Logo depois que Anne já tinha desaparecido e tudo aquilo na escola já havia acontecido, a polícia foi em casa conversar – vulgo obter respostas sem mesmo eu querer responder – comigo.
Foram dois policiais e um homem que estava anotando tudo o que eu dizia. Foi horrível. Eu não conseguia reviver aquele momento novamente, mas fui obrigada. Bom, nenhuma força foi necessária, mas eu sabia que se eu não me abrisse iria ser completamente necessário.
– Então, Srta. Scottsdon. – um policial cujo nome era Edward disse. – Desculpe por isso, mas é realmente necessário. Nós precisamos saber tudo o que aconteceu noite retrasada até o incidente na escola. Cada detalhe.
Eu olhei para a minha mãe em busca de socorro. Tudo o que recebi foi um olhar que claramente dizia: Fale logo. Uma hora você terá que dizer. Eu respirei fundo antes de começar a falar.

– Acho que era oito da noite quando Anne me ligou dizendo que ela queria sair de casa. – comecei. O homem do lado dos dois policiais começou a anotar. – Mas não sair de casa como dar um passeio. Ela estava tipo desesperada. Ela disse que não aguentava mais viver daquele jeito... Eu não sei o que significa o daquele jeito que ela disse. Daí eu perguntei para ela o que estava acontecendo com ela, e Anne apenas disse que não iria aguentar mais ficar lá dentro...
– Lá dentro? – o outro policial disse. Em seu uniforme estava escrito o nome Robert.
– É. Dentro da casa dela.
Ele fez um sinal para eu continuar.
– Bom, aí eu disse que ela podia vir pra minha casa. Mas ela me respondeu que – fiz um gesto com a mão indicando o que ela disse – certamente não iria dar certo se ela saísse de casa. E que ela iria ficar na casa dela, por que é o lugar que ela nunca vai poder sair.
Minha mãe me olhava de um jeito estranho. Eu demorei alguns segundos antes de continuar a contar.
– E eu perguntei se ela estava bem. E ela basicamente respondeu que nunca esteve melhor. Depois desligou. Passaram algumas horas e ela me mandou uma mensagem dizendo para eu ir até a casa dela. E se eu não fosse eu nunca iria conseguir ajudar ela no que ela precisa.
– E você foi. – o Policial Edward afirmou sério. Eu gostaria que fosse uma pergunta.
– É claro! – eu disse um pouco indignada. – Se sua melhor amiga estava praticamente alucinando no telefone você iria deixar ela sozinha?
A minha mãe me cortou com um olhar ameaçador. Por um momento eu senti vontade de me encolher.

– Está tudo bem, Sra. Scottsdon. – o outro policial, o Robert, falou. – Pode prosseguir Srta?
Eu apenas respirei fundo mais uma vez. Lá vem a pior parte.
– Tá. Eu cheguei à casa da Anne e a mãe dela disse que ela tinha saído. Aí eu disse pra mãe dela que a Anne me disse pra encontrar ela aqui por que ela estava precisando de ajuda. Só que a mãe dela começou a chorar, então o pai dela apareceu para ajudar a mãe.
– Precisamos de mais detalhes...
– Mas foi isso. – eu interrompi o policial. Caramba, se for para me interromper pra que eu vou ficar falando de algo que eu não quero? — Foi do jeito que eu falei, rápido. Enfim... Quando o pai apareceu, ele me disse apenas um tchau. E fechou a porta. O que me deixou para o lado de fora.
Todos da sala me escutavam com expressões confusas.
– Então eu toquei a campainha, uma vez, mas eles não atenderam. Então eu desisti e fui ligar pros meus pais, mas um exato segundo antes de eu ligar, a Anne me ligou. Ela me perguntou se eu já tinha chegado a casa dela, e eu respondi que sim e a Anne desligou.
Engoli em seco.
– E não demorou nem um minuto até a própria Anne aparecer gritando meu nome. Ela caminhou até onde eu estava com pressa, e ela estava olhando para tipo, todos os lados enquanto vinha em minha direção...

– Johana! — Anne gritou para mim. Eu suspirei. – Há quanto tempo você chegou?
– Acho que há uns cinco minutos. – respondi quando ela já estava perto. – Mas isso não importa. O que foi que aconteceu?
– Eu já te explico. – Anne sussurrou olhando fixamente para algo que eu não consegui ver. – Olha, a gente precisa sair daqui. Agora.
Então ela segurou minha mão e saiu correndo. Eu fui arrastada junto com ela, o que me fez correr também, apesar de eu ter quase caído várias vezes. Ela me arrastou por vários metros, até eu parar.
– Anne! – eu chamei enquanto me apoiava sob um muro. Ela se virou para trás, indignada por eu ter parado. Ela ia dizer algo, mas eu a interrompi. – Para com isso. Já é tarde e nós estamos correndo por a rua. O que você quer Anne? Eu te conheço. Eu não saio e não deixo você sair daqui enquanto você não me explicar o que está acontecendo.
Ela voltou a olhar todos os locais possíveis. E eu já estava irritada. A Anne percebeu isso e virou para mim, com uma expressão entediada.
– Ok, preste atenção. Eu estou tentando achar... – Anne parou de falar para olhar alguma coisa atrás de mim. Ela colocou as mãos sob meus ombros com força, me impossibilitando de virar. Eu me rebati, infantilmente. Mas não adiantou nada.
– Anne? – eu sussurrei para ela. Tentei tirar as mãos dela dos meus ombros mais uma vez, mas não adiantou nada. – O que você está fazendo? O que... Anne?!
– A última porta. – ela sorriu ironicamente para algo atrás de mim logo depois de me interromper. – Eu estou procurando a última porta.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.