The Last Rebel
18 I Need You
Notas iniciais
Tom acordou, pela manhã, sentindo um cheiro diferente. Levantou seu tronco e ficou a imaginar o que poderia ser. A claridade entrava pelos vãos da janela de madeira, indicando que o dia já era feito. Respirou fundo, sorvendo o cheiro diferente com suas narinas. Rapidamente sentiu seu estômago roncar. Era um cheiro gostoso, parecia de ovos, bacon e linguiças ou salsichas.
- Mas o que? – Perguntou a si mesmo, curioso.
Levantou-se da cama, foi para seu banheiro, lavou o rosto, escovou os dentes. Voltou para o quarto, onde se trocou. Ao sair, sentiu o cheiro mais intensamente. Seu estômago roncou novamente.
Ao chegar à cozinha, encontrou Mary Ann em frente ao fogão.
- Ah, não pode! Você é minha hóspede, como assim vai cozinhar?
- Bom dia! – A moça exclamou, com um belo sorriso no rosto – Oras, se você fez a janta ontem, que tal eu fazer o café?
Tom olhou para cima da pia. Ela havia assado um bolo! Desde que horas estaria na cozinha?
- Que isso? – O vocalista perguntou, intrigado, apontando para o doce.
- Bolo de maçã com canela. Você vai gostar.
A mesa já estava posta. Decorada. Tom não acreditou e, rindo, coçou a cabeça.
- Vamos comer... Estou com fome! – A bela moça falou, levando um prato com bacon e salsichas para a mesa.
Tom sentou-se e ficou a fitar, incrédulo, o banquete que estava à sua frente.
- Acho que vou te elevar à categoria de chef de cozinha. Caprichou, hein?
Mary Ann sorriu. Começaram a comer. Tom sorria e meneava a cabeça incansavelmente, não acreditando naquilo.
Após encher seu estômago, comendo até não poder mais, foi lhe servida uma fatia do bolo. Tom deu uma mordida.
- Gostou? – A jovem perguntou.
- Delicioso! Nossa, nunca comi nada parecido!
- É uma receita de uma cozinheira lá da fazenda...
- Você não vai pegar um pedaço? – Tom perguntou.
- Não... Eu não gosto de maçã... – Mary Ann riu.
- E como você faz um bolo com algo que não gosta? – Tom não acreditou.
- Eu fiz pra você!
Tom fitou a moça. Sentiu calor, sentiu como se um vulcão tivesse entrado em erupção dentro de seu peito. Nunca ninguém havia feito um bolo pensando nele. Caroline principalmente. Tudo o que as mulheres se preocupavam em fazer por ele eram coisas para contar para as amigas. Nunca por ele, nunca pensando em seu bem.
- Obrigado. – Agradeceu, incrédulo – Mas agora vamos trabalhar... Deixa a louça aí... Depois a gente lava...
- Eu lavo agora... Rapidinho.
A moça levantou-se e esticou o braço para pegar o prato que estava em frente a Tom. E ele, por reflexo, segurou a mão dela.
- Não... Depois a gente lava... – Disse, sem soltar a mão da moça.
Fitaram-se nos olhos. Tom sorriu discretamente. Mary Ann permaneceu séria.
- Eu... Eu queria falar com você sobre... – Tom falou, mas foi interrompido pela jovem.
- Tom... Melhor a gente não conversar sobre isso...
Mary Ann queria evitar falar sobre o beijo. E conseguia ler nos olhos do vocalista que ele queria tocar naquele assunto.
- Tudo bem... Outro dia a gente fala...
A moça pegou o prato e o levou até a pia. Tom levantou-se e foi até ela. Pegou um pano de prato e ficou esperando para enxugar a louça.
- Eu... Eu só queria te agradecer, Mary Ann...
- Agradecer o que? Quem tem muito a te agradecer sou eu. Você foi o responsável por eu...
- Não... Você me fez ter um objetivo... Eu tava perdido no mundo... Você me colocou no eixo, me deu uma razão para lutar por algo. E está fazendo coisas por mim, coisas que nunca ninguém fez... Nunca ninguém...
E fez uma pausa. Mary Ann desviou o olhar do prato que esfregava com uma bucha e o fitou.
- Nunca ninguém se preocupou em fazer um café da manhã para mim. Nunca ninguém se preocupou nem se eu tinha algo para comer. Você foi a primeira pessoa, tirando minha mãe e minhas irmãs... Bem, foi a primeira estranha a se preocupar se eu tinha o que comer e se eu ia gostar disso tudo... Fico pensando em tudo o que você poderia...
Hesitou. Deveria mesmo falar o que pensava?
- Em tudo o que você poderia me dar...
- Tom...
- Não nesse sentido... Claro... – Tom tentou desfazer todo e qualquer mal entendido. Não se referia àquilo que Mary Ann havia pensado.
Começou a enxugar a louça conforme Mary Ann ia enxaguando.
- Tom... Eu entendo você... Eu nunca tive carinho. Minha mãe faleceu quando nasci... E meu pai sempre me culpou por isso...
- Conte-me mais... – Tom pediu – Como sua mãe morreu?
- Eu demorei muito a nascer. E minha mãe não quis ir a um hospital, queria que eu nascesse na fazenda mesmo... Ele chamou um médico, mas o doutor chegou muito tarde. Minha mãe já estava morrendo. Eles a removeram para um hospital. Fizeram a cirurgia para me salvar, mas minha mãe não resistiu. Ela se chamava Marian...
- É por isso que... – Tom raciocinou.
- Sim... É por isso que meu nome é Mary Ann. Meu pai nunca me amou. Sempre me responsabilizou pela morte da minha mãe. Tinha ódio de mim, queria que eu tivesse morrido...
- Isso é burrice...
- Minha lembrança mais antiga é de uma surra. Eu havia sujado uma roupa com blueberries e ele me bateu por isso.
Tom cerrou os punhos, com ódio.
- Nunca me deu uma palavra de carinho, – Mary Ann continuou – nunca sentiu orgulho de mim, nunca foi um verdadeiro pai. Eu nunca tive amigos por culpa dele. Estudei na fazenda, com uma professora, não tive a oportunidade de ir para a universidade, e só aprendi a tocar violão porque tinha um bom ouvido...
- Você nasceu com esse talento...
- E o meu violão ele comprou porque foi obrigado.
- Como assim obrigado? – Tom ficou intrigado.
- Dois amigos dele me ouviram tocar com o violão de um deles, sendo que eu nunca tinha pegado um instrumento na mão... Eles ficaram impressionados e fizeram meu pai comprar um violão pra mim. Ele comprou só pra mostrar aos caras o que não era: um pai que se preocupava com os talentos da filha.
Tom enxugou o último prato e guardou no armário que ficava em cima da pia. E, juntos, deixaram a cozinha, indo para o escritório de Tom.
Sentaram-se cada um em uma cadeira e ficaram frente à frente.
- Me diz uma coisa, Mary Ann... Seu pai viu o violão que eu te dei?
- Não, nunca. Nunca deixei que ele visse. Fiquei com medo de ele quebrá-lo como havia feito com o primeiro... Deixei o violão escondido naquela árvore o tempo todo. Comprei uma capa pra ele com o meu pagamento e aí ele ficou mais disfarçado ainda...
- Entendi... E onde você tocava?
- Enquanto ele trabalhava na sede da fazenda, nos períodos da tarde. A única coisa de lazer que ele me permitia era ouvir meu cd do Lynyrd Skynyrd, porque eu não precisava parar o que estava fazendo. Ele queria que eu lavasse, passasse, cozinhasse, limpasse a casa o tempo todo, dizia que não fazia sentido eu ter lazer, que eu tinha que prestar pra alguma coisa de útil.
Tom viu uma lágrima caindo pela bochecha da jovem. Ficou revoltado. E resolveu tentar fazê-la sentir-se melhor:
- Você é muito útil. Útil para a música, útil para nosso país, porque representaria facilmente nossa música, útil para mim, pois me fez voltar a viver e lutar e, principalmente, útil para si mesma, o que é o mais importante!
- Ah, Tom... Eu entendo o que você quer dizer... Mas eu não consigo concordar. Sou uma pessoa normal. Se tivesse permanecido anônima, teria dado na mesma...
- Não teria... Você é muito especial, Mary Ann... Sua história não nega.
Tom abriu uma pasta. Havia uma partitura nela. Levantou-se, pegou um violão e o deu a Mary Ann. Depois pegou outro violão e sentou-se.
- Vamos ver o que você acha dessa... Hoje à tarde vamos ensaiá-la com a banda...
E começou a tocar. Mary Ann colocou os vocais, no início hesitante, depois com mais segurança. E também começou a tocar. Ao final da canção, Tom gostou do resultado.
- Ficou perfeita na sua voz...
- Sim... Gostei muito... Bela poesia...
- Sempre que eu escrever pra você, vou escrever coisas bonitas... Você inspira.
Mary Ann ficou com as bochechas vermelhas.
* * *
Tom e Mary Ann chegaram ao estúdio. A banda já esperava.
- Finalmente! Estão atrasados! – Eric falou, apagando um cigarro em um cinzeiro.
- É... Acontece! – Tom falou.
- Como vai, moça? – Eric perguntou.
Tom a apresentou a todos os músicos.
- Como vocês devem saber, a Mary Ann está sendo injustiçada pelo ex-empresário. Ele a acusa de dever dinheiro para ele. Só que quem aprontou foi ele, que a enganou no ato de assinar o contrato e acabou por roubar tudo o que ela conquistou.
- Nós sabemos disso tudo! – Robert, um dos guitarristas, falou – E por isso que estamos aqui. Pra devolver a ela a dignidade que ela merece!
Mary Ann abriu a boca, em sinal de espanto. E, antes que outra pessoa tomasse a palavra, falou:
- Olha, não tenho como agradecer a vocês...
- Não agradeça! Vamos tocar! – Eric falou, rindo.
E passaram a tarde toda ensaiando. Terminaram o ensaio, que contou com as músicas novas e, no final, as já consagradas, por volta de nove da noite.
Despediram-se dos outros músicos e voltaram sozinhos para casa. Antes, passaram em uma lanchonete e compraram o que comer. Estacionaram o carro na rua e comeram lá mesmo, dentro do veículo, de tanta fome que sentiam. Mary Ann estava feliz, sorridente, e Tom a acompanhava na alegria. Falaram muita besteira, fizeram piadas, riram muito enquanto comiam.
- Ai, eu tô exausta, — Mary Ann falou – não vejo a hora de tomar um banho e ir dormir...
- Eu também! Fazia muito tempo que não me sentia cansado assim!
- Se a gente for nesse pique todos os dias, estamos ferrados!
- Não se esqueça de que estamos agendados com eles todos os dias! Hahahahaha! – Tom riu.
- É... Pois é... Então ESTAMOS ferrados!
Tom deu a partida em seu carro e foi para sua casa. Ao chegar, estacionou na garagem. Eles desceram e pegaram um acesso interno para a residência.
- Vou tomar um banho... – Mary Ann falou.
- Eu vou assistir à televisão... Quero ver o jornal das dez horas... Depois também vou...
E a garota se fechou na suíte que estava ocupando. Meia hora depois saiu. Vestia uma camiseta, um casaco de moletom, uma calça jeans de lavagem escura, e pantufas. Estava muito frio naquela noite.
Encontrou Tom adormecido no sofá. Ajoelhou-se ao lado dele, no chão, e tocou seu ombro.
- Tom? – Sussurrou baixinho – Acorda... Vai dormir na sua cama...
O vocalista acordou, coçou os olhos e disse:
- É... Não é só você que tá cansada... – Riu.
- Sim... Mas não fica dormindo no sofá! Isso faz mal pra coluna!
- Mais uma vez você se preocupando comigo... – Tom observou.
Ele levou sua mão ao rosto dela, acariciando sua bochecha com as costas dos dedos. Ela desviou o olhar, tímida.
Subitamente ele levantou seu tronco. Mary Ann se afastou, deixando que ele levantasse. O vocalista pegou o controle remoto em sua mão e, após desligar a televisão, disse:
- Vamos dormir que amanhã temos um dia cheio novamente.
E assim terminou o primeiro dia completo de Mary Ann em Nashville.
* * *
Duas semanas se passaram, e finalmente começaram a gravar as músicas. Tom havia contatado duas gravadoras, mas nenhuma delas se interessou pelo novo trabalho de Mary Ann. Manteve segredo, não contou a ninguém, pois ainda tinha cartas na manga. E continuaram as gravações demo.
Naquela tarde não trabalhariam. Tiraram o dia para descansar. E Tom levou isso a sério: fechou-se em seu quarto e dormiu o tempo todo.
A campainha tocou por volta de cinco da tarde. Mary Ann, já acostumada à rotina da casa, atendeu à porta. Uma mulher aparentemente mais velha que ela uns quinze anos, loira, vestindo roupas pesadas e aparentemente caríssimas, a olhou de cima a baixo.
- Mary Ann Collins? Então os boatos da imprensa são verdade? Meu ex-marido está realmente te ajudando?
Era Caroline. A mulher entrou, empurrando Mary Ann, quase a atropelando.
- Onde está o Tom? Aposto que você está dando para ele!
- Desculpe... Mas... A senhora tá errada...
- Senhora? Ah, garota, se toca! Além de me chamar de velha ainda diz que sou burra? Tá na cara o tipo de garota que você é! Uma daquelas bem vagabundinhas. Arrumou o trouxa perfeito pra dar... Ele vai achar que tá abafando porque tá comendo carne nova, e você acha que pode dar o golpe do baú e recuperar a grana que perdeu pro outro espertalhão lá! Sua caipira ridícula, só digo uma coisa: ele não presta! É um grosso! Na cama é ótimo. Mas só!
Mary Ann arregalava os olhos, assustada com as coisas que ouvia. Sentia um ódio tremendo vindo para seu coração. Estava sendo ofendida por uma desconhecida. Como uma pessoa que não sabia da sua história poderia falar tantas coisas horrorosas a ela?
- Até hoje não sei como você ganhou aquele programa! Você é muito ruim! Por isso que já desapareceu da mídia! – Caroline continuou seu arsenal de grosserias – Mas se não tivesse ganhado, nem teria aparecido, não é verdade? Até hoje estaria ordenhando vaca na fazenda!
Tom surgiu na sala, como quem corre para tentar socorrer vítimas de um acidente.
- CALA A BOCA, CAROLINE! – Gritou após escutar a última ofensa.
- Agora o garanhão chegou. Como se sente comendo uma mocinha bem mais nova que você?
Tom colocou-se em frente a sua ex-mulher e disparou:
- Apesar de você não ter nada a ver com minha vida, não... Eu não estou com Mary Ann. Nosso contato é puramente profissional!
- Ah, claro... Com certeza! Os dois sozinhos nessa casa, e é puramente profissional... Ah, Tom, conta outra!
- E se não fosse profissional, o que você teria a ver com isso? – Tom a desafiou.
- Nada, claro... Mas vim até aqui para ter certeza disso! Os boatos então eram verdadeiros!
Mary Ann permanecia calada e imóvel.
- Sim... Eu estou ajudando Mary Ann a refazer sua carreira. E não sei se você sabe, mas, a princípio, nós já assinamos o divórcio faz tempo, e eu não tive que te dar nada porque você cometeu adultério e eu tinha provas disso. Você foi burra demais e agora veio até aqui para fazer isso e se vingar de mim ofendendo os outros. Vá embora antes que eu chame a polícia!
- Vai chamar a polícia com que justificativa?
- De que tem uma louca, recalcada, imbecil e invejosa querendo armar barraco na minha casa! Tá me importunando, me atrapalhando, e me ameaçando!
- Ameaçando? – Caroline interpelou.
- Ameaçando a minha paz, a minha tranquilidade. Vai viver sua vida, vai pro hoteleco com o amante covarde! O que foi? Ele te largou? Não pagou a fatura do seu cartão de crédito? Ou o pau dele não levanta mais porque virou titular e não reserva? Será que ele anda pulando cerca?
O rosto de Caroline começou a ficar vermelho, duro. Mary Ann temeu pela vida de Tom, pois realmente parecia que sua ex-mulher iria esfolá-lo.
- Vai embora, Caroline, antes que eu mesmo te coloque pra fora! Nunca mais venha até aqui pra ofender ninguém, nem eu, nem meus hóspedes! Você não tem nada a ver com minha vida! Some daqui!
A ex-mulher de Tom deu as costas aos dois, antes fitando Mary Ann com um olhar arrogante. E, sem falar nada, saiu da casa do vocalista, batendo a porta.
Mary Ann explodiu em um choro sem tamanho.
- Ah, garota, não chora! Por favor! Essa mulher é maluca! Qualquer coisa que ela possa ter falado a você foi por pura inveja!
A jovem correu para o quarto, sem falar nada, aos prantos. Tom a seguiu, mas ela fechou do quarto. E ele preferiu respeitar a privacidade da moça. Esperou alguns minutos antes de tentar bater à porta dela novamente. Quando já não aguentava mais, deu três leves batidas sobre a madeira e falou:
- Quero falar com você, Mary Ann?
Nenhuma resposta. Tom bateu novamente. E nada. E achou tudo aquilo muito estranho. Estaria tudo bem com Mary Ann? Colocou a mão na maçaneta, mas desistiu de abrir a porta. Seria uma invasão desnecessária. Observou a fechadura e respirou fundo. Decidiu tentar entender o que estava acontecendo e, para isso, acabaria por lesar a privacidade da jovem. Mas estava preocupado com ela e observar pelo buraco da fechadura o que acontecia dentro daquele quarto não seria algo tão mau. Abaixou e fixou o olhar pelo vão da chave. Conseguiu observar a cama vazia e a porta do banheiro fechada.
“Deve estar no banho”, pensou. Mas sentiu-se tentado a continuar a observar. Ficou a olhar por mais alguns minutos, até que a porta do banheiro se abriu. E Mary Ann saiu apenas vestindo lingerie, e com uma toalha na cabeça.
“Meu Deus... Que mulher mais linda”, Tom exclamou em seus pensamentos. Sentiu-se balançado com a cena. Mary Ann tinha seios médios, e o sutiã preto que usava os deixava pontudos. A calcinha era pequena, rendada, também preta, aparentemente fazia um conjunto com o sutiã. E essas duas pequenas peças de roupa tampavam os detalhes do corpo perfeito da jovem. Tom sentiu-se excitado ao ver a cena. Mas respeitava demais a garota para ter pensamentos impuros. Queria, mas não podia.
Foi surpreendido por um barulho. Levantou-se assustado e, nesse instante, viu a porta se abrir à sua frente. Mary Ann, vestida com um pijama, ainda secando os cabelos com a toalha, viu Tom a fitar completamente sem graça, como se não entendesse por que em menos de um minuto ela estava vestida.
- Você me chamou? – Ela perguntou, desconfiada.
- Ah... Sim... Eu... Sim... Eu bati aqui... Eu... Eu queria...
- Queria? – Mary Ann ficou desconfiada do tanto que Tom gaguejava.
- Eu queria saber se você tá... Se... Se você tá bem...
- Agora tô... Mas tô estudando a possibilidade de ir embora daqui...
- Co-como assim? – Tom ficou indignado.
- Não quero mais que as pessoas pensem que estamos tendo um caso...
- Mas nós não estamos tendo um caso, isso que importa!
- Mas não é o que as pessoas imaginam!
- Mas não importa o que as pessoas imaginam... Importa é que estamos trabalhando! E é melhor que estejamos juntos para trabalharmos cada vez melhor!
- Mas não é porque eu vou sair daqui e ficar em algum hotel que nós vamos trabalhar mal...
Era uma discussão cheia de “mas”. Argumentavam rapidamente, sem hesitar. Tom continuou:
- Mas quem é que vai pagar suas diárias no hotel? Chester não tem como te ajudar, você não tem dinheiro... É melhor que você continue aqui!
- Mas se eu continuar aqui, vão continuar tendo esse tipo de desconfiança sobre a gente!
- Mas qual é o problema se acharem que a gente tá tendo um caso? A gente nega na imprensa!
- Mas a imprensa sempre inventa! E se tiver no que se basear, mais ainda!
- Mas nós dois aqui, direto, juntos, podemos trabalhar mais! Já estamos até compondo juntos!
- Mas a gente pode fazer isso separadamente!
E Tom levantou a voz e segurou o rosto de Mary Ann com as duas mãos:
- MAS EU NÃO VOU CONSEGUIR FICAR SOZINHO DEPOIS QUE VOCÊ ESTEVE AQUI! Não entende isso?
E os seus olhares se cruzaram. No dela, medo. No dele, desejo. E esse desejo todo a fez ficar com mais medo ainda. Não queria se envolver com aquele homem, embora tivesse vontade de beijá-lo como nunca tivera antes. Subitamente, Mary Ann tirou as mãos de Tom de seu rosto, com delicadeza, recusando seu pedido:
- Não, eu vou embora. Não tenho como pagar um hotel, então vou voltar para Birmingham. Melhor para nós dois, assim estaremos nos preservando.
- Mary Ann, não faça isso!
- Vou fazer! É o melhor a fazer! Com licença, me desculpe! – Ela falou, e fechou a porta calmamente. Encostou sua cabeça no batente e derramou algumas lágrimas.
* * *
Dois dias depois, Mary Ann estava absolutamente resoluta. Havia realmente decidido voltar a Birmingham. Tom e ela não se falavam direito. Ele apresentava uma leve tristeza, enquanto ela experimentava uma depressão. Aguardariam mais alguns dias antes da jovem partir, pois ainda faltavam algumas músicas a serem gravadas.
Já passava das dez da noite. Tom havia ido dormir, mas Mary Ann não conseguia pegar no sono. Resolveu se levantar e perambular pela casa.
Acabou, após algumas voltas pelos cômodos, sentada sobre o banco do piano de cauda de Tom. Naquela noite estava nevando, e ela podia ver flocos de neve que se acumulavam nos pequenos vidros da janela. Levantou a tampa que protegia as teclas do piano. Ficou intrigada com aquele monte de teclas pretas e brancas. Nunca havia estado frente a frente com um piano. Colocou seu dedo sobre uma tecla que escolheu aleatoriamente e apertou. Uma nota “sol” ecoou pela sala.
- Deve ser “sol”... – Ela reconheceu pelo som.
E assim foi testando, uma a uma, até entender onde ficava cada nota no piano. Ensaiou tocar alguma coisa que sabia de violão, tentando adaptar ao piano.
- Deixa eu te ajudar... – Mary Ann ouviu uma voz atrás de si.
Era Tom. Ele se aproximou, quebrando o silêncio que havia se instalado entre os dois.
- Piano não é difícil... Você sabe tocar violão, aprende piano fácil...
Mary Ann se afastou um pouco, cedendo o lado esquerdo do banco para Tom, que se acomodou.
- A mão esquerda – Tom continuou – Faz o baixo da música... A gente toca um acorde com ela... A mão direita é quem faz o solo... As notas são essas mesmo que você já tocava... E, como no violão, um conjunto de notas forma um acorde...
E Tom tocou um acorde com seus dedos da mão esquerda.
- Ré menor? – Mary Ann perguntou.
- É... Isso mesmo... O mais triste dos acordes...
Uma luz ao fundo, vinda do corredor, era o que iluminava os dois. E Tom demonstrou como solar e tocar o acorde ao mesmo tempo com Heartbreak Station.
- Essa música é tão triste... – Mary Ann comentou, quando ele terminou de tocar.
- Bem triste...
- No que você pensava quando a compôs?
- No mesmo que eu estou pensando agora...
- E... – Mary Ann desviou o olhar – No que você tá pensando agora?
- Despedida. Fim. Era nisso que eu pensava quando compus Heartbreak Station.
- Foi a primeira música da sua banda que eu ouvi. E acho que é a que mais gosto...
- Quer tentar tocar?
- Será que consigo?
Tom sorriu. Pegou a mão direita de Mary Ann e a levou ao teclado.
- Faço o acorde, você sola...
E Tom fez um acorde, Mary Ann tentou solar. Errou na primeira vez. Sorriu. Tom a encorajou:
- Vamos novamente. Concentra. Eu vou tocar mais aqui... – E apertou uma nota “mi” – Você repete meu movimento aqui – Apertou outra “mi” mais aguda. – Um, dois e...
Tom deu o acorde novamente. E ambos solaram juntos. Mary Ann se saiu bem. Conseguiu o que estava tentando.
- Muito bem... – Tom falou.
Seus olhares se cruzaram. Ele notou que Mary Ann arfava. Não era por alegria de ter conseguido tocar. Era pelo mesmo motivo que ele estava nervoso.
Antes que pudesse evitar, Tom levou sua mão ao rosto de Mary Ann. Ela não recusou, como ele esperava. Apenas desviou o olhar. E, aproveitando-se desse movimento das íris dela, o vocalista aproximou seus lábios dos da jovem, iniciando um beijo leve. Mais uma vez não aconteceu o que ele esperava. Ela não recusou. Ele introduziu levemente a língua em sua boca, tocando a dela, em movimentos ritmados e leves. Ela correspondeu. E o beijo deles se tornava, a cada minuto, mais forte, mais apaixonado. Tom levou suas duas mãos à nuca de Mary Ann, e ela o abraçou, por sua vez, já não deixando mais que sua razão dominasse a emoção.
Ele desceu uma das mãos pela coluna da jovem, provocando-lhe um arrepio profundo, enquanto seus lábios carnudos deixavam sua boca sedenta e ganhavam seu pescoço. Pôde ver os pequenos pelos de sua nuca se arrepiando quando alcançou sua cintura. E ela não recusava nada. Mary Ann estava entregue a Tom, que descobriu o seu ombro e o beijava. A mão que passeava pela coluna mudou de direção, indo à frente do corpo da moça, alcançando os botões de seu pijama e abrindo um a um. Tom parou de beijar ombro e pescoço de Mary Ann para poder visualizar os seios da jovem. Ela estava sem sutiã. Seios médios, mamilos pequeninos, arrepiados de excitação. Ele tirou a camisa do pijama da jovem, atirando-a sobre o chão. Mary Ann virou-se e ficou de frente com Tom, ambos sentados com as pernas abertas sobre o banquinho, encostando-se um ao outro. Ele arqueou um pouco sua coluna para beijar os vale entre os seios da jovem, enquanto seus dedos brincavam com ambos os mamilos. Mary Ann jogou a cabeça para trás, fechando os olhos. Tom pôde sentir o perfume dos cabelos da jovem contaminando suas narinas e deixando-o ainda mais excitado. Seus lábios ganharam o mamilo direito, e sua língua acariciou cada centímetro daquela pele quente e firme. Deu a mesma atenção ao mamilo esquerdo, sem nem ao menos abrir os olhos. Não queria nada visual, preferia que o tato e o paladar governassem o momento.
- Tom... – Mary Ann balbuciou.
- Não... – Ele disse, levantando seu rosto para fitá-la de perto, segurando seu rosto com as duas mãos – Não faça isso comigo... Não vamos parar, por favor... – Ele implorou.
Mary Ann acabou por sorrir perante o olhar suplicante do compositor. Ela não ia interrompê-lo. Não ia impedi-lo de fazer o que tanto queria. Respirou fundo e alcançou seus lábios, penetrando sua boca com sua língua.
Tom a levantou do banco, colocando-a de pé. Permaneceu sentado, agora de frente com ela. Começou a beijar seu abdômen, começando pela região logo abaixo de seus seios, descendo em direção à sua cintura. Brincou um pouco com seu umbigo, para depois continuar o seu caminho até o elástico da calça. Foi puxando a calça de Mary Ann para baixo, com as duas mãos, revelando sua calcinha. Começou a beijar a região que tanto queria explorar. Sentiu o aroma do desejo de Mary Ann, excitando-se ainda mais. Seu dedo indicador começou a brincar no elástico da virilha da calcinha da jovem, e, num dessas brincadeiras, Tom notou o quanto ela o desejava. E, perante essa constatação, foi, vagarosamente, descendo a calcinha da moça, revelando seu sexo e deixando-a completamente nua. Observou o corpo da jovem: era como havia imaginado. Linda.
Levantou-se do banco e alcançou novamente seu rosto.
- Deixa eu te amar, Mary Ann... Por favor! – Ele pediu, sussurrando em seu ouvido.
E a levou para o centro da sala. Ela sentou-se no sofá e ele se ajoelhou em frente a ela. Beijaram-se um pouco mais, até que ele deixou sua boca e foi trilhando com beijos o caminho que iniciava em seu pescoço, passava pelos seus seios, abdômen, umbigo, até chegar ao local que tanto queria. E, com sua língua, passou a provar seu sabor, em movimentos ritmados ao redor de seu clitóris, tocando-a com delicadeza. E quanto mais rápido movimentava sua língua, mais Mary Ann se contorcia de prazer, mais ela pedia. Até que percebeu que seus músculos se retesaram e seu sexo se contraiu e, depois, relaxou, molhando-se mais ainda. Ele havia conseguido fazê-la delirar de prazer.
Afastou-se, notando que ela arfava, bochechas coradas, língua molhando os lábios. E rapidamente retirou sua blusa, depois sua calça, e sua cueca. E, sem que ela notasse, encostou seu corpo no dela.
- Você tá bem? – Perguntou à jovem.
- Sim... Estou...
- Posso? – Ele pediu permissão. Não ousaria penetrá-la sem que ela o autorizasse.
Ela movimentou a cabeça fracamente em uma atitude afirmativa. E Tom aproximou seu membro rígido da feminilidade dela. Sentindo seu pênis pulsar violentamente de tanto desejo, mas com muita calma, ele a penetrou, sentindo seu calor ao redor de si.
E, em movimentos ritmados carregados de paixão, deu-lhe todo o prazer que queria dar. Sentia a umidade de Mary Ann cada vez mais volumosa. Ela o abraçava com desespero, e chegou a arranhar suas costas. Sentir as unhas de Mary Ann cravando-lhe a pele o fez sorrir, pois percebeu que sua missão havia sido cumprida. Deixou-se fluir para dentro dela, sussurrando seu nome em seu ouvido após um forte gemido de prazer.
E permaneceram deitados sobre o sofá, beijando-se, por muito tempo.
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