The Last Night

1 Escuro como a morte


Notas iniciais
Capítulo inicial

Já era tarde quando notei que tinha anoitecido. Tudo podia acabar naquele dia. Será que eu estava condenado a partir naquele exato momento? Barulhos estranhos ao meu redor começaram a se tornar explícitos. Sim, era o fim.

1 mês antes

As férias acabaram! Que beleza... Tudo bem se eu não estivesse mudado de escola, mas como sempre, meu pai recebeu uma promoção de emprego e nós tivemos que mudar de cidade, pela quinta vez. Meus amigos... que não eram muitos, tive que me separar deles. Mas será que eles vão sentir minha falta? Será que eles eram meus amigos mesmo? Isso não vem ao caso... Mas que escola é essa? Todos de nariz empinados, ninguém nem sequer olha, cumprimentam... Ou eu sou um roceiro, ou eles não têm respeito algum.

Entrando na sala de aula, me deparei com muitas pessoas quietas. Achei estranho, pois nem os professores estavam na sala ainda, e já estava tudo muito calmo. Minha escola antiga era tudo diferente, as pessoas eram alegres, crianças pulando o recreio inteiro, professores divertidíssimos conversando com os alunos e tudo mais. Já nessa escola nova, ninguém ri. Será que eles sabem que tão perdendo o melhor momento da vida deles?

A aula correu chaaata... Mas, não pude deixar de notar uma garota de beleza descomunal me observando horas a fio. O olhar dela era frio, como um floco de neve no inverno. Sua pele parecia à casca de uma nêspera. Seus olhos me hipnotizaram. Não consegui deslocar minha atenção daquela beldade e ela fazia o mesmo.

Tocou o sinal. Minha sessão de hipnose iria ter que acabar alguma hora, mas eu não queria que aquilo acabasse. Nunca! Eu esperei na porta até que aquela anônima saísse da sala. Segundos passavam como se fossem minutos. Mas, ela não saiu, nem estava na sala. Eu vi o rosto de cada um que passou por aquela maldita porta e ela não passou.

Pensei, sofri, sofri em dobro. Será que ela não passava de uma visão. Não tinha chances. Cada minuto que passei observando-a foi mais real do que qualquer coisa em minha vida.

Dias se passaram e a carteira em que aquele monstro da imaginação sentou permaneceu vazia. Mas como? Eu tinha vivido aquele momento! Eu tinha certeza. Até que, por incrível que se parece, ela, passou por aquele portal de madeira perfeitamente polida. Eu não fantasiei aquilo! Eu vivi! O alívio subiu por cada ponta de meus dedos e eu por instante, cheguei a ficar sem ar.

Mas algo estava errado. Os olhos dela que eram marrons estavam vermelhos, me assustei. Ela não me olhou, muito menos chamou a atenção. O que houve? Por mais que eu quisesse ajudá-la, me faltou coragem.

No intervalo, ela simplesmente sumiu. Mais uma vez. Permaneci encostado em uma pilastra na porta da sala, esperando que ela aparecesse. Mas, nada. Aqueles 20 minutos passaram de modo forçado. Até que entrei para a sala e ela estava lá! Mas como eu não a enxerguei lá o tempo todo!

Até que no intervalo o inesperado aconteceu:

- Oi — ela disse.

Por alguns segundos, não acreditei, mas teria que reagir ou ela pensaria que eu sou um tolo.

- É... o..oi.. — gaguejei.

- Qual é o seu nome? – sua voz coçava meus ouvidos.

- É Bryan..

Ela sorriu levemente.

- Eu sou Katherin. Você pode me ajudar?

- Claro!

- Me disseram que você entende bem dessa matéria de química e química não é meu forte. Você poderia me dar aula particular?

- Posso!

- Então está bem! Terça na minha casa?

- Pode ser.

- Ok! Te vejo lá!

-Tchau.

Ela saiu andando com um olhar preocupado.

1 semana antes

Os dias passaram e terça chegou. Juntei todos os meus materiais apressado, sem querer atrasar. Chegando lá, fiquei arrepiado. Sua casa era preta, apenas preta. Não havia uma janela exceto a do banheiro. A porta, com uma marca muito estranha, que me gerava calafrios. Com quem eu estou convivendo? Ela abriu a porta chorando.

- O que houve?

- Na..nada. E..entre. – ela gaguejou.

O interior daquele lugar era mais assustador ainda. Tapetes vermelhos, paredes pretas, armaduras.. Era um verdadeiro castelo! Escadas que na copa davam para três lados, portas trancadas e um silêncio atemorizante.

- Vamos estudar na sala. Por aqui.

Ela me conduziu por um corredor mais escuro que as trevas. Nunca estive em um local tão frio! O ar-condicionado dela deveria estar no máximo. Me segurei para não espirrar, mas não me contive. Ela riu.

- Eu avisei pra trazer blusa – ironizou.

Depois de estudar a criada dela nos trouxe sanduíches de pasta de amendoim, o qual eu nunca comi tão bom.

- Você vai ficar para o jantar? – disse a serviçal.

- Carmen! – gritou Katherin – Ele já está de saída.

- Mas eu exagerei na quantidade de comida, sem querer e se ninguém comer vai apodrecer.

- Carmen, ele não vai comer aqui. – ela disse com cada letra.

- Ele fica! – uma voz grossa ecoou por cada canto daquela casa – Katherin aprenda a tratar as pessoas bem! Olá meu jovem. Meu nome é Juan. Você é?

Um indivíduo obscuro e macabro como tudo naquela casa, se dirigiu a mim, com um sorriso sarcástico no rosto:

- Meu nome é Bryan.

- Hm... A Katherin me falou que você viria pra ajudar ela em química. Obrigado! Faz anos que ela tenta sair do ensino médio e não consegue – gargalhou.

O tempo foi passando rapidamente e nós ficamos conversando bastante. Não pude deixar de notar que Katherin estava meio tensa.

- O jantar está na mesa! – gritou Carmen.

A mesa era enorme e se estendia por toda a sala de jantar, que também tinha tamanho descomunal. O jantar correu bem, mas uma dúvida prevaleceu o tempo todo. Ela não tinha mãe? Eu não perguntaria, mas fiquei curioso.

Quando acabamos de jantar eu comecei a me levantar:

- Muito obrigado por tudo! O jantar estava uma delícia!

- Você já vai? – questionou Juan.

-Eu tenho que ir. Eu marquei com minha mãe dez horas e já são onze e meia.

- Você vai ficar mais. Sente-se! – Juan exclamou.

- Eu realmente não posso! – disse constrangido.

- Sente-se agora!!

A porta se bateu!

Notas finais
Espero que tenham gostado do primeiro capítulo. Se comentarem e gostarem continuo postando. Obrigado, Dark Fox. ;)
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.