The Killers- Interativa
4 Capítulo 3- O Diabo Veste Preto e Branco- Parte Dois
Notas iniciais
Klev Bisharp
Otaku de Nível Super Colegial
“No mundo onde eu vivo, a justiça reina, os oprimidos lideram e a maldade foi aniquilada, mas que pena, ele não existe”.
Não vou me unir aqueles idiotas, tenho certeza plena de que um deles deve estar fazendo nesse exato momento um plano minucioso para poder assassinar um de nós. E eu é que não vou ficar por aí, a mercê dos que estão planejando isso. Não sei por que, mas tenho a impressão de que eu já vi essas pessoas em algum lugar! Não, deve ser apenas impressão mesmo.
O ginásio é sem dúvida um dos maiores que eu já vi em toda minha vida, na verdade nem sei a necessidade de se fazer um ginásio tão grande para apenas dezesseis pessoas, mas pouco me importa agora, tudo o que eu quero é sair daqui, se bem que nada de bom me espera lá fora.
Meu pai é um bruto, nunca trocou duas palavras comigo, para ele eu sou apenas mais uma boca para sustentar, até o gato lá de casa recebe mais carinho do que eu. Nunca conheci minha mãe, pelo que me contaram ela me abandonou, eu e ao meu pai, mas eu sempre tive minhas dúvidas. A única figura materna que eu tenho é a da empregada lá de casa, que não é apenas uma simples empregada, mas quase uma escrava do meu pai- em todos os sentidos- ela sim me trata bem, ela é quase que uma mãe.
Na escola nada é muito diferente, os atletas são sempre os populares e os queridinhos das garotas, coisa que eu nunca entendi, já que eles pintam e bordam com a cara delas e elas continuam na cola deles, sonsas! Como nunca tive nada pra fazer, passei a me dedicar à única coisa que eu acreditava que tinha sentido, os mangás e animes. Comecei a ler cerca de dez mangás por dia e a assistir dezenas de episódios em uma única semana.
Há pouco tempo, aprendi a desenhar no estilo dos mangás e passei a escrever diversos deles, comecei com o estilo doujinshi, fazendo readaptações de outros mangás, mas com o tempo passei a fazer minhas próprias criações, alguns deles foram até publicados. Mas continuei na mesma monotonia de todos os dias, meu pai pouco ligando pra mim, minha mãe desaparecida, minha empregada dando uma de segunda mãe, e os meus colegas de escola fingindo que eu não existo.
Seria até legal passar o resto da vida aqui dentro, mas duvido muito que os outros pensem assim. E por isso não posso confiar neles, nunca! Mas as circunstâncias daqui são mesmo muito misteriosas, e não seria nada ruim investigar, mesmo que sozinho. A primeira coisa a ver seria de onde teria saído aquele urso psicopata.
Atrás do púlpito não tem nada, tentei empurrá-lo, mas ele sequer se moveu, bati os dedos contra o piso de mármore, mas ele não produziu nenhum som oco, de onde aquele bicho teria saído? Passei alguns minutos investigando, mas ao ver que não adiantaria de nada, sentei-me em um dos bancos da arquibancada e voltei a ler o meu mangá calmamente, como se nada estivesse acontecendo.
Mas ouvi um estranho pigarreio, levei um susto enorme, mas depois vi que era apenas aquele urso psicopata, ele mantinha a mesma expressão risonha, como se tudo para ele fosse um espetáculo, e por ver as câmeras que se espalhavam pelo ginásio, não duvidaria muito que fosse, será que aquilo era um programa televisivo? Não, não teria como, se não alguém teria notado algo, ou será que não?
– Olá Klev-san, como está se sentindo dentro do melhor colégio do mundo?
– Por que está fazendo isso? O que foi que fizemos pra você?
– Ué! Vocês são a esperança da humanidade, eu tinha de mantê-los em segurança do resto do mundo, você o conhece bem Klev, sabe como o mundo é, ele é ruim, é mal, cheio de doenças, de males e de desespero, eu não podia deixar que vocês se contaminassem.
– Você está sendo responsável pela morte de muitos!
– Eu? Pupupu... eu não estou obrigando ninguém a matar ninguém, pelo contrário! Quero que vocês vivam aqui a vida inteira- ele deu um pequeno rodopio, cruzes como esse bicho é irritante- mas matar é a condição para sair daqui, eu não serei responsável pela morte de ninguém!
– Mas...
– Nossa você pergunta demais, tenho que ir, boa sorte, garoto dos animes!
E ele sumiu atrás do púlpito novamente, corri até lá, mas tudo continuava como antes, como será que esse bicho consegue desaparecer assim, sem mais nem menos? Tem algo muito errado nisso, e eu vou descobrir o que é!
° ° °
Crucius Seamakker
Líder de Gangue de Nível Super Colegial
“O mundo não é dos fortes, nem dos espertos, mas dos que conseguem se adaptar.”- Celestia Ludenberg
A minha cama era muito macia, mais macia do que eu esperava, tudo o que eu quero nesse momento é apenas ficar aqui deitado e deixar que os outros se matem, não me importo nem um pouco. Eles que se danem! Não vou entrar nesse joguinho daquele urso demoníaco, posso ser um líder de gangue, mas tudo o que eu faço é apenas liderar uma simples gangue de rua que gosta de andar de moto, fazer baladas e pichar paredes, nunca nos metemos com drogas, roubos ou assassinatos. É claro que eu já me meti em algumas encrencas, mas nada muito sério.
Sei que todos se perguntam, porque um líder de gangue se recusa a tirar a vida de outra pessoa, simples, meus pais foram assassinados, vivi sozinho esse tempo inteiro, morei na rua até os doze anos quando fui levado para um colégio interno, consegui tirar boas notas e me dei bem, até que completei dezesseis anos e criei uma dupla personalidade, durante o dia eu era um aluno comportado e obediente, mas a noite caía, e então eu fugia do colégio para virar o temido e respeitado líder de gangue.
O máximo que fazemos é depredar prédios públicos, pichar lojas e tocar o terror com festas no subúrbio das cidades ou em corridas de motos. É claro que todos adoram exagerar, e acabam espalhando que somos um bando de traficantes que adora sair por aí matando todos que aparecerem. Mas eu nunca sujei minhas mãos de sangue, nunca! E nem pretendo, não só pelo meu nome, mas também pelo nome da minha gangue, a Dominadora!
Mas é claro que eu já fiz algumas coisas vergonhosas, como todo líder de gangue um dia acaba por fazer, não, eu não matei ninguém, mas cheguei perto disso. Bom, é bom deixar isso pra lá, já faz muito tempo. Prefiro me concentrar agora em me adaptar e viver aqui para sempre, a menos que um dos outros dê uma de espertinho e decida matar alguém de uma hora pra outra.
Mas acho que nenhum deles terá coragem de cometer uma atrocidade dessas, ou será que eles têm? Não importa, não vou entrar nesse joguinho sádico daquele urso maluco, vou me trancar nesse quarto, cortar todos os laços e tentar manter a minha mente sã, só espero que eu consiga. Enquanto eu me perdia em meus próprios pensamentos, senti uma respiração perto de mim.
Sentei-me na minha cama, e dei de cara justo com o causador de tudo isso, o ursinho psicótico que adora ser chamado de um nome ridículo, sério quem hoje em dia se chama Monokuma? Ou tem algum significado exótico ou é coisa de alucinado mesmo. O bicho de pelúcia fitou-me com seu olho de raio e aquele sorrisinho diabólico.
– Olá Crucius, ou devo dizer “Dominador”! Pupupu...
– Anda, diz logo o que é que você quer?
– Deixe de ser tão grosseiro! Sou seu diretor lembra? Parece que a juventude de hoje anda muito mal educada!
– Você ainda não respondeu minha pergunta!
– Calma! Vim apenas ver como anda o seu processo de adaptação, e também dizer que eu sei do que você fez!
– Como assim?
– Não se faça de tolo Crucius, eu sei de tudo sobre você, sei do que você fez há três anos quando iniciou com sua gangue, e sei também que você guarda isso a sete chaves!
– Mas... Droga, como foi que você descobriu?
– Isso não importa agora, é bom guardar bem o seu segredo, ou seus amigos não confiarão mais em você... Ah! É mesmo, eles podem estar querendo te matar nesse momento não é?
– Seu desgraça...
– Ei, não complete essa frase ou terei de te dar uma punição severa- ele mostrou as garras- tenho que ir agora!
– Espere, você disse três anos?
– Adeus!
Ele sumiu no corredor do dormitório, por que ele falou três anos? Tenho certeza de que eu iniciei a gangue no ano passado! Será que ele está enlouquecendo, tanto faz, ele deve ter apenas se confundido, ou será que sou eu que não consigo me lembrar de nada da minha própria vida?
° ° °
Adari Addolarata
Detetive de Nível Super Colegial
“Nada se compara ao prazer de juntar as peças de um quebra-cabeça.”
Um jogo não é? Muito interessante, só não entendi como eu vim parar aqui. Com toda certeza as minhas habilidades irão atrapalhar qualquer um que matar e tentar escapar ileso. Se bem que é sempre bom ter alguém que possa equilibrar o jogo, fazendo com que ele dure. Só não estou entendendo qual o motivo de tudo isso. Com toda certeza deve ter algo por trás. Ninguém criaria um jogo de sobrevivência se não tivesse um propósito.
Eu estava investigando a sala de vídeo, era gigantesca, cheia de computadores. As paredes eram brancas e o piso era de cerâmica, em uma das paredes havia um telão enorme e um projetor apontava para ele. Havia algumas carteiras de frente para o telão. Acho que deve servir de sala de vídeo e sala de informática ao mesmo tempo.
Liguei um dos computadores, ele está funcionando perfeitamente, embora um bloqueio me impeça de entrar na rede. Tentei alguns códigos que aprendi com meu irmão, mas parece ter sido um bloqueio poderoso, eu não posso infiltrar. Também tem algumas pastas bloqueadas que eu não posso acessar, com toda certeza se havia aqui alguma informação confidencial o responsável por isso incumbiu-se de manter tudo em sigilo. Mas se me lembro bem, uma das garotas que veio para cá é expert em tecnologia, posso pedir ajuda a ela depois.
Percebo que no canto da sala existe uma espécie de armário. Lá pode ter alguma pista, começo a procurar, mas tudo o que encontro são papéis com números, contas e ofícios da ONU, nada mais. No entanto uma das gavetas está trancada, forço-a, mas ela sequer se mexe, com toda certeza ai dentro deve ter algo que aquele urso não quer que ninguém veja.
Investigar é minha vida, desde pequeno sou fascinado pelos romances policiais, onde existem mistérios difíceis, assassinatos e crimes muito bem elaborados, sempre tive um gostinho pela aventura, é claro que minha família não entende. Eles querem que eu cuide dos negócios do meu pai. Ele é dono de uma das maiores franquias de moda de Milão, mas cá entre nós, eu odeio moda!
Quando eu recebi o convite para poder entrar pra essa escola, percebi que essa seria a chance de mostrar para elas minhas verdadeiras habilidades, como o Detetive de Nível Super Colegial, eu sempre era procurado para resolver qualquer mistério que fosse. Para a polícia eu era um pé no saco, já que vivia metendo o nariz onde as crianças da minha idade não deveriam nem passar perto. Mas certa vez eu ajudei os policiais a descobrirem um ladrão que andava assaltando o meu quarteirão.
Foi muito fácil, bastou apenas eu encaixar as peças certas e ... Bingo! Salafrário na cadeia. É claro que essa vida de investigação é muito perigosa, e os adultos tinham razão em me manter longe desse tipo de situação, mas quando completei quinze anos, ninguém podia mais me segurar, ficava atento ao mínimo acontecimento, e já estava de pé quando um crime acontecia.
Chegava a levar para todos os lugares uma mochila com materiais que deixariam Sherlock Holmes de boca aberta, falando nisso, onde será que ela está? Bom, ou deve estar no meu quarto, ou aquele urso deu um jeito de sumir com meus materiais. Pelo menos ainda tenho minha boa e velha lupa e as minhas habilidades.
Comecei a procurar minunciosamente pela sala, ninguém pode ter feito um plano tão cuidadoso assim, sempre existem falhas, sempre! Enquanto eu estava olhando nas gavetas de um dos hacks, ouvi alguns passos atrás de mim, virei-me em um reflexo dando de cara com o causador de tudo isso, o urso monocromático e psicopata.
– Olá Adari, parece que você já está colocando suas habilidades em prática não é? Pupupu...
– Quem é você?
– Sou o Monokuma, ou será que você esqueceu?
– Quero saber quem está por trás de tudo isso? É um clã? Uma organização?
– Acha mesmo que eu te darei essa informação valiosa? Você não é o Detetive? Descubra!
– Por que me colocou nesse jogo, um detetive só iria atrapalhar seus planos.
– Atrapalhar? Não, pelo contrário. Seria muito chato se todos fossem executados logo no primeiro assassinato.
– Então...
– Isso mesmo, eu coloquei você aqui de propósito. Até porque Adari, suas habilidades não servem somente para proteger os outros, como um bom detetive, você deve saber muito bem como esconder as pistas- ele me mostrou suas garras- tire proveito disso Adari!
– Nunca!
– A juventude de hoje em dia é tão teimosa! Mas tudo ao seu tempo, adeus Adari!
Antes que eu pudesse falar qualquer coisa, ele desapareceu atrás dos computadores, gostaria de saber como é que alguém some desse jeito. O piso parece ser tão comum, não vejo nenhuma depressão, elevação ou algo que possa lembrar a um alçapão. Estou para resolver o mistério mais empolgante de todos.
° ° °
Rachel Summer
Escritora de Nível Super Colegial
“Cada palavra, cada letra, cada pingo de tinta que cair em uma folha branca, é um pedaço da minha alma.”
Por que isso está acontecendo? Por que eu estou nessa roubada? Tudo o que eu queria era somente vir para essa escola e me isolar do resto do mundo. E pelo visto deu certo, exceto pela parte de matar. É claro que eu nunca ia fazer uma coisa dessas, mas só posso falar por mim, não pelos outros que estão aqui, e como não conheço nenhum deles, posso apenas deduzir que devo me distanciar o mais rápido possível.
Por enquanto todos estão empenhados em descobrir algum modo de sair daqui ou mesmo quem está planejando tudo isso. Afinal é como num livro de mistérios, o criminoso sempre deixa falhas. Mas se for como um livro de terror, não há escapatória, aqueles que quiserem sair daqui, terão que matar alguém!
Minha vida sempre foi baseada em escrever, desde pequena já rabiscava poemas e história- que mais tarde foram publicados- que agradavam a avassaladora maioria, minha família sempre me incentivou a me tornar uma escritora de sucesso e foi isso o que fiz. Atualmente estou escrevendo a sequência do meu livro de maior sucesso “Rosa Escarlate”, onde uma simples camponesa da Idade Média sonha com uma rosa cor de sangue, indicando-a um caminho para um local que todos consideravam destruído há séculos. Então ela descobre ser herdeira do trono e tem de fazer o possível e o impossível para acabar com a guerra civil que está destruindo o seu reino. Mas é claro que ela tem a ajuda de Richard, seu melhor amigo e outras coisinhas mais.
A personagem Wendy, é exatamente aquilo que eu sempre quis ser, determinada, apaixonada, corajosa, alegre, e claro, com um Richard do lado. Coisas que possivelmente eu nunca terei, afinal ninguém quer andar ao lado de uma garota que anota tudo o que vê não é? Meus únicos amigos foram meu irmão mais velho, e uma garota que morreu num incêndio da escola.
Sinceramente, a minha vida sempre foi muito entediante. Apesar de sempre ter o amor e apoio da minha família, não se compara ao beijo caloroso de um namorado, ou aos fuxicos entre amigos no fim de tarde, existem coisas que a família infelizmente não pode suprir. Eu e outro garoto ficamos responsáveis por examinar o refeitório. Eu ainda nem sei o nome dele, sei apenas que ele é o garoto mais inteligente da face da Terra, ou pelo menos foi isso que me disseram.
Ele é bem bonito. Se eu estou caidinha por ele? Talvez. Mas não me leve a mal eu nem conheço o garoto. O refeitório é um tanto grande. Existe uma porta que leva para a cozinha. O piso é mesclado entre branco e amarelo, as paredes esverdeadas parecem ter acabado de receber uma mão de tinta. As lâmpadas liberam uma luz branca que reflete no piso, com toda certeza tudo aqui está impecavelmente limpo.
Existem diversas mesas, algumas retangulares outras circulares, as mesas são de mármore branco muito bem feito por sinal, às cadeiras de aço reforçado não tem nenhum sinal de desgaste ou coisa parecida. No canto do refeitório, existe um daqueles aparelhos de self servisse que mantém a comida quente e própria para o consumo, dentro delas estão o que deveria ser o nosso café da manhã, mas pelos fatos podemos ver que ninguém vai pensar em comida numa hora dessas.
Existem janelas de vidro na parede, que ocupam boa parte das mesmas, lá fora podemos ver um monte de árvores, todas cobertas por uma cúpula, pelo jeito o vidro é inquebrável. Existem diversas câmeras no local e uma imensa Tv presa a parede. Isso é uma prisão perfeita para quem quer se isolar do mundo, é claro que se não tivesse um monte de assassinos junto comigo.
– Vou olhar como está o Carlos na cozinha- o garoto olhou para mim com seu sorriso brilhante- a propósito, como é mesmo o seu nome?
– R-Rachel!
– Muito prazer, sou Joey!
– O prazer é todo meu!
Ele sorriu novamente para mim, não acredito que um garoto está sorrindo pra mim! Tá bom, eu devo me controlar, afinal tenho de me lembrar de que todos aqui são inimigos até que se prove o contrário, mas não seria nada demais viver um romance!
Continuei analisando o local, até que ouvi uns suspiros esquisitos atrás de mim, virei-me assustada dando de cara com o urso psicopata que está causando tudo isso. Ele está com uma expressão um tanto... Fofa! Mas tudo some ao me lembrar de que ele está louco pra ver gente morrendo.
– O amor é algo tão interessante na juventude!
– O que você quer?- tentei ser o mais rude possível.
– Nada, apenas tenho que saber como minha escritora favorita está se adaptando ao colégio e a sua nova vida.
– O que você pretende com isso?
– Isso o que?
– Não se faça de tonto, você sabe muito bem que estou falando desse negócio de matar, anda, diz logo, por que tudo isso? É alguma espécie de show masoquista?
– Minha cara Rachel, a vida é um show sem sentido!- ele me mostrou as garras- mas quando o desespero aparece, tudo fica mais divertido. Pupupu...
– Seu monstro!
– Rachel, não aprendeu nada com os livros? As pessoas são os monstros, não ursinhos lindíssimos como eu!
– Mas tem uma pessoa controlando você!
– Isso não importa, faça um bom proveito da sua vida colegial. Rachel!
Ele sumiu num piscar de olhos, queria saber como é que ele consegue fazer isso, com toda certeza esse lugar foi inteiramente planejado para que jovens se matassem. Afinal tem armas pra tudo quanto é lado, e diversos lugares onde uma pessoa possa ser assassinada, estou me sentindo dentro de um livro, seria empolgante, se não fosse triste.
° ° °
Joey White Hunt
Inteligente de Nível Super Colegial
“O que seria dos sábios, se não fossem os tolos.”
A cozinha está vazia, Carlos deve ter saído para algum lugar. Tudo aqui está impecavelmente organizado. Tem alimento suficiente para uma semana aqui, mas se aquele urso quer mesmo nos manter aqui dentro a vida inteira, acho que ele deverá repor os suprimentos toda semana.
Com toda certeza o responsável por isso deve ser alguém com muito dinheiro e traquejo social, afinal para poder realizar algo dessa natureza, ele deve ter realizado um golpe de estado e dos mais bem bolados. Tenho certeza absoluta que um dos meus colegas já deve estar planejando mentalmente como realizar um assassinato sem ser descoberto, não ficaria admirado que amanhã aparecesse um corpo em algum lugar do térreo. Mas acho que por enquanto todos estão assustados demais para realizar algo dessa natureza.
Mas o desespero sempre prevalece. Ninguém consegue raciocinar algo quando está desesperado. Eu já senti o desespero uma vez, na noite em que meus pais foram assassinados, pelo serial killer conhecido como Rei Negro. Na noite em que ele deixou um bilhete para mim, junto com a peça de xadrez que leva o mesmo nome, aquela foi a noite que mudou a minha vida.
Mas prefiro deixar meu passado de lado, afinal o passado é estático, não se pode modifica-lo, mas o nosso futuro é variável, cada atitude minha pode modifica-lo sem que eu mesmo perceba essa mudança, afinal é impossível ler o futuro. Por enquanto devo me concentrar em me manter são e salvo, me distanciar de todos. Quer dizer, de quase todos.
Afinal eu percebi que posso contar com a Rachel, mesmo que seja por um tempo, mas acredito que ela venha de ser muita utilidade para mim. Em todos os sentidos... Volto a analisar a cozinha, nada de muito especial. Exceto pelo excesso de equipamentos que podem- e vão- ser utilizados para retirar a vida de alguém. Com toda certeza se houver alguém aqui pretendendo matar e tentar se graduar aqui, vai vir correndo para a cozinha e gozar do excesso de possibilidades que existem.
Sem ter nada para fazer por aqui, resolvo voltar a cozinha, mas uma figura está de pé na porta, olhando pra mim com seu olho faiscante em formato de raio. Monokuma está lá sentado, e rindo como um louco.
– Joey! Estava esperando o momento em que eu pudesse conversar com você!
– Eu também- sorri- eu tenho muitas perguntas a fazer!
– Pode falar.
– Gostaria de saber como você conseguiu fazer tudo isso!
– Como assim, “tudo isso”?
– Como você conseguiu prender dezesseis adolescentes mundialmente conhecidos dentro de uma escola, e como você pretende nos prender aqui o resto da vida.
– Ah! Isso? Foi muito fácil, bastou apenas que eu mexesse alguns pauzinhos e... pronto!
– E como ninguém descobriu?
– Acredite, o governo está mais preocupado com outros tipos de assuntos, o que me ajudou a desviar milhões e conseguir fazer o que eu sempre pretendi. Manter as esperanças do mundo em segurança.
– Segurança? Chama de segurança, fazer com que nos matemos uns aos outros?
– O que é isso Joey? Você não tem medo de cadáveres tem? Afinal, você já viu muito sangue não foi? Então um a mais, um a menos não vai fazer diferença para você! Pupupu....
– Você é mesmo louco.
– Todos são um pouco loucos meu caro, está na natureza de todo ser vivo, quando se fala de sobrevivência, não existem amigos ou inimigos, existem apenas aqueles que vão sobreviver, e aqueles que vão perecer para que os outros sobrevivam, é a lei do mundo. Culpe Adão e Eva por isso!- antes que eu pudesse falar mais alguma coisa, ele me deu as costas- até mais Joey!
Ele sumiu num piscar de olhos, ele deve ter mesmo muito poder e prestígio, mas aposto que deve ter outros envolvidos, afinal ele não pode ter feito algo desse gênero sem as maracutaias governamentais, mas eu vou descobrir quem ele é, custe o que custar!
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