The Killers- Interativa
12 Capítulo 11- Descobertas
Notas iniciais
Rachel Summer
Escritora de Nível super Colegial
“Não há ventos favoráveis para aqueles que não sabem onde querem chegar”.
A sala de apresentações era gigantesca, lembrava muito um anfiteatro ou algo do gênero. Haviam diversas cadeiras postas em declive, de modo que de qualquer lugar você pudesse ver a apresentação. As cadeiras negras mesclavam com a escuridão do local. Quando Joey acendeu a luz, pude ver tudo nitidamente, o teto era forrado com alguma madeira que eu não conhecia, o chão e as paredes estavam impecavelmente limpos, o palco era de mármore ou algo do tipo, havia um piano em cima dele naquele momento. Um piano avermelhado que reluzia como uma jóia. Passei os dedos pelas suas teclas brancas e gélidas e elas produziram um som suave.
– Tem um camarim aqui- disse Joey- eu vou lá dar uma olhada.
– Tudo bem, pode ir.
Ah Joey, se eu pudesse te salvaria de todo esse sofrimento, até mesmo o mais esperto sofre nestes momentos. Acho que foi sorte eu ter recebido o segredo dele, assim ele vai ficar seguro, eu não vou mostrar pra ninguém, vai ficar guardado debaixo de sete chaves, até porque apenas eu li o segredo e o queimei em seguida, ninguém vai ficar sabendo de nada, apenas eu. Vejo como ele anda se preocupando, afinal quem não se preocuparia tendo que guardar o que ele guarda.
Encostei-me no piano fitando o chão, se eu pudesse ter uma segunda chance, fazer tudo diferente, recomeçar seria com certeza a palavra certa. A lembrança daquela escola em chamas voltou a minha mente repentinamente. Céus, porque justo agora eu tinha que me lembrar dela. Já faz tanto tempo... Mas parece que as desgraças sempre voltam pra nos atormentar, essa merda de vida.
Minha cabeça começou a doer, era como se eu ainda pudesse sentir o calor do fogo, o cheiro da fumaça, ainda ouvia os gritos desesperados de Laís, se ela ainda estivesse viva, talvez eu ainda pudesse ter alguém com quem conversar. Se eu ao menos tivesse olhado para trás e visto que ela não estava atrás de mim, eu poderia ter salvado a vida dela, mas a deixei pra morrer. Eu sou pior que o Monokuma.
Tudo o que eu tenho agora é o Joey, se eu não protegê-lo irei perdê-lo também. E eu não posso me dar ao luxo de perder mais ninguém, vou proteger ele... E a Aya também, vou proteger os dois nem que isso seja a última coisa que eu faça na vida. Continuei fitando o chão até ouvir um pigarreio vindo detrás de mim. Vire-me num reflexo dando de cara justo com aquele urso desgraçado. Ele estava deitado apoiando a cabeça em suas duas patinhas de cores diferentes, me olhava com certo interesse, quem diria que um urso de pelúcia poderia demonstrar feições.
– Pensando no amor não é mesmo Rachel? Ah, o amor é algo tão lindo, tão maravilhoso, tão... Desesperador!
– Como se você fosse conhecer o amor seu assassino.
– Nossa Rachel, eu vim aqui para que você me conte os seus segredos e nada mais... Aliás, lembre-se que todo tipo de relacionamento deve ter a minha linda autorização, por isso nem pense em ficar se agarrando com o Joey pelos corredores.
– De onde você tirou essa idéia.
– Ah, basta ver os olhinhos de ambos brilhando de atração quando vocês estão lado a lado. E posso ver que seu amor é correspondido. Isso é tão empolgante, nunca pensei que o Super HighSchool Level Genius seria capaz de amar. É tão desesperador quanto a história de Romeu e Julieta. Embora toda essa loucura se pareça com Alice no País das Maravilhas, seria você a nova Alice?
– Está levando essa conversa para um assunto totalmente diferente.
– Ah, é mesmo. Sou um ursinho muito distraído, agora tenho que ir, aproveite a investigação do terceiro andar, ah, e não se esqueça de ir dar uma olhada nos quadros do saguão... Ah é, me lembrei que ainda não coloquei a foto de todos lá, apenas a de alguns, mas quem se importa... Até mais, minha nova Alice. Upupu!
Ele saiu andando do auditório, aquele urso desgraçado. Não entendi muito que ele quis dizer com “nova Alice”, mas deve ser apenas mais uma das loucuras desse psicopata. Falando nisso, nem damos uma olhada nos quadros do saguão, estávamos tão apressados. Vou esperar o Joey e talvez eu dê uma olhada depois.
° ° °
Aya Nakamura
Bailarina de Nível Super Colegial
“A única certeza que temos, é que nunca temos certeza de nada.”
A sala de artes lembrava muito a uma sala de aula comum, havia diversas carteiras dispostas em filhas milimétricas, todas de um amarelo vivo brilhante, a frente de cada cadeira havia um cavalete e uma tela, cada carteira tinha um pequeno compartimento com tintas, pincéis e outros materiais usados em pinturas. Num canto da sala, havia algumas pequenas mesas de madeira, acima da mesma haviam marretas e estacas usadas para fazer esculturas. Diversas pequenas estátuas Monokuma se espalhavam por cima da mesa. Havia também uma espécie de mural de pinturas em um local.
Como eu detestava aquele urso do fundo do meu coração. O piso era branco e sem nenhuma sujeira, as paredes eram púrpura e brilhavam com a luz das lâmpadas que estavam sempre acesas. Haviam duas janelas mas ambas estavam fechadas com placas de ferro. Na sala havia ainda um pequeno depósito com tesoura, papel, baldes de tinta, marretas extras, argila, telas e todo o tipo de materiais que pode ser encontrado numa aula de artes.
– Parece que não temos nada de muito interessante por aqui- Adari sibilou enquanto olhava a caixa de tesouras- embora tudo isso aqui possa ser usado como uma arma.
– Você não acha que teremos um terceiro assassinato acha?- perguntei temerosa- Ninguém quer passar por aquilo de novo.
– E ninguém quer ficar aqui a vida toda Aya, ainda mais quando o Monokuma traz aqueles malditos motivos.
– Não se preocupe, nós vamos dar um jeito de sair daqui o mais rápido possível, em honra aqueles que morreram.
– Quem diria que a arrogante Aya Nakamura se importava com alguém.
– Eu tenho coração sabia- sorri para ele- é que muitas das vezes eu estou sempre cheia de apresentações e vivo estressada, fazer o que? Sou uma bailarina.
– E todas as bailarinas são arrogantes?
– Você não sabe a dificuldade que é ser uma bailarina.
– E nem preciso saber...
– E então Adari? Como foi que você se tornou um detetive?
– Bom, comecei investigando a morte de alguns animais da minha rua que foram envenenados. Depois um roubo numa joalheria, depois um assassinato na minha rua, depois...
– E como a polícia deixou que você participasse da investigação?
– E quem disse que a polícia tinha que deixar- ele sorriu cinicamente- coloquei todos eles atrás das grades, todos agora estão pagando pelo que fizeram.
– Deve ser por isso que você acerta todas.
– Espero continuar acertando todas, se não, vamos todos morrer.
– Acho que não há mais nada a fazer aqui, vamos nos encontrar com os outros.
Quando íamos sair da sala de artes, demos de cara com um Ryan extremamente ofegante, parecia que estava correndo a horas e devia ser algo extremamente importante pra ele estar daquela maneira parecia ter visto um fantasma:
– A Natsuri, ela conseguiu encontrar uma coisa na sala de edição, vocês vão ficar espantados quando verem o que é.
° ° °
Natsuri Kurama
Tecnológica de Nível Super Colegial
“Os segredos são como senhas, é necessário o programa certo para decifrá-las.”
Poucos minutos depois todos os estudantes estavam reunidos junto ao meu laptop, não foi fácil conseguir conexão com a rede, mas eu tenho os meus truques e consegui acessá-la passando por todas as barreiras virtuais do manda-chuva e o que eu descobri não foi nem um pouco animador, todos me olhavam curiosos e com medo do que poderiam encontrar:
– Olhe- eu falei calmamente- eu não sei se é verdade ou não, mas o que eu vou mostrar agora é chocante.
Eu abri um arquivo chamado “80 Class Students” haviam vinte fotos e um arquivo de vídeo, eu abri a primeira foto. Nela mostravam todos nós diante do quadro negro de uma sala de aula, sorrindo para a câmera e segurando nas mãos uns dos outros como se fossemos velhos amigos, como se nos conhecêssemos antes.
– O que é isso?- gritou Daniel- o que eu estou fazendo nessa foto?
– É mesmo, não me lembro de ter tirado foto nenhuma- disse Nina.
– E essa não é a única- falei clicando na próxima foto, esta mostrava todos nós nas piscinas do ginásio, Sea estava na cadeira de salva-vidas sorrindo enquanto os outros nadavam alegres na piscina jogando água uns nas caras dos outros- estão vendo.
– Meu Deus do céu- sibilou Esther- isso é impossível eu não conhecia vocês antes de vir para a escola.
– E ainda temos muitas outras fotos, olhem- mostrei a eles as duas outras fotos, uma nos mostrava jogando voleibol no ginásio e a outra numa aula no laboratório de ciências, conversando como pessoas normais- essas fotos não podem ser montagem e se forem, são perfeitas demais.
– E as outras dezesseis fotos?
– Elas apenas mostram nossas fotos de estudantes e o nosso título, e uma coisa que me intrigou bastante. Olhem só.
Abri a foto da minha ficha, ela mostrava a foto do meu cartão eletrônico com o fundo esverdeado, o meu título estava abaixo da minha foto, mas ao lado havia uma frase que me intrigava: “Antecessor- Fujisaki Chihiro”.
– Eu não entendi muito bem esse negócio de antecessor, mas todos nós temos um.
– É mesmo- disse Kanoto- no saguão, em uma das notícias diziam que duas classes seriam transferidas para o Japão e novos alunos os substituiriam, alguns deles com os mesmos títulos dos antigos, todos nós temos antecessores.
– Todos menos um- disse Carlos- o nome do Joey não estava lá.
O gênio pareceu surpreso, mas manteve sua pose séria, ele deu um pequeno sorriso enquanto tamborilava os dedos pela pequena mesa da sala de edição:
– Aposto que você está achando que eu sou o manda-chuva responsável por tudo isso não é mesmo?
– Sim, e que outra explicação isso teria.
– Natsuri, você disse que todos nós tínhamos um antecessor. Pode ler o nome do meu, por favor.
Abri a página do Joey, que mostrava a foto escolar dele junto do seu título, e lá estava o seu antecessor, então ele não era mesmo o manda-chuva graças a Deus, pelo menos eu posso confiar nele:
– Ele tem um sim, o nome dele é Izuru Kamukura.
– Então meu caro Carlos?- riu Joey- está convencido agora de que eu não sou o manda-chuva?
– Sim- ele disse meio envergonhado- desculpe por desconfiar de você, mas é que o seu nome não estava lá então eu pensei que...
– Tudo bem, vamos voltar nossa atenção a investigação atual. O que mais tem aí Natsuri?
– Tem um arquivo de vídeo, devo olhar?
– Sim!
Cliquei no arquivo, ele abriu e começou a carregar, estava temerosa do que eu podia encontrar naquele vídeo, poderiam ser coisas horríveis as quais eu preferia nem mesmo mencionar:
Mono File
Natsuri segurava uma câmera de vídeo enquanto filmava seus colegas de classe. Sea e Miranda conversavam animadamente em um canto da sala, Carlos tentava dialogar com Klev que naquele momento estava desenhando um mangá. Esther e Kanoto desfilavam pela sala como se fosse uma simples brincadeira. Nina, Crucius e Ryan disputavam um jogo de cartas o qual Nina estava ganhando. Rachel e Joey conversavam num canto da sala de mãos dadas, Aya se maquiava sentada na mesa do professor e Adari estava sentado lendo um livro qualquer. Todos conversavam animadamente quando o sinal para a aula tocou e Natsuri desligou a câmera.
– Então nós já nos conhecíamos antes mesmo de toda essa tragédia acontecer- sibilei- mas como é que nenhum de nós consegue se lembrar de alguma coisa?
– Acho que melhor pensarmos nisso mais tarde- disse Joye- vamos reunir as pistas do que encontramos nas outras salas. Bom, a sala de apresentações é gigantesca e tem um piano em seu palco, além disso, o camarim é cheio de fantasias e instrumentos musicais.
– O lugar é tão grande que chega a dar medo- disse Rachel.
– O auditório também é enorme, mas tudo o que tem nele é o púlpito, o telão e as cadeiras, além de um projetor nada de muito relevante.
– Tudo o que tem no estúdio de imagens são impressoras e câmeras, nada mais que isso- disse Nina desanimada- também tem uma sala para revelação de fotos e materiais químicos.
– É melhor deixarmos aquela sala trancada- disse Esther- por segurança.
– O saguão é cheio dos quadros dos alunos da escola, menos os formandos. O que me intrigou é que no local onde deviam estar os nossos quadros, estavam apenas os quadros dos que morreram, nós somos a Third Class da escola- comentou Kanoto com sua voz doce e melodiosa.
– Também tem diversas magazines da escola que podem ser de grande ajuda para nós- disse Carlos- se não fosse por elas não teríamos descoberto a transferência.
– A sala de pinturas não tem nada de interessante, exceto um depósito cheio de materiais como tinta, tesouras, etc... E algumas esculturas e materiais para escultura e pintura- disse Aya- somente isso.
– Resumindo, no terceiro andar a única coisa que nos trouxe pistas importantes foi esta sala.
– A propósito tem outra coisa que eu descobri- eu falei num tom sério demais- todos os anos a escola sorteia um aluno que recebe o título de Sortudo. Mas eu só encontrei cinco deles, e quatro deles receberam novos títulos enquanto estavam na escola, olhem só:
Yukii Machida- SHSL Good Luck- SHSL Chronicler
Aline Kylver- SHSL Goof Luck- SHSL Journalist
Troy Milvester- SHSL Good Luck- SHSL Carpenter
Naegi Makoto- SHSL Good Luck- SHSL Optimistic
Nagito Komaeda- SHSH Good Luck- SHSH Good Luck
– Parece que o único que manteve o título de sortudo nesta história foi esse tal de Komaeda- disse Joey- provavelmente os outros sortudos mostraram suas verdadeiras habilidades quando entraram na escola e receberam novos títulos.
– Isso tudo está muito estranho mesmo- comentei- mas é melhor não esquentarmos a cabeça com isso agora, vamos pensar nisso depois.
Os alto-falantes foram ligados automaticamente e a voz do Monokuma se espalhou por todos os locais, aquela voz fofa e ao mesmo tempo irritante era capaz de enlouquecer qualquer ser vivo:
– Atenção alunos, reúnam-se no ginásio, imediatamente.
° ° °
Rachel Summer
Escritora de Nível Super Colegial
“O mundo dá voltas, a pedra que você jogou hoje, pode te atingir amanhã.”
Reunimos-nos todos no ginásio, Monokuma nos encarava sorridente, estava pensando no aquele maníaco devia estar tramando, provavelmente mais um motivo para que nós nos matássemos. Só espero que todos sejam sensatos o suficiente pra não caírem na lábia dele. Eu só espero que eu seja sensata o suficiente pra não cair na lábia dele.
Quando todos chegaram ele deu um pulo do púlpito onde ele estava ficando frente a frente conosco. Ele ria sadicamente, como se visse em nós apenas mais um bando de cadáveres. Se dependesse dele, todos nós já estaríamos mortos há muito tempo:
– Olá meus queridos coelhinhos, vocês ficaram vivos até agora e eu admiro muito a coragem de vocês. Por isso resolvi dar um novo prêmio ao que se graduar.
– Você vai é fazer com que um de nós mate outra pessoa- gritou Natsuri- você é um monstro.
– Eu? Mas queridinha, eu não estou obrigando ninguém a fazer nada. Estou apenas sugerindo, vocês tem o livre arbítrio.
– E qual seria esse motivo?- perguntei irritada, num tom quase gritante.
– Acalme-se. Nossa, você é mesmo a minha nova Alice do País das Maravilhas. A Alice mais determinada das Alices.Sabe eu sempre gostei da história e você me lembra muito ela. Mas deixemos de lado esse assunto do País das Maravilhas e vamos ao motivo. Aquele que se graduar, vai sair sozinho e ter uma vida solitária é terrível. Então, aquele que se graduar, poderá escolher duas pessoas para sair com você- todos ficamos boquiabertos, ele queria mesmo que matássemos alguém- mas tem uma condição, o assassino terá de matar uma pessoa sozinha, poderá receber ajuda apenas para esconder as pistas, etc... Agora até mais!
E ele se jogou detrás do púlpito, todos nós nos encaramos. Agora tínhamos a chance de não só sair daqui como também levar duas pessoas conosco, com toda certeza o terceiro assassinato iria acontecer, todos estavam no limite de seu juízo e eram capazes de tudo.
° ° °
– O que foi Rachel?- Aya me perguntou, segurando a minha mãe- não se preocupe nada de ruim vai acontecer.
– Sim eu sei. Estava apenas me lembrando da minha família.
– É mesmo, eu também me lembro da minha todos os dias, se eu pudesse sair daqui sem precisar matar ninguém... Mas e o seu livro?
– Estou terminando ele, ainda estou pensando em um final digno do qual todos se lembrem, que todos adorem.
– E o que seria esse final? Você e o Joey num cavalo branco rumando ao amanhã?
– Como?
– Qual é Rachel, até naquele vídeo dava pra sentir algo entre vocês dois.
– Dá?
– Sim, mas vamos mudar de assunto. E o que você está planejando para o final do seu livro,
– Prometo que um dia eu vou contar qual vai ser o final de tudo.
– Um dia?
– Sim, um dia.
– Espero que este dia esteja próxima- ela riu- o horário noturno está quase começando, é melhor irmos dormir, antes que o Monokuma apareça.
– Até mais!
– Até.
Eu queria ter um final feliz. Sair daqui, ser livre, fazer o que quiser, mas vejo que será praticamente impossível, principalmente com o Monokuma querendo que a gente se mate. Só consigo pensar em Joey, Aya e minha família, o que seria de mim sem eles?
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