The Killers- Interativa

15 Capítulo 14- Prisão


Notas iniciais
Olá pessoal, desculpem a imensa demora, é que eu tive muitos imprevistos e só pude postar hoje. Desculpem!

Ryan Queen

Herdeiro de Nível Super Colegial

“Viver é imprevisível, por isso agradeço por acordar vivo todos os dias.”

Fallen Leaves

O vento gélido e frio me tomou de assalto, não estava mais no meu quarto, nem mesmo naquela maldita escola, estava agora em uma campina escura e sombria, não via nada além de árvores velhas e acinzentadas que pareciam estar famintas pela minha carne. Corri o máximo que minhas pernas aguentavam, onde eu estava? Gritei pelos outros, mas não escutei nenhum som além da minha própria voz.

Continuei andando a esmo, o frio congelava a minha espinha, seria uma armadilha do Monokuma? Abracei-me tentando me aquecer, o frio era de rachar até mesmo minha alma. Meus dentes batiam enquanto eu tentava andar pelo terreno que parecia elevar-se cada vez mais, como seu eu estivesse em uma espécie de colina. Continuei andando, o silêncio mortal continuou, nem mesmo um único ruído ousava soar naquela noite tão escura e infernal.

Procurava desesperadamente pelos meus colegas, onde eles estariam? Estariam mortos? Seria eu o único sobrevivente? Não, eles tinham de estar em algum lugar. Comecei então a correr como um louco, gritando por todos eles, minhas pernas doíam, todos os meus músculos pareciam querer explodir, mas eu obriguei meu corpo a continuar correndo, até que cheguei ao topo do que parecia ser uma gigantesca colina e gritei de horror.

O chão da colina estava coberto por um líquido vermelho que eu deduzi ser sangue, jogados no chão estavam seis corpos. O primeiro era o de Miranda, seu olhar sem vida me encarava como se ela fosse me atacar a qualquer momento, sua boca entreaberta como se quisesse dizer suas últimas palavras. O segundo parcialmente dilacerado era o de Sea, o sangue jorrava do corpo dela como uma fonte, marcas de mordida se espalhava pelo que restara de seu cadáver, seus membros foram dilacerados pelos tubarões e tive de me segurar para não vomitar.

O terceiro era o de Klev, o corpo do garoto estava estirado, o facão ainda introduzido em seu peito, o sangue se espalhava num mar escarlate ao redor dele, o de Crucius vinha logo a seguir, seus olhos fechados como se ainda estivesse dormindo eternamente, apenas um pequeno buraco em sua testa, do qual saía um pequeno filete de sangue. O próximo era o de Tyler, estava deitado de costas, uma poça de sangue rodeava a sua cabeça e por fim, um corpo totalmente carbonizado que só podia pertencer a Rachel.

Queria correr, fugir daquele lugar, me virei rapidamente, mas me dei de cara com dez cruzes, nelas estavam os corpos dos estudantes sobreviventes, todos ensanguentados e aparentemente sem vida, mas uma das cruzes estava vazia, e em uma pequena placa onde estava escrito: “Ryan”. De súbito Monokuma apareceu ao meu lado, estava mais macabro do que o habitual, seu olho em forma de raio cintilava:

– Venha Ryan! Junte-se aos seus colegas.

° ° °

Acordei ensopado de suor, fora apenas um pesadelo, graças a Deus! Enxuguei os olhos voltando a realidade, fitei o relógio do meu quarto. Eram seis horas da manhã. Deitei-me novamente na cama, meu coração parecia querer sair do meu peito, minhas pernas formigavam como se eu realmente tivesse subido aquela colina e visto todos os estudantes totalmente estraçalhados.

Tudo aquilo era louco demais para mim, como se eu estivesse preso numa espécie de armadilha de onde nunca poderia escapar. Quando aquele jogo começou confesso que eu não levei muito a sério, achei que íamos ficar em paz até que alguém viesse nos resgatar, mas então o primeiro assassinato aconteceu, e o segundo, e o terceiro. Seis mortes. Seis vidas perdidas para todo o sempre em algum lugar do universo, seis mortes brutais. Aquele era sem dúvida o jogo mais sádico que eu já presenciara.

Fiquei deitado, perdido em meus pensamentos que pareciam formar um redemoinho em minha cabeça, e cada minuto parecia ser uma hora. Mas por fim a Tv foi ligada automaticamente, um Monokuma sorridente e vitorioso apareceu na tela, ele tinha conseguido mais uma vez, tinha levado mais duas pessoas ao que ele mais gostava, o desespero!

– Vamos seus molengas, acordem! Tenho uma surpresa pra vocês nas escadas do quarto andar!

A Tv foi desligada, obriguei o meu corpo a ficar de pé e me troquei o mais rápido que pude. Peguei o meu Cartão Eletrônico e o liguei, ele fez um barulho característico e me mostrou seus dados atualizados, agora as fichas de Tyler e Rachel apareceram lá, suas fotos tinham um X vermelho sangue e acima da ficha havia uma inscrição nada encorajadora. MORTO. O mapa do quarto andar também apareceu lá, junto com uma nova regra.

Regra N°9- O acesso ao salão de apresentações está proibido durante o horário noturno.

Ótimo, mais uma regra para dificultar não só nossas vidas, mas desencorajar de vez as chances de outro assassinato e possivelmente a chance de alguém conseguir fugir desse lugar. Todos nós estamos condenados, vamos morrer em breve.

° ° °

Quando cheguei ao dito local, todos já estavam lá. As mesmas feições de sempre, medo, angústia e ira. Todos procuravam disfarçar a tristeza que sentiam olhando para o chão ou para as paredes. Notei que nem Aya e nem Joey estavam ali, o que era muito estranho, aliás, ambos sempre eram os primeiros a quererem explorar o novo andar, mas depois do que aconteceu com a Rachel não acho que eles tenham ficado muito bem.

– Onde estão a Aya e o Joey?- perguntei, mesmo já sabendo a resposta.

– Não quiseram vir, estão muito traumatizados- disse Nina com um olhar cabisbaixo- mas quem pode culpá-los? Depois de tantas mortes... Éramos dezesseis e olhem só? Agora somos apenas dez, e depois?

– Precisamos nos animar pessoal- dessa vez foi Kanoto quem falou, ela estava com um pequeno sorriso e uma expressão de entusiasmo- sei que muitos morreram, mas nós já aprendemos a lidar com essa situação, não vamos mais precisar matar ninguém!

– Talvez não seja tão simples assim- disse Esther- o Monokuma nunca vai nos deixar em paz, sempre vai dar um novo motivo pra que um de nós morra, até que alguém de fora venha nos ajudar estamos sujeitos ao desespero e consequentemente a matar ou ser morto.

– Tão cedo e já estão se rendendo ao desespero?- como sempre Monokuma surgiu do nada e estava diante de nós- pelo visto estão faltando dois de seus coleguinhas. Mas vamos logo com isso, tenho que tomar um banho de ervas mais tarde.

A grade que nos separava do quarto andar foi erguida lentamente do chão, senti o estômago embrulhar por alguma razão ainda desconhecida, talvez fosse apenas o medo do que poderíamos encontrar ali, o medo de termos um novo assassinato e pior, o medo de ser a próxima vítima.

° ° °

O quarto andar era constituído por oito compartimentos: O Hall dos Formandos, a sala de artes, o depósito, o salão de treinamento, a sala do clube de esgrima, do clube de xadrez, do clube de teatro e a sala de manutenção. Como éramos oito, resolvemos irmos sozinhos, um para cada sala. Resolvi ir ver a sala do clube de esgrima, lembrei que praticava esse esporte antigamente e era um tanto divertido.

Tenho muita saudade de casa, da minha vida coberta de luxo e muitas vantagens, mais preso aqui eu sou apenas mais um porco a ser abatido, maldito o dia em que eu aceitei o convite dessa escola dos infernos. Mas eu ouvi alguém dizer uma vez que o destino pode nos surpreender, só espero que suas próximas surpresas sejam boas.

O clube de esgrima da escola era muito privilegiado pelo que pude ver. O salão é bem extenso, suas paredes brancas e impecavelmente limpas são decoradas com desenhos de flores, o piso de madeira tem alguns locais cobertos por acolchoados bastante macio e no lugar das janelas estavam placas de ferro e uma câmera observava tudo no canto da sala, uma lâmpada branca e bastante luminosa era o que me permitia enxergar tudo ali . Em um canto, diversas espadas de esgrima estão presas a parede, existe um pequeno quarto onde estão guardados de modo minucioso todos os equipamentos necessários para prática do mesmo.

Talvez eu venha praticar mais tarde, quando todo o desespero deixado pelo terceiro julgamento passe, o que pode demorar um pouco, eu quero muito sair, mas eu acho que lá no fundo eu já aceitei a ideia de que eu possa passar a minha vida inteira dentro dessa escola, seria mais fácil se todos aceitassem isso de uma vez ao invés de ficarem se matando apenas para tentar dar o fora, o que é praticamente impossível, a menos que se faça um crime perfeito.

Mas eu posso dizer que estou acostumado a situações do tipo, sendo o herdeiro de uma das maiores companhias do mundo, já fui vítima de assaltos e quase sequestros, também já vi o meu pai passar por muita coisa, graças aos inimigos políticos que ele arrumou em sua subida financeira, mas eu aprendi com ele a me controlar, até porque se você quer vencer alguém, junte-se a ele.

° ° °

Nina Baudelaire

Apostadora de Nível Super Colegial

“Existem mistérios e porquês que sempre permanecerão trancados, pois toda vez que uma dúvida se cala, outra surge em seu lugar.”

O Hall do quarto andar, era ainda mais pomposo e decorado do que o do terceiro, nele estavam colocados todos os alunos das setenta e sete turmas que haviam se formado naquela escola, então nós devíamos ser a turma N°80, é claro se não estivéssemos presos aqui nesse inferno. Havia toda a sorte de títulos inimagináveis, por algum motivo existiam apenas dezesseis alunos em cada classe, isso despertou a minha curiosidade, mas devia ser apenas uma política da escola.

As paredes do hall eram verdes e cobertas por desenhos de flores e ervas que pareciam enroscar-se nos retratos de moldura dourada. Acima de mim, um lustre gigantesco bailava e cintilava, era feito de diamantes pelo que pude perceber e pintado de dourado, o piso amarelo brilhava com a luz que emanava daquele lustre. No centro do hall, havia uma espécie de árvore dourada com o símbolo da escola, e as inscrições: “A esperança cresce como uma árvore, uma simples semente é suficiente.”

Estou vendo quanta esperança existe por aqui, começo a olhar minuciosamente a procura de uma saída ou uma pista que nos leve a mesma, não quero ter que matar, não quero ver mais ninguém morrendo, eu quero apenas sair desse lugar e ir embora dessa escola, voltar pra minha casa, pra minha antiga vida.

Não sei quem é que está por detrás de tudo isso, mas quando eu descobrir o responsável, juro que ele vai morrer, eu mesma vou acabar com a raça dele ou dela, seja quem for. Vai pagar caro por todas as mortes que aconteceram até agora. É isso ou eu não me chamo...

– Ei Nina- a voz de Ryan me retirou dos meus pensamentos- eu já terminei de investigar, e você?

– Sim, não tem nada de interessante aqui, se bem que podemos ter alguma pista com estes formandos, pode ser que um deles seja o manda-chuva. E a sala de esgrima?

– Nada de muito relevante, procurei por todos os lados e não encontrei nenhuma saída- ele bufou- acho que nunca vamos sair daqui.

– Ryan, sempre...

– Eu sei o que você vai dizer, sempre existe esperança não é mesmo- ele deu um sorriso entristecido- mas a cada novo andar que é aberto, percebemos que não existe nenhuma saída e que pessoas continuam a morrer, estamos aqui a duas semanas e meia e já são seis mortos, nem sequer completamos um mês de estadia e somos agora apenas dez estudantes.

– Sei que é triste e bastante complicado, mas deve haver um jeito.

– Sim, acho que sim, mas vamos para o primeiro andar, quero checar se Joey e Aya estão bem.

– Sim, vamos!

° ° °

Mono Files

A garota fitava a paisagem além da janela, todos os seus colegas de classe já havia saído para o intervalo, tinham acabado de ter duas aulas seguidas de Matemática o que era uma verdadeira chatice. Sequer prestara atenção ao assunto, passou as duas aulas inteiras olhando pela janela, o mar que se estendia até onde os olhos podiam alcançar. Como o mundo era pequeno e ela era apenas um pulga em meio a imensidão dele.

Foi quando alguém puxou a cadeira para sentar-se ao seu lado, ela assustou-se ao dar de cara com uma garota de longos cabelos negros e olhos vermelhos que sorria para ela com doçura e vestia-se elegantemente, ela a conhecia, estudava na Classe 78:

– Olá Nina, desculpe ter te assustado- ela deu uma pequena risada- mas queria vir falar com você, afinal somos portadores do mesmo título não é mesmo?

– Sim Celes, vocês vão ser transferidos amanhã não é?

– Sim, apenas a classe 78, o que é algo bem peculiar em minha opinião, não sei se viver somente com a minha classe vai ser de algo produtivo, existem pessoas maravilhosas lá, mas só o fato de ter bobões como o Yamada e o Hagakure já me preocupa.

– Sei o que você sente, Klev e Tyler também são muito irritantes.

Foi quando ela olhou por cima do ombro de Celestia, e viu que Crucius conversava animadamente com uma loira que apenas o esnobava, ele parecia um cachorro atrás de um osso, mas a garota apenas alterou o tom de voz dizendo que não queria nada com ele. Ele pegou no braço dele com força, foi quando outras duas garotas, uma igualmente loira e a outra de cabelos pretos apareceram e a libertaram. E Crucius saiu bufando como um touro raivoso.

– Nina? Você está bem?

– Estou, eu só...- voltou a olhar para o trio, a do meio parecia muito preocupada e as outras duas pareciam consolá-la- senti uns arrepios estranhos.

Notas finais
Espero que tenham gostado!!