The Last Tear
6 Capítulo 5 - Tormentada parte 2
Notas iniciais
Keith me soltou e eu o empurrei, quase caindo.
–Isso foi interessante. — Ele disse. Eu o olhei furiosa.
–Desculpa interromper. — O Nate estava em pé, parecia estar com raiva, cerrando os punhos. Se virou e foi direto para a porta, indo embora.
–Espera, Nate!! — Fui andando atrás dele, quando o Keith me segurou e eu olhei para trás. "Que isso, déjà vu??", pensei.
–Você não vai deixar esse lindo elfo sozinho, vai? — Keith falou, se entretendo.
–Se "lindo" você quer dizer "estúpido", então sim, você é um lindo elfo que vai ficar sozinho. — Falei, indignada em como ele estava se divertindo com isso e, tudo por causa dele.
–Certo. — Falou, levantando as mãos em forma de trégua, depois sorriu. Era um sorriso de matar, muito atraente. — Não demore, minha beleza tem limite.
–E a minha tem paciência. — Disse bufando. — Namore com você mesmo enquanto não chego.
–Não resisto a mim mesmo. — Disse e sorriu. Revirei os olhos.
Saí correndo para alcançar o Nate, antes do elevador chegar. Se é que ele já chegou.
O Nate estava entrando no elevador quando eu o puxei forte, e ele se desequilibrou, caindo em cima de mim.
–Você está louca?! — Falou se levantando e nem me ajudando.
–Eu pensava que sim, mas acho que não. — O olhei, tentado fazer uma cara de inocente. Não deu certo.
–O que você quer? — Perguntou, nem um pouco gentil. — Por que não está com o..."Keith"? — Tentou lembrar do nome.
–Porque ele adora flertar, com ele mesmo. — Respondi achando graça no comentário que fiz. O Nate não entendeu.
–O quê? — Perguntou com cara de entediado e depois completou. — Esquece, vou embora. Você já tem alguém tomando conta de você. — Ele começou a andar, mas o impedi, segurando o seu braço. Ele olhou para mim.
–Não, eu preciso da sua ajuda. — Falei. Eu precisava mesmo. Primeiro porque estava sem dinheiro, segundo porque eu precisava de alguém para me ajudar a encontrar a Laura, tirando o elfo que era muito convencido. E, terceiro, porque eu não tinha ninguém HUMANO para me ajudar nessas circunstâncias.
–Em que? — Eu ainda o segurava e senti ele ficar rígido, nervoso. — Tirar o homem que está no seu quarto?
–Não, isso eu consigo fazer sozinha. — Murmurei. — Você precisa me ajudar a encontrar a Laura, mas junto com o Keith, por favor! — Implorei.
–Kate, eu já disse, a polícia vai encontrá-la. — Ele me olhou cansado.
–Não, eles vão tentar, mas não a encontrarão. — Falei encarando meus pés, descalços.
–Por que você acha isso? — Ele perguntou, erguendo meu queixo para que eu o encarasse.
–Porque eles não encontrarão. O que a levou não é humano, isso eu posso ter certeza. — Falei encarando seus olhos. Eram um azul escuro, mais escuro que os do Keith, com certeza.
–Então o que a levou? — Perguntou sem se importar.
–Ah, era um pônei. Sabe, aqueles que falam. — O olhei irritada. — Eu não sei! Não faço a mínima ideia, senão já teria ido atrás da coisa né, Nate! — Eu explodi.
Nós ficamos um momento em silêncio, quando o Keith apareceu, atrás de mim.
–O que aconteceu? — Ele perguntou, se encostando na parede e cruzando os braços. — Alguém morreu?
–Morreu e eu não a encontrei, ainda. — Revirei os olhos. — O que você está fazendo aqui, não era para esperar no quarto?
–Eu esperei, mas você demorou então resolvi te chamar, porque me namorar começou a me entediar. — Ele disse. — Sabe, às vezes é difícil conversar com alguém muito bonito por muito tempo.
–É, eu entendo. Eu penso isso toda vez que te encontro. — Ele riu. — Esse é o Nate. — Falei, apresentando-o.
–Ótimo, mais um humano na minha vida. — Keith disse, não gostando nem um pouco. — Só que esse eu não vou precisar beijar. — Ele começou a provocar o Nate e, deu certo. O Nate me puxou para o seu lado.
–Eu não sei como você aguenta ele. — Nate falou, apontando para o Keith.
–Eu me pergunto a mesma coisa. — Sorri para descontrair o clima entre os dois.
– Por que pediu para que eu desbloqueasse a "visão" dele? — Keith perguntou, apontando para o Nate.
–Porque os dois vão me ajudar. — Falei.
–Certo — Nate disse.
–Não, eu já te ajudei demais. — Keith falou. — Sou um elfo muito ocupado para brincar de caça ao tesouro.
–Ahh... E que o faz tão ocupado? — Falei duvidando.
–É aquela coisa, caçar um bicho ali, outro demônio aqui, sair correndo atrás dos filhos das trevas. Nada de importante, só salvar vocês, humanos. — Respondeu indiferente..
–Não vai mudar muita coisa, me ajudar só um pouco, certo? — Tentei convencê-lo.
–Pensando melhor, não. Não muda, mas eu não estou com vontade. E, o que eu fiz até agora, eu nunca fiz para um humano. Você pode se sentir lisonjeada por eu ter feito o que fiz por você. — Ele deu um sorriso. — Pode, começando agora. — Ordenou.
–Olha, eu agradeço muito. Mas, eu preciso da sua ajuda. — Eu estava quase implorando, algo que seria difícil eu fazer.
–Pode esquecendo. — Ele riu. — Isso não me convenceu, mas se você tentar ou propor algo, posso até pensar. — Droga, esse elfo não vai me ajudar nem se eu beijar seus pés.
–Deixa, Kate. — Nate falou, me segurando. — Nós a encontraremos, sem a ajuda dele. — Disse ríspido.
Eu pensava a mesma coisa, a algum tempo atrás, antes de perceber que nesse novo ''mundo'' ,no qual vejo agora, é muito diferente do meu e eu só conhecia o Keith, desse "mundo", que acabou me ajudando. E, que agora não está afim de me ajudar, em um momento trágico.
Eu larguei a mão do Nate e andei até o Keith, o que não foi muito, só alguns passos.
Fiquei de frente para ele e peguei a gola de sua camiseta preta, fazendo-o abaixar.
–Olha, meu amigo, eu te agradeço muito. — Susurrei em seu ouvido. — Mas, você não está me ajudando. — Falei, depois levantei a perna, acertando seu estômago, com força.
–Duas vezes não, humana. — Ele disse. Então vi, não o acertei. Ele tinha posto o braço para se defender.
–Droga. — Falei e ele sorriu. "Não tinha outra jeito, então." Pensei.
Eu sabia que me arrependeria de fazer, o que iria fazer agora.
–Desculpa, Nate. — Falei, me virando para olhá-lo, depois me virei para o keith.
Eu me aproximei dele até sentir seus lábios tocando os meus, ele ficou surpreso, depois não consegui me controlar e me aprofundei mais no beijo, colocando os braços em torno de seu pescoço e o puxando para perto de mim. Ele correspondeu, colocando as mãos em minha cintura e me puxando para ficar junto dele. Eu me perdia por completo quando o beijava, parecia ser uma droga, você não consegue parar. Era maravilhoso, algo que eu nunca tinha provado antes, o beijo de um elfo. Ou ele beijava muitooo bem ou era algo mágico, vindo dos céus. Eu sabia, ele também não conseguia se controlar, quando me jogou na parede e me fez ficar encurralada com seu corpo contra o meu, ainda me beijando.
Nós estávamos um bom tempo nos beijando, até que eu lembrei do Nate. Merda, o Nate estava vendo. Me afastei do Keith,empurrando-o.
–O que? — Ele perguntou, ofegante. — Te machuquei?
–Não. — Respondi, saindo de perto dele.
Olhei no corredor, procurando o Nate. Mas, nada. Ele não estava lá. Devia ter ido embora, depois de eu ter feito aquilo, bem na sua frente.
–Argh!!! — Eu me arrependi, olhando para o Keith. — Agora com certeza vai me ajudar, certo?! — Disse, mais afirmando do que perguntando.
–É justo. — Ele pensou e, sorriu.
Eu não achei graça nenhuma para ele sorrir.
– "É justo"? — Falei, imitando-o. Eu estava nervosa, comigo mesma, por ter feito o que fiz, na frente do Nate e, estava descontando tudo no Keith. — Essa é a sua resposta, depois do que aconteceu?
–É. Você quer que eu diga "não" ? — Falou nem ligando para o meu estresse. — Foi você quem me beijou e eu não propus nada, então é justo. — Ele estava encostado na parede.
Ai, meu deus! Algum dia vou perder a calma e matar esse elfo, tenho certeza.
–Certo. — Falei, colocando a mão na cabeça. — Fique calma. — Eu estava falando para mim mesma.
–Humana, você tem problema. — Ele riu. Eu o olhei com raiva.
–Elfo, eu não me chamo Humana. É Kate, ok? — Eu estava agressiva agora. — Será que o meu nome é tão difícil para você gravar? E, eu tenho muitos problemas, então é melhor você não ser um deles. — Eu estava com a cabeça doendo, provavelmente por não ter comido nada desde a hora em que acordei.
–Tudo bem, estressada. — E levantou as mãos para o alto, se desencostando da parede — Eu vou embora e depois venho te ver, uma hora em que você estiver mais calma.
–É, vai embora. — Falei com a voz trêmula. — Como todos os outros, nunca mais volte. — Senti lágrimas escorrendo em meu rosto e comecei a chorar. Será que era pela perda da Laura, ou pelo Nate ter ido embora? Ou, por ter sido eu quem estava dirigindo o carro? Ou, por não ter encontrado a Laura ainda? Não, era tudo, tudo, até a morte do meu pai. Tudo estava acumulado em meu coração e só faltava algo, um único pensamento para fazer todos aqueles sentimentos guardados, saírem de uma vez . "Eles me abandonaram".
Aquele elfo, na minha frente, em vez de ir embora, caminhou até mim e me abraçou, dizendo:
–Tudo bem, está tudo bem, eu não te abandonei. — Era reconfortante, alguém dizer isso para você, uma resposta que só você gostaria de ouvir. Eu só ouvia isso do meu pai, mais ninguém, nem a minha mãe nunca falou isso para mim e, após a morte dele, eu nunca chorei até então.
–Boa Noite, Kate. — Keith disse, escrevendo algo em minha testa com os dedos, depois me beijou. Senti seus lábios tocarem o local em que ele havia escrito.
Meus olhos começaram a se fechar, sem que eu os mandassem e, apaguei.
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