The Last Chance
17 Capítulo 16
Notas iniciais
— Uma noite. – soltei a respiração pesada em seu pescoço. – Emma Swan. Uma noite comigo... E lhe dou o que tanto quer... – sussurrei, arrastando propositalmente meus lábios pelo contorno de sua bochecha, parando somente ao ficar de frente para ela novamente, porém bem mais perto do que antes.
— Você quer o quê? – falou de súbito, abrindo os olhos depois de alguns minutos que eu a observava. – Você só pode estar ficando louca! – se afastou, colocando uma das mãos ao redor do quadril e outra na cabeça. – Eu... Eu não acredito que você quer...– franziu o cenho. – por deus! – ralhou incrédula, onde suas bochechas ganharam um tom rubro.
— Bem... essa é a minha proposta. – disse calmamente, tomando o rumo para voltar a minha sala. – Você decide...
— Você acha que eu sou o quê? – segurou o meu punho, me surpreendendo com a parada repentina. – Eu não faço sexo por dinheiro, Regina! – esbravejou em um tom desconhecido por meus ouvidos. Surpreendendo-me, mais uma vez.
Virei totalmente o meu dorso, aproximando-me mais ainda da mulher.
— Então... – soltei-me de sua mão, apanhei suas madeixas louras com os dedos, cortando os lábios com um sorriso malicioso. –.... Faça por vontade.
Ela rapidamente barrou o toque com uma palmada certeira em minha mão e deu passos para trás, mas notei quando aqueles olhos esmeraldas fitaram meus lábios. Uma proposta tentadora. Suponho. — pensei imóvel, prestando atenção nas feições da moça. Emma passou a língua por entre os montes macios de sua boca, sua garganta engoliu seco. Touchè! Ela imaginou. Ela desejou.
— Você acha que eu sinto alguma vontade?! – bradou, perguntando mais para si, do que para mim. Swan diminuiu a distância entre nós pelo passo à frente, deixando sua respiração irritada chocar-se com a minha e, os olhos a me fuzilarem intensamente.
— E não sente? – dei meio passo, sem desconectar um segundo sequer da vigia de seus olhos. – Diga então; você não me quer... – olhei-a de cima à baixo, parando na região coberta por uma calça jeans bem justa. – ... aí dentro? – rocei de leve meus lábios aos seus, mas não os abocanhei. Swan ainda tinha os lábios entreabertos quando eu resolvi me afastar, seus olhos se abriram devagar.
— Pare de me pro-vo-ca-ar.– sua voz era falha. – Eu não vou fazer isso com você!
— Você ainda não respondeu a minha pergunta, E....m....m..a... – dei de ombros.
Segui caminho para a minha sala, podendo ouvir à alguns passos a respiração pesada da loira tomar o ambiente, como se estivesse presa por muito tempo. Sorrio vitoriosa, faria a mulher pensar sobre aquela pergunta, tendo quase certeza que ela me imaginaria entre suas belas pernas. Mas tal proposta não passou despercebida por minha mente também, pois logo ao dizer, meu centro pulsou com a ideia de poder conhecer Emma Swan tão minimalisticamente.
Soube desde que me interrompeu naquele elevador, que algo sério viria a seguir. Até mesmo imaginei que a mulher pediria a demissão que tanto ameaçou, mas me surpreendi quando ela me entregou aquele papel. Não tinha intenção de rir daquele jeito em sua frente, ou tirar sarro da garota. Foi inevitável, aquilo era com todas as palavras um belo empréstimo, ainda mais tratando de uma funcionária com tão pouco tempo de empresa.
Confesso, sua audácia e coragem me intrigaram, mas o que de fato me deixou ainda mais aguçada, era o motivo que ela tanto prezou e não contou. Eram muitos zeros a serem preenchidos, o que ela quer fazer com tanto dinheiro? Pensei e questionei, e na terceira vez ela saiu dali, pedindo para que eu esquecesse aquilo. Idiota, — atrevo-me a dizer, como esqueceria de uma coisa que poderia fornecer-me outra em troca. Foi quando ela afirmou em alto e bom senso que faria de tudo para conseguir aquela quantia, que minha mente trabalhou encima de algo totalmente insano, mas não desconhecido por meus instintos. Analisei cautelosamente como faria tal proposta a uma moça tão, mas não tanto, recatada como Emma. Divaguei de "leste à oeste" e de "norte a sul", chegando finalmente à conclusão que seria realista com a loira, como sempre fui desde que coloquei os meus olhos na mulher tão atraente.
A sua recepção a adorável e deliciosa proposta não me surpreendeu, eu já esperava algum repudio dela. Porém, seus olhos e respiração falhavam, uma armadilha para contradizer todas as suas palavras. Grunhi internamente quando sua mão apertou o meu punho, um aperto forte, um puxão que me fez estremecer.
Ah, Emma Swan, por que você me deixa assim?
Devido a demanda do dia, do trabalho acirrado por outras companhias dado ao final do ano estar próximo, não consegui um minuto se quer para pensar na loira desde a nossa conversa. Agradeci a quem quer que fosse atrás daquele excesso de e-mails, pois se não fosse a falta de tempo, minha imaginação sucumbiria aos meus movimentos e eu não esperaria ao menos um empréstimo para arrastar Swan para minha sala e dar ao meu corpo o que há meses ansiava.
Não são nem duas horas da tarde e eu já estou totalmente exausta.
Joguei-me no mini sofá preto que ficava no canto da sala, sentindo minha cabeça pulsar números e mais números. Precisava dormir um pouco, descansar os olhos nem que fosse por meros dez minutos... teria quase um dia inteiro para encarar e... E uma loira gostosa... para... suportar...
Fui ao banheiro para lavar o rosto, querendo levar de mim todo aquele sono que insistia em ficar. Quando voltei à minha sala, encontrei a estrutura inconfundível da mulher loira, parada de costas. Entrei silenciosamente no local, traçando um caminho rápido até ela.
— O que faz aqui... Emma? – sussurrei em seu ouvido, vendo seu corpo estremecer ao descer o indicador brevemente na linha tênue de seu pescoço.
— Regi...na.– disse se virando, mas não se afastando. O que nos fez bem próximas uma da outra. – Eu só vim dizer que não sou... Não sou... Nenhuma... – desviou seus olhos dos meus. Soube exatamente onde eles estavam, pois há poucos minutos havia aberto dois dos botões de minha camisa.
Joguei os ombros num movimento imperceptível, fazendo a fenda mostrar muito mais do que devia. Seu olhar se manteve ali, como se ela tivesse se desligado do mundo e esquecido completamente o que iria dizer. Quase dei um pulo quando senti uma de suas mãos subir e amaciar o fino tecido da blusa, onde no mesmo instante ela lançou uma mordida lenta e tentadora nos próprios lábios. E então, para me tirar o último requisito de controle, ela deixou a palma se aconchegar em meu colo, quase chegando em meus seios.
Não tardei a responder as suas ações, agarrei a sua cintura e comecei a empurra-la direto para a minha mesa, notando que seus olhos agora, criaram uma amistosa ponte com os meus. Quando ela, com certeza, terminaria com todo o meu fogo, decidi por bem roubar-lhe um beijo, mordendo seu lábio inferior afim de descontar como meu centro reagiu ao seu toque "inocente". Swan gemeu baixinho ainda em minha boca e, não pude deixar de aproveitar sua brecha para roçar a minha língua naquela deliciosa entrada. Um arrepio tomou a minha espinha ao sentir seu membro quente entrelaçar-se ao meu em uma necessidade evidente.
Joguei-a para cima do tampo da mesa, sem me preocupar com os demais objetos ali, abrindo as pernas da mulher e me infiltrando em seu meio, fazendo do beijo cada vez mais voraz.
— Ahnhnhn. – deixou escapar em minha boca quando comecei a desabotoar a sua calça.
Emma agora estava em meu pescoço, lambendo um caminho tentador da orelha até o mesmo.
— Não faz assim. – gemo ofegante, com a calcinha totalmente molhada.
— Assim como, uhn? – fechei os olhos, sentindo sua boca encaixar uma mordida tentada em minha orelha propositalmente. – Você não me quer, uhn? Não quer ver como me deixa molhada, uhn? – pausou e lançou outra mordida no mesmo lugar, fazendo meu interior gritar. – Me toque, Regina!
Atordoada com sua ordem inesperada, avancei em seu corpo, empurrando-a para trás e subindo encima dela. Emma tinha um sorriso atrevido no rosto, rebolando provocativamente, me chamando para a "briga".
Curvei-me para abocanhar seus lábios novamente, enquanto minha mão direita correu além do meu corpo e parou somente ao encontrar a braguilha da calça de Swan. Fiz tudo o mais rápido que pude, abrindo a calça da mulher e deixando-a livre para mim. Enfiei a mão por dentro de sua calcinha com pressa, chegando ao seu broto totalmente molhado com avidez.
— Aaaaahh... – gemeu, sugando meus lábios no mesmo instante. Me deixando louca.
Num movimento circular comecei a massageá-la rapidamente, já sentindo seu quadril ir se movendo em conjunto. Meu antro deveria estar pulsando de maneira tão frenética igual ao dela, sentia a umidade e os espasmos ao raspar propositalmente em meu próprio braço, causando prazer para ambas.
— Jesus... – grunhi, aumentando a velocidade de meus dedos em seu ponto sensível, rebolando em toda aquela minha necessidade para obter contato. – Ohhh... Meu deus Emma... Eu vou... – fechei os olhos, mordendo o lábio inferior e aumentei ainda mais o ritmo.
— Regina... Jesus... Mais rápido...
— Você é tão... Gostosa... – sussurrei em seu ouvido, indo e vindo com rapidez.
— Regina...
— Emma... – sentia a sensação ir chegando... Estávamos quase lá.
— Regina...
— Oh... Emma...
— Regina... Regina... Regina?
— Hum?... Meu deus está tão bom... Vamos aguente mais um pouco... Ah... Emma!!
— Regina Mills!
Meu coração foi a boca e voltou quando a dimensão, os olhos esmeraldas, o corpo embaixo do meu se dissiparam em um único segundo. Tudo aquilo; não passou de um sonho. Sentei-me com as mãos apertando têmporas, já procurando por quem havia estragado o melhor momento de meu devaneio com a loira.
— Gold.– semicerrei os olhos ao vê-lo sentado na poltrona à poucos metros de mim.– Achei que ao menos em minha sala eu tivesse um pouco de privacidade. – disse com um tom a mais de acidez.– Se existe uma porta e ela está fechada, é por que você não deve entrar. Sua mãe não lhe deu educação? Da próxima vez, ao menos bata.
— Você fala como se eu não tivesse feito as duas coisas.– falou com desdém.– Mas parece que o sonho estava bom... Emma, não é mesmo?
— Você não tem nada a ver com isso! – revirei os olhos, levantando-me furiosa. – Diga-me logo, o que você quer? – Andei até a mesa redonda, colocando um pouco de cidra de maçã em uma das taças. – Aceita?
— Não, obrigado.
Voltei à minha mesa, esperando que ele começasse a falar.
— Estava por perto e uma ideia passou por mim, vim saber se devo deixar um quarto de hóspedes disponível para Zelena em minha casa? – roçou a garganta. – Faltam apenas alguns dias...
— É muita gentileza da sua parte. – ironizei. – Mas não se preocupe, Zelena ficará comigo. – me veio a lembrança de Elsa. – Já tenho planos para a estadia dela aqui. Não se preocupe Gold. Minha irmã será muito bem recebida.
— Não pareceu tão contente quando contei que ela viria para New York.
— Pare de tirar conclusões precipitadas. Eu só acho cedo para ela ter alguma ligação com a empresa, mas ainda sim... Eu a amo! – minha paciência com a sua intromissão havia acabado há meses. O homem que ao menos fazia parte da família, vivia se colocando em assuntos que não lhe dizia respeito.
— Que essa sua opinião mude quando ela completar a maioridade.
— É, também espero.– respondi com certa verdade, porém camuflada em tom rancoroso.– Já acabou?
— Quanta pressa, Regina. Até parece que não gosta da minha presença. – levantou, se afastando aos poucos de sua poltrona e chegando a porta.
— Ah, você demorou tanto para perceber. – disse ironicamente, com um fundo imenso de verdade. – Então, é só isso? Saiu de seus aposentos apenas para perguntar se Zel tem onde dormir?
— Eu não disse que vim de casa. – sorriu torto .– Estava por perto e resolvi perguntar-lhe sobre.
— Sei. – revirei os olhos.
— Vou continuar a minha caminhada. Aliás, conversei com uma pessoa dos recursos humanos, está contratando? Quem foi o felizardo, ou felizarda, que perdeu o emprego dessa vez?
— Preciso prestar mais atenção nas pessoas aqui dentro, esses idiotas falam demais. – pensei alto, ignorando totalmente a presença do homem. Respirei fundo e tombei as costas no apoio da cadeira. – E sim, tive que me livrar de um incompetente. Graham, não sei se você se recorda dele. Um moleque, pensa que tem o rei na barriga. – falei entre dentes, recordando-me da discussão que tive ao dar a notícia a ele.
— Se não me falha a memória, ele era o seu queridinho. O que mudou?
— Meu queridinho? Sua memória não falhou, apenas inventou algo que não existe. – gargalhei. – Ninguém aqui é mais do que um simples empregado. – pausei inevitavelmente, sabendo que teria que rever tal conceito depois de...– Enfim, ele era só mais um.
— Que bom que pensa dessa maneira, envolver-se com pessoas de tão baixo nível é como ter uma arma apontada para a própria cabeça. Sabe como são, interesseiros.
— Eh... Você tem razão. – concordei, porém, sentindo-me incomoda com sua sentença, por motivos que eu ainda teria que descobrir.
— Está na minha hora. Tenho algumas coisas da loja para resolver e suponho que ainda tenha coisas para tratar com algum cliente.
— Muitas, aliás. – torturei-me internamente, lembrando-me dos e-mails que havia deixado para responder depois do cochilo.
No mesmo instante que a porta se encontrou com o batente, joguei a cabeça para trás, fechando os olhos e recapitulando a breve lembrança do sonho.
— Com licença. – uma voz impediu-me de concluir.
— Mas será possível! Que inferno, vocês não sabem bater?! – bradei irritada, bufando ao procurar quem havia acabado com aquele devaneio.
— Desculpe-me, Sra. Mills.– disse Emma, me surpreendendo com a sua digna presença.
Sorri de canto, tentando não desviar meus olhos para a parte do seu corpo onde os meus dedos fizeram a festa naquele sonho maluco. Um sonho trocado por outro.
— Agora já foi.– suavizei o timbre, fazendo um gesto para que ela se aproximasse.– O que você deseja, Miss Swan?
— Na verdade eu apenas vim lhe mostrar isso aqui... – deu alguns passos, esticando-se para me entregar o papel. – Trata-se de alguns investidores que querem uma videoconferência com a presidente da empresa. Recebi o e-mail agora pouco e precisava ver com a senhora antes de respondê-los. E gostaria de saber sobre a entrevista com aquela garota? Gostou do relato e irá contratá-la?
— Sim, Swan. Já pedi para que o recursos humanos entrasse em contato com ela. – franzi o cenho, estranhando a preocupação com a desconhecida. Ignorei. – Uma video...conferência... – coloquei o óculos de leitura e analisei o papel. – Esses velhos acham que eu tenho tempo para ficar gravando essas coisas, enquanto aquelas bundas gordas não se movem para nada.
— Se me permite opinar, Srta. Mills, uma videoconferência seria muito mais rápida do que uma viagem à Suíça. E com certeza, seria muito mais eco-nô-mi-c-a...– olhei-a por cima das lentes, vendo a garota ficar vermelha no mesmo instante por perceber que ela não tivera permissão para falar. Que linda.– pensei comigo. — Desculpa, não quis ser inconveniente.
— Hum.– voltei ao e-mail, fingindo não me importar com o que ela dissera.– Como está a minha agenda para o começo de janeiro, Swan?
— Lotada.– respondeu alguns segundos depois.
— Então você já tem a sua resposta.
— Tudo bem, como quiser.
— Não revire os olhos para mim Miss Swan, a não ser que esteja na minha cama.– disse em tom de aviso, retirando aquele óculos e a fitando com os olhos comprimidos.
— Idiota.– falou baixinho, como se fosse um pensamento que escapuliu. Mas agora, era tarde, eu ouvi aquilo em alto e bom som.
— O que você disse? – levantei, caminhando até ela com os braços cruzados e uma expressão nada amigável.
— Nada.– engoliu seco.– Eu não disse nada.
— Não, você disse sim. – parei em sua frente, indignada.– Repete.
— Se você ouviu, não precisa que eu fale de novo. – afrontou de peito estufado.
— Que coragem! – sorri amargamente. – Só não esqueça que há algumas horas, você estava implorando por seu emprego. Mudou de ideia, Emma?
Como uma rosa exposta, ela murchou no mesmo segundo. Seu semblante se empalideceu e a pose de durona se foi por completo.
— Posso voltar à minha mesa?– cortou o silêncio.
Não voltou a me olhar, mantendo sua cabeça baixa.
— Não sei. Por que continuaria a trabalhar para uma idiota? – aproximei meu rosto do seu, conseguindo sentir aquele perfume mais uma vez.
— Por que deixou de ser uma questão de escolha. – levantou a cabeça.– Posso voltar agora? – me fitou.
— Pode. – Emma assentiu com a cabeça, dando passos para trás. – Espera... – segurei o seu braço, a fazendo recuar.– Você pensou no que eu lhe propus mais cedo?
Tentei controlar a minha ansiedade ao soltar aquela pergunta, pois já começava sentir a tremor por entre as minhas pernas. Swan, diferente de mais cedo, não se assustou ou agiu da maneira como fez, apenas desviou os olhos para um ponto fixo do outro lado da sala.
Estranhamente nervosa com a demora, escorreguei minha mão de encontro com a sua, alisando sua palma lentamente com o polegar, trazendo aqueles olhos esverdeados novamente para mim.
— Eu não sou uma prostituta, Regina. – disse séria.
— Eu não disse que você é uma. Não pagaria uma quantia dessa pra mulheres tão banais. – defendi, sabendo que não era pra esse lado que o vento deveria soprar. – Você precisa disso, desse dinheiro todo para não sei o que... E eu preci... E eu quero isso, você sabe essa coisa... – me aproximei ainda mais, ficando a milímetros de seu rosto. – Essa coisa entre a gente está me deixando louca.
— Eu não entendo... Você... Não pode simplesmente fazer esse empréstimo e não me pedir para...
Não a deixei continuar e, com a mesma mão que a tocava gentilmente, avancei para o seu quadril, juntando nossos corpos brutalmente. Ansiosa demais para pedir permissão, abocanhei seus tão deliciosos lábios com os meus, podendo ouvir a loira grunhir baixinho em minha boca quando nossas línguas se sentiram, se embromaram, se roçaram. Minha mão direita foi até a sua nuca, emaranhando-se aos fios desajeitados para aprofundar mais o beijo, trazendo-a ainda mais para mim. A outra mão desceu para parte baixa das costas de Swan e sem pensar, escorreguei até a sua poupa, apertando aqueles glúteos com fervor antes de puxar sua coxa até o meu quadril. Emma jogou seus braços ao redor dos meus ombros, e no mesmo momento, sugou o meu lábio inferior, soltando-o com uma mordida lenta. Isso lançou chamas ao meu sexo, me deixando molhada e a querendo mais e mais. Nos arrastei rapidamente para um ponto de apoio, temendo não conseguir manter o equilíbrio pelos corpos acesos. Minha mão ainda não havia se desfeito de sua coxa, e então arranhei aquela bela perna por cima do jeans, passando por seu bumbum, até se acentuar na curva de sua cintura, puxando-a com gana para mim. Paguei caro por isso, pois a sua outra perna afundou-se em meu centro, me fazendo gemer em sua boca.
— Ahh... Emma dorme comigo? – supliquei ofegante.
— Eu... – estava de olhos fechados, respirando pesadamente.
— Por favor.– apertei-a ainda mais, roçando nossos lábios devagar.
Swan ficou em silêncio, mas não se soltou, continuou em meus braços.
Depois de tortuosos segundos ela abriu os olhos e sua coxa foi baixando lentamente.
— Emma... – a fitei diretamente, não soltando o seu quadril.
— Está bem.– sussurrou relutante à me olhar.
Fiquei estática e juro que precisaria de um beliscão para acreditar no que a loira dissera. Meu corpo tremeu internamente e uma alegria cortou os meus lábios com um sorriso.
— Está falando sério? – quis confirmar.
— Eu vou pensar.– falou, logo ganhando um tom avermelhado nas bochechas.– Eu vou... Vou pensar. – falou pela segunda vez, porém mais para ela do que para mim.
— Ahhhh, Emma.– selei seus lábios rapidamente, desviando para sua bochecha em beijos curtos e mais lentos, caminhando em direção ao seu pescoço.– Você não irá se arrepender.– parei no meio do caminho, soltando aquelas palavras em meio tom em sua orelha. Seu corpo estremeceu e sua cabeça caiu levemente para o lado, entregando aos meus lábios a pele arrepiada de seu pescoço.
Aquele perfume inebriava os meus sentidos, meu sexo implorava, meu corpo necessitava de mais. Mas de uma forma contrária aos meus pensamentos insanos, ela se afastou.
— Eu disse que vou pensar... – ajeitou sua jaqueta. – Não disse que aceito.
Sorriu de canto e antes de ir, pousou um beijo leve em minha bochecha. Antes que eu pudesse contradizê-la ou impedir que saísse, o barulho da porta alarmou que seria tarde demais. Voltei a minha cadeira, jogando-me desajeitada no móvel. Encarei o teto, não conseguindo evitar o sorriso que brotou em meu rosto.
— Você me leva a loucura Swan... Estou perdida... – murmurei boba, já imaginando como seria noite ao lado da mulher que tanto desejei.
Depois de alguns minutos divagando sobre o assunto, resolvi por bem, continuar a trabalhar. Precisava encerrar contratos, preparar novos para o próximo ano e ainda sim, programar uma rotina que não intervisse em nada, para que na próxima semana pudesse dar ao mínimo algumas horas de atenção para a minha irmã. Sabia que Elsa ia dar conta do recado, mas de qualquer forma, mesmo atarefada, gostaria de conhecer e conversar um pouco mais com a ruivinha dos olhos azuis.
Com todos aqueles afazeres, me dispersei o suficiente para não ver o restante do dia passar. Só me dei conta que havia me perdido porque o lustre que ilumina todo local apagou e acendeu repetidas vezes, me tirando a atenção. Revirei os olhos para mim mesmo ao notar as horas em meu relógio de pulso, passava-se das sete da noite.
— Vamos para casa Regina... – peguei a minha bolsa no sofá e caminhei em passos longos até a porta. – Amanhã é outro dia. – murmurei sozinha, apagando a luz e saindo dali.
Dirigi calmamente pelas ruas da "cidade dos sonhos", o trânsito que geralmente me dava nos nervos, hoje por conta da saída um pouco mais tarde, me concedeu a satisfação em poder correr um pouco mais. Não por pressa, mas sim, por pura adrenalina.
Ao chegar em casa, deixei o molho de chaves em uma das mesinhas qualquer, joguei meu casaco no sofá e caminhei para o andar superior, clamando por um banho a medida que ia me desfazendo daquelas roupas ali mesmo, deixando as peças marcarem o caminho percorrido até o quarto.
Depois de relaxar naquela água morna, encerrei o banho e fui para o quarto, com um roupão branco e uma toalha na cabeça da mesma cor. Estava morrendo de fome e decidi por bem, fazer algo para comer antes de dormir. Já na cozinha, o cheiro do risoto quase pronto, fazia meu estômago gritar. Grelhei alguns aspargos na manteiga, uma salada mista de folhas para acompanhar o menu tão apetitoso e uma garrafa de vinho suave. O fato de jantar sem companhia, passou a ser comum desde a morte dos meus pais e o silêncio já não me incomodava mais. Saciei tudo aquilo o mais rápido do que costumava fazer, pois meus olhos insistiam em fechar. Coloquei o prato, a taça e os talheres na lava-louças, deixando a máquina com todo o trabalho difícil. Apaguei as luzes e subi para o quarto.
Ao retornar ao cômodo, penteei meus cabelos, já quase secos, e me livrei daquele roupão, caindo totalmente nua na cama. Fechei os olhos e aproveitei a sensação dos fios egípcios em contato com todas as partes do meu corpo, deslizei de um canto para o outro como uma criança, até relaxar bem no centro do móvel. Puxei a coberta que estava na beira da cama depois de um tempo, sentindo minha pele arrepiar-se com a queda da temperatura. Quando o sono já começava a se aproveitar do cansaço, apanhei meu celular no criado-mudo para verificar se o despertador estava ativado para o dia seguinte. Quando a tela se acendeu, vi que havia uma mensagem de texto não lida, estranhei, pois o aparelho não tocou ou vibrou.
"Srta. Mills... É a Emma. Esse número ainda é o seu?"
Sorri.
"Miss Swan. Sim, esse é o meu número. Por quê?"
Depois de enviar, dei uma olhada nas horas, passava-se das 23:30 e ela havia mandando a mensagem quase duas horas atrás. Droga de celular.
Como uma adolescente esquisita, tardei a largar o aparelho, desbloqueando a tela várias vezes para ver se chegava alguma coisa. Tão dispersa naquele movimento continuo com os dedos, quase dei um pulo quando finalmente o celular vibrou.
"Pode falar agora?"
"Sim." – respondi rápido.
A resposta a qual estava esperando era escrita, mas ao ouvir o toque de uma ligação confesso que fiquei nervosa.
“ Oi...”
....
Fale com o autor