The Last Rebel

20 I’ve Seen Enough


Notas iniciais
Gente, desculpem a demora... andei meio sem tempo... tá curtinho mas tá polêmico!

Charlie escutou a campainha e seguiu até a porta. Neville estava com ele. Conversavam sobre as estratégias a serem tomadas na audiência. Ao abrir, exclamou:

- Demorou, poxa vida!

Deixou sua visita entrar. Continuou a tentar entender o que aquela pessoa tinha tanto para lhe falar:

- Eu espero que essa sua surpresa seja realmente impactante e me ajude... Já estou esperando por isso há cinco dias.

- Os voos atrasaram. Estava nevando. Por isso demorei.

Neville chegou à sala e nada falou. Ficou a aguardar que a visita se manifestasse.

- Bom... Então o que você tem de tão importante para mim?

Caroline se virou e fitou Charlie com um olhar dissimulado. Ele soube, nesse instante, que não poderia confiar inteiramente naquela mulher.

- Como você deve estar sabendo, a caipira irritante está gravando um novo álbum, com uma banda de formação totalmente diferente.

- Sim... Isso é o que a imprensa diz. E o que você tem a ver com isso?

- Você não me conhece porque eu sempre permaneci anônima. Mas sou ex-mulher de Keifer.

Charlie sorriu. Caroline continuou:

- E você tá sabendo que ele é quem está tentando reerguer a carreira dela, não sabe?

- Até agora nenhuma novidade. Quando é que vou escutar algo inédito? – Charlie foi irônico.

- Então olhe isso! – Caroline estendeu a mão, que segurava um pequeno pen drive – Veja com seus próprios olhos, tire suas próprias conclusões.

Charlie pegou o objeto e dirigiu-se ao escritório da mansão localizada em Los Angeles. Conectou o dispositivo USB no computador, que já estava ligado. Uma pasta se abriu automaticamente, mostrando que havia somente um arquivo de vídeo.

- É um vídeo? – Ele confirmou com Caroline, que o seguiu e estava atrás dele.

- Isso mesmo. Assista.

O jovem executou o arquivo. As primeiras imagens eram de Tom e Mary Ann chegando à residência do compositor e entrando. Depois, outra imagem dos dois saindo de lá, no carro de Tom. E esses eventos se repetiam muitas vezes.

- Tá... O que tem de errado nisso? – Charlie perguntou.

- Espere e você vai ver... – Caroline sorriu.

Até que uma imagem, captada com uma super câmera, numa noite, revelou o que Charlie não esperava. Por um pequeno vão entre a neve que se acumulava no vitral, foi possível ver Tom e Mary Ann se beijando, depois ele a despindo.

- Ah... Mas o que significa isso?

Neville sorriu. Caroline ironizou:

- Oras... Beijo de amigos... Amigos também brincam de médico... Interessante né?

- Ele e ela... – Charlie não desgrudava os olhos da tela do computador.

- Isso mesmo... O compositor velho e acabado está deflorando a jovem cantora caipira... Não é lindo isso?

Charlie sentiu um ódio imenso. Pelo que podia ver no vídeo, Mary Ann nunca se entregara a ele como fazia com Tom. E, além da sensação de macho ferido, percebia que tudo estava ótimo com sua ex-mulher e que, aparentemente, ela estava bem, feliz, e reconstruindo sua vida, pois outras imagens de Tom e Mary Ann saindo da casa revelavam um sorriso constante no rosto da moça.

- Filha da puta... – Exclamou, com o orgulho abalado.

- Mas agora não é hora de ter ciúme, garoto! – Caroline disse – Agora a hora é de pensar em como usar isso contra ela... Não acha?

- E tenho a impressão de que isso vai ajudar muito! – Neville se manifestou – Se levarmos isso ao juiz, provavelmente o testemunho dele será considerado inválido. Uma testemunha se envolvendo amorosamente com uma ré. Perfeito!

Só após Neville comentar o fato Charlie entendeu tudo.

- Claro! Como eu não pensei nisso antes! A testemunha que causou toda a polêmica na primeira audiência está tendo um caso com a acusada! Que perfeito! Além disso... Meu Deus! Mais perfeito impossível! Isso seria demais!

- Eu sabia que você ia gostar! – Caroline riu.

- Vou jogar esse vídeo na internet! – Charlie falou.

- Não faça isso agora, Charlie! – Neville o censurou – Melhor não fazermos isso antes da audiência! Vamos usar isso na audiência e depois a gente paga um laranja para divulgar! Vai ser um escândalo!

- Sim... O maior escândalo do ano! A ré se prostituindo por uma testemunha! – Caroline adiu.

- Como posso retribuir o seu favor, Caroline? – Charlie perguntou, animado.

- Oras... Você não sabe? Seiscentos mil na minha mão e não se fala mais nisso.

Charlie pegou um talão de cheque e preencheu uma unidade. Caroline sorriu quando pegou a folha em suas mãos.

- Muito obrigada. Por esse valor, pode ficar inclusive com o pen drive...

- Se tiver mais alguma novidade, só me passar. Pago bem, não discuto preço! – Charlie exclamou.

- Percebi... Bom... Se eu souber de mais alguma coisa, avisarei você! Também sou parte interessada nisso...

E Caroline deixou a casa de Charlie, esfuziante.

- Agora, Neville, temos que estudar como vamos desmascarar os dois! – Charlie andava de um lado para o outro.

- Deixa isso comigo!

* * *

Tom acordou. Eram três horas da madrugada. Mary Ann dormia abraçada a ele, cabeça sobre seu tórax, uma de suas mãos segurando seu braço. Começou, automaticamente, a acariciar seus cabelos. Pensou no que estava acontecendo, no que sentia, em como tudo aquilo transformara sua vida. Mary Ann havia atribuído cor ao que antes era um filme em preto e branco. Sentia-se um homem completo, havia felicidade em sua casa. Por instantes, esqueceu-se da maneira grossa como se dirigia a seus colegas de banda, a seus amigos. Deixou de ser rude, pois o amor tocara seu coração.

A jovem se movimentou, virando sua cabeça e fitando aquele homem. Espreguiçou-se e bocejou.

- Por que você acordou?

- Perdi o sono...

- Preocupado com alguma coisa?

Tom sorriu e abraçou Mary Ann:

- Preocupado? Isso é a última coisa que eu tô... Na verdade eu estou fazendo planos...

- Planos? – Mary ann se ajeitou, apoiando um de seus braços sobre o tórax de Tom, erguendo a cabeça – Que planos?

- Para nossa nova turnê... Para seus shows de abertura... Gravação do seu álbum...

- Que ótimo! Você é muito inteligente, só poderão vir coisas boas...

- E para nós também...

Mary Ann começou a enrubescer, e perguntou, desviando o olhar:

- Que tipo de plano para nós?

- Ah... Sinceramente... Eu não vejo a hora de poder tornar nosso relacionamento público... Pra poder andar com você por aí de mãos dadas, abraçar você... Sem ter que esconder nada... Essa audiência tem que passar logo!

- Mas por enquanto melhor não... Melhor a gente manter tudo em segredo...

- É... Mas é difícil passar o dia inteiro com você lá no estúdio e não te abraçar... – Tom sorriu.

- Pra mim também... Mas é melhor assim...

Mary Ann se aconchegou novamente no peito de Tom. Estavam nus, debaixo de vários edredons. Escutavam o barulho do vento do lado de fora da casa. E assim adormeceram, para só acordarem por volta de nove horas.

Tomaram café e partiram para o estúdio. No caminho, nenhuma conversa. Tom queria pegar a mão de Mary Ann, mas era arriscado, mesmo dentro do carro. Alguém poderia ver.

Quando chegaram, foram para a sala onde estavam gravando as faixas. Tom assumiu a guitarra, pois o guitarrista ainda estava internado devido ao acidente de moto, e Eric observava que os olhares trocados entre Mary Ann e Tom eram suspeitos. Ria o tempo todo.

O dia foi bastante produtivo. Por volta de nove da noite, deram por encerrada aquela sessão. Mary Ann foi ao toalete e Eric e Tom permaneceram na sala. Os outros músicos partiram.

- Deixa eu te perguntar um negócio? – Eric indagou, rindo.

- Lá vem merda... Fala...

- Tá rolando né?

Tom deu um tapa nas costas de Eric, que gargalhou e adiu:

- Eu sabia! Tá super na cara!

- A gente tá...

- Transando?

- Não, Eric... Mais que isso... Não comenta com ninguém, por favor, isso tem que ser confidencial... Até porque sou testemunha de defesa do processo que o Charlie moveu contra ela... Mas eu realmente tô gostando dessa garota...

- Gostando? Que evolução, hein! – O baixista sorriu.

- É... Gostando... De uma forma doida, talvez eu nunca tenha sentido isso por ninguém.

- Nossa... Ahahahahahahahahahahahahah! – Eric riu mais ainda.

- Mas mantém isso em segredo, viu...

- Que isso! Pode ficar tranquilo... Se depender de mim ninguém vai saber...

Mary Ann entrou na sala.

- Vamos? – Perguntou, tímida.

Eric sorriu e Tom tentou disfarçar a risada.

- Claro... Até amanhã, Eric!

- Até... – O baixista segurava o riso.

Tom e Mary Ann deixaram o estúdio. A jovem pegou no sono no banco do carro. Aquele havia sido o penúltimo dia de gravações. E Tom havia conseguido uma gravadora interessada em lançar o álbum.

Chegaram à casa do vocalista. Ele pegou a mão de Mary Ann e a movimentou delicadamente:

- Mary Ann? Chegamos...

A jovem abriu os olhos, esfregando-os com a outra mão.

- Ah...

Desceram do carro.

- Preciso de um banho! Urgente!

Correu para o banheiro de seu quarto. Tom a acompanhou com o olhar. Sorrindo. Após meia hora, Mary Ann saiu da suíte. Vestia um robe de cetim verde escuro.

Tom estava na sala, largado no sofá, controle remoto do televisor em uma das mãos, milhões de pensamentos na cabeça. Ela se sentou em frente a ele.

- Eu vou dormir... Tô exausta e amanhã tem mais...

- Amanhã só faltam os teus vocais... Você vai ser quem mais vai trabalhar...

- É... Quero só ver...

Tom ajeitou-se no estofado, apoiou seus cotovelos em suas coxas e fitou Mary Ann.

- Eu queria te perguntar uma coisa...

A jovem acenou positivamente com a cabeça. Tom prosseguiu, com o semblante carregado de preocupação:

- Quando terminarmos a gravação, você pretende... Você pretende voltar para o Alabama?

Mary Ann desviou o olhar. Sim, ela pretendia. Como dizer isso a Tom?

- Eu preciso voltar para ver como está Chester...

- Oras... Ele está bem! Não tem necessidade...

- Mas eu estou com saudades dele...

Tom abaixou o olhar, entristecido. Mary Ann levantou-se do sofá e se aproximou de Tom. Ficou em pé, de frente com ele. Suas pernas quase tocando os joelhos do vocalista. Ela colocou seu dedo indicador no queixo do vocalista e levantou seu rosto.

- Mas eu vou voltar... Fico uma semana lá e volto. Pode ser assim? – Mary Ann propôs.

- Tudo bem... Faça o que você achar melhor... Mas... Se desse para não demorar...

Tom não terminou sua frase. Seus dedos tocaram as pernas de Mary Ann e foram subindo em direção ao seu quadril, provocando pequenos arrepios na jovem. Ignorou a decência e alcançou o cinto do robe, desfazendo o nó e atirando-o ao chão. Abriu a peça de roupa e observou o corpo da moça. Ela usava um conjunto de lingerie verde escuro. Ainda sentado, puxou a cintura de Mary Ann e alcançou seu umbigo, beijando-o. Notou as pernas da garota fraquejarem, e nesse momento puxou-a para seu colo. Mary Ann ajoelhou-se no sofá, com as pernas afastadas, encaixando seu quadril nas pernas do vocalista, que a beijou no pescoço com excitação. Ele a despiu do robe, depois do sutiã. Beijou os seios da jovem, que deixou sua cabeça pender para trás.

- Vem aqui... – Ele sussurrou, ajeitando-a em seu colo e levantando-se, carregando a jovem em seus braços até seu quarto.

Deitou-a sobre a cama e ficou a beijá-la. Retirou sua calcinha e beijou seu sexo com vontade, fazendo-a arquear de tanto prazer. Quando notou a resposta ao estímulo, sentiu que era hora de despir-se. Tirou toda a roupa e continuou a beijá-la. Mas se surpreendeu quando Mary Ann deixou a passividade de lado e tomou uma iniciativa que ele não esperava: alcançou seu sexo com a boca e começou a tentar estimulá-lo. Era nítido que ela nunca havia feito aquilo, mas Tom ficou tão excitado que nem pensou em como ajudá-la. Deixou que a jovem tentasse do seu jeito, aproveitando o momento com um sorriso nos lábios. Até que, quando estava quase no ápice, implorou para que Mary Ann parasse a carícia. Sentiu a jovem acomodar-se sobre seu corpo, encaixando-se perfeitamente, e sua movimentação se tornou uma deliciosa tortura. Alcançou seus seios com suas mãos, sem abrir os olhos. Até que notou que o corpo da jovem tremeu e se arrepiou. Passou a movimentar-se para atingir o máximo do prazer e fluiu para dentro de Mary Ann.

Ela relaxou seu corpo, deitando-se sobre Tom. Balbuciou algo que ele não pôde entender.

- O que você disse? – Ele perguntou, arfando.

- Que eu te amo...

Tom agarrou-se ao corpo da jovem e assim adormeceram.

Notas finais
aguardo review! bjs!