The Last Light

1 O Começo do Fim.


9 de Outubro de 2013.

Era uma noite quieta em Manhattan , estava quente numa temperatura de trinta e dois graus, usava uma blusa preta sem manga enorme. Segurava um rifle Mosin Nagant M28 da Segunda Guerra Mundial , pertencia ao meu falecido avô que era um atirador de elite.

Estava numa rodovia um pouco deserta, aguardava meu alvo cuja a missão era elimina-lo e capturar um pacote que estava em seu caminhão. Subi no topo de um galpão ao lado da rodovia, que tinha a visão da esquina até o fim dela.

Já davam meia noite e meia e aquele silencio da noite, conseguia escutar apenas os grilos do local...até que meu alvo apareceu na esquina. Rapidamente me posicionei, mirei e respirei bem fundo e me concentrei. Apenas um disparo e explodiu a cabeça , fazendo o caminhão virar. Desci do galpão, e corri até o local do acidente.

Peguei meu pacote e já ouvia as sirenes de policia no local. Peguei a minha moto que estava estacionada em um ferro velho que ficava alguns quilômetros dali. Acelerei e fui até Chinatown entregar o tal pacote para meu chefe , eu não fazia a mínima ideia o que era, eu apenas era um matador e como posso dizer...um dos homens da pequena Máfia local.

Chegando lá , dois chineses , altos e de ternos me aguardavam no pequeno beco.

–Aqui está seu pacote , cadê o dinheiro? – Perguntei estendendo a mão para o grandalhão.

Eles conferiam cada canto da caixa como se fosse um tesouro valioso , e parecia. E então um olhou para o outro e fez um sinal com a cabeça como se estivesse confirmado algo. E um deles virou para mim e falou – Me siga , por favor.

Andamos algumas quadras dali , e chegamos a uma balada. O som estava alto e estava cheio de dor de cabeça. Mal entrei e alguns bêbados me olharam , deveria ser minha tatuagem de dragão que tenho nas costas que ia até o pescoço.

Andamos no meio da multidão bêbada, animada, contagiosa com suas danças. Até um camarote e lá estava o “Comandante” da porra toda, o senhor Feng com sua tatuagem tribal no lado esquerdo do rosto, usava um óculos escuro, um terno de milhões de dólares e uma bengala , isso tudo para se mostrar quem era que manda naquela merda de Máfia. E em sua volta, várias garotas de biquíni , com seus peitos quase saindo.

– Senhor Feng? Freddy trouxe o que o senhor pediu – Disse o grandalhão , pondo delicadamente o pacote sobre a mesa.

–Ótimo , excelente como sempre meu rapaz. – Falou se levantando com sua bengala , logo se curvando por conta dos problemas na coluna – Pegue a maleta na cadeira e dê o fora daqui.

Olhei para o lado e lá estava a maleta, abri e conferi todo meu dinheiro e dei o fora dali mais ele segurou pelo meu braço e olhou com um olhar severo

– Daqui a alguns meses esse mundo vai pro inferno e eu vou está no topo. Se cuide meu rapaz.

Eu não fazia ideia do que o velho estava falando , talvez ele seja louco...

Na manhã seguinte, eu fui ao mercado comprar mais leite, pão , biscoitos e mais bacon e depois comprar munição pra rifle. O senhor Willis era o dono do mercado de armas um velho veterano de guerra, a loja era em um beco , bem escondida por conta da proibição do trafico de armas.

Quando cheguei lá estava ele fumando seu cigarro fora da loja.

–Bom dia Willis. – Falei pondo a mão em seu ombro

–Ora se não é o jovem Krueger, como vai? Veio aqui para comprar mais munições? – Dizia com sua voz rouca de velho , usava sempre sua camisa xadrez vermelha e seu calção, se isso era um disfarce , ele sabia bem fazer um.

–Ainda tem .30 de 7.62 x 54 mm ? – Perguntei abrindo a porta de sua loja.

–Nagant M28 , certo jovem?

–Isso.

Ele acelerou os passos e entrou pelo balcão e procurou pelas prateleiras cheias de munições, armas e granadas. Até que achou a pequena e comprida caixinha preta com uma linha vermelha, pegou dez delas e fez pela metade do preço.

Sai contente da vida de lá, até virar a esquina...

Um pequeno orfanato que já conhecia , estava em chamas. Geralmente eu doava algum dinheiro para lá. E agora ele se foi.

– Tem gente ainda lá! – Uma pessoa que estava na rua gritou.

Minha mente ficou em confusão , ou eu salvava ou apenas observava como todos... Eu sabia que eu tinha que fazer algo, algo me dizia , então eu corri e entrei lá dentro.

Estava quente, quente demais ,como nunca tinha sentido isso mesmo naqueles verões dos infernos. Lá no fundo escutava um choro , de uma pequena garotinha.

–Alguém?! – Gritei bem alto

–Socorro! Socorro! – Desesperadamente a menininha gritava e chorava

Não sabia onde ela estava, eu entrei em um dos corredores e fui arrombando as portas até encontra-la , quando abri uma das ultimas portas , uma chama veio na minha cara que quase me fez desmaiar, passei a mão no rosto desesperadamente para vê se havia algum ferimento ou algo do tipo mais nada...Sai dali e desmoronou aquela parte, fui para outra, o prédio havia dois andares , fui para o segundo. E a menininha não parava de gritar por socorro e o calor ia aumentando intensamente, de fundo, escutava a sirene dos bombeiros mais sentia que estava longe demais.

De sorte, quando arrombei a primeira porta do segundo corredor , ela estava lá , no canto , desesperada. Uma pequena garotinha por volta de cinco ou seis anos de idade, usava um vestidinho de bolinhas já sujo de poeira, era loirinha de olhos azuis, seu rostinho branco estava escuro, tossia como um velho de tuberculose e nela, se segurava em um ursinho azul com um pequeno chapéu marrom.

–Venha querida, vou te tirar daqui, rápido! – Falei estendendo a mão para ela segurar.

Peguei ela no colo, saindo dali, o teto desmoronou e bloqueou as escadas e não dava para pular ali pois estava tudo em chamas , ela entrava em desespero. Voltei para o quarto e havia uma janela, eu tinha que pular , então corri bem rápido e pulei e por uns minutos apaguei e acordei com um monte de bombeiros em volta botando uma mascara na minha boca para eu respirar.

–Você foi um herói garoto – Disse um dos bombeiros – Salvou uma vida hoje.

Me levantei e me deparei com aquela multidão me aplaudindo , não gostava disso tudo mais no fundo amava.

A pequena garotinha saiu do carro da ambulância onde estava sentada com uma mascara veio me abraça bem forte, coisa que não sentia a anos...

–Eu quero ficar com você – Disse a pequena.

–Mas... não posso – Sabia que não podia, ela é pequena, mesmo assim como ela ia entender meu trabalho? É perigoso. Mais eu via que peguei um afeto por ela...

Ela abaixou a cabeça e envolveu bem firme seu ursinho de pelúcia.

–Tudo bem, venha cá. – Chamei ela de volta e ela abriu um enorme sorriso. – Qual é seu nome ?

– Emily – Disse estendendo a pequena mãozinha para me cumprimentar

–Henry , prazer pequenina – Estendi a minha mão e a cumprimentei.

Dezembro chega e criamos um laço entre nós e nesse período eu dei um tempo com trabalho , até ela se acostumar comigo...eu acho que fiz certo.

Era uma quinta , se me recordo bem, chovia muito durante a tarde. Tinha feito dois chocolates bem quente para nós, botei ela pra ver desenhos e tentei descansar e logo o telefone tocou o numero era desconhecido mais atendi mesmo assim.

–Alô?

–Ei Freddy, quanto tempo ... poxa vida , sua voz não mudou nada – Falou uma voz feminina.

–Conheço? Eu não sou bom com memória.

–Sou eu , Stacey , colegial... lembra?

Deus, era uma das minhas ex-namoradas, como arranjou meu telefone? Por que me ligou? Ela era um porre, só sabia reclamar e sentia ciúme de tudo.

–Ei Stacey...err como arranjou meu telefone?

–Seu irmão, Bruce. Olha eu só queria saber como você estava e se você toparia sair juntos sei lá.

–Olha agora não tenho tempo sabe? – Eu estava doido para desligar e ligar pro meu irmão e xinga-lo até a morte – Eu tenho uma garotinha e eu não posso deixa-la sozinha.

–Ah entendo... você agora tem uma filha?

Queria dizer que não , mais se eu falasse que sim ela me daria um tempo e logo sacaria algo , ou ela é burra o bastante pra acreditar em mim ainda.

– ... É , eu tenho.

–Ah que bom, é , você tá bem não está? – Falava meio sem graça, acho que sacou algo.

–É , estou.

–Bom era só isso , se cuide Freddy.

Desliguei na cara dela, botei as mãos sobre a cabeça e lentamente desci para os olhos, só de ouvir a voz dela me dava dor de cabeça. Me levantei para tomar alguns comprimidos para dor e aproveitei para vê como a Emily estava e me aproximei do sofá e ela estava toda encolhida de frio , com seu ursinho nos braços e dormia tranquilamente.

Peguei no colo e a levei para o quarto , meu apartamento era pequeno só havia uma cozinha , uma sala não tão grande e um quarto com uma cama de casal porque as vezes levava prostitutas para cá. Botei uma música bem suave e o volume no dez para deixar de fundo e tentar descansar. Os últimos meses não foram fáceis , tive que leva-la pro médico umas cinco vezes por ter ficado doente, foram lá uns quinhentos dólares com remédios...quem diria que cuidar de uma criança fosse fácil...

Quando finalmente achei que conseguiria dormir, meu celular tocou e quase pulei da cama de susto e acabou acordando ela também que dormia no meu lado.

– Quem é? – Perguntou esfregando as pequenas mãozinhas nos olhinhos

Olhei para o celular era o senhor Feng. Mais não decidi atender.

No dia seguinte, decidi leva-la a Los Angeles, Long Beach para se distrair um pouco, passear e tenta ser o pai do ano pelo menos.

Botei as coisas no meu Impala , e viajamos por um bom tempo , o clima continuava bem chuvoso e foram umas cinco horas de viagem , claro que também paramos para comer. Primeiro paramos em um restaurante bem chique, primeira vez dela em um restaurante, depois a uma lanchonete conhecida minha, comia lá sempre , comer aquele hambúrguer gorduroso pra encher mesmo.

Chegamos no hotel, alugamos um quarto bem grande com uma vista da praia. A praia na verdade, era onde eu e mais três caras escondíamos os corpos , ainda dá pra ver uns buracos e não desconfiaram até hoje, bem que eu queria dizer a ela isso mais não sei como reagiria.

Na manhã seguinte, nublado sem chuva. Algumas pessoas caminhavam na praia e decidimos caminhar também.

Certa hora, havia um casal de idoso na nossa frente enquanto andávamos , e de repente algo saiu debaixo da areia e agarrou a senhora na frente.

– Meu Deus! O que é isso?! – Gritou a mulher.

A mão estava em decomposição e tinha forças para agarra a mulher, e não parava de puxar.

– Alguém nos ajude! – Gritou o idoso.

E Emily começou a gritar e se escondeu atrás de mim, eu não sabia se puxava a pequena Glock no bolso e atiraria na mão ou ... não sabia o que fazer , só assistia apavorado.

Até que escuto um estalo, a mulher cai no chão e seu pé foi totalmente arrancado para fora, e “aquilo” saiu debaixo da areia, avançando para cima da mulher, parecia ter raiva, muita raiva, e o senhor ao seu lado chutava aquilo mais aquilo não parava de devorar a mulher.

Eu puxei a Glock e atirei na cabeça daquela coisa em decomposição , cheguei perto e conseguia reconhecer, era o moleque do Tom...matamos ano passado com um tiro no peito, ele tinha traído o senhor Feng e enterramos por aqui... e agora se tornou isso?

A mulher estava morta, sua barriga estava aberta, devorada...era horrível. E aí , a mulher se levanta e ataca o senhor que chorava ao seu lado , eu peguei Emily no colo e a levei de volta para o hotel , corri e não olhei para trás.

Chegando no nosso andar, um homem passava mal no corredor, ele não parava de vomitar sangue.

Abri a porta com a Glock sobre a mira e o apartamento estava limpo.

–Emily , arruma suas coisas , agora! – Ordenei enquanto olhava pela janela aquela mulher devorando o senhor ainda. Olhei para o céu e parecia meio verde com umas nuvens pretas. E pensei... radioatividade? Poluindo o ar...todos estamos infectados...

Liguei para o senhor Feng enquanto arrumava as malas junto com Emily que na verdade era uma lerda para arrumar tudo.

–Senhor Feng? Que porra tá acontecendo? – Gritei e bati a mala com força para fechar.

–EU TENTEI LIGAR MAIS VOCÊ NÃO ATENDEU! – Gritou como se fosse um surdo , no fundo , parecia som de helicóptero.

–Mais que merda toda é essa? Foi aquele pacote que entreguei? Você tá mandando tudo isso pra merda? Sério?

–EU IREI TE BUSCAR, ONDE VOCÊ ESTA?

–Long Beach , Los Angeles.

–ESTOU INDO, VAI PARA O TELHADO E ACENDA UM FLARE!

–Ok, até.

Desliguei o telefone, mais onde iria arranja um flare ? Nossa sorte é que temos poucas coisas. Peguei a mala, botei a mochila e botei ela nos braços e apenas corri desesperado para o telhado.

–O que tá acontecendo? Tô com medo – Disse Emily baixinho no meu ouvido

–Vai tá tudo bem ok?

–Mais e aquele monstro lá na praia...

–Esquece ele querida.

Continuei subindo as escadas, e cheguei ao topo. Havia um armário perto da porta e conseguia escuta o helicóptero aproximando. Rapidamente botei a mala no chão , abri o armário e procurei um flare , sorte, havia um. Acendi , abri a porta e joguei no meio do telhado.

O helicóptero se aproximou e botei a Emily ali primeiro com a mala , depois subi. Fechei a porta e havia Susy , Joey e meu irmão Bruce, na frente o senhor Feng e o piloto.

–Pra onde vamos? – Pergunto

–Para uma base militar, eles já montaram tudo. O surto começou no hospital e se espalhou rapidamente pela capital e aí , bam – Disse Susy , ela era uma linda japonesa, usava um decote e seus peitos quase pulavam para fora. Ela era a assassina preferida do Feng.

Bruce vestia seu casaco militar, com sua M16 na mão como sempre. Joey , o menino prodígio , era como chamamos , era o que sabia de tudo e fazia pouco, vestia seu calção, e sua blusa sem manga , para mostra suas tatuagens no braço , e como sempre sua Eagle na mão.

Susy se aproximou perto de mim e falou bem baixo no meu ouvido.

–Tá dando vontade de dá um tiro na cabeça do Feng.

–Porque?

–Ele começou essa merda toda, acabou com nossas famílias, nossas vidas, tudo.

–Eu não havia mais nada a perder.

–E seu irmão?

–Não vamos bem, tanto faz eu perder ele ou não. Sentimentos são coisas que já perdi faz tempo , e essa pequena – Apontei para Emily – Tá trazendo tudo de volta aos poucos.

–É uma linda garotinha, eu vi o que aconteceu no noticiário.

–É...

Olhei de volta para janela, e via tudo sendo destruído...tudo se foi. Teremos que se acostumar com a nova vida que estar a vir

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.