— Honestamente, Q, não sei o que você estava pensando. — Kurt suspirou. Blaine e Quinn estavam ambos seguindo atrás dele enquanto eles deslizavam pelo corredor, os outros empregados rapidamente abrindo caminho ao avistarem o editor-chefe.

— Sinto muito, senhor — ela praticamente choramingou, a cabeça abaixada. Blaine a olhou simpaticamente.

— Que isso não se repita. Não tenho o tempo ou a paciência para lidar com isso de novo. Se você pensar que eu...

— Kurt — murmurou Blaine enfaticamente sob a respiração, quieto o bastante para que apenas o moreno o escutasse. — Demais.

Kurt calou-se com um olhar mau-humorado na direção de Blaine. Tá, tudo bem, diziam seus olhos.

— É isso, Q. Entregue essas notas para Patrick e você pode ir para casa por hoje. Mas espero você aqui feliz e cedo na manhã para dar as boas-vindas para nossos visitantes de Milão.

— Sim, é claro, senhor. — Ela assentiu rapidamente e rabiscou em seu pequeno calendário. Ela virou-se para ir embora.

— Ah, e... Quinn?

Ela rodopiou, os olhos arregalados em surpresa. Seu chefe não usara seu nome inteiro desde que ela começara a trabalhar para a Runway.Até Blaine ficou um pouco surpreso com o uso.

— Sim, senhor?

Os olhos dele se abaixaram.

— Belos sapatos. Combinam bem com essa saia.

O queixo dela literalmente caiu.

— Eu... Obrigada, senhor!

Blaine sorriu enquanto ela foi embora, um sorriso de prazer no seu rosto e um pequeno saltitar no seu andar.

— Viu? Você fez o dia dela, Kurt. Foi tão difícil assim?

— Quase impossível. — Kurt suspirou melodramaticamente, fazendo Blaine rir. Um sorriso fraco tremulou em seus lábios. — Está ficando tarde. Suponho que você pode ir para casa, também. Só preciso agendar algumas reuniões e então estou livre pelo dia. Diga para Sam que ele está livre para ir assim que terminar com o inventário.

— Quer que eu agende as reuniões? — ofereceu Blaine. Normalmente era ele quem cuidava desse tipo de coisa; afinal, ele provavelmente sabia o horário de Kurt melhor do que o próprio Rei da Moda.

Kurt balançou a cabeça.

— Não, eu cuido disso. Não sou completamente incapaz, acredite ou não. — Blaine riu de novo. — Mas eu estava pensando... Você está livre no sábado?

Blaine piscou para ele estupidamente por um momento. Eu? Ele está me perguntando sobre o meu horário?

Hm, eu... Sim. Sim, estou livre. Definitivamente livre. Por quê? Precisa que eu esteja disponível para alguma coisa? — Não era a primeira vez que ele precisava estar à uma chamada de distância, afinal. Kurt normalmente avisava Blaine em avanço para esperar uma ligação em horas extras.

— Não, isso não é sobre o trabalho — esclareceu Kurt. — Só esteja pronto às nove. Eu gostaria de levá-lo para tomar café.

— Você... Me levar... Ah. — Blaine sentia que seu cérebro sofrera um curto-circuito.

— Não tem problema, não é?

Ai meu Deus, é um encontro? Não, não pode ser. Pode? Palavras. Use as palavras.

Não! — exclamou Blaine. Então, mais calmamente: — Quer dizer, não, não tem problema nenhum. Eu-Eu estarei pronto.

Kurt assentiu mais uma vez e desapareceu dentro do seu escritório, deixando Blaine parado ali no meio do corredor em seu estado quase vegetativo. Foi preciso que um designer que estava passando por ali acidentalmente batesse em seu cotovelo para que ele saísse do seu transe. Ele pigarreou e caminhou sem objetivo na direção dos elevadores.

Blaine não conseguia dizer exatamente o que estava acontecendo entre eles — entre ele e Kurt. Desde que ele fora jantar na casa de Kurt na semana anterior, as coisas pareciam ter mudado na relação deles. Eles certamente não estavam juntos ou namorando, mas definitivamente era algo além da tradicional relação entre chefe e assistente. Ele cozinhou para mim, pelo amor de Deus! Eu nem sabia que ele sabia cozinhar. Chefes não costumam assar frango e fazer uma torta de creme para seus assistentes, certo? Isso não é normal. Será que isso quer dizer que ele gosta de mim? Ou... Não. De jeito nenhum. Ele é Kurt Hummel. Ele poderia ter quem ele quisesse. Eu sou só... Sou um ninguém comparado a ele. Somos de mundos completamente diferentes. É só a minha imaginação. Eu quero tanto que ele goste de mim que estou me fazendo acreditar que ele gosta. Isso é patético. Eu deveria ver um terapista.

— Mas... café — murmurou ele consigo mesmo. Ele me convidou para café. Bom, não foi bem um convite, mas ainda assim.

No final, sua cabeça começou a doer do ping pong de seus pensamentos de ele me quer, ele não me quer e ele decidiu apenas esperar até sábado para ver o que estava acontecendo entre eles.

— Ei, Blaine, vai na minha festa hoje à noite? — perguntou Sam, batendo no ombro do outro homem amigavelmente.

Blaine o fuzilou com os olhos de brincadeira; eles estava carregando o mochaccino grande sem gordura de Kurt e se Sam o fizesse derramá-lo seria infernal. Kurt fora a um jantar na noite anterior e Blaine sabia que ele estaria com um pouco de ressaca esta manhã. Ele precisaria de seu café mais que o normal. E ele já era bem dependente dele.

— Festa?

— De aniversário — esclareceu Sam, como se estivesse falando com uma criança. — Lembra? Eu te convidei, tipo, um mês atrás! Todo mundo vai estar lá. Vai ser ótimo. Um bom escape do caos de sempre do trabalho. Por favorzinho?

— Tá, tá, estarei lá — garantir Blaine com um sorriso. — Vinte e seis, certo?

— Estou ficando velho, vou te dizer — brincou Sam. — Ah, e nenhum presente, ok? É sério. Minha garota Mercedes tirou o dia de folga e vai ficar o dia inteiro cozinhando. Esse é todo o presente que eu preciso. Só espere até você provar a salada de batatas dela, Blaine, é...

— Samuel Evans.

Eles congelaram. Todos que estavam perto o bastante para ouvir congelaram, na verdade. Kurt estava na porta do seu escritório, as mãos nos quadris, os olhos multicoloridos grudados no segundo assistente loiro, que imediatamente escondeu-se atrás de Blaine.

— O que você pensa que está fazendo aqui?

— Hm — disse Sam confusamente.

— Vá para casa.

Os olhos dele ficaram enormes.

— O quê? — arfou ele. — Eu fiz alguma cosia errada?

— Hoje é o seu aniversário — declarou Kurt, como se isso fosse explicação o suficiente. — Esse é o meu presente para você. Agora vá antes que eu mude de ideia. E não espere que eu seja bonzinho com você amanhã se me aparecer com uma dor de cabeça horrível; ainda te espero na sua melhor performance.

— Sim, senhor! — disse Sam entusiasticamente. Ele apertou o braço de Blaine e praticamente dançou para os elevadores. Murmúrios excitados surgiram entre os trabalhadores que tinham entreouvido a conversa; essa era a primeira vez que Kurt reconhecera o aniversário de um dos seus empregados. Era um gesto que nenhum deles esperara do ácido Rei da Moda.

Kurt começou a massagear as têmporas.

— Blaine. Café. Agora.

— Chegando. — Ele apressou-se até ele e colocou o mocha na mão à espera de Kurt, seguindo moreno até seu escritório obedientemente e esperando por mais instruções. Kurt afundou em sua cadeira, colocando o café na mesa, os olhos fechados, as sobrancelhas suaves. Blaine não conseguiu ficar calado. — Isso foi muito legal da sua parte, o que você fez para o Sam.

— Hmm? — Kurt abriu os olhos. — Ah, sim. Bom, ele trabalha duro. Merece um dia de folga.

Blaine mordeu o lábio, incerto se estava passando do limite.

— Eu...Eu estou muito orgulhoso de você, Kurt.

Kurt piscou para ele por um tempo imensuravelmente longo. Blaine já estava começando a se perguntar se tinha realmente ultrapassando a linha quando Kurt sorriu. Um sorriso caloroso e genuíno. O tipo que fazia o estômago de Blaine se revirar e seu coração pular um batimento.

— Bom. Eu quero que você esteja.

Ele girou na cadeira para olhar para a janela, mas ele não parecia ter terminado de falar, então Blaine esperou do outro lado da mesa. Finalmente, ele falou.

— Ouço muito isso hoje em dia. Pessoas ficam orgulhosos com o meu sucesso na indústria da moda. Ele estão orgulhosos de mim pelo meu pragmatismo, pela minha criatividade, tudo isso. Mas ninguém nunca ficou orgulhoso de mim pela minha personalidade.

Blaine franziu os lábios, sem falar nada.

Kurt virou-se novamente para olhar para Blaine com um brilho profundo em seus olhos que o fazia se sentir como se fosse um livro que fora aberto sem a permissão.

— Por quê? Por que você me atura? Por que você é tão paciente comigo? Sou um canalha com você a maior parte do tempo, mas você só sorri e fica quieto.

— Porque... — Blaine procurou pelas palavras certas. Mas então ele percebeu que a verdade, apesar de ousada, era a única coisa que ele poderia lhe dar. Então ele respirou fundo, reuniu coragem, e disse: — Porque eu gosto de você. E eu genuinamente acho que você é uma pessoa maravilhosa, e acho que o incrível sucesso que você atingiu tão jovem exigiu uma força de vontade tão forte e um exterior tão duro que você esqueceu como é deixar as pessoas se aproximarem, mas eu acho que com um pouquinho de ajuda você poderia se abrir de novo, e eu realmente gostaria de ser essa pessoa porque eu gosto de você desde o momento que te conheci, e sinto muito se isso deixa as coisas estranhas entre nó porque definitivamente essa não era a minha inten...

Suas palavras foram cortadas quando Kurt pulou para fora do assento e pressionou seus lábios com força contra os de Blaine, seus dedos prendendo-se ao cabelo de Blaine, e ah, ok, talvez ele realmente goste de mim então.

Notas finais
Só Blaine mesmo pra amolecer o coração do Kurt *--*
gostaram?