The Lady In My Life

6 O toque suave de Emma Swan.


Notas iniciais
— Olá, voltamos! — Ficamos felicíssimas por uma de nossas histórias (Um Paradoxo...) ter sido traduzida para o espanhol. Foi publicada em outro site de fanfictions e recebeu o título de "Paradojas de Sentimientos" na referida língua. Gracias, Franchiulla! — Agradecemos também a quem comentou, favoritou e está acompanhando Transex. — Boa leitura!

{Regina}

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Enquanto nosso primeiro beijo foi terno, este é quente e ávido. Nossos lábios se roçam entreabertos e ela responde segurando-me pela nuca. Ao mesmo tempo, sua outra mão está espalmada na parte de baixo das minhas costas.

Já meus dedos acariciam seu rosto, deslizando pela sua bochecha e agarrando seus fios macios e dourados. O hálito dela é quente e embriagador. Entra pela minha boca e minha língua toca a sua pela primeira vez.

Ela ofega, por causa do meu gesto atrevido, e aproveito para intensificar ainda mais o contato dos nossos lábios molhados.

Emma me empurra suavemente até me encostar contra a mesa, e à medida que minha língua desliza sobre a dela, experimentando e explorando cada recôndito lugar de sua boca, sinto-a me abraçando ainda mais fortemente e sua respiração fica mais densa, tão descompassada quanto a minha.

Resolvo provocá-la ainda mais e começo a mordiscar e chupar seu lábio inferior, entre um beijo e outro, descendo minhas mãos até a barra do seu suéter e colocando-as por baixo do tecido macio e úmido, sentindo a pele firme do seu abdômen, arranhando-a levemente com as minhas unhas.

Geme, enrolando seus dedos no meu cabelo e puxando-me ainda mais para si. Nossos corpos estão tão colados que nem mesmo um suspiro passaria entre eles. É quando sinto a rigidez de sua excitação sobre o tecido das calças de montaria que uso.

Afasta-se de mim, encabulada, deixando-me atônita. Coloca as mãos abaixo do seu ventre, tentando ocultar o que minhas carícias e os beijos que trocamos provocaram nela. Sua respiração está alterada e a pele do seu rosto extremamente corada, apesar do frio que deve estar sentindo por causa das roupas molhadas.

Faço um movimento em sua direção, mas ela se afasta e, surpreendentemente, sai do casebre. Quando chego à porta, vejo-a já distante, montada em Xena, indo embora, deixando-me ali sozinha e fico espantada com a sua atitude inexplicável.

***

Acredito que já faz mais de meia hora que Emma me deixou sozinha e estou ficando preocupada, pois a chuva não passa e, provavelmente, demorarei para encontrar o rancho quando ela passar. Ainda estou intrigada com sua atitude. Não imaginava que depois dos intensos beijos que trocamos, Emma fosse me abandonar aqui sem dizer nada.

Pensando sobre isso, ouço o trote de um cavalo se aproximando da pequena casa onde estou. Sorrio, supondo que ela resolveu voltar para me buscar. Abro a porta, mas, logo percebo que, na realidade, quem está parado em frente ao casebre é David, montado em um cavalo branco. E não consigo evitar sentir uma pontada de decepção.

Emma me disse que você tinha levado um tombo do cavalo e precisava de ajuda para voltar à casa principal.- explica, descendo da sela e vindo até onde estou, com ar preocupado.- Mas, percebo que ela exagerou um pouco!- conclui,mudando o semblante de preocupado para desconfiado, ao me ver de perto.

Pega de surpresa, pois não esperava que a loira mandasse seu irmão vir me resgatar, digo a primeira coisa que me ocorre.- Eu disse que não era nada demais, porém ela ficou preocupada, já que não poderíamos avaliar se houve algum dano interno provocado pela queda e como também não sabíamos quanto tempo seria necessário ficar aqui por causa da chuva, ela achou melhor chamar o médico para ver como estou de fato.- digo, dando passos para frente, fingindo mancar, visando dar mais credibilidade a minha mentira.

David aparenta acreditar no meu engodo. Vem até onde estou, coloca-me nos braços, sentando-me na montaria com cuidado e subindo na sequência para começarmos a cavalgar de volta até o rancho, uma vez que a chuva já amenizou e cai mais fina.

Quando chegamos em frente à casa, o temporal já passou completamente. David me ajuda a descer do cavalo, enquanto continuo com o fingimento. Ele entra comigo nos braços, depositando-me suavemente no grande sofá que há na sala e logo vejo Margaret, Ruby e James se aproximando, perguntando o que aconteceu, mostrando-se apreensivos.

Jefferson e Tinker também se aproximam e fico constrangida por ter que continuar com a encenação, ao mesmo tempo que eles se mostram tão preocupados com o meu bem-estar. Inclusive Margaret começa a dar ordens aos demais, instruindo-os a trazer almofadas, pegar gelo para colocar na minha perna, impedindo que ela “fique inchada”, e ordenando que o meu namorado vá buscar sua maleta a fim de fazer uma avaliação mais minuciosa do meu estado.

Depois de todo esse alvoroço, percebo que apenas Jeff e Tinker permaneceram na sala. Como notei a ausência de Emma, resolvo perguntar-lhes por ela, antes que David volte:- Não vi Emma desde que retornei, vocês sabem onde ela está?- indago, tentando soar natural.

A loira entrou aqui feito um furacão, dizendo que você estava machucada e que David precisava ir lhe ver, já que ela tinha te deixado na antiga moradia dos caseiros. Depois avisou que precisava voltar com urgência para a cidade, pois tinha que trabalhar num projeto para entregar amanhã bem cedo e, após tomar banho e pegar sua bagagem, foi embora, apesar dos protestos de Margaret que não ficou nada satisfeita em não retornar a Boston com seu “querido Eric”.- Jefferson esclarece, com seu costumeiro jeito zombeteiro.

—Fiquei com a impressão que tudo isso foi desculpa, já que ela rejeitou a companhia da mãe, porém aceitou dar uma carona a Mulan que também precisava voltar.- Tinker acrescenta, maliciosa e sorridente.

[J]:-Se eu tivesse dito isso, logo seria taxado de maledicente, mas também achei muito estranho essa volta repentina das duas e estou pressentindo que brevemente a família vai aumentar.- continua, no seu tom maroto.

Tinker dá um leve tapa no ombro do marido e ambos começam a fazer algazarra, enquanto bufo de raiva, imaginando se o que eles estão supondo pode, de fato, ser verdade. Essa possibilidade me magoa.

Neste momento, os demais ocupantes da casa começam a retornar aos poucos, trazendo toda a parafernália para cuidar de mim. Contudo, depois da conversa com o jovem casal, fico com uma imensa vontade de acabar com o teatro e voltar para Boston imediatamente.

Todavia, resignadamente, aceito ser tratada por meu médico e “enfermeiros”, sendo instalada numa cama confortável, num quarto diferente do que iria ocupar com David.

Eles se mostram muito solidários comigo, uma vez que até o final da minha visita ao rancho não sou deixada sozinha nem um minuto sequer e, apesar de sentir a falta de Emma, acabo me divertindo com as histórias do Sr. Swan e com as tagarelices de Jeff e Tinker, além das conversas que tenho com Ruby que são, de longe, as minhas preferidas, pois ela sempre fala da época que estudou com a loira, citando o início da amizade das duas até o momento que ela conheceu James, por quem se apaixonou praticamente à primeira vista.

No dia seguinte, retornamos para Nova York, já que David precisa chegar cedo no hospital, pois fará uma cirurgia importante no final da manhã, em um rapaz de 24 anos que sofreu um acidente de carro.

***

Há três dias não tenho notícias de Emma. David me disse, aborrecido, que ela ligou para ele, perguntando se eu estava bem e fico admirada que não tenha ligado diretamente para mim. Como ainda não entendo seu novo comportamento, resolvo esperar que ela me procure e explique-me o que está acontecendo.

Até entendo seu desconforto com o que vivenciamos no casebre e a forma como nosso beijo terminou. Sei que ela também pode estar perturbada por ter beijado a namorada do seu irmão, mesmo a relação entre eles não sendo boa.

Todavia, ainda acho que tudo isso não justifica a maneira desarvorada com que deixou o rancho, principalmente porque foi embora na companhia de Mulan. Lembro-me das suposições de Jeff e Tinker e penso que a razão do seu distaciamento pode ser realmente a morena asiática.

Será que elas começaram um relacionamento naquele dia? E é por isso que Emma se afastou de mim, evitando até me ligar?- Imaginando essa possibilidade, ouço “Blue Train” de Tom Jobim* soando no meu celular e instantaneamente sorrio, pois apenas uma pessoa pode estar me ligando.

Alô!- fico feliz com a ligação, entretanto, como não sei do que se trata, tento conter a euforia, quando atendo.

Oi, Regina... Liguei para saber como você está...- fala, titubeante.

Estou bem! David não lhe disse?- respondo, irônica.

Na realidade, ele foi bem sucinto e até um pouco grosseiro, pois disse que estava com um paciente na hora e não podia me dar maiores detalhes.- diz e percebo, pelo seu tom, que não acreditou muito na desculpa do irmão.

Decido baixar a guarda, porque imagino o quanto ele foi rude com ela, e fico com pena.- David, como sempre, sendo uma flor... falo, com zombaria, e ouço o som da sua risada do outro lado da linha.—Mas, a propósito, por que você aparenta estar tão preocupada com o meu estado, se sabe melhor do que ninguém que a queda de Rocinante não me deixou sequelas? Eu estava muito bem quando você me abandonou no casebre.- arremato.

Quase consigo “sentir” o seu constragimento via celular, uma vez que ela demora um pouco a responder.

Regina, desculpe-me por tê-la deixado daquela forma!- faz uma pequena pausa. -Minha atitude não poderia ter sido mais imatura, mas entenda que eu não sabia o que você ia pensar sobre tudo aquilo. Não sei onde estava com a cabeça quando cedi ao impulso de beijá-la, mesmo sabendo que você é comprometida. E como supus que ia ficar totalmente desconcertada na sua presença, decidi ir embora, antes que voltasse à casa principal. Desculpe-me, sinceramente!- finaliza, num tom envergonhado.

Você está arrependida... ou apenas constrangida?- indago, sem rodeios.

Noto que sua respiração se altera:- Eu deveria dizer que estou arrependida, não é?- questiona, com voz suave.

Percebo o rumo que esta conversa vai tomar e não sei se estou preparada para isso no momento. Então, resolvo mudar de assunto.

Após um instante de silêncio, falo sarcástica:- Ouvi dizer, que você saiu do rancho muito bem-acompanhada... Apostas foram feitas sobre um futuro breve casamento.

Ouço uma risada meio sem graça do outro lado e Emma fala em seguida:- Eu aposto que Jeff foi o autor dessas piadinhas. Consigo ver a marca registrada do sarcasmo dele neste comentário!- exclama, divertida.

Não foi só ele. Uma outra pessoa me contou que você dispensou sua mãe para viajar a sós com a Srta. Houston.- menciono, curiosa pela sua reação.

—O que minha cunhada esqueceu de acrescentar foi que eles iam levá-la de volta, já que foram os dois que a conduziram até o rancho. Porém, ao me verem saindo, praticamente empurram a Srta. Houston dentro do meu carro, para que viesse comigo.- esclarece, frisando a forma de tratamento e o sobrenome de Mulan, imitando o meu tom de voz.

—Nossa! Você falando assim, parece que a moça foi um estorvo! Não conheço essa faceta indelicada de Emma Swan.- digo, fingindo estar chocada.

Não estou sendo indelicada! Apenas dando a minha versão da história, para que veja como ela não aconteceu exatamente como lhe contaram.- rebate, em tom solene.- Vocês virão a Boston neste final de semana?- indaga, cortando o assunto Mulan e denotando ansiedade na pergunta.

Infelizmente não! Pois seu irmão irá participar de um congresso em Baltimore (Maryland) no fim de semana.- esclareço.

Ela suspira, parecendo um pouco decepcionada:- Você nunca me disse onde mora em Nova York...- ressalta, curiosa.

Moro na Mifflin Street, perto do Central Park!- digo, feliz por ela parecer interessada novamente a meu respeito.

Depois de conversarmos por mais alguns minutos, infelizmente preciso me despedir dela, uma vez que meu paciente das 17 horas já foi anunciado pela minha assistente. Emma também diz que necessita voltar ao projeto da Sra. Cohen, a amiga de sua mãe que não a deixa em paz, e se despede de mim.

Desligo o telefone, sentindo-me feliz com essa ligação inesperada e com a sensação que voltamos a ter a mesma sintonia de antes.

***

Hoje é sábado e, como costumava fazer nos finais de semana, antes de ir para Boston com frequência, caminho na esteira. Já faz 20 minutos que estou me exercitando, ouvindo uma música bem dançante que toca numa caixa de som acoplada ao meu iPod.

Como a música não está muito alta, ouço os primeiros acordes e o conjunto de vozes que iniciam Blue Train, vindo do meu celular. Sinto o meu coração acelerar e olho para o monitor da esteira, que já marca muitos batimentos acima do normal.

Notas finais
*Blue Train é a versão em inglês de Jobim para “O Trem Azul”, a primeira música interpretada por Elis Regina que elas ouviram juntas num capítulo anterior. —Vídeo da música: https://www.youtube.com/watch?v=UjNmUMbe6Mg —Até o próximo!!!