P.O.V. Bella.

Minha irmã e eu vivemos muitas vidas, sabemos que o mundo nunca muda. As pessoas normais não vivem o suficiente para perceber isso e portanto tem o que chamam de esperança.

Mas eu sei que isso é apenas um mito. A humanidade sempre será assim, matando pessoas inocentes aos milhares em troca de ouro, escravizando mulheres e crianças, abusando delas. Ao longo dos meus dois mil anos tudo o que eu vi foi ódio, derramamento de sangue, morte, tragédia e tristeza. Tudo isso nos faz querer morrer. Mas, então tem um momento, aquele único momento mágico que faz tudo isso valer a pena.

Eu morri a muito tempo. Eu já não vivo mais, em muitos aspectos.

Houve diversos momentos em que eu quis morrer, em que quase perdi a fé na humanidade e durante esses momentos Deus ouvia meus apelos e me mostrava que valia a pena continuar.

Me lembro de um destes momentos.

Flashback ON.

Estamos em 1347 e a peste se propaga com uma rapidez terrível. As pessoas estão apavoradas com a ideia de pegarem a doença e isso contribui para que os charlatões ganhem dinheiro. Por todos os cantos tem gente vendendo insumos e unguentos que prometem curar ou evitar a doença.

Todas as cidades pelas quais passamos estão negras com a fumaça dos corpos sendo queimados, mães choram por seus filhos, esposas por seus maridos, maridos por suas esposas. A morte tomou conta do mundo.

Não consigo mais dormir, fico a noite toda escutando os gritos dos moribundos. Então, decidi tomar uma atitude.

Enquanto os acompanhantes dormem eu alimento alguns dos doentes com o meu sangue e no dia seguinte eles estão totalmente curados. E são imunes a doença.

Aqueles que curei desenham o meu retrato.

Os doentes estão rezando para mim. Me fazem oferendas e eu concedo a cura aos que são dignos de recebê-la.

Crianças, mulheres e idosos são a minha prioridade.

–Que Deus a abençoe. Obrigado senhorita Elena.

–Disponha.

Nessa vida eu sou Elena Volturi e todos nos recebem com maior carinho.

Um artista fez um quadro meu e presenteou-me com ele. Seu nome era Leonardo Da Vinci.

Ficou lindo. Claro que ele estilizou, disse que se inspirou na minha coragem e personalidade para fazer as roupas e o cabelo.

–Grazie, signore Da Vinci.( Obrigado senhor Da Vinci).

–Prego, miss Volturi. (De nada, senhorita Volturi).

Mandei emoldurar e pendurei bem ao lado dos outros retratos atuais.

Mal sabia eu que depois da morte deste senhor ele valeria uma fortuna. Mas, eu nunca o venderia.

Eu adoro os meus quadros, são lembranças de quem eu já fui. Das minhas muitas vidas, alguns me trazem recordações alegres e outras recordações tristes. Mas melhor ter memórias daqueles que amamos e perdemos do que não ter memória alguma.

Flashback Off.

Não sou santa, mas também não sou um monstro. Tudo tem que ser equilibrado, nem malvada demais e nem boazinha de mais.

Tudo na medida certa porque tudo o que é demais faz mal.

Eu tenho muitas habilidades, mas desde sempre eu faço o que eu tenho que fazer.

–Eu fiz o que eu tinha que fazer. Eu sobrevivi.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.