse pelo Keith ele provavelmente apareceria e estragaria a minha fuga.
É, eu estava tentando abrir um portão que só precisava puxar, puxar. Nada. Ele nem se movia, não fazia nenhum som e isso era ridículo.
–Dá para me explicar mais alguma coisa que eu ainda não saiba? — Olhei para o céu, com a esperança de que "Deus" talvez me respondesse o porquê do portão não abrir sem ao menos ter um cadeado ou alguma fechadura.
Depois que ninguém me respondeu, como eu imaginava, tentei subir nas grades do portão, que não eram nada fáceis, porque ele era enorme, mas não tinha espaço o suficiente para pôr o pé no espaço entre as grades. É, mas não tinha outro jeito a não ser atravessando o portão por cima.
Eu ouvi o riso do Keith enquanto subia de pouco em pouco aquela desgraça.
–Você quer uma ajuda ou prefere que eu abra o portão? — Ele perguntou rindo. Aquilo me dava nos nervos mesmo eu não podendo olhá-lo, eu sabia que ele estava com aquele sorriso de "eu sei que você quer a minha ajuda, então peça logo".
–Não precisa, eu me viro sozinha. — Respondi sem olhá-lo, porque senão eu cairia.
–Tem certeza, Julieta? — Ele riu, então eu tive que encará-lo.
–Claro meu Romeu! — Afirmei gritando. De onde ele tirava essas coisas? — Romeu uma merda. Ele se achava muito engraçado sendo um rei sem um reino e se sentindo o gostoso. Foda-se. — Murmurei.
–Cuidado para não cair ou o seu lindo rostinho vai virar uma bosta, minha cara JULIETA! — Isso era uma macumba, certeza.
–Não me digas ROMEU, pois " eu te amo" mas não ao ponto de cair! — Fingi um drama. — Faça à sua linda Julieta o favor de calar-se enquanto ela te deixa para viver até envelhecer e morrer!
Ele riu até não aguentar mais e eu já estava na merda com a estúpida atuação, então subi apressadamente e fiquei sem fôlego. Minha mão começou a suar e eu deslizei, perdendo o equilíbrio e me soltando das barras de prata. Senti que era melhor morrer do que ficar nesse inferno quando me soltei do portão, mas o keith apareceu do nada e me pegou, antes de eu cair.
–"O ouvido humano é surdo aos conselhos e agudo aos elogios." — Keith falou, me segurando. — Muito bom, humana. Quase perde mais neurônios do que jamais teve. — Ele sorriu.
–Me solta. — Falei. Ele estava fazendo uma cara de "você não vai me agradecer?" — Agora. — Ordenei.
–Tudo bem. — Ele me jogou como se eu fosse um saco de batatas, sendo livre das costas,mas seria dos braços nessa ocasião. Eu bati minhas nádegas no chão e quase que o xinguei, mas não o fiz, pisei no pé dele.
–Tem como você abrir a droga do portão? — Perguntei franzindo o cenho quando levantei e ele me encarou sorrindo vitorioso.
–É claro que tem. Mas, por que que você quer ir embora?
–Porque é melhor eu começar a procurar a Laura sozinha do que ficar esperando a ajuda de um jegue que quer me dar ordens, sabe? Fora os amigos desse elfo que são mais anormais que ele, principalmente porque jogam uma faca envenenada sem nenhum motivo. — Respondi com um sorriso falso.
–Esse ELFO deve ser muito gentil, sexy, intelligênte, gato e muito forte para ajudar uma humana. — Ele disse sorrindo.
Céus! Eu só não estava mais inconformada comigo mesma para pedir ajuda ao idiota na minha frente porque seria a morte; e ao invés de socá-lo, eu descontei minha raiva no portão, que deixou minha mão com um belo de um sangramento.
–Você vai abrir o portão ou eu vou precisar ficar socando-o até que abra? — Eu estava me referindo a ambos quando disse "socar", tanto para o portão quanto para o Keith.
–Humana, vamos deixar uma coisa clara. Você pode ir, mas a sua segurança está aqui dentro. Depois não diga que eu não avisei. — Ele limpou as mãos como se houvesse poeira nela e deu de ombros.
–Olha, ELFO. Eu tenho um nome e eu não gosto de ficar repetindo toda santa vez que a sua amnésia aparece. Eu me chamo Kate Maureen e em primeiro lugar, não recebo ordens. Em segundo lugar, eu sei me cuidar muito bem. — Peguei a faca que estava em seu bolso. — Vou ficar com isso, obrigada.
–Pode ficar, mas duvido que você consiga usá-la direito. — Ele deu um sorriso de lado.
–Eu consigo e você já pode fazer a sua macumba com a merda do portão dos Deuses e Demônios, porque eu já me cansei de você e desse lugar e eu acho que já é a hora para eu ir embora.
–Tudo bem, sua vida, sua cabeça. — Ele falou, depois deu de ombros, pondo a mão nas grades e dizendo. — Libertas quae sera tamen!
O portão começou a se abrir lentamente e sozinho, sem que alguém precisasse puxá-lo ou chutá-lo.
–Ótimo! Você fala poucas palavras e essa coisa se abre, já eu tenho que socar para tentar abrí-lo. — Esse mundo era ridículo. Onde eu fui me meter? — O que você disse?
–Eu não disse nada. — Ele respondeu.
–Não. O que você falou para abrir o portão?
–"Libertas quae sera tamen"? — Ele me olhou incerto e eu fiz que sim com a cabeça. — É um passe para o portão se abrir. "Liberdade ainda que tardia". Só nós, elfos, conseguimos abri-lo. Nenhuma outra pessoa ou demônio consegue entrar neste lugar, mesmo falando a frase certa.
–Até mais, elfo... — Eu me despedi, sentindo que seria a última vez que o veria, graças a Deus!
Atravessei o portão, seguindo até a calçada. Olhei para trás para ver se ele ainda estava lá e descobri que não tinha nada naquele lugar. Não tinha nada, literalmente nada. Era um terreno vazio. Parecia que eu estava sonhando e havia acordado só agora, parada na calçada. Mas não, eu não estava sonhando porque depois de um tempo eu consegui ajustar meus olhos e eu enxerguei. O keith estava encostado no portão e me olhando estranho. O prédio estava lá, inteirinho, como se existisse há muito tempo.
– Melhor sair daqui, esse lugar vai me deixar louca. — Murmurei andando rápido.

Finalmente eu estava em casa, depois de ter passado o maior sufoco pedindo dinheiro para algumas pessoas que passavam na rua. Ainda bem que sempre tinha uma alma burra que me dava dois ou três reais e eu finalmente consegui pegar o ônibus para casa.
–Essa foi a pior semana da minha vida. — Falei para mim mesma, sentada no sofá da sala, quando me dei conta de que eu não estava sozinha. Ouvi o som de alguma coisa se arrastando e fazendo barulho no andar de cima. — Mãe! Você está aí?! — Gritei.
Ninguém respondeu, mas o barulho ainda continuava. Parecia ser alguma coisa sendo jogada contra o chão e haviam passos.
Merda! Estão me roubando?!!
Fui logo para a cozinha pegar a faca de prata que o Keith havia me dado. Eu tinha deixado em cima da mesa da cozinha quando cheguei em casa. Depois de ter pego a faca, eu subi as escadas lentamente para não fazer barulho e alguma coisa se jogou em cima de mim e eu caí.
–Droga! — Eu me recompus e olhei para o que havia me acertado.- Mãe! — Eu gritei desesperada, porque ela estava toda machucada e segurando uma faca, igual a do Keith e parecida com a da Camila. Tinha escritas e um símbolo, o mesmo símbolo que eu havia visto nas facas e a que eu estava segurando agora.
–Kate,vai embora agora! — Ela oredenou se levantando e subindo as escadas.
–Mas, o que está... — Eu fiquei boquiaberta, não entendendo nada quando um lobo apareceu.
– Merda! — Ela disse, depois começou a descer as escadas.
Eu me levantei e a segui como um flash. Nós fomos até o banheiro, porque era o lugar mais seguro e o mais próximo de onde estávamos. O ''animal'' estava nos seguindo e nós entramos logo, trancando a porta do banheiro e ficando contra ela.
Minha mãe pegou um balde, depois colocou água e começou a falar em latim, pondo a mão na água. Eu só escutava os rosnados e as batidas na porta, uma pior que a outra, torcendo para que ela não se quebrasse.
–Pacem in terris. Pacem in terris. Pacem in terris! — Ela gritou e colocou a mão na porta, despejando o líquido. Ouvi um uivo, mas muito agudo mesmo e eu até tive que tapar os ouvidos e me ajoelhar de tanta dor.
–Pronto, pelo menos aqui nós estamos seguras. — Ela falou para mim, sentando-se na privada, depois que as batidas e o uivo se foram.
–O que está acontecendo?! — Eu estava estupefata. Como que ela tinha uma faca igual a do Keith e como que ela sabia latim?! — O que você fez com a minha mãe?! — Eu disse finalmente depois de pensar por um tempo. Era alguma coisa parecida com a minha mãe, tinha que ser. O corpo era o mesmo, mas ela estava diferente.
Ela começou a rir.
–Filha, ninguém fez nada comigo e como que você tem uma adaga?! — Eu não entendi de primeira, mas depois ela apontou para a minha mão no qual estava segurando a faca do Keith.
–Ah...Um elfo, ele me emprestou. — Eu sorri quando ela olhou espantada para mim.
–Você conheceu um elfo, como e quando?! — Ela se levantou, aflita.
–É uma longa história... — Eu não estava nem um pouco afim de contar os fatos e as perdas que eu tive nesses poucos dias.
–Você vai me contar. — Ótimo, outra pessoa me dando ordens. E depois completou. — Onde está esse elfo agora?
–Hmmm, deixa eu pensar...Na casa dele? — Eu sorri sarcástica. percebendo que ela não entendeu.
–Vamos até ele e depois nós conversamos, entendeu mocinha? — Ela disse no tom de "você vai ter que me contar cada detalhe". Quem era essa mulher? O que ela fez com a minha mãe?
–Droga! Mas como que nós vamos sair daqui com aquela coisa lá fora?!
–Nós vamos sair daqui, mas tudo depende se as palavras fizeram efeito.
–Ótimo, vamos nos suicidar então, mamãe. — Eu a provoquei, porque ela odiava quando eu a chamava de "mamãe".
–Eu não estou com brincadeiras, Kate. — Ela estava séria. — Você vai ter que lutar. Foi por isso que seu pai te treinou e por isso que ele te pôs no kung fu. — Ela olhou para baixo, com um rosto triste por mencionar meu pai.
–Eu fui preparada para lutar? — Perguntei. — Mas por qual motivo eu preciso lutar?
–Porque você foi abençoada. — Ela dizia com um rosto firme, não mostrando mais nenhum sinal de tristeza que havia em seu rosto.
–Abençoada por quem? Pelo Papa? — Eu ri. Só podia ser brincadeira. Não fazia sentido algum.
–Não, Kate. Por Deus. — Ela disse e eu ri mais ainda.
–Mãe, como que uma garota normal, bom, não tão normal assim, pode lutar contra essas coisas só porque foi abençoada? — Só o que me faltava, eu ser abençoada. Que Deus é esse? Eu não quero conhecê-lo, mesmo.
–Você não é normal. — Ela falou e parecia que uma agulha foi enfiada no meu coração. Fui rejeitada pela minha própria mãe, sendo chamada de estranha. — Você foi escolhida para proteger os humanos e lutar contra os filhos das trevas e os demônios, como nós, elfos.
–Como vocês quem?! — Eu estava estupefata, novamente. — Quão ridículo isso pode chegar?! Eu não sou sua filha?!
–Não, é claro que você é minha filha, isso você pode ter certeza. Você é minha filha. — Ela disse, apertando as minhas mãos. — Mas, você é alguém mais forte que os elfos. Mais importante.
–Como o quê? — Perguntei.
–Como um anjo. — Eu não estava acreditando em nada dessas baboseiras.
–Mãe, você está começando a ficar louca. — Eu recuei.
–Não, eu tenho provas, mas primeiro precisamos encontrar os outros elfos. — Ela disse, se direcionando para a porta. — Vamos ter que lutar.
–Ótimo, minha mãe é uma elfa e eu sou o quê? — Eu estava falando comigo mesma. — Uma coisa incerta e que provavelmente chamam de anjo. Essa é a piada mais sem graça que eu já ouvi em toda a minha vida. — Murmurei cansada.
–Vamos logo, Kate! — Ela gritou depois que abriu a porta e o lobo não estava mais lá.