The Lady In My Life

30 Uma das cem coisas que amo sobre Emma Swan Mills.


Notas iniciais
— Voltamos com o antepenúltimo capítulo e gostaríamos de agradecer aos comentários, favoritos e a quem passou a acompanhar a fic nos últimos meses. — Obrigada também a Happy Face, a Barbara e a JStark que recomendaram a história neste período sem postagens. — Boa leitura!!!

(Final de Maio – Ainda na lua de mel)

{Regina}

Os carros dividem o espaço com os pedestres e ciclistas que circulam pela Avenida Atlântica, nos arredores do número 1702. Um pouco mais a frente, o calçadão de pedras portuguesas cede lugar para o branco da faixa de areia, onde nativos e turistas se unem em um momento de lazer, desfrutando das águas cristalinas e do belo cenário da famosa praia.

Do terraço privativo de uma suíte na cobertura,assisto o cotidiano dessas pessoas, enquanto observo alguns ícaros sobrevoando o hotel em suas asas-deltas, realizando o sonho da mitológica figura grega.

Os versos da canção “e a tardinha, o sol poente, deixa sempre uma saudade na gente*”, falam por mim, pois é assim que sempre me sinto ao ver o astro-rei se despedindo da cidade maravilhosa, fazendo-me lembrar que, em poucos dias, teremos que partir, deixando para trás não só a deslumbrante beleza das paisagens brasileiras, como também os momentos de pura magia, felicidade e amor que Emma e eu tivemos aqui.

Toda essa atmosfera romântica me faz pensar no dia do nosso casamento, quando Emma incorporando o próprio pecado, ou melhor, a famosa personagem de Marilyn Monroe trocou votos de amor eterno com uma Regina vestida de Carlitos¹, diante de uma plateia de convidados que representavam ícones do cinema.

Passamos a noite de núpcias no antigo casebre, onde nos beijamos pela primeira vez. Entre lençóis cobertos de pétalas vermelhas nos amamos e, naquele instante, nossos gemidos se misturaram aos sons noturnos, tornando-se parte da sinfonia bucólica do lugar.

Suspiro, extasiada, não só pelas lembranças, como também ao ver que uma loira alta, usando um vestido branco com decote transpassado e um chapéu de abas largas se aproxima, trazendo em seus olhos uma expressão de ternura e em seus lábios um sorriso travesso.

—Nunca imaginei que diria isso, mas diante de sua devastadora beleza, o Redentor com os braços abertos sobre a Guanabara, torna-se secundário – começa, galanteadora – Se não fosse casada, te convidaria para passar a noite comigo em minha suíte – continua, iniciando um faz de conta que eu sei muito bem onde vai terminar.

Desde que nossa lua-de-mel começou, numa praia menos badalada, mas tão bonita quanto Copacabana, localizada no nordeste do país, que Emma e eu descobrimos que gostamos de fingir que não nos conhecemos. Essas fantasias, a priori, eram bobas e inocentes, sem qualquer contexto erótico, mas tomamos gosto pela brincadeira e agora elas adquiriram um ar mais apimentado.

Mordo o lábio e sorrio: — É uma pena que eu também seja casada... – dou asas à fantasia, mostrando-lhe a delicada aliança de ouro branco e diamante no anelar esquerdo – Porque confesso que fiquei encantada com o elogio.

— Você não acha errado que as convenções nos impeçam de nos conhecermos melhor?

—Não sei se é errado ou certo, mas a senhora não acha que é muito ousado fazer esse tipo de insinuação a uma mulher grávida? – rebato, dissimulando certa indignação.

Chega mais perto e se inclina, permitindo que seus lábios fiquem bem próximos dos meus: —Desculpe, mas eu achei sua barriguinha tão sexy sussurra, alisando-me o ventre com a palma da mão – Acharia muito pervertido se eu confessasse que tenho fetiche por grávidas?

Movo a cabeça para trás, e ergo o queixo a fim de encará-la: — Por grávidas? – repito, enfatizando o plural, saindo um pouco da personagem.

Seu semblante ganha um ar ainda mais brincalhão: — Na realidade, quis dizer que sinto atração por grávidas de pele morena e sangue latino, que se chamam... – faz uma pausa – Como é mesmo seu nome? –alça uma sobrancelha, bancando a cafajeste.

—Você não precisará saber meu nome, porque eu demorei demais aqui e meu marido já deve estar me procurando – assumo novamente o papel de esposa fiel e pudica, pois já percebi que esse tipo em particular atiça a libido de Emma.

Quando me viro para entrar no quarto, ela me envolve com um dos braços, interrompendo a ação e, com a mão livre, afasta a massa de cabelos negros que cobre minha nuca, roçando delicadamente os lábios no meu pescoço e provocando-me um leve tremor.

— Mais vinte minutos não farão diferença para o seu marido! – murmura, rouca.

— Algo me diz, que se eu ficar, não serão apenas vinte minutos! – respondo, ofegante, esfregando-me nela.

—Talvez seja porque você não quer que sejam apenas vinte minutos! – afirma, girando-me e prendendo-me no círculo dos seus braços.

Esquivo-me um pouco, embora permaneça colada a ela, e levanto as mãos para enterrá-las no cabelo dourado, tirando-lhe o chapéu, enquanto meus dedos deslizam pela maciez de seus fios loiros: — Por favor... eu estou em lua-de-mel, sou uma mulher recém-casada e prometi ser fiel ao meu maridocontinuo, num murmúrio baixo, com olhos virginais.

— Você é diabólica... – sussurra, consciente que eu já descobri seu ponto fraco.

—Não... –beijo-lhe a covinha do queixo — Apenas conheço muito bem a mulher com quem casei! –afirmo — E adoro quando ela me pega com delicadeza... com fome... Porque isso é uma das cem coisas que amo sobre Emma Swan-Mills: a capacidade que ela tem de ser absolutamente doce e irresistivelmente selvagem quando faz amor comigo.

Emma reage a minha declaração, apertando-me ainda mais e buscando, impaciente, os meus lábios. Enquanto as línguas travam um duelo molhado, macio e ardente, as bocas se fundem e se amoldam, buscando o encaixe perfeito.

Num rompante impetuoso, minha esposa me ergue nos braços e chego a ouvir seu coração pulsar com força no peito, enquanto me leva para dentro da suíte. Acredito que, neste momento, a fantasia foi deixada de lado, e voltamos a ser tão somente Emma e Regina, duas mulheres em lua-de-mel, sedentas para consumar o casamento mais uma vez.

— Você me enlouquece... me enlouquece! – enfatiza, colocando-me sobre a cama com absoluta delicadeza.

Sua voz sai rouca e sussurrada e sei que se esforça para não se deixar dominar pelo desejo febril que a invade. Desde que meu ventre ganhou um contorno protuberante, Emma, se possível, ficou ainda mais carinhosa e cuidadosa, sempre com medo de me machucar ou aos bebês quando fazemos amor.

Ternamente, tira uma das minhas sandálias e beija o dorso do pé. Apenas suspiro. Faz o mesmo com o outro, mas não se contenta só com aquele suave estímulo. Logo, sinto sua boca se fechar sobre os dedos, chupando-os desde a base até o topo, deixando resquícios de saliva na pele e fazendo com que eu suspire mais alto, contorcendo-me em cima dos lençóis.

Emma sabe o quanto sou sensível a carícias nos pés e sua boca segue, implacável, tocando uma das minhas zonas erógenas: — Amor... isso é crueldade! – murmuro, manhosa, mas ela não parece ouvir minha “queixa” e continua com sua doce tortura.

— Eu quero te marcar inteira – afirma, engatinhando sobre mim, deixando um rastro de beijos desde os tornozelos até a parte interna das coxas — Quero que sinta meus lábios por todo seu corpo – continua, levantando o vestido e descobrindo a calcinha preta que ele escondia Fico imaginando você atendendo um paciente e lembrando de mim, chupando seus dedões, enquanto um sorriso malicioso escapa-lhe dos lábios...

— Aí, por favor... – sussurro, afetada não só por sua imaginação fértil, mas também pela respiração entrecortada dela em uma parte bastante sensível.

Seus dedos se enterram na pele macia das minhas coxas, impedindo que eu movimente os quadris: — O que você quer, meu amor? – atiça-me, afundando o nariz na calcinha e absorvendo o cheiro do meu desejo.

— Quero que você... me chupe – ofego, inquieta Quero lembrar da sua boca em cada parte do meu corpo – faço minhas, as palavras dela e seus olhos brilham, luxuriantes, antes de atender meu pedido.

Sinto-a percorrer de baixo para cima o tecido da calcinha e, ao passar pelo ponto mais acentuado, Emma mostra os dentes, mordendo-o levemente e reajo com gemidos profundos, tentando levantar os quadris para esfregar-me nos lábios dela.

Porém, ela abandona o que estava fazendo e sobe mais o vestido, passando a beijar a curva da minha barriga com devoção, como se manuseasse uma peça delicada, preciosa, e tivesse receio que ela se partisse. Depois, contorna com a língua o umbigo e segue até chegar aos mamilos já intumescidos, amontoando o vestido acima dos meus seios. Suga um dos bicos e grito, vendo-a alternar de um para o outro, chupando-os até deixá-los tão inchados que, não suportando mais, puxo-a pelos cabelos para beijá-la mais uma vez.

— Pare de me torturar, Emma Swan-Mills! ­– reclamo, soltando-lhe os lábios.

Ela sorri e seus olhos se prendem aos meus. Por um átimo, vejo-me refletida nas íris verdes, enquanto seus fios loiros nos envolvem, feito uma cortina dourada.

— Não quero torturá-la... Quero amá-la, lenta e vagarosamente, minha morena! – declara e sela nossas bocas mais uma vez, combinando os sabores, enquanto se ergue, levando-me junto com ela.

Ergo os braços para que tire meu vestido de uma vez. Emma se levanta e vai fazer o mesmo com o dela, mas ajoelho-me na cama e a seguro pelos pulsos: — Não... fique de vestido – peço e, percebendo sua expressão curiosa, digo: — Eu também tenho meus fetiches! – admito e, antes que ela possa replicar, subo a peça até a altura da cintura.

Fico extasiada ao notar a turgidez da sua libido. Agacho-me e, sem dar tempo para que minha esposa reaja, desço a cueca, deslizando meus lábios pela ereção, dando-lhe suaves mordidas e chupões, ouvindo-a gemer baixinho, fundindo os dedos nos meus cabelos, buscando apoiar-se enquanto empurro-a para dentro de mim.

— Regi...Ahh – meu nome se confunde com um gemido, deixando-me excitada com a possibilidade dela se derramar na minha boca.

Felizmente, atingimos um ponto onde não há mais espaço para pudores... A gente se ama sem reservas, sem inibições, sem receios. Na cama, nos permitimos tudo que nos dar prazer e já conseguimos identificar e sentir o que a outra quer quase que telepaticamente. Sempre que fazemos amor tudo acontece com tanta naturalidade, entrega e, mesmo assim, o sexo nunca parece igual.

— Eu vou... – seu gozo explode em minhas papilas, antes que conclua a frase, preenchendo-me a boca do mais puro néctar e ouço-a gemer alto, forte, um som que repercute pela suíte, fazendo com que eu me sinta infinitamente feliz em saber que sou a responsável por esse brado retumbante de satisfação.

Quando seus olhos se encontram com os meus, noto que a respiração dela ainda está irregular. Emma sorri, tira o vestido e volta a me beijar, subindo na cama de joelhos. Enquanto suas mãos vagueiam atrevidas pelas minhas curvas, sinto-me inebriada pelo contato dos nossos lábios e tomada pela ansiedade de ser, mais uma vez, devorada em cima deste leito.

O beijo é interrompido e ela inverte minha posição, sentando-se sobre os calcanhares e me colocando em cima de suas coxas. Rebolo no seu colo, esfregando nossos sexos. Agora que minha barriga está um pouco maior, essa é uma das posições que mais gostamos de fazer, porque me deixa confortável e posso senti-la toda colada ao meu corpo: ­— Me come – exijo, rouca, sentindo-a novamente rígida embaixo de mim.

Levanta-me um pouco e faz com que meu sexo se encaixe no dela. Ouço-a suspirar quando escorrego devagar pelo seu comprimento. Morde-me o ombro e jogo meus braços para trás, tentando abraça-la, enquanto subo e desço, provocando o atrito entre as minhas costas e os seios dela.

Uma de suas mãos me segura pela cintura, enquanto a outra acaricia meu clitóris. Sua boca agora está ocupada, chupando-me o lóbulo da orelha. Já estou absolutamente molhada e sinto os bebês agitados, por causa dos movimentos frenéticos que faço em cima da outra mãe deles.

Então, eu começo a tremer, a chorar, a sofrer... Sorrindo, entrego-me a mais um orgasmo que rompe e rasga todo o meu corpo... Feito uma louca, uma alucinada, eu me perco e me acho nos braços de Emma, provando toda a glória, a plenitude e a magia de senti-la pulsar dentro de mim, enquanto me contraio ao redor dela².

Com os últimos gemidos se esvaindo no ar, caímos exaustas e ainda aninhadas sobre a cama. Ainda experimento a gostosa e extasiante sensação de alguns espasmos percorrendo o meu corpo, quando ouço-a falar: — Sabe o que faremos hoje à noite?

­– O quê?! – pergunto, abrindo a palma de sua mão para beijá-la.

— Vamos assistir a um show de Chico Buarque! – revela, cheirando meu pescoço.

Giro, ficando cara a cara com ela: — Sério? – falo, sem querer acreditar Se ele cantar Valsa Brasileira, eu vou gritar, chorar e talvez queira subir no palco para abraça-lo –continuo, parecendo uma fã histérica Você promete ficar ao meu lado, enquanto eu passo por esse vexame, meu amor? – pergunto, dengosa, mas já certa de qual será sua resposta.

—Sabe, seu jeito fanático é uma das cem coisas que amo sobre você. Acho que isso responde a sua pergunta, não é Regina Swan Mills?! – fala, brincalhona, acariciando meu rosto Nossos bebês estão bem? – indaga, suave, colocando a mão sobre eles.

— Agora estão mais calmos! – afirmo, admirada com o dom que o toque de Emma tem de tranquiliza-los Falando em bebês, estou com saudades dos nossos outros filhos... principalmente de Jobim – cito o nome do terrier que ela me deu na véspera do nosso casamento Será que Tinker e Jefferson estão cuidando bem dele?

— Tenho certeza que sim, meu bem... Lembre-se que ele está na companhia de uma adulta responsável e de uma criança cheia de energia! – responde, zombando do irmão.

— Amor... – aninho-me em seus braços — O sol ainda não se pôs totalmente – começo, libidinosa — Por que a gente não aproveita... ­ mas ela não deixa eu terminar a proposta.

E, antes que a lua se reflita sobre o mar da Baía de Guanabara, deixando a paisagem carioca ainda mais charmosa e inspiradora, Emma e eu saciamos, uma vez mais, os apelos do corpo, sobre uma cama King Size em uma suíte do Copacabana Palace.

Notas finais
* Trecho da música Copacabana de Braguinha. ¹ Carlitos foi um personagem criado e interpretado por Charles Chaplin em vários de seus filmes, como O Garoto (1921), Luzes da Cidade (1931) e Tempos Modernos (1936). Ficou também conhecido pela alcunha de “adorável vagabundo”. ² Trecho totalmente inspirado na música Explode Coração de Gonzaguinha.