The Last Penguins
3 Capítulo 3 - A Resistência do Rinque
Notas iniciais
Em cima do Rinque, que tinha um formato redondo, haviam vários pinguins, com armas de fogo, mirando pra todas as direções, e matando os zumbis que estavam tentando invadir o Rinque. Abaixo, mais pinguins protegendo a entrada e matando os zumbis. Na parede da frente, uma faixa enorme com os dizeres “Resistência do Rinque – Se você ainda tem o cérebro intacto pra ler isso, junte-se a nós”.
“Parece melhor do que o que tínhamos na Taverna, não?” Disse Ghe.
“É” Concordaram Justin e Lila, ainda boquiabertos.
Esperaram os membros da Resistência acabarem com os Zumbis para não serem atingidos por um tiro acidentalmente, e se aproximaram balançando uma camisa branca que eles pegaram de um zumbi e que fora amarrada no taco de hockey de Lila, fazendo uma bandeira branca para demostrarem suas intenções pacíficas. Visto isso, os guardas da Resistência abaixaram as armas e o sujeito que mandava lá, o tal Aamelo, veio recebe-los pessoalmente.
“Ora ora, mais sobreviventes! Isso é muito bom.” Disse Aamelo.
“Pressuponho que isso significaria um ‘olá’, não?” Falou Lila.
“Certamente.” Concordou Aamelo. “Preciso revista-los para ver se estão com alguma mordida de zumbi....”
“Relaxe", Disse Lila. "Não estamos mordidos ou infectados, nem nada do tipo.”
“Meh”, Falou Aamelo. “Acho que confio em vocês, entrem.”
E assim, fizeram.
Tanto quanto por fora, por dentro o Rinque também estava bem diferente do que costumava a ser. O gelo fora arrancado, ou derretido, e substituído por pedaços de terra, grama, madeira, mármore, formando um chão de diversos materiais. No centro, havia um mesão, aonde ficavam alguns pratos, talheres e cadeiras. Perto desse mesão havia um armário, que, como Ghe supôs, era aonde guardavam comida, bebida e munição.
O grupo de resistência era relativamente pequeno, tinha uns 15 pinguins. A maioria estava acordada, em volta do teto do Rinque ou perto da porta para protege-lo, mas ainda havia alguns dormindo. Alguns dormiam em barracas no chão e outros com uma coberta e um travesseiro na arquibancada. Eles haviam construído um pequeno iglu ali, que, como o dormitório mais confortável, era do líder, Aamelo.
Enquanto entravam, Aamelo explicava:
“Está cada vez mais difícil achar pinguins vivos, e alguns morrem na busca de novos sobreviventes. Se chegaram aqui, pressuponho que tenham achado a carta explicando a missão no corpo de um recruta meu...”
“Precisamente.” Disse Ghe, impressionado. “Como adivinhou?”
“Vocês não tem ideia de como isso vem acontecendo...” Falou Aamelo. “Oh, vocês devem estar começando a achar que correm risco de morrer nas expedições ao se juntarem a nós, não? Ah, bobagem. Vocês não vão pras expedições. Gostei de vocês, serão nossos convidados de honra. Vocês não são prisioneiros aqui. São... hóspedes.”
Nesse momento uma flecha veio em direção a cabeça de Justin, que, por sorte, desviou na hora, fazendo a flecha acertar uma parede do Rinque.
“Hóspedes, hein?” Disse Justin, ironicamente.
“Oh, perdão...” Desculpou-se Aamelo. “Certamente foi meu assistente. Ele ainda não conhece vocês, então talvez tenha achado que suas intenções não eram pacíficas.” Ele olhou pra cima e viu no topo de uma das arquibancadas, um pinguim verde de camisa e boné de hélice azuis, mirando em Justin com um Crossbow. (Ou ‘Besta’. Ai fica o termo que vocês preferirem. Vocês sabem, aquele troço que é tipo um arco e flecha mais moderno.)
“Rodrigo!” Gritou Aamelo. “Venha aqui!”
Rodrigo desceu, pegou de volta a flecha que tinha acertado a parede e apresentou-se diante de Aamelo.
“Rodrigo”, Continuou. “Esses são os novos membros da Resistência. Convidados de honra, como você, que, diferente daqueles outros comuns que morrem nas expedições ou defendendo o Rinque, estarão sempre aqui em segurança enquanto possível. Enfim... ah, já estava me esquecendo, vocês não se apresentaram. Nomes?”
“Somos Lila, Ghe e Justin, respectivamente” Falou Lila apontando a ela e aos outros.
“Hm...” Murmurou Rodrigo, já colocando a próxima flecha em seu crossbow. “Tentem não arranjar encrenca por aqui.”
“Enfim, está quase na hora do Café da Manhã... vocês tem comida?” Perguntou Aamelo.
“Um pouco” Disse Ghe. “Não muita coisa, na verdade. Comemos a maioria antes de chegar aqui. Acho que temos alguns rabanetes e uma saca de café, e algumas garrafinhas de água.”
“Hum, isso poderá ser útil depois. Importam-se de juntar com nossa comida?” Continuou Aamelo
“Acho que não” Disseram Ghe, Justin e Lila, na esperança de Aamelo e sua Resistência terem boa comida.
Aamelo abriu o armário e Ghe, Lila e Justin se maravilharam. Aquilo parecia a lancheira do Rockhopper, de tanta comida. Na porta do armário, alguns cartuchos de munição encontravam-se presos. O Trio passou a comida e bebida que tinham, que ocupou o pouco espaço que ainda restava no armário.
“Agora sentem-se”, Disse Aamelo “Vou servir o café. Permita-me?” Disse, apontando para o cordão de apito de Justin.
“Ah, claro. A vontade.” , Falou Justin tirando o cordão e dando-o para Aamelo, que soprou o apito e assim, os outros membros da resistência saíram de suas respectivas posições para ocupar seus locais na mesa. Após Rodrigo ter buscado mais 3 cadeiras para os novos convidados e Aamelo ter devolvido o cordão de apito a Justin, que o pôs de volta no pescoço, algum outro membro da resistência começou a servir o café. Cada um recebeu alguma coisa diferente, até os rabanetes de Ghe e Lila estavam presentes no prato de outro recruta. Para Ghe, foi servido um pedaço de bolo, para Lila, dois de Pizza, e para Justin, uma travessa de Bacon. A saca de café que Ghe havia pego antes de resgatar Lila foi útil, sendo assim, todos tinham café para beber. Após terminarem, alguns recrutas foram assumir o posto no topo do Rinque, outros ficaram guardando a porta, tiveram aqueles que partiram pra buscar mais sobreviventes e uns que acabaram voltando a dormir, ou ficaram jogando Ligue 4 que provavelmente algum dos pinguins de busca tinha pego ao procurar sobreviventes na cabana. Rodrigo voltou ao topo da arquibancada com uma flecha em posição, observando Ghe, Lila e Justin.
“Entrem, fiquem a vontade”, Disse Aamelo, enquanto entravam no pequeno iglu precário que havia sido construído para ele no Rinque. “Após todo esse estresse, vocês já devem ter esquecido a calmaria de ver um iglu normal.”.
Justin foi o primeiro a entrar, seguido de Ghe e Lila. Aamelo entrou por último e fechou a porta. O Trio observava o iglu, boquiaberto. Realmente, parecia bastante com um iglu normal que existia antes do apocalipse zumbi do CP.
Justin voltou o olhar para Aamelo.
“Você está trancando a porta?” Exclamou.
Todos olharam para Aamelo, que realmente parecia estar trancando a porta.
“N-n-nããããoooo... eu... só... estou resolvendo um... problema na fechadura.”, Respondeu Aamelo, que tirou a chave da porta, escondeu-a nas costas e abriu o sorriso mais falso do mundo.
Todos estavam olhando desconfiados para Aamelo.
“Ei! Quem quer ler uns gibis do Bátima?” Disse Aamelo, tentando mudar de assunto.
“BÁTIMA?!” Perguntaram Ghe, Lila e Justin, felizes.
Então Aamelo pegou de uma mesa em seu iglu três gibis do Bátima e deu um para cada.
Após um tempo lendo, todos estavam estranhando uma coisa no gibi.
“Espere um pouco!” Contestou Ghe. “Esse gibi está em português de Portugal!”
“EI!” Gritou Lila, irritada. Virou-se para Aamelo e disse: “Porque você nos trancou aqui, e ainda tentou nos distrair com gibis? Está tentando nos prender?"
E novamente, todos desviaram o olhar para Aamelo.
“Não, não... eu só...” Disse Aamelo, nervoso.
“Só o que?” Reclamou Lila, já irritada. “Porque quer nos prende? Está querendo dar um fim em nós aqui, e depois roubar o que temos?!”
Nesse momento, Lila já empunhou seu taco de hockey, assim como Ghe e Justin com seus guarda-chuva e taco de beisebol.
“Ora, quer saber?!” Falou Aamelo, zangado. “Cansei de vocês. Vocês sabem como está difícil conseguir munição, comida boa e bebida no apocalipse zumbi? Cansei de vocês! Vocês podiam ter sido úteis! Acho que terei de terminar com vocês aqui mesmo!”, e assim, Aamelo pegou uma arma. Nesse momento, Justin, sem saber o que fazer, corre pra cima de Aamelo e bate na cabeça dele com o taco de beisebol, e assim a arma acaba caindo.
“CONSEGUI ATORDOAR ELE!” Gritou Justin a seus amigos, ainda batendo em Aamelo, que relutava tentando se levantar. “Acho que dá pra conseguir um minuto aqui! Tentem quebrar a porta!” E assim, fizeram. Após muitos golpes com o taco de hockey e Lila, a porta quebrou e ela e Ghe saíram, assim, com a força que ainda lhe restava, Justin deu o golpe mais forte que conseguiu na cabeça de Aamelo e saiu correndo para sair do iglu também. Os membros da resistência no Rinque já estranharam o fato dos “hóspedes” terem quebrado a porta do iglu e saírem correndo, mas assim que Aamelo saiu correndo em seguida recarregando sua arma e gritando “MATEM ESSES IDIOTAS!”, os recrutas já sacaram suas armas e começaram a recarregar.
Lila, Ghe e Justin corriam aleatoriamente pelo Rinque para desviar dos tiros, porém, Lila tropeçou, torceu o pé e caiu. Ghe e Justin olharam para trás e viram-na caída. Quando eles iam correr pra ajuda-la, foram cercados por membros da resistência, com armas mirando nas cabeças. Nesse momento, todos pararam de atirar. O próprio Aamelo, com sua arma já recarregada, pisou em cima de Lila com e mirou em suas cabeça.
“Últimas palavras?” Perguntou Aamelo.
Lila olhou de canto de olho, para cima, sorriu e disse: “Melhor desviar.”.
“Péssimas palavras.” Declarou Aamelo, que já estava fazendo o movimento para puxar o gatilho quando uma flecha atravessou sua cabeça e ele caiu de cara no chão.
“Deixem-os ir.”, Falou Rodrigo, do topo da arquibancada, colocando outra flecha no crossbow para substituir a que tinha acabado de gastar. Os membros da resistência soltaram Ghe e Justin, que, junto com Lila, agradeceram a Rodrigo, que, do iglu de Aamelo, pegou algumas bandagens que ele tinha guardado e enfaixou o pé de Lila.
“Creio que em uma semana, você já conseguirá andar bem. Até lá, recomendo você a andar com essa muleta aqui”, Concluiu Rodrigo, dando a Lila uma muleta que também estava guardada no iglu de Aamelo.
Lila agradeceu, e, quando já estavam prontos pra ir embora, Ghe perguntou:
“Ei, não quer vir com a gente? Nosso grupo está pequeno, e você mostrou um bom desempenho.”.
“Não sei... e deixar essa gente sem um líder? Meh, eles se resolvem. E agora sem o Aamelo, acho difícil eles arranjarem outra encrenca. Acho que vou com vocês.”
Então, pegaram a comida que ainda tinha sobrado, se despediram da resistência e seguiram rumo à busca de mais comida e sobreviventes.
Continua...
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