The Last Fight

1 Do I fight or let it die?


Notas iniciais
- Curtinho,afinal é um one-shot e um roteiro de apresentação.
- Espero que gostem.

· Numa noite fria, uma mulher lê uma carta próxima a cortina cor de mercúrio...

Datada de 1944 havia ela,sido a ultima noticia recebida sobre o jovem guerreiro.

“ (...) Mantenho-me a seguir confiante em meio a destruição de algo tão frágil,a humanidade. Pensei algumas,inúmeras,vezes em desistir desta guerra e terminar com essa vida pecadora que destruiu lares e famílias sem nem ao menos pensar no que faziam ali,em meio ao sangue.(...)”

Pausou momentaneamente a leitura,e sentiu uma pequena lagrima cortar-lhe a branca face e então suspirou arrependida. Olhou através da cortina e viu uma densa nevoa tentar invadir as casas vizinhas,revirou lentamente os olhos e se sentou na cadeira mais próxima.

“(...) Se hoje,estou aqui ainda vivo. Devo isso a um anjo que me guia e com suas asas me protege do perigo,com seu doce sorriso é capaz de amenizar minha dor,com seu canto cura minhas feridas e me faz continuar a seguir para o fim dessa horrível destruição.(...)”

Outra pausa,dessa vez um pouco mais longa. Ajeitou os cabelos,o casaco e por fim a folha de papel entre os dedos trêmulos. Já não agüentava ler a carta e lembrar que desde então nunca recebeu qualquer noticia sobre o amado.

Caminhava todos os dias ao porto na esperança de encontrá-lo no meio dos soldados que voltavam da guerra recém-acabada.

“(...) Hoje,conheci um homem que não tem para quem retornar. Apenas um lar vazio,destruído e escuro o espera quando toda a tormenta chegar ao fim. Seus olhos eram azuis,não como os seus minha querida que são um azul tão claro e brilhante como o céu, eram do azul mais solitário e escuro que minha pequena mente pôde se lembrar. Me pareciam como o mar em meio a uma tempestade e só queriam um motivo para brilhar novamente.(...)“

Já havia decorado cada palavra,cada virgula e cada ponto final.Correu os olhos novamente pela carta,desta vez lendo-a mentalmente até chegar em um ponto e voltar a Lê-la em voz baixa.

“(...) Vi crianças,jovens e até mesmo mulheres morrerem diante de meus olhos,e eu,novamente indefeso e sem poder ajudá-los apenas orei por suas almas e famílias. Imaginei-me a perder você ou qualquer um dos que me são importantes em cada um desses momentos,a dor foi mais do que imensa,parecia brotar de mim e rasgar meu peito ao meio.

São nesses,não tão raros, momentos que me pergunto exatamente o que leva a uma guerra. Quais os verdadeiros motivos de destruir um semelhantes,quais os motivos de atacar pessoas que nem ao menos fazem idéia do porque estão morrendo.

Peço a Deus,se ele existir, que tenha piedade da alma de quem começou esta guerra. (...)

Do lugar onde estou escondido,sou capaz de ver um pequeno vilarejo intacto... Ele será nosso próximo alvo. Não sei se terei coragem de atacá-lo quando o sol ameaçar nascer amanhã...

As pessoas daquele lugar foram gentis e bondosas com os soldados. Cuidaram dos feridos e até mesmo nos forneceram água e comida,justamente para nós que somos os inimigos.

É nesse momento que fico grato por ainda existirem pessoas de coração puro e bondoso.(...)”

Parou de ler ali, um som conhecido lhe chamou atenção. Algo havia sido empurrado por baixo da porta,um pequeno envelope empoeirado e amarelado. O segurou rapidamente com as duas mãos e abriu.

“30 agosto de 1945.

Este é o ultimo ataque,creio que amanhã seja declarado o fim da segunda guerra. Não sei se vou sobreviver, nosso alojamento foi atacado por soldados inimigos e muitos de nós já não estão aqui.

E os poucos que nos restaram possuem olhos marcados pelo medo,muitos,creio eu,irão desistir antes mesmo de tentar... Se pudesse faria como eles,mas já não tenho esta escolha. Ao me olhar no espelho não reconheço quem sou,meus olhos não são os mesmo. Estão perdidos e marcados como os de um assassino. Peço que me perdoe por ser fraco, e por me tornar isto.

Esta pode ser minha ultima carta,creio que nunca mais retornarei ao lar. Espero que,mesmo com atraso,você receba ela um dia.

Do seu amado guerreiro.”

Notas finais
- Mereço um comentário?
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!