The Killers- Interativa
5 Capítulo 4- O Diabo Veste Preto e Branco- Final
Notas iniciais
Nina Baudelaire
Apostadora de Nível Super Colegial
“A vida é um jogo, onde os dados do destino determinam o nosso futuro.”
Tudo se baseia em jogos. Todos vivemos no sistema de “vença, ou seja, vencido”. A cada dia temos que enfrentar o tabuleiro do destino se quisermos ter um futuro próspero. Os dados do passado nos trazem as consequências, as jogadas do presente determinam nosso futuro, e o nossas escolhas de hoje, formam o nosso amanhã. Tudo é baseado em um jogo de azar, onde ter sorte é para poucos.
E agora, cá estou eu. Presa em um lugar totalmente deserto, onde eu tenho que matar para sobreviver, e ainda corro o risco de ser descoberta e morta do mesmo jeito. Sinto-me dentro de um daqueles filmes de sobrevivência, e pelo o que eu conheço do ser humano, sei que não devo confiar em ninguém, a não ser em mim mesma, afinal eu nunca faria algo de mal a eu mesma.
Eu e Esther fomos investigar a lavanderia, ela ficava numa espécie de subsolo. Suas paredes eram de um branco esverdeado, estavam impecavelmente limpas, os pisos antiderrapantes, tinham uma cor que lembrava ao damasco. Havia diversas máquinas, que lavavam, secavam e dobravam as roupas. Todas das mais modernas possíveis.
No canto da sala, havia uma espécie de armário azulado, com sabão em pó, amaciantes, alvejantes e toda a sorte de produtos de limpeza. Com toda certeza quem estiver por trás disso, arquitetou um plano minucioso, onde estamos presos aqui para sempre. Aposto que ele deve estar rindo de nossas faces, enquanto procuramos desesperadamente uma saída que não deve existir.
Mas todos cometem uma jogada errada de vez em quando, em algum lugar desse prédio gigantesco, existe uma saída, e mesmo que não exista, um dia notarão a nossa falta, perceberão que algo está errado, e as autoridades vão começar a investigar, só me pergunto quanto tempo duraremos sem nos matar, até que a ajuda chegue.
– Olha só isso- Esther chamou minha atenção, ela segurava um pequeno pedaço de papel que havia encontrado em uma das máquinas de lavar- é uma carta de tarô!
– Carta de tarô?
Retirei o pedaço de papel das mãos dela, eu não conhecia muito esse lado místico das coisas, nunca tinha acreditado em búzios, bolas de cristal ou coisas do gênero. Mas reconheci de cara, aquele símbolo me era muito familiar. Era uma espécie de polígono de cinco lados, que tinha um significado um tanto satânico e que era chamado de pentagrama.
– Como isso veio parar aqui?- me perguntei analisando a carta, até perceber duas pequenas letras, escritas com canetas fosforescentes. H.Y. O que significava isso?- Olha tem duas letras aqui!
Entreguei a carta a Esther que analisou cuidadosamente a carta, com um olhar curioso e surpreso ao mesmo tempo. Talvez essa escola já tivesse sido uma escola normal, e um dos alunos deve ter perdido isso por aí. Mas pensando bem... e se não somos os primeiros a estarmos passando por isso, é improvável, mas até que é um bom argumento.
– Não faço a mínima ideia do que significa- ela suspirou jogando a carta no chão – eu vou pro meu quarto, isso está me deixando louca. Vai também?
– Não, eu vou ficar mais um pouco.
Ela saiu da lavanderia, seus passos ecoaram pelo corredor, cada vez mais distantes até sumirem de vez. Continuei olhando para aquela carta, aquelas duas letras, tinham um significado para mim, só não conseguia me lembrar do que era. Estou me sentindo em um livro de terror. E eu aqui sozinha... Não que eu esteja desconfiando de ninguém, mas bem que alguém poderia aparecer aqui pra me matar.
Olhei ao redor, peguei uma agulha de limpar fogão dentro de uma das gavetas do armário azul. Comecei a ouvir passos vindo na direção da lavanderia. Seria Esther? Ou seria alguém querendo me fazer de vítima? Segurei a agulha com força, se alguém tentasse me matar, seria morto e eu não ligaria se fosse punida, pelo menos eu me defendi.
Comecei a andar a passos lentos na direção da porta, minha respiração estava presa, meu coração surtava de tanta adrenalina que estava recebendo. Uma sombra meio disforme apareceu na porta. Eu estava pronta para atacar aquele assassino, quando Monokuma surgiu na minha frente:
– Ora Nina! Sabia que você seria a primeira a cometer um delito! Sua apressadinha.
– É você? Seu louco! Quase me matou de susto.
– Vim ver como você estava, minha querida apostadora! Mas antes que continuemos a nossa pequena conversa, por favor, nada de perguntas tolas.
– Por que está fazendo isso?
– Eu disse, nada de perguntas tolas! Mas essa juventude não presta mais atenção em nada! Eu já disse mais de mil vezes, que estou apenas protegendo as esperanças do mundo!
– Você é sádico.
– Olhe pra mim Nina! Você nunca encontrará outro urso igual a mim na face do planeta, viver solitário acabou deixando minha vida entediante, um pouco de sadismo é legal!
– Você chama isso de um pouco?
– Eu chamo de isso de: “Apenas o começo!”.
– Então já imagino o fim...
– Eu também! Mas e então Nina? Você aí sozinha, nessa lavanderia escura, sem nada que a defenda, não acha melhor sair daqui? Não quero que você morra tão cedo.
– Acredito!
– É sério, eu gosto de você, senhorita Baudelaire. Tome cuidado, e até mais ver... Pupupu....
Ele saiu pela porta, seus passos ecoaram no corredor, queria que isso fosse um pesadelo, e que eu acordasse, logo! Mas ao olhar para a realidade dos fatos, se isso for um sonho, então eu devo estar presa dentro dele.
° ° °
Kanoto Kimuzi
Garota da Moda de Nível Super Colegial
“Cada um tem a própria vida para viver, mas é uma jornada, não uma separação.”
Sinto-me um tanto culpada por estar andando sozinha por esses corredores, fui até um pouco grossa ao dizer que ia andar sozinha, pois estava com medo de que um deles pudesse querer me matar. Mas que culpa eu tenho? A situação a qual me encontro neste momento não é das mais invejáveis. E pensar que até passei na cara das outras modelos que eu iria estudar no Colégio Topo da Esperança. Agora eu queria que uma delas estivesse aqui, não eu.
De tudo o que eu imaginei nesse colégio, em nenhum momento passou pela minha cabeça que aqui fosse uma espécie de matadouro, onde temos que matar uns aos outros para sair daqui. Em outras palavras, somos um monte de serpentes assustadas, presas em uma gaiola onde teremos de engolir umas as outras, se quisermos sair para a liberdade. Agora aquela frase que eu vi num banner uns dias atrás me parece irônica:
“O homem está condenado a ser livre.”
O cara que escreveu isso com toda certeza, deveria estar passando por uma situação semelhante, pois se quisermos manter os dezesseis estudantes daqui vivos, precisamos dar adeus a nossa liberdade. A doce, sonhada e almejada liberdade, pela qual os seres humanos brigam e protestam diariamente. Todos querem ser livres, e quando finalmente conseguem atingir esta meta, ficam se perguntando. E agora?
Mas no final das contas, estamos todos presos em uma teia de mentiras, traição e ódio, cheia de aranhas famintas para todos os lados. Somos manipulados diariamente por fios invisíveis, nosso destino já foi traçado anteriormente e querendo ou não, a vida é uma prisão, onde não existe liberdade.
Acredite, geralmente eu não costumo ser tão filosófica, afinal, o talento pelo qual eu vim parar aqui- que agora eu desejaria que nunca tivesse existido- foi a aptidão para o mundo da moda. Antes mesmo de um estilo cair no gosto da galera, eu já estava usando-o, sempre soube me vestir e me maquiar muito bem, transformava uma simples roupa de ficar em casa em um look que logo era adotado por todos.
Mas está no sangue, minha mãe é modelo de uma das mais conceituadas revistas do mundo, eu não queria ser modelo, achava a vida delas muito monótona e trabalhosa, mas quando completei os dezessete anos, resolvi fazer uma experiência, e pelo visto deu certo. Em pouco tempo eu era capa de diversas revistas de moda, fui eleita a jovem mais bonita do Japão e hoje estou aqui, com o título de Super Duper Highschool Level Fashion Girl. Traduzindo, a Garota da Moda de Nível Super Colegial.
Eu fiquei responsável por examinar o saguão de entrada. Era um pátio gigantesco, o piso de mármore negro ecoava o som dos meus passos, as paredes eram de um branco luminoso que chegava a doer na vista. Havia diversos bancos de madeira- uns de estilo bem antiquado, mas que davam um ar leve ao lugar- e uma fonte de água no meio do pátio. No lado esquerdo, ficava a recepção, a porta estava trancada. Mas pelo balcão de vidro, eu pude ver que tudo lá dentro estava impecavelmente organizado.
A única coisa que me chamou a atenção, foi que no lugar da porta de vidro que eu havia visto, estava agora uma escotilha gigante de metal, em cima dela duas câmeras negras me filmavam o tempo todo. Quem armou isso, fez de tudo para que nenhum de nós saísse. Em outras palavras, somos pássaros presos dentro de uma gaiola.
Tentei forçar a escotilha, mas ela sequer se moveu um milímetro. Então tentei arrombar a porta da recepção, mas também não obtive resultado. Então me lembrei de um truque que eu aprendi na minha carreira de modelo- as outras modelos eram muito maldosas, viviam me trancando nos camarins- retirei minha presilha e quebrei-a, com a ponta eu consegui burlar a fechadura e abrir a porta, fácil demais.
A sala de recepção era branca assim como o saguão, havia duas mesas de mármore, cheias de papéis, lápis e materiais usados por secretários. Havia um armário cheio de materiais escolares, e dois arquivos, abarrotados de pastas com nomes de alunos. Mas um dos arquivos me chamou a atenção. Ele era preto e branco, com um bonequinho do Monokuma em cima. Usei o mesmo truque para abri-lo. Não haviam muitas pastas, mais uma delas me chamou a atenção.
Nome: Enoshima Junko
Idade: 17
Título: Fashion Girl
Estranho, então houve outra garota com este título? Achei que aqui os títulos deviam ser únicos, mas tudo bem. Mudei de ficha.
Nome: Mikan Tsumiki
Idade: 17
Título: Nurse
Se eu não estou enganada, aquela baixinha é uma enfermeira não? Se eu li bem o edital da Topo de Esperança, não pode haver duas pessoas ocupando o mesmo título, há menos que um deles:
* Seja Expulso;
*Saia da Escola;
*Seja levado ao Óbito;
Considerando os fatos desta escola, posso afirma com clareza que o que aconteceu foi a terceira opção, não duvido nada que esse urso tenha feito esse jogos outras vezes, com outras pessoas, e que todos se mataram, levados pelo desespero. Guardei as pastas e fechei o arquivo, mal virei e dei de cara com Monokuma me observando:
– Bisbilhotando Kanoto? Espero que não, por que isso é contra as regras, e se estiver quebrando as regras vou ter de te dar uma punição!
– Mas você liberou a investigação do térreo lembra? Então não estou burlando nenhuma regra!
– É mesmo, eu tinha me esquecido! É difícil lembrar das coisas, quando se é um urso!
– Posso fazer uma pergunta?
– Claro!
– Quem é Enoshima Junko?- ele pareceu surpreso.
– Por que raios está me perguntando isso?
– É por que ela tem o mesmo título que eu.
– Ela já saiu da escola há um bom tempo! Não se preocupe com isso, afinal você é a minha nova Garota da Moda! E então como está passando Kanoto?
– Oh! Estou muito bem sabe, presa aqui, correndo o risco de ser morta!
– Não fique tão zangada, ninguém precisa morrer. Convença seus coleguinhas a aceitarem as minhas condições e tudo ficará bem, mas se um deles trair o grupo, nada poderei fazer, ás vezes a vontade de voltar pra casa vence!
– Você é sádico!
– Não se você reparou, mas eu tenho uma metade malvada, e também uma metade boazinha, acho bom você não despertar a malvada.
– Então vá embora daqui!
– Tá bom! Vocês jovens são muito ingratos, eu aqui querendo proteger vocês do mundo lá fora e me agradecem dessa maneira!
– Como assim nos proteger do mundo lá fora? O que está querendo insinuar!
– Adeus Kanoto! Pupupu...
Ele sumiu de vista antes mesmo que eu pudesse perguntar mais alguma coisa. Esse urso- ou melhor, quem está por trás dele- está escondendo alguma coisa. Afinal ninguém de uma hora pra outra, tem a ideia de prender dezesseis estudantes, e fazer com que eles se matem. Tem algo por trás disso, e eu vou conseguir descobrir o que é!
° ° °
Ryan Queen
Herdeiro de Nível Super Colegial
“A verdadeira raridade, não está no que possuímos, mas sim naquilo que almejamos um dia possuir.”
A única palavra que vinha em minha cabeça era: “Alie-se”. Sim, eu precisava me aliar a alguém ali se quisesse sobreviver, alguém esperto e sagaz, que possa me proteger e vice-versa. Mas infelizmente, não vejo ninguém desse tipo aqui. Mas tenho de relaxar, ainda é o primeiro dia, todos ainda estão um pouco confusos. Mas em breve começaram a mostrar suas habilidades e eu escolherei aquele que acho digno de ser meu aliado. Afinal, eu sempre ocupei o topo, e não pretendo sair dele tão cedo.
Desde pequeno eu ouvia: “Você é o garoto mais rico do mundo.” “Todos estão abaixo de você.” “Ninguém pode superá-lo.”. Acho que foram estas frases que formaram o que eu sou hoje, quando eu era criança, todos diziam que eu era o herdeiro de uma imensa fortuna, o dono do mundo. E cresci com esse tipo de pensamento. Se eu tenho culpa por pensar assim? Não, não tenho. Meus pais é que tem, não eu.
Eu sou o herdeiro de uma fortuna gigantesca, minha família tem ações por todo o mundo, tem diversas empresas sobre seu nome, e um poderio que daria inveja até em Bill Gates. Nem mesmo a crise pode deter a fortuna dos meus pais, pois quando antes mesmo das ações caírem, eles já estavam com milhões depositados em seus cofres e nada poderia fazer com que nossa fortuna acabasse.
Mas meus pais não são mesquinhos, eles financiam diversas instituições de caridade, uma atitude que poucos milionários praticam hoje em dia. Bom, mas deixando de vangloriar a riqueza da minha família, acho melhor eu voltar para a realidade. Quando recebi a carta para vir para esta escola, aceitei de primeira. Pra mim, estudar no Topo da Esperança, seria uma forma de aprender a como administrar a fortuna de meus pais. Afinal, eu precisava multiplicar os lucros deles e não torrar tudo e ser levado a falência como acontece com muitos.
Mas vejo que estive enganado, acho que a minha sorte, foi transformada em azar de uma hora pra outra. Perguntei-me no início se não foi tudo um golpe de um dos inimigos políticos do meu pai, mas ao ver os outros quinze estudantes, percebi que não, afinal, pra que alguém os capturaria? Deve ser só um sádico querendo ver sangue jorrando, o número de psicopatas tem aumentado muito ultimamente.
Eu estava no meu quarto. Recusava-me a sair, não queria me envolver naquele joguinho, se os outros fizerem isso, problema deles, eu não tenho nada a ver com isso. Tudo aqui tem um ar horripilante. Como se eu estivesse preso em um filme de terror, onde sempre tem um assassino a espreita, tentando me matar. O quarto por outro lado é mais seguro, embora ter câmeras me vigiando seja um tanto desconfortável, mas quem se importa com isso agora.
Tenho certeza que meus pais vão fazer de tudo para me tirar daqui, dinheiro e determinação não faltam, aposto que a polícia já deve ter sido acionada, pois eu prometi que ligaria para eles assim que chegasse à escola, e como meu celular sumiu, não pude fazer isso e eles devem estar preocupados.
Em breve eu sairei daqui, mas caso isso não aconteça, terei que fazer o que todos devem estar pensando em fazer nesse momento: “Matar!”. Espero que não seja necessário, seria muito penoso ter de manchar as minhas mãos de sangue por um motivo tão fútil. Talvez, viver aqui para sempre não seja tão ruim. Basta apenas convencer os outros que se adaptar a situação é bem melhor do que ter de matar alguém, pois tenho certeza de que não há outra saída.
Eu continuei imerso em meus pensamentos, quando aquele urso esquisito surgiu magicamente do meu lado. Dei um salto para o lado assustado, aquele ser infernal continuou me olhando, estatelado, como se estivesse se divertindo com a minha feição amedrontada.
– Vai ficar aí calado sem dizer nada?- perguntei.
– Sua cara estava ótima sabe. Desespero completo! Eu gosto disso. Pupupu...
– Você é um doente!
– Eu? Por acaso era eu que estava aqui sentado, pensando em como realizar um assassinato?
– Mas eu não estava pensando nisso- mentira- você é que é um assassino!
– Vou fingir que acredito em você, mas mudando de assunto, como está indo a adaptação do Herdeiro da família Queen?
– Como você esperava?
– É, todos ficam desesperados quando se veem em situações como esta, mas vocês devem aprender a olhar o lado bom da situação. Ficar aqui não seria tão ruim seria? Seria divertido, ficar aqui com vocês a vida inteirinha, fico tão solitário ás vezes!
– Então por que não arruma um zoológico pra morar?
– Engraçadinho! Eu também sei fazer piadas ótimas, tipo... Sabe aquela piada em que o filho de um grande empresário, ficava com...
– Cale-se!- como ele sabe disso?
– Oh! Despertei sua ira não foi? Pupupu... Eu sou muito bom nisso mesmo! Mas agora eu tenho que ir, adeus Ryan!
Ele sumiu num piscar de olhos, seja quem for que estiver por trás de tudo isso, sabe dos nossos segredos mais obscuros. Não estamos lidando com um simples psicopata, estamos lidando com o mais sádico e cruel de todos eles.
° ° °
Daniel Fray
Atleta de Nível Super Colegial
"O que importa é o que somos por dentro, o resto é apenas consequência."
De todas as expectativas que eu tinha antes de me matricular na Topo da Esperança, nenhuma delas incluía ficar preso aqui para o resto da minha vida. E o pior, preso com outros quinze estudantes visivelmente patéticos. Se bem, que o fato de matar para poder sair daqui é um tanto curioso, e existe muita gente aqui que eu posso manipular a meu favor.
Começando por aquele garotinho estranho que pediu o meu autógrafo, só tenho que esperar a oportunidade certa. Até lá, tenho que jogar esse joguinho ridículo criado por aquele ursinho super esquisito. Investigamos todo o andar térreo o dia inteiro, e como o combinado, nos encontramos no refeitório, pela cara do pessoal não temos muitas chances.
Puxei uma das cadeiras e sentei-me com um sorriso no rosto, afinal, tenho que manter a minha imagem simpática e amigável, se não, ninguém aqui confiará em mim. Depois que os dezesseis estudantes se reuniram, um dos garotos pigarreou para chamar nossa atenção. Por que será que alguém sempre se faz de líder?
– E então, o que encontraram?- ele perguntou com uma voz um tanto calma.
– Bom, na cozinha temos muitos suprimentos, e segundo o Monokuma eles serão repostos toda semana- disse Carlos, o lutador- pelo visto não teremos que nos preocupar com isso.
– Todas as salas de aula tinham a mesma coisa, apenas um aviso no quadro negro e pronto- disse Sea- todas as janelas dos corredores tem placas de ferro.
– A enfermaria tem remédios de todos os tipos, além de bolsas de sangue, seringas e um bom kit de primeiros socorros- disse Miranda- mas temos de mantê-la trancada, pois lá existem muitas coisas que podem ser usadas como armas.
– A sala do incinerador de lixo também- riu Tyler- lá pode ser um bom lugar para um assassinato.
– Eu não acredito que vocês dois já estão planejando um assassinato?- protestou Rachel.
– Na verdade estamos apenas avisando vocês- disse Miranda- acalme-se.
– Na sala de vídeo tem uma gaveta que não abre de jeito algum- disse o garoto que quis dar uma de líder, acho que o nome dele é Adari- fora isso, nada que saia do normal.
– Bom, eu e a Esther encontramos algo muito interessante na lavanderia- Nina puxou uma carta de baralho do bolso, mas vendo bem, era uma carta um tanto estranha- isso é o símbolo do pentagrama, é uma carta de tarô!
– Carta de tarô?
– Posso ver?- pediu Adari, ele analisou cuidadosamente a carta- é mesmo, é uma carta de tarô. E pelo desgaste, posso afirmar que está aqui há um bom tempo.
– E tem duas letras escritas nela- disse Esther- H e Y. Tem algum sentido pra você?
– Não, sentido nenhum, infelizmente- ele disse tristemente.
– Alguém achou mais alguma coisa?- perguntei, eu tinha de interagir.
– Nada no ginásio- respondeu o garoto dos mangás.
– E vocês quatro?- perguntou Rachel para um grupo de alunos que estavam calados até então- o que encontraram.
– Bom, só posso afirmar que o meu quarto é muito confortável, tirando as câmeras.
– Então você não saiu do quarto o dia todo?- perguntei.
– Não- a bailarina respondeu- e nem pretendo me envolver nisso. Até porque sabemos que nunca iremos achar uma resposta concreta.
– Mas já temos uma resposta concreta- disse o garoto gênio- o fato inegável de que estamos em uma gaiola sem saída!
Todos nós estávamos chocados com isso, e em silêncio resolvemos ir para os nossos quartos. Eu fui o último a sair, mais antes que eu deixasse o local, Monokuma apareceu magicamente na minha frente. Com seu sorriso diabólico, e seu olho em formato de raio.
– E então Daniel? Fazendo seu teatrinho?
– Vá se...
– Não diga isso Daniel. Ou vou cortar a sua língua.
– Tanto faz! Diga logo o que você quer.
– Infelizmente não tive tempo de pegar você sozinho para uma conversa. Mas me diga Daniel, como está indo sua adaptação?
– Por que você quer saber?
– É meu dever como diretor.
– Então eu estou super bem. Agora pode ir.
– Então, até mais ver. Daniel!
Ele sumiu magicamente, mesmo surpreso voltei para o meu quarto, tinha que pensar em um plano rápido, antes que a primeira morte acontecesse.
° ° °
Natsuri Kurama
Tecnológica de Nível Super Colegial
“Somos programados para: destruir, cobiçar e morrer. Enfim, a vida é totalmente sem sentido.”
Enfim, pude descansar. Investiguei o dia inteiro com os outros e não achei nada de muito interessante. Agora pelo menos eu podia pensar em outra coisa que não fosse alguém querendo me matar para sair desse inferno. Meu laptop tinha desaparecido, e eu senti como se uma parte de mim tivesse sido retirada. Afinal, os computadores eram a família que eu não tinha.
Bom, meus pais estão vivos, mas nunca estiveram comigo, viviam viajando e pouco se importavam com a própria filha, então me plugar a tecnologia era a única saída. Agora, sou a melhor hi-tech do planeta. Conheço todo tipo de tecnologia existente, como a palma da minha mãe.
E acho que posso usar os meus conhecimentos pra sair daqui. Quer dizer, eu poderia, se tivesse meu laptop. Por sorte, todos os meus programas estão sempre salvos no pendrive que eu carrego em forma de colar no meu pescoço- é em forma de chave, eu mesmo que programei- basta agora achar um outro laptop e reprogramá-lo.
Quando deitei em minha cama, a televisão fincada a parede ligou. Nela estava Monokuma, sentado em uma espécie de sala de controle.
– Olá desgraçados. Gostaria de avisar que o Horário Noturno começou, o acesso ao refeitório e as outras salas estão proibidos. Só a cozinha está liberada caso vocês sintam sede durante a noite. Deixei um presentinho no criado mudo de vocês. Até amanhã. E cuidado com as trancas! Lembrando, que só os banheiros femininos têm trancas. Até amanhã.
Só então eu prestei atenção no criado mudo ao meu lado, nele havia apenas um abajur, mas notei que uma das gavetas estava um pouco aberta. Puxei-a. Dentro dela havia uma caixa de ferramentas, com uma chave de fenda, um martelo, pregos, e outros utensílios, além de um pequeno canivete suíço.
– O que ele quer que a gente faça com isso?
– Quero que vocês usem como armas- Monokuma surgiu do meu lado, me dando um susto enorme- ou como proteção.
– O que está dizendo?
– Você pode usar isso pra matar alguém. Ou pra reforçar a segurança do seu quarto, assim você sobrevive. Não é mesmo, Natsuri?
– Seu maníaco.
– Eu? Eu sou apenas um ursinho fofinho! Não estou fazendo nada de mal! Estou apenas ajudando vocês.
– Eu não vou usar isso!
– Faça o que quiser, não posso te obrigar a matar! Só posso te dar um conselho.
– E qual é?
– Tranque a porta! Pupupu...- ele riu sadicamente enquanto saía do quarto- até amanhã!
Assim que ele fechou a porta, eu corri para trancá-la. Por mais que eu quisesse ignorar, eu sabia que amanhã poderia aparecer um corpo em um dos quartos. E era disso que eu tinha mais medo. De que alguém morresse, ou pior de que eu morresse.
° ° °
Mono Files
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