The Last Chance
23 Capítulo 22
Notas iniciais
Ao meu redor, tudo congelou. Não havia música. Não havia corpos dançantes. Não havia nada, nada além daquela imagem. Ao menos os olhos se atreveram a piscar. A respiração, entrecortada, afobada em um desespero estranho. Um arrepio que cortava a espinha. Sensações desconexas . A mente conturbada em prol da mulher ser tocada por outra...
— Hey! Regina! — um estalo de dedos, faz tudo voltar a ter movimento.
— Desculpe-me. — disse, passando as mãos pelo cabelo e tentando desviar os olhos de Swan, que ainda se mantinha naquele orgasmo.
— Você está bem? — pergunta, Ruby, tocando meu ombro com delicadeza.
— Apenas... — respirei fundo, sabendo que não aguentaria ficar naquele lugar depois do que vi. — Vamos sair daqui.
— Está mesmo bem? Parece pálida, como se tivesse visto algum fantasma. — soltou com humor, passando as costas das mãos em minha testa. — E está gelada, suando também.
Me afastei de seu toque, arrancando forças para não olhar na maldita direção novamente.
— Eu estou bem. – engoli a enorme bola de gude e comecei a me afastar. – Senhorita Lucas, avise a minha irmã... – apontei para a ruiva em meio a multidão. – Diga que eu fui para casa e que para voltar, terá que ir de táxi.
Com o intuito de não ser contaminada por aquele ar (imagem), não esperei resposta alguma da morena, porém, ela me segurou pelo punho, impedindo com que eu continuasse a caminhar. Semicerrei os olhos com a sua atitude e voltei a encará-la. Ruby me olha, com um sorriso sincero nos lábios.
— Me espere. Eu vou com você. – falou, me surpreendendo.
Não dei resposta alguma, comecei a andar em direção a saída, que na verdade, é a mesma em que Swan estava.
Vamos Regina... você consegue... Você consegue passar por el...
— Espero que faça bom proveito do dinheiro que ela lhe pagará, Swan. — esbarrei em seu ombro pelo acúmulo de pessoas ali, e como uma bomba à estourar, aquelas palavras simplesmente saíram.
Levei as mãos aos lábios, no intuito de os calar, mas a essa altura de nada adiantaria o ato, pois a loira já tinha as esferas esverdeadas em mim. Holy Shit.
— H-e-e-e-ey, Regina! — disse animada, ou melhor, totalmente embriagada. — Eu tenho umas c-o-isas pra te f-al...ar.
Reviro os olhos e tento seguir em frente, o que eu menos quero é ouvir a mulher tropeçando nas palavras e dizendo coisa com coisa.
— Tô falando com você, Mills. — disse um pouco mais alto, fazendo algumas pessoas olharem em minha direção e depois para ela.
A menina, isso mesmo, menina, pois tinha cara de quem não passava dos dezoito anos, a olhou com curiosidade, colocando-se ao seu lado e arrumando a sua saia. Emma, tentou fazer o mesmo com a sua calça, porém teve dificuldade. — Precisa de ajuda, Miss Swan? — ironizei, sabendo o quão bêbada ela estava.
— Você adoraria, não é? Colocar as mãos por dentro das minhas calças. — disse em tom de desafio, parando o que estava fazendo e me encarando com os olhos em um tom mais escuro.
— Emm...a — a outra sussurrou, desconfortável.
— Não é? — perguntou novamente, avançando com um passo. — Adoraria ter me dado o orgasmo que ela me deu, adoraria estar dentro de...
— Cala boca. — a interrompi. — Você está bêbada.
Sim, ela tem razão. Eu adoraria.
— Aproveitadora. Mal esperou eu sair da sua cama para me demitir. — cuspiu com raiva, parando em minha frente.
Respirei fundo e recuei um passo, ficar muito perto, seria perigoso.
— Meça suas palavras, Emma Swan. Não foi eu quem enterrou os dedos em sua linda vagina, enquanto você mal consegue se manter em pé. — falei com nojo, olhando para a garota, que tinha os olhos arregalados. — Tenha uma ótima noite, querida. — acenei de forma cínica, notando que a porta de saída já estava liberada.
Apressando os passos, não esperei retorno algum da mulher. O que eu menos queria, era chamar atenção ao discutir com uma bêbada na frente de uma boate. Destravei o carro e me joguei dentro dele, tombando a cabeça para trás e fechando os olhos.
— Hey! Hey, Regina! — ouvi o toque no vidro.
Eu precisava daquele minuto para acalmar os ânimos, eu realmente precisava...
Soltei uma lufada de ar e apertei o botão para abaixar o vidro. Não precisei ao menos abrir os olhos, sabia que se tratava de Ruby Lucas ali parada.
— O que você quer? – murmurei.
— Eu disse para você me esperar, para irmos embora juntas.
— Você não vai querer a minha companhia essa noite, pode ter certeza que não. – falei, sentindo o sangue ferver.
— Ótimo, eu nem esperava passar a noite inteira, seria apenas uns amassos, mas já que a ideia surgiu...
Abri os olhos e a encarei, notando o sorriso travesso lhe cortando a face. Ruby não havia mudado nada.
— Estou falando sério.
— Qual é? Vamos acabar com essa conversinha. – disse enfiando a mão pela janela, alcançando o puxador e abrindo a porta. – Na minha casa ou na sua? – se jogou no banco desajeitada, sem se importar com o que o vestido curto mostraria.
— Eu vou para a minha e você para a sua. – a cortei, notando sua falsa indignação. Girei a chave do carro, ouvindo o motor ranger. – Existem jeitos mais sutis de pedir carona, você sabia?
— E quem disse que eu quero só a carona? – piscou. Rolei os olhos e acelerei, ouvindo o cantar dos pneus. – Vai com calma aí, madame. Preciso do meu corpo inteirinho para curtir a noitada com você.
— Não vamos transar. – ressaltei, prestando atenção na direção.
— Mais uma ideia, Regina Mills? Olha, não é por nada não, mas estou adorando suas sugestões...
— Eu acho melhor a senhorita se calar, antes que eu a jogue para fora do carro ainda em movimento. – falei firme, segurando o riso para sua expressão de espanto. Ela levantou os braços em sinal de redenção e se calou. – Boa escolha, Lucas.
Como em nada em minha vida saía como planejado, não fiquei surpresa em ver que a morena realmente pretendia ficar comigo aquela noite. A intenção era deixá-la em sua casa e tirar aqueles e muitos outros minutos para pensar. Mas não, ela negou-se a descer do carro, não me dando outra alternativa, a não ser, levá-la comigo. A princípio, achei que trazer Ruby ali, seria como uma enorme pedra em meu sapato. Mas, ao contrário das intenções mostradas antes de chegarmos, ela aparentou ser uma ótima ouvinte quando entramos em uma conversa um pouco mais séria, depois é claro, de eu ter tomado algumas taças de vinho.
— Okay, agora chega. – disse tomando a garrafa de minha mão.
— Sou forte para bebida, Lucas. Foram... – parei para pensar. –... Foram duas taças apenas.
— Quatro na verdade, Regina. – franzi o cenho, "Regina". Que intimidade é essa? — Não me olhe assim, você abriu o seu coração e tenho certeza que eu ganhei passe livre para lhe chamar pelo nome. Não foram só essas taças, a gente já havia bebido bastante na boate, melhor pararmos antes que você se embebede de vez.
— Apenas mais um gole. – tomei a garrafa de sua mão de surpresa, virando-a na boca.
— Regin...a... não faz isso.
Tarde demais.
Assim que o líquido acabou, deixei a garrafa sobre a mesa. Levei uma das mãos a cabeça, sentindo o mundo girar de repente.
— Olha aí, não diga que eu não avisei. – senti um dos meus braços ser jogado por cima de seus ombros.
— Me solte. – tentei empurrá-la, mas toda força havia sumido.
— Ótimo, agora sou babá de uma bêbada relutante. – se aproximou novamente, deixando seu corpo como escora, nos encaminhando para a escada. – Vamos, facilite a minha vida... Um pé por vez, Regina.
— Para você é, Senhorit-a-a M...ill..s. – disse com a língua enrolada.
Não é que aquele vinho realmente fez efeito.
— Larga de ser prepotente e presta atenção nos seus pés, estamos quase no final.
Discutir com a mulher em condições como essas, não era a melhor solução. Me calei e deixei com que ela me guiasse até o quarto, provavelmente, notando que eu não daria conta de encontrá-lo sozinha. Sim, ela sabia onde era, das muitas noites que passamos nos divertindo, a maioria delas foram no andar de cima.
Assim que entramos, a morena me deixou sentada ao lado da cama. Porém, meu corpo parecia pesar uma tonelada e quando dei por mim, já estava mergulhada entre os finos lençóis egípcios.
"Levemente" alterada, senti alguém deitar-se ao meu lado.
— O que está fazendo? – perguntei com a voz falha, entorpecida pela bebida e o sono.
— Eu vou dormir, você deveria fazer o mesmo... Não sabe a ressaca que lhe aguarda, madame. – disse, apagando a única luz do quarto.
— Pode ir para o sofá, Srta. Lucas. — falei, fazendo forças para manter os olhos abertos.
— Se você gosta de dormir no sofá, fique à vontade. Estou bem aqui. — respondeu com desdém.
— Lucas, eu não vou transar com você... Já disse.
— Você acha mesmo que eu iria querer fazer algo com você nesse estado? — pausou. — Lembre-se, eu gosto que usem a língua, você mal consegue se manter em pé, provavelmente dormiria entre as minhas pernas, querida.
— Cala a boca! — engoli o riso, ela estava certa. — Se eu sentir você me tocando, eu juro que lhe faço ir embora no meio da madrugada.
— Fique calma, Regina. Não vou abusar de você, não sou louca tão quanto a Ariel.
— Quem é Ariel? — virei para o lado, mesmo sabendo que a morena ainda continuava de costas.
— Ah... bem... Melhor dormimos.
— Quem é Ariel? — perguntei novamente, mudando completamente o tom de voz. Ácido e autoritário.
— Vamos fazer assim, como garantia de que você não irá me expulsar no meio da noite, amanhã, quando acordarmos, eu lhe conto.
— Negativo... Agora! — a cutuquei. — Quem é?
— Largue de ser curiosa. Durma e amanhã, lhe contarei.
Sabendo que ela não diria uma só palavra até o raiar do sol, voltei a posição inicial, pensando em quem seria a tal mulher.
Mesmo com o alto teor de álcool no sangue, onde o corpo estava carregado demais para qualquer afazer, dormir fora descartado da lista. Girei o corpo mais uma vez na cama e encarei o teto, que mesmo escuro, fora o único refúgio para encarar. Fechei os olhos e depositei as duas mãos por cima do meu abdômen, acalmando a respiração. Vamos, Regina, pare de pensar nela... Pare de pensar em Emma... Pare... A prece foi em vão, os pensamentos teimavam em voltar à algumas horas atrás. Teimavam em mostrar o momento exato onde ela alcançou o ápice que um dia, eu desejei levá-la. Droga... Droga... Por quê isso é tão importante?
— Ruby? — sussurrei.
Nada, nenhuma resposta.
— Ruby? — chamei novamente, um pouco mais baixo.
Silêncio.
— Ru...
— Hu-n? — murmurou baixinho.
— Tá" acordada?
— Não...
— Você acha... Você acha que eu e a Emma....?
— Não, Regina... — bocejou. — Você a demitiu depois que transaram e não importa se foi por que ela lhe bateu... Ela nunca mais vai querer olhar na sua cara. — se remexeu na cama. — Agora pare de pensar nela e vá dormir...
— Você acha que eu de...
— Vá dormi-i-i-ir... — me cortou.
Então o quarto, banhou-se de silêncio mais uma vez.
Aquela sensação estranha ao redor do peito, me acompanhou por longas horas perante a madrugada. Mesmo mantendo a mente dispersa, não havia saída, assim que fechei os olhos e tentei me deixar levar, a loira tomou conta de tudo novamente... Inclusive dos meus sonhos.
(...)
O sol; Ah, sempre o sol adorava pousar em meu rosto todas as manhãs.
Quando o calor sobre a pele tornou-se insuportável, virei-me para o lado oposto, sabendo que por mais que tentasse, não conseguiria voltar a dormir. Senti uma respiração cruzar-se com a minha e de imediato, abri os olhos.
— Merda... Ruby! — sussurrei assustada, me afastando do seu rosto.
Estando do outro lado da cama, onde os raios não lhe tomavam, a menina ainda aproveitava calmamente o seu sono. A observei por um momento e levantei, me arrependendo no momento seguinte, pois assim que ergui o tronco, a minha cabeça gritou.
— Culpa sua, tudo isso é culpa sua! — me encarei no espelho, enquanto minhas mãos reviravam a gaveta da cômoda à procura de aspirinas. — Você é tão estúpida, Regina! Deveria ganhar um troféu!
Após o remédio, notei o meu celular vibrar sobre a escrivaninha. Andei o mais rápido até lá e avistei a tela acesa com um e-mail. Ao menos fiz esforço para abri-lo, pois sabia que se tratava da Apple apenas pelo "assunto". Revirei os olhos e me encaminhei para o banheiro, querendo mais do que nunca relaxar sobre uma água morna, com direito a sais e bolhas.
Demorei mais do que imaginava, dando de cara com uma morena me observando, escorada na porta do banheiro.
— Muito simples a senhora, viu? — disse com graça, me assustando.
Joguei mais espuma para o busto, onde supostamente, meus seios estariam expostos.
— Intimidade, já ouviu falar? — levantei de costas, apanhando um dos roupões ao lado. Assim que o coloquei, ainda tinha os olhos verdes presos em meu corpo, dei um meio sorriso. — Vai ficar ai, só olhando?
Ela, então, acordou de seu transe, se aproximando da banheira e estendeu uma de suas mãos. — Se me permite, majestade... — rolei os olhos, sabendo que ela iria falar besteira. — só de olhar, me molhei todinha!
— Idiota! — a belisquei assim que sai da banheira, sentindo um leve rubor tomar conta de minhas bochechas.
— Não estou brincando. — me acompanhou até o espelho, onde eu, passava a toalha rapidamente pelos cabelos.
— Ruby. — disse em tom de aviso.
— Está bem, mas quando... — a encarei mais uma vez, cortando-a. — Okay, parei.
— Enfim... — limpei a garganta. — Como dormiu?
— Como uma princesa. Meu deus, seu colchão é ma-ra-vi-lho-so. Sempre que quiser, me chame para eu lhe fazer companhia... Mesmo que seja só para dormir.
Claramente o tom de malícia se aveludou em sua voz, mas ao fundo, poderia notar-se um timbre extremamente sincero. Assenti com a cabeça e terminei o processo com a toalha, seguindo novamente para o quarto.
— Sua irmã, ela bateu umas três vezes enquanto você estava no banho. — falou, colocando sua jaqueta de couro.
— Ela provavelmente estava apenas checando se havia trazido alguém. Já vai?
— Sim, na verdade, estou bem atrasada... Minha avó vai me matar.
— Antes de ir, conte-me... Quem é Ariel? — não havia esquecido, aliás, passei quase que metade da madrugada tentando adivinhar quem seria a tal garota.
— Não vai ter relevância nenhuma para você, Regina. Foi apenas um comentário, nada que ligue você à ela... Não no sentido literário.
— Como assim?
— Ariel é uma amiga minha. — disse de uma só vez, caminhando lentamente para a porta. — Ela era quem estava fazendo as coisas com a sua Emma...
— Retire o que disse. — meu semblante fechou, todo relaxamento que obtive com o banho, não adiantou de nada, fiquei tensa novamente.
— O que? — perguntou de cenho franzido.
— Você sabe. Retire, agora.
— Tá bem, tá bem... Ela estava com A Emma lá. — revirou os olhos. — O que você vai fazer sobre... sobre a Emma? — falou em um tom mais baixo, como se soubesse, que não deveria perguntar.
Fechei os olhos por dois segundos, respirando profundamente. A resposta estava na ponta da língua. — Nada.
— Como assim nada?
— Nada, simples assim. Tudo ficará como está.
— Mas ontem... ontem você me perguntou se vocês poderiam dar...c...
— Eu estava bêbada... E como você mesmo disse, ela não olharia mais na minha cara depois do que "eu" fiz. — virei de costas, procurando algum vestido para ir trabalhar.
— Mas você disse...
— Não está atrasada, Senhorita Lucas?
— Entendi... — disse mais para si, do que para mim. — Sim, estou...
— Ótimo, você já sabe onde é a saída. — falei por cima dos ombros, evitando olhá-la nos olhos.
— Tem certeza que não quer conversar mais uma vez sobre isso? Eu estava cansada, posso ter dito algo que não deveria...
— Não, eu estou bem assim. – na verdade, eu não estava bem. Minha cabeça parecia que explodiria a qualquer momento. Meus olhos estavam cansados e aquela mesma sensação, continuava a rondear o peito.
— Olha, eu não vou insistir... Mas não leve em consideração o que eu disse. – senti um toque em meus ombros, mas ainda sim, continuei de costas. – Eu entendo você, não está sendo fácil para mim também. Estar apaixonada é um saco.
Me virei de imediato com a sua sentença. Gostaria que meus olhos tivessem poder suficiente para queimá-la. Achou graça, pois ria como se tivesse contado alguma piada. Desaforada.
— Eu não estou apaixonada. – não, eu não estou! Disse para mim mesmo. – Quer, por favor, parar de rir?
— Desculpe-me.
— Falo sério, eu não consigo amar ninguém. Eu te disse isso ontem. – bem... Na verdade, eu disse muitas coisas.
— Hum, mas não parou de falar o nome dela a noite toda.
— Lucas, vá embora. – voltei a procurar pelas vestes, não querendo ouvir mais uma palavra se quer sobre Emma.
— Tudo bem, estou de saída... – ouvi seus passos cada vez mais distantes.
— Ruby?
— Hum?
Parei o que estava fazendo, a encarando por cima dos ombros.
— Não diga a ninguém... – suspirei, sabendo que ela esperava pelas palavras mágicas. –... Por favor...
— Não se preocupe, Mills... Seu segredo está guardado à sete chaves...
Claramente, algumas doses de vinho podem ferrar com a sua vida de uma vez por todas. E bem, derramar toda a sua vida, frustrações e afins após se embebedar por conta própria, é uma maneira bem fácil de conseguir tal feito. Não sabia até que ponto poderia confiar na garota, mas lá no fundo, talvez até mesmo naqueles olhos esverdeados, pude enxergar sua lealdade e isso... isso quebrou todas as barreiras e me fez delatar sem vergonha alguma, que algo estava diferente em mim... Algo que há muito tempo, deixou de existir.
Fui para a empresa não muito tempo depois da saída de Ruby. Para minha surpresa, Zelena não estava em casa, e isso me pareceu muito... muito estranho. Tentei ligar, mas a ruiva, como sempre muito esperta, acabou esquecendo o celular no quarto. Entraria em contato com Gold ou Elsa, mas assim que desci para a cozinha, notei um pequeno bilhete da mulher, avisando que havia saído com Elsa, para uma "rápida caminhada". Sendo assim, segui caminho, imaginando a agenda lotada que me aguardava.
Conforme a suposição, meu telefone não parava um minuto se quer. Estava a ponto de enlouquecer e o pior, estava sem uma assistente pessoal. — Uma semana antes do Natal e você demite uma funcionária, Regina? O quão precipitada você foi? — pigarreei, sentir meu corpo ferver em pleno stress.
[Senhorita French, venha a minha sala agora.]
Desliguei, sem ao menos esperar resposta e em menos de vinte segundos, ouvi a batida na porta.
— Pois, não? — disse, se colocando na frente da mesa.
Não a encarei, pois estava prestando atenção em uma das fichas.
— Aquela moça, Bell Maclaver, foi aprovada em uma das entrevistas, não foi?
— Sim, senhora. — respondeu firme.
— Quando ela começa?
— Acredito que só no próximo ano, o RH está com algumas pendências...
— Eu preciso de uma assistente, para hoje! — passei a ficha para a próxima página, me perdendo mais uma vez nas entrelinhas.
— Se não tivesse demitido a sua por motivos estúpidos, não teria que procurar outra.
— Oi? — pela primeira vez a encarei, desacreditando no que ela dissera.
— É isso mesmo. — disse com ar superior.
Me levantei e caminhei em sua direção, observando que em nenhum momento ela mostrou se arrepender do que disse, ou até mesmo, recuar com a minha aproximação.
— Tem algo para me dizer, Senhorita? — cruzei os braços, parando à poucos metros de seu corpo.
— Emma precisava desse emprego. — disse me olhando nos olhos.
— Eu pouco me importo com a sua amiga... Se ela não está mais conosco, é por que não mereceu.
— Você se importava quando queria fode-la.
— Olhe esse linguajar, menina. — apontei. — E sim... Eu queria. — resolvi provocar, queria ver até onde iria a sua audácia. — Eu queria mesmo me enterrar no meio daquelas pernas... Queria fazer coisas inimagináveis com a sua amiga.
— Você me da nojo.
— "Santa Emma". — joguei as mãos para o alto. — Me poupe, eu não obriguei ela a nada! Ela apareceu em minha porta, ela pediu por isso...
— Não, Regina... Ela não pediu por nada disso.
Parei por um instante, havia tristeza no meio de sua fúria.
— Do que está falando? — questionei, usando um tom mais calmo.
— Pergunte... — respirou fundo. — Pergunte a Emma sobre o filho...
— O que o filho dela tem a ver com o que...
— Tudo, Srta. Mills... Tudo.
— E por que você acha que eu vou atrás de uma funcionária, que eu mesma demiti? — disse com desdém.
French revira os olhos.
— Por que, talvez... Lá no fundo...você queira saber por que não conseguiu o que tanto queria...
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