The Last Dance

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Só queria acrescentar dois agradecimentos: primeiro à ChopperChan, que depois de fazer a maravilhosa fic "Chiaroscuro" me inspirou profundamente. Quem quiser passar lá, agora é a hora! E também, a um amigo meu que me apresentou à música "Shake It Out" que também me inspirou e não, não é da Taylor. Sim, eu já confiri. São musicas completamentes diferentes.
Boa leitura!!!

Eram duas e quinze da manhã, mas isso não impedia aquele infame grupo de piratas de continuarem a festa. Todos cantavam, dançavam, comiam e bebiam como se fosse o último dia da vida deles. O que não era totalmente verdade e nem totalmente mentira.

Enquanto isso, do outro lado do bar, o capitão olhava para todos os companheiros com carinho nos olhos e peso nos ombros.

— Rouge, você acha que eu fui um bom rei?— Roger perguntava triste. — Cada um deles teve problemas, dificuldades, seus dias ruins... Eu queria ajudá-los, mas agora estão todos destinados a morte e a culpa é minha. Como eu poderia ser um bom rei, se não posso ao menos proteger aqueles que amo?

Aquela era uma pergunta que estava na cabeça de Roger fazia tempo, mas nunca teve coragem de respondê-la por si próprio. E agora, Rouge teria a oportunidade de fazer algo sobre isso. Ela teria que responder a tal difícil pergunta por ele.

— A resposta disso tudo está na sua frente e só você não vê. — A mulher falava docemente — Olhe para eles, dessa vez, mais atentamente. Cada um deles, você mesmo disse, teve seus problemas. Alguns nem se quer queriam mais viver. Outros queiram, mas não tinham a chance, pois suas vidas eram se esconder e fugir. Antes de conhecer você, não sabiam o significado da palavra "esperança". Você os trouxe vida mais uma vez!

— Mas...

— Roger! Eles sabiam da sua má fama! — A mulher interrompia o pirata, já sabendo o que ele falaria a seguir— Eles sabiam que todos os piratas e marinheiros do mundo estavam contra você e qualquer um que se juntasse a sua tripulação sofreria o mesmo destino! Mas eles não ligaram para isso. Eles continuaram ao seu lado e tenho certeza que teriam morrido por você, sem pestanejar. Pois você, em algum momento da vida deles, os salvou. Os devolveu a esperança e a felicidade.

Roger entendia agora o que Rouge queria dizer. Mas isso ainda não tirava a culpa de seus ombros. Talvez nada tirasse. Mas agora, a dor estava menor.

Ainda assim, aquele era seu último dia com aqueles que amava. Roger não poderia desperdiçá-lo sofrendo e se culpando. De repente a música, que antes estava agitada, agora estava leve e calma. O capitão olhou para o músico e ao seu lado, Rayleigh, que piscava para o amigo. O homem então se vira para encarar a ruiva e estende a mão.

— Dançaria comigo, uma última vez? — Roger falava, mas não havia dor em sua voz, somente divertimento.

Rouge não estava bem para dançar. Na verdade, todos os ossos e músculos da mulher estavam doloridos. Estava mais pesada por causa da gravidez, ainda não aparente. E apesar de não ter forças para dançar, ela as conseguiria de alguma maneira, pois não negaria a Roger sua última dança. Do mesmo jeito, que nenhuma rainha negaria ao seu rei uma última valsa.

Rouge sorriu e deixou que o homem a guiasse pelo bar. Escondia com tudo o que tinha a dor que sentia em seu corpo. Mas, apesar do esforço, para Roger que já dançara muitas e muitas músicas ao lado da ruiva, estava clara a dificuldade da mulher. Ainda dançando, Roger leva a cabeça para mais perto do ouvido dela e fala baixo, com objetivo de que ninguém escutasse o que falaria a seguir.

— Quão difícil é dançar com o demônio em seu ventre? Com o sangue maldito dentro de você? Rouge, me desculpe. Por tudo o que te fiz sofrer e tudo o que farei, mesmo depois de partir. Me desculpe...

Rouge sentiu raiva das palavras de Roger. Queria dizer que não importava para ela o que pensariam de seu filho, ela iria amá-lo e protegê-lo com todas as suas forças. Que mesmo que dissesse que o sangue era "maldito", aquele fora o sangue ela escolheu, e independente de ser de demônio ou não, era o sangue que amava. Que a aquilo que passou e passará não era culpa dele, e sim, a consequência do ato de duas pessoas, nada mais que uma consequência que Rouge estaria disposta a passar.

Mas nada disso saiu de sua cabeça. Rouge abriu e fechou a boca diversas vezes, mas nada saiu. Tudo o que conseguiu fazer, foi encostar sua cabeça no peito do capitão e deixar que suas lágrimas molhassem sua blusa.

Uma semana depois, Roger já havia morrido. Uma agitação anormal começou no mundo todo. Piratas e mais piratas surgiam de todas as partes do mundo. E tudo o que a marinha parecia fazer era tirar mulheres de suas casas, procurando por alguma que tivesse "a criança" em seu ventre.

Rouge já não sabia administrar seus sentimentos. Mas ela precisava continuar. Continuar pelo seu filho. Mas por uma razão que ela não sabia explicar, uma vez que Roger não estava mais aqui, ela sentia que o mundo nunca mais seria o mesmo, e ela amava o mundo onde vivia quando ele reinava. Mas as coisas mudaram, uma nova era ascendia e ela só podia aceitar e esperar que tudo ficasse bem.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!