The Last Chance
18 Capítulo 17
Notas iniciais
Mesmo depois de sair da sala de Regina, sentia os pelos do meu corpo ainda ouriçados. O que foi aquilo? Pensaria mesmo na proposta feita pela mulher? Sim eu pensaria. Não por que eu estava tentada, Sim... Oh meu deus, eu a queria. A desejava. Sou humana e Mills sabia provocar, mas pensaria primeiramente pelo motivo pelo qual tudo aquilo fluiu; Henry.
Voltei a minha mesa com a mente já se revirando na ideia de me submeter aos seus "caprichos" . Porém de qualquer forma aquela não seria a hora e nem o lugar que eu conseguiria fazer aquilo em paz sem nenhuma intervenção. Resolvi voltar a trabalhar, respondendo ao e-mail como minha chefe havia pedido e, tornando a fazer as planilhas de acordo com a agenda da mulher.
Belle (a pessoa que era a única que eu poderia conversar livremente) ainda estava de atestado até o dia seguinte. Me senti sufocada o dia inteiro. O fato de minha amiga não estar ali foi o causador de todo aquele desconforto, eu precisava desabar, precisava contar a alguém de confiança, um conselho, algum caminho a seguir
Minha cabeça naquela tarde, parecia que iria explodir.
(...)
Cheguei em casa quase trinta minutos depois do que de costume, era perto, mas acabei me distraindo com a minha própria mente e virei mais de três vezes na avenida errada. Como sempre fazia, deixei o molho de chaves, a bolsa e a jaqueta perto da porta, já procurando matar a saudade de quem me fizera perder o rumo naquele dia.
— Hey, macaquinho! — disse carinhosamente, beijando o topo da cabeça do menino que assistia prontamente um desenho na TV.
— Oi, macaquinha! — disse ele, olhando para cima e me fitando. — Você parece feliz, mom.
— E eu estou.- sorri.
— Por quê? — perguntou curioso.
— Por que eu estou aqui com você bobinho! — amassei seus cabelos, caminhando até a cozinha e deixando-o na sala. — Mary...
— Ih, lá vem merda. O quê foi? — disse de longe, quase gritando.
Ela se virou para me encarar, segurando uma colher de madeira toda suja de molho.
— Você pode falar mais baixo, por favor, não quero que o Henry nos escute. — olhei para o lado, apenas verificando se o garoto ainda prestava atenção no programa. — É melhor você sentar. — avisei, sentando-me em uma das cadeiras.
— O que foi, Emma? É a Regina... Você falou com ela? Ela não quis fazer o empréstimo? — como ordem, ela sentou-se rapidamente.
Respirei fundo.
— Sim é a minha chefe. Falei com ela. Ela quis... — cocei a cabeça, ficando nervosa. — Ela quer algo em troca. — Branca jogou a cabeça para um dos lados, como se estivesse pensando. — Mills quer passar uma noite comigo e o pior... Eu disse que iria pensar. — disse de uma só vez.
A mulher arregalou os olhos, tapando a boca.
Surpresa ou decepcionada (?)
— Meu deus, Emms! Você vai mesmo pensar nisso? Eu sabia que alguma coisa ia sair dos eixos. Senti isso o dia todo.
— Eu preciso pensar, não preciso? — perguntei receosa. — Essa é a última semana. No máximo até quinta-feira eu preciso assinar os papéis. Estou sem tempo, Henry precisa da cirurgia, Mary. — falei com os olhos já marejados. — Eu não sei mais o que fazer!
— Olha... Se acalma, tá? — agarrou a minha mão por cima da mesa, querendo me confortar. — Você quer aceitar a proposta da Regina, mas não só pelo fato de você precisar dessa grana toda, você gosta dela não é?
Dessa vez quem ficou surpresa, foi eu.
— Eu só quero que... — neguei com a cabeça, não conseguindo completar a frase.
— Emma... — sorriu branda. — Você pode me dizer a verdade, okay? Eu sou a sua amiga e sei que mesmo nesses dias difíceis o clima está esquentando entre vocês duas.
— O quê? Por que pensa isso?
— Eu não sou boba, eu sei como você chega todas as noites e vejo nos seus olhos, agora mesmo, que eu estou certa. — fiquei em silêncio, abaixando a cabeça envergonhada. — Ainda acha que não contar a verdade para sua chefe valeu a pena? Não seria mais fácil receber dignamente esse dinheiro?
— Sim, vale a pena me manter calada do que ser chacota. Meus problemas são íntimos , meus, só meus. Eu não quero que sintam pena de mim!
— E passar a noite com uma mulher não é íntimo também?
— Você está me deixando mal com isso. — resmunguei, levantando. — Só tenta, por favor, não me julgar.
— Eu não estou te julgando Emma. — ela me acompanhou, parando em minha frente. — Eu só quero te ajudar. Se você acha que é o certo, aceite. Mas lembre-se que Regina irá continuar a ser a sua chefe e que você tem uma grande divida a pagar, tanto com ela, quanto com o banco.
— Por favor, para. — talvez pensar naquilo sozinha, seria melhor. Branca estava me confundindo. — Eu vou colocar o Henry para dormir...
— Emma, pare. – segurou o meu braço. – Aceite.
— Está mesmo me mandando fazer isso?
— Vai salvar a vida do seu filho, não vai? Então aceite, Emma.
— Primeiro você dá a entender que é contra e agora, está falando para eu aceitar a dormir com ela, assim do nada?
— Eu não disse que eu sou contra e nem a favor, Emma. Apenas acho que com a verdade você se sairia melhor dessa história. Mas se essa é realmente a úncia opção para você, então é óbvio que precisa aceitar.
— Eu não quero mais falar sobre isso... Eu vou pensar nisso sozinha, okay? – me afastei. – Eu não estou com fome, então não me espere para o jantar. – não aguardei a sua resposta e sai dali.
Vigiei o sono do menino me desprendendo um pouco daqueles pensamentos e passando a me concentrar somente nele, em sua serenidade e em seus olhinhos castanhos me fitarem até o último segundo. Inevitavelmente uma lágrima sólida escorreu por minha bochecha quando fui cobri-lo e notei que o seu braço ainda estava arroxeado pelas marcas das agulhas. Eu não poderia deixar aquilo continuar, não deixaria com que ele sofresse daquele jeito.
Entrei no meu quarto, joguei a minha bolsa sobre a cama e comecei a me despir, precisava de um banho.
Deixei com que a água caísse sobre o meu rosto e logo ela começou a se arrastar lentamente pelo meu corpo em caminho desconexos. Senti meus músculos irem relaxando com a quentura e força da mesma, tombei a cabeça para o lado e deixei que tal tomasse os meus ombros e logo as costas. Guiei meus pensamentos para longe, deixando a brecha para pensar na proposta de Regina Mills.
Depois de mais de quarenta minutos dentro daquele cubículo, me enrolei em uma toalha branca e voltei para o quarto. A mudança de temperatura de um de um cômodo para o outro arrepiou-me por inteira. Sorri um pouco ao passar pelo espelho e notar a epiderme dos meus ombros completamente vermelha, supostamente causada pela quentura e tempo embaixo daquela água.
— O que é que vou fazer da minha vida? — murmurei baixinho colocando uma camiseta larga, bem soltinha.
Sentei-me na cama e coloquei uma das mãos dentro da bolsa, pegando o meu celular. Fiquei incontáveis minutos olhando para a tela sem saber o que faria realmente. Joguei a bolsa para um canto qualquer do quarto e me arrastei até a cabeceira da cama. Apaguei a luz e me deitei, ainda com o aparelho nas mãos. Talvez por impulso, ou talvez não... Encaminhei uma mensagem para uma pessoa que ficava quase no final de minha agenda.
" Srta. Mills... É a Emma. Esse número ainda é o seu? "
Aguardei a sua resposta por mais de quinze minutos, mas ela não veio. Me auto-analisei e coloquei o telefone embaixo do travesseiro e resolvi ir dormir, talvez tivesse sido uma má ideia ter mandado, talvez aquele seria um sinal que eu devesse pensar melhor. Puxei o cobertor e fechei os olhos, deixando minha mente divagar em algum sonho que chegaria em breve.
Um barulho irritante me arrancou do subconsciente, bufei internamente, pela primeira vez naquele dia tentado, havia encontrado a paz. Era o meu celular. O retirei de debaixo das fronhas e olhei o identificador. Cocei os olhos e olhei novamente, não podia ser... Ela havia me respondido.
"Miss Swan. Sim, esse é o meu número. Por quê? "
Engoli seco, sentindo um friozinho na barriga. Será que eu deveria?...
"Pode falar agora?"
"Sim."
A sua resposta veio tão rápida que eu me assustei.
Quanto mais eu pensasse... Mais confusa ficaria...
Então, apenas toquei a tela para fazer a ligação.
"Oi..." - ela disse baixinho depois do segundo toque, com uma voz rouca, quase inaudível.
"Mills... Atrapalho?"
"Não, Miss Swan."
A linha ficou muda e mesmo que ela não pudesse me ver, minhas bochechas começaram a esquentar. Não sei por quê, mas eu sempre fico envergonhada quando converso com ela. Ela soltou uma respiração pesada, como se estivesse se irritando pelo tempo que eu ganhava para criar coragem.
"Eu aceito."— disse de uma vez, fechando os olhos e tombando a cabeça para trás. Estava mesmo disposta a fazer aquilo?
Dessa vez quem ficou irritada foi eu, Regina não respondeu.
"Você ainda está ai?"— perguntei, com um pingo de esperança de que ela tivesse caído no sono e não ter ouvido nada.
"Você não irá se arrepender, Swan."— disse num fio de voz, como se estivesse sussurrando em minha orelha. Me arrepiei por inteira.
"Tem algumas condições que eu...
"Eu não me importo... Eu só quero você querida."— me cortou.
Revirei os olhos, mas prendi a pontinha dos lábios com os dentes.
"Ninguém pode saber, Regina. Ninguém." — falei firme.
"Por mim não tem problema." — falou rápido.
"Eu vou precisar me ausentar dois dias na empresa, na semana que vem...
"Se você quiser, lhe dou a semana toda."
"É serio? Isso não é uma piada, Regina."
"Não estou brincando. Se você precisar., se ausente o dia que quiser."
"Eu quero que pare de me tentar. Você só terá um noite e nada mais. Quero que me trate como um simples funcionária, nada de beijos... — respirei fundo — De me prensar contra a sua porta. Nada disso.— pausei, sentindo meu centro se acender ao lembrar de tudo aquilo. – E por último, eu lhe devolverei a quantia de forma honrada.
"Quando disse que tinha algumas condições, não estava brincando, não é mesmo?— ouvi sua risada. – Como quiser, Miss Swan. Acatarei todas as suas regras. Mas eu garanto que depois de uma, você vai querer passar muitas outras noites comigo."
Não aguentei. Desliguei. A autoconfiança e o tamanho do ego de Regina Mills me tiravam completamente do sério. Como ela consegue ser assim?
Meu celular voltou a tocar. Era ela. A ignorei, desligando colocando-o novamente debaixo dos travesseiros. Voltou a vibrar. Fechei os olhos e fingi que não havia nada ali. Chamou e chamou. Por deus, essa mulher não vai me deixar dormir?!— ralhei, tomando o aparelho em minhas mãos.
Dessa vez, não era uma chamada... Era uma mensagem de voz.
"Ficou brava, foi? Não se exalte. Eu só confio no meu taco e sei como vai adorar quando estiver sobre os meus braços. Ah, Emma Swan eu lhe desejo de todas as maneiras. – engoli seco.– Você não tem ideia de como a estou imaginando agora. Deve estar estar com um sorrisinho cortando os lábios e assim como eu, deve estar molhada.— arregalei os olhos, me negando a conferir sua suposição. – Eu quero te provar... Sentir você... Ouvir você gemendo... Anhh...— ela gemeu. MEU DEUS ELA ACABOU DE GEMER!
Quero você...
Amanhã...
Depois do trabalho...
(Fim do recado... Caso queira ouvir novamente... Aperte a tecla um... para deletar a mensagem...)
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