The Last Chance
4 Capítulo 3
Notas iniciais
Elevei as mãos aos céus quando avistei a minha casa no fim da rua, estava tão exausta e claramente confusa que nada melhor do que um banho quente e demorado para retirar de mim todas aquelas sensações e maus pensamentos.
— Mãe! – Henry correu em minha direção, abraçando-me com toda força ao pular no meu colo.
— Oi garoto! – respondi com os braços ao seu redor, dando-lhe beijos no alto da cabeça. – Está tudo bem? – ele rapidamente assentiu com a cabeça. – Onde está a Branca?
— Na cozinha mamãe, está preparando o jantar. – disse ele, sorrindo grande. – Fizemos cookies de chocolate pra você!
— Pra mim? – arqueei as sobrancelhas, fazendo-me de desentendida. – Por que eu ganho biscoitos por ficar fora o dia inteirinho? – coloquei o menino no chão, agarrando a sua mão e começando a caminhar até a cozinha.
— Por que você é a mãe. – disse simplesmente, sorrindo.
— Emma, que bom que você chegou. – balbuciou Branca, remexendo algo no fogão, de costas para mim. – E ai? Conte-me, como foi o seu primeiro dia!
Tenho tantas coisas para contar e bom, Henry não poderia ouvir. – Filho, por que você não vai separando a sua roupa de dormir, assim que eu terminar aqui, nós vamos tomar um banho! – antes que eu tornasse a repetir, ele já estava longe, pisando fortemente contra os degraus da escada. – Sem correr!
— Por que você o dispensou? – Branca pela primeira vez me encarou e arregalou os olhos. – O que foi que aconteceu com a minha blusa?! – deu ênfase na penúltima palavra, deixando-me com a boca seca.
— Isso... Bom... – olhei para a mancha amarronzada. – Eu vou comprar outra pra você.
— Eu gostava dessa. – revirou os olhos, cruzando os braços na frente do corpo. – Achei que tinha idade o suficiente para cuidar melhor das coisas que não são suas.
— Wow! Calma aí. – abri os braços, brincando. – Eu disse que a “dívida” vai ser quitada! – joguei-me na cadeira ao lado, agarrando uma maça da fruteira e dando uma bela mordida em seu meio. – Ainda quer saber como foi o meu primeiro dia?
— Claro né, Swan! – bufou e sentou-se em minha frente, colocando os cotovelos à mesa para apoiar com as mãos o seu rosto.
Contei delicadamente tudo o que havia acontecido naquele dia e quando mencionei a cena do banheiro, a mulher em minha frente caiu na gargalhada, parei no mesmo instante. – Onde está a graça nisso, Srta. B?!
— Você flertou no seu primeiro dia de trabalho! – disse em alto e bom som, fazendo as minhas bochechas queimarem de vergonha.
— Ela estava flertando comigo e não ao contrário! – retruquei.
— O que é flertar mamãe? – quase saltei da cadeira quando o assunto foi cortado pelo garoto. Olhei para Branca de relance e depois me virei para encarar aqueles olhinhos curiosos.
As palavras fugiram e eu não sabia como responder a sua pergunta, já que não tinha noção de quanto tempo ele estava ali.
— Flertar é conversar. – interrompeu a mulher mais velha, soltando um riso irônico ao final.
— Então... – ele colocou uma das mãos na boca, como se estivesse pensando. – Eu flerto todos os dias com a minha professora mamãe.
Sua inocência me fez querer gargalhar, embora não podia, pois com certeza ele faria mais perguntas. – Filho... Só pessoas adultas usam essa palavra, tá bom?
— Oh sim, só pessoas adultas! – interrompeu Branca, dando-me um soco leve no braço ao se levantar. – Isso não inclui a sua mãe, Henry!
Rosnei quando ela deu a volta em meu corpo, levantando-me e caminhando até o meu filho. – Vamos tomar um banho garotão? – Ele assentiu com a cabeça, saltitando ao meu lado pelo corredor. Revirei os olhos mais uma vez para a mulher e só depois comecei a subir os degraus para o outro andar.
Embora o dia agitado e bem, quente demais, metaforicamente falando... Eu gostei daquele lugar, só não estava muito segura em relação à Srta. Mills, já que a sua aproximação me deixou um pouco confusa, ou melhor, muito confusa. Não sei onde aquilo chegaria se ela se aproximar mais uma vez como fez no banheiro, pois convenhamos, não a sexualidade que resista a sedução de uma bela mulher... E claro, ela se encaixa nesse perfil.
Nunca soube como distinguir ou como me colocar quando o assunto era a minha orientação, sempre viajei entre os dois mundos, me apaixonando por garotos e garotas a minha juventude toda, até engravidar do Neal e bom, desde então, não me relacionei mais com ninguém.
Fugi dos meus próprios pensamentos ao sentir os bracinhos em meu colo ficarem cada vez mais relaxados, onde supostamente Henry estava dormindo sob a água agradável da banheira. Com cuidado retirei o sabão de seus cabelos negros e nos tirei dali, embrulhando-nos em um único roupão.
— Hey meu amor... Não durma ainda. – sussurrei ao trocá-lo.
— Mamãe...
— Hum? – me afastei da cama, agarrando uma camisa soltinha e colocando-a depressa.
— Posso ficar aqui essa noite? – pediu com os olhinhos cansados... Que mãe resiste à isso?
Afirmei com a cabeça, deitando-me ao seu lado.
— Sabe que teremos problemas coma a Srta. B se não descermos para jantar. – ele se entrelaçou ao meu corpo, abraçando a minha barriga com as pequenas mãos.
— Você sempre resolve os problemas mamãe...
— Quem dera se fosse assim meu querido... Quem dera...
Fechei os olhos e antes do sono me fazer inconsciente, tive como a última imagem o seu lindo rosto.
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O alarme irritante do meu celular me arrancou de um sonho que parecia ser muito bom, procurei o aparelho entre alguns travesseiros e o desliguei, tomando um cuidado excessivo para não acordar quem passara a noite comigo. Levantei-me devagar, retirando o corpo morno que estava encima do meu e fui ao banheiro pra começar a me arrumar para mais um dia de trabalho, o segundo dia para atender aos caprichos de Regina Mills.
Devido ao incidente com a blusa de Branca, senti-me extremamente com a vida ameaçada caso quisesse mais alguma peça de roupa emprestada, então, averiguei cada canto do meu armário para encontrar algo decente.
Vesti-me com uma calça preta com barras largas, uma sapatilha escura e uma camisa branca sem detalhes, soltinha, e claro, formal demais para Emma Swan. Tenho que admitir, prefiro roupas mais rústicas, botas, couro, jaquetas e tudo mais. Deixei o meu cabelo escorrer em curtas ondas pelos meus braços e apenas ressaltei a cor dos meus olhos com uma leve esfumaçada. Dei um pouco de cor aos meus lábios com um batom vermelho e pronto, agora estava bom.
— Uau! Quem é você e o que fez com a “Srta. Nada feminina” dessa casa?
— Deixe de graça. – beijei suas bochechas e logo depois agarrei a xícara que estava em suas mãos, tomando um bom gole do seu café. – Eu estou atrasada! Não consegui trocar o Henry, faz isso pra mim? Por favor? – andei para trás, sorrindo e piscando os olhos o mais rápido que conseguia.
— Claro. – ela se encostou no balcão, voltando a tomar o café que lhe foi tomado. – O que você faria sem mim Swan?! – sorri com a sua confirmação, destrancando a porta. – Emma!
— Oi? – coloquei a cabeça entre o vão do objeto.
— Você está linda!
Pude sentir as minhas bochechas ficarem vermelhas no mesmo instante. – Obri-g-a-da. – sussurrei e saí de casa.
Não sei em qual momento eu havia me perdido, ou melhor o que de fato eu fiz que levou tanto tempo assim. E como se eu estivesse sendo castigada por algo, comecei a sentir a água em forma de pingos caírem do céu. – Ah, que ótimo! – disse para mim mesmo, sabendo que teria que andar cinco quarteirões para então pegar um taxi.
A forte vibração me fez parar no semáforo, retirei o celular da bolsa e atendi sem mesmo ver o identificador de chamadas.
— Alô?!— disse friamente.
— Com quem eu falo?— devido a aglomeração de pessoas ao atravessar a faixa, não conseguia identificar o timbre de voz.
— Olha eu estou um pouco ocupada agora, poderia me ligar mais tarde?— tive que gritar, pois a mulher ao meu lado, falava mais alto do que todos ao redor. – Mas que droga Senhora, dá para calar a boca! – disse irritada para a velha.
— Mas é claro Srta Swan! Assim que você resolver chegar no seu trabalho, por favor, faça o favor de ir até a minha sala... Até daqui a pouco...
— Sra. Mills... Esper...a... Não era com... vo...cê
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