The Killers- Interativa

11 Capítulo 10- Desconfiança


Notas iniciais
A partir daqui, teremos Dois capítulos de Free Time Events, um capítulo com o assassinato logo no início e o resto apenas de investigação- não vou facilitar hein- e o julgamento, desculpem a demora, é que houveram imprevistos. Espero que gostem!

Joey White Hunt

Inteligente de Nível Super Colegial

“A esperança é a última que morre, o desespero é o primeiro que ressuscita.”

This Ain't a Scene, It's an Arms Race

Quatro pessoas em duas semanas. E eu que pensava que todos poderiam se adaptar ao nosso novo mundo e conseguir arranjar uma forma menos arriscada de sair daqui, mas não, o desespero já tinha infectado eles. Seria o desespero uma doença contagiosa? Talvez, em situações como esta é comum muitos aderirem às novas regras, mas chegar a matar umas as outras, isso é mais do que loucura, mas quem sou eu pra julgar estes pequenos miseráveis.

O elevador descia calmamente, dei uma olha na face dos outros, todos estavam tristes pelo que tinha acontecido e quem podia culpá-los por isso? Eu também me sentia péssimo por não ter impedido o segundo assassinato, mas o que eu poderia fazer? Não sou nenhum herói, minha inteligência acima da média de nada serve para salvar vidas, e eu sozinho não vou conseguir salvar os onze estudantes restantes além de mim , tudo o que posso fazer no momento é rezar para que não tenhamos mais nenhum assassinato por um bom tempo.

Fitei Rachel com o canto dos olhos, ela me olhava com curiosidade, na verdade, desde que começou o Julgamento ela não parou de me observar, será que ela sabe alguma coisa sobre mim? Espere, e se foi ela que por acaso pegou o meu segredo? O elevador deu um leve solavanco, indicando que ele havia parado, as portas se abriram automaticamente, todos começaram a sair lentamente, indo na direção dos seus quartos.

Mas antes que eu saísse, senti alguém segurar meu braço, virei para trás, era Rachel, todos os outros viraram o corredor e nós éramos os únicos ali. Ela apenas aproximou os seus lábios do meu ouvido num gesto inesperado. Pude sentir a sua respiração quente e ofegante, de fato ela estava nervosa, mas não tanto quanto eu, depois de ouvir as palavras que ela pronunciou:

– Eu sei do seu segredo Joey!- ela disse calmamente.

– S-segredo?

– Sim- ela deu um leve sorriso- mas não se preocupe, ele está seguro comigo!

E antes que eu pudesse dizer alguma coisa ela já virava o corredor, então era verdade, ela sabia de tudo. Mas apesar disso eu confiava nela e sabia que ela não contaria para ninguém, pelo menos não por enquanto, eu não a conhecia de verdade e tinha medo de que ela fosse me chantagear como o Klev provavelmente fez.

Mas não queria pensar naquilo agora, e comecei a andar na direção dos dormitórios, agora eu sabia que ninguém ia se adaptar, não com o Monokuma nos desesperando o tempo inteiro, pelo menos não até que alguém resolva nos salvar. Sabíamos que amanhã o terceiro andar seria aberto para investigação, eu espero que lá tenha alguma pista. Algo que nos indique o porquê de estarmos aqui.

Estávamos em uma selva, cada um de nós é uma espécie de predador, e dois predadores não podem ocupar o mesmo lugar, quem dirá dezesseis, ou melhor, doze, já que quatro estão possivelmente extintos. Mas amanhã mesmo eu vou procurar alguma resposta, talvez um antigo estudante possa estar envolvido nisso, ou quem sabe o diretor do colégio.

Mas de um jeito ou de outro, eu iria descobrir o segredo desse Colégio, os outros alunos podem render-se ao desespero, mas eu não, eu vou até o fim. Eu vou fazer isso pela minha sobrevivência, pela minha dignidade... e pela Rachel!.

° ° °

Tyler Beackforth

Monitor de Nível Super Colegial

“Manter a ordem e a esperança é mais digno do que roubar o dinheiro dos inocentes”

Alice Human Sacrifice

– Olá meus queridinhos- a voz inumana do Monokuma me acordou- já são sete horas da matina, ou seja, está na hora de vocês acordarem! Estarei esperando por vocês na escada que leva ao terceiro andar!

Levantei-me assim que a televisão foi desligada, meu senso de ordem impedia que eu me levantasse tarde, mas eu queria poder ter feito as coisas diferentes antes, afinal foi o meu “senso de ordem” que me meteu nessa furada, mas o que eu posso fazer? Desde criança me alienaram a fazer o que todos diziam ser correto, a cumprir regras, a ser o perfeitinho, era simplesmente isso que eu tinha que fazer, parecia fácil, afinal eu era bom com todos e todos me respeitavam, mas eu queria poder ter sido outra pessoa.

Tomo uma ducha rápida e me troco, não importa se eu me atrasar um pouquinho, afinal todos os outros devem estar chocados pelo que aconteceu ontem e ninguém deve ter dormido direito, mas quem pode culpá-los por se sentirem assim? Eu mesmo estou sentindo a mesma coisa, essa merda de escola, que aquele que criou esse jogo seja amaldiçoado sete vezes e que ele termine pior do que todos nós.

Lá fora eu tinha amigos- ou pelo menos pessoas que se diziam meus amigos- aqui dentro só consigo enxergar um bando de estranhos, estranhos que querem me matar para poder sair daqui, mas de que adianta conseguir sair da escola? Não sabemos o que está acontecendo sobre o mundo lá fora, não sabemos se ele ainda está lá para nos receber de braços abertos, e se essa escola for a única coisa que sobrou?

Repreendi esse pensamente, não, esta escola é apenas um pequeno inferno que temos que enfrentar, vamos conseguir sair daqui, deve ter alguém nesse mundo que esteja atrás de nós, tentando nos resgatar, basta apenas que tenhamos paciência e não liguemos para os motivos do Monokuma, e que Deus nos ajude...

° ° °

Para minha surpresa quando cheguei a escada do segundo andar todos os outros já se encontravam lá, mas pelas suas expressões e pelas suas olheiras percebi que eles não tinham conseguido dormir e tinham vindo logo para o local, pela primeira vez em minha vida eu fui o último a chegar em alguma lugar, mas quem se importa?

– Desculpem a demora, não imaginei que fossem estar aqui tão cedo- disse encabulado.

– Tudo bem- Esther fitou-me – nenhum de nós conseguiu dormir.

Todos concordaram, no canto, Kanoto me chamou a atenção, ao contrário de antes ela estava muito calada, e ela nunca foi muito de ficar tão quieta, ela estava sempre animada com todos, pronta pra fazer alguém sorrir, mas acho que depois do que aconteceu com Crucius... Não quero nem lembrar.

Ouvi o barulho característico do nosso cartão eletrônico, puxei-o do bolso, uma luz esverdeada emanava dele junto com a nova regra que havia acabado de ser colocada, mais uma regra para atrapalhar nossa vida como sempre, mas que por outro lado, reduzia e muito as chances de assassinato, e a nova regra era:

Regra N°8- Extremamente proibido realizar festas particulares sem o consentimento do diretor Monokuma.

Entendi a jogada dele, como as meninas estavam na festa, nenhuma delas poderia sair de lá, e reduziu o número de suspeitos, ele queria que nós errássemos, queria ver todos sendo executados de uma vez só, tudo o que ele quer é sangue e apenas isso. Enquanto todos ainda analisavam a nova regra, Monokuma surgiu de algum lugar misterioso:

– Olá alunos, vejo que o número de vocês anda diminuindo drasticamente- e ele fez aquela pose esquisita como se estivesse tendo uma crise- oh meu Deus celeste, parece que foi ontem que eu vi vocês dezesseis no ginásio conversando alegremente, mas então de repente viraram quatorze, depois doze, e agora será que diminuíram para dez?

– O que veio fazer aqui?- falou Adari em tom arrogante- se divertir olhando para nossos rostos.

– Ingratos, deixei de tomar meu suntuoso café da manhã para recepcionar vocês e é assim que me recebem? Minha barriguinha de urso não agüenta esse tipo de pressão. Mas tudo bem, vim dar os parabéns a vocês pelo excelente trabalho que fizeram, agora, as portas do novo mundo estão abertas para vocês!

No mesmo instante as grades que nos separavam do terceiro andar começaram a se erguer até sumir no teto e os nossos cartões eletrônicos foram atualizados com o mapa do terceiro andar. Aquela sensação me era estranha, agora, haveria mais locais para que alguém pudesse ser assassinado e mais pistas para serem escondidas.

– Aproveitem a investigação, estão livres para dar uma espiada, mas só por enquanto... Espere só para ver o hall do terceiro andar, eu fiz uma mudança na decoração, ficou lindo, agora tenho que ir, tenho assuntos pendentes a resolver.

E ele sumiu como sempre fazia, ninguém se admirava mais de ele sumir e aparecer do nada assim, todos já tinham se acostumado aquele urso sádico, agora, só nos restava explorar o terceiro andar e rezar para que haja algo de interessante nisso tudo.

– Pessoal- Adari tomou a palavra- antes de irmos explorar o terceiro andar, eu tenho uma proposta a fazer a todos os doze restantes.

– E qual seria?- perguntou Joey.

– Criei algumas contramedidas que facilitaram nossa vida aqui, não quero ter que passar por essa experiência novamente e aposto que vocês também não querem. O que eu sugiro de agora em diante é que, a partir de hoje, nunca andemos sozinhos por aí, é bom estar sempre em dupla ou em trio, a segunda é, por favor, não marque reuniões particulares sem antes avisar ao resto de nós, se tem algo pra conversar então que seja com todo mundo, e terceiro, nunca saiam do quarto de vocês durante o horário noturno.

– Acha mesmo que isso vai funcionar- a voz de Kanoto chamou nossa atenção- desde o primeiro dia que chegamos aqui, prometemos que nunca iríamos cometer essa atrocidade, mas olhe só! Dois assassinatos já aconteceram e eu não me impressionaria que daqui a alguns dias tivéssemos mais um cadáver por aí.

– Kanoto?- perguntei espantado- do que você está falando.

– Não adianta quantas regras coloquemos- dessa vez foi a voz de Nina que chamou a atenção de todos- a vontade de sair é muito grande, sempre existirá um motivo, não temos que temer uns aos outros, mas sim a nós mesmos.

– Nesse caso, é melhor irmos investigar logo- disse Joey- depois poderemos ver o que podemos fazer, acho melhor nos dividirmos em duplas, assim podemos cobrir a área mais rápido.

Todos assentiram e começamos a subir as escadas, quando finalmente chegamos ao terceiro andar nos vislumbramos com o que vimos. Era um pátio gigantesco e bastante espaçoso, o chão era vermelho sangue e cintilava com a luz brilhante, um lustre de cristal rosa balançava no teto mandando seus raios de cor púrpura para todo o local, as paredes eram esverdeadas e diversos quadros cobriam toda a sua extensão. Diversos sofás e poltronas se espalhavam pela extensão da sala, formando círculos e semicírculos, à frente ou no centro dos mesmos, havia pequenos centros de cristal com diversas revistas cuidadosamente colocadas, em cada canto do pátio havia um corredor, ou seja, quatro corredores ao todo que levavam aos outros quatro locais do terceiro andar fora duas câmeras e um alto falante e por fim- mas não menos intrigante- havia uma estátua gigantesca do Monokuma banhada a ouro, com uma das mãos ele segurava um livro e com a outra uma espada, sinceramente, se não fosse aquela estátua a decoração seria ótima.

Monokuma surgiu detrás da estátua com uma expressão de carinho para com a mesma, céus, como ele me irritava, se eu pudesse destruiria aquele urso a pisoteadas, mas eu sei bem o que acontece com quem tenta violar as regras por aqui. Ele nos encarou com uma feição de surpresa:

– E então, o que acharam da minha decoração? Eu particularmente adorei! Principalmente esta estátua- e antes mesmo que algum de nós pudesse falar alguma coisa ele continuou- ela tem um significado muito lindo, o livro simboliza as regras que eu sempre adorei cumprir e a espada, bom, a punição para aqueles que não gostam de cumprir as regras... Upupu! Vou deixar vocês em paz, aproveitem a investigação!

E ele sumiu atrás da estátua novamente deixando-nos sem entender nada. Então ele havia aparecido apenas para dizer isso? Joey nos fitou com um olhar de seriedade, como se dissesse para que não ligássemos para aquele fato, havia coisas bem mais importantes em jogo:

– Existem seis salas no terceiro andar, o saguão, o auditório, a sala de apresentações, a sala de pinturas, o estúdio de imagens e a sala de edição.

– Estúdio? Sala de edição?- perguntei.

– Sim, parece que a escola tinha a própria Magazine- respondeu Daniel- e eles sempre publicavam coisas no site da escola e no blog, principalmente sobre os novos alunos.

– Então essa sala de edição deve ter conexão com a rede não é?- perguntou Natsuri, Daniel assentiu- eu consegui consertar o laptop, lá deve ter um cabo então eu posso tentar acessá-la, eu e Ryan podemos investigar a sala de edição, só vou pegar o laptop.

Ela e Ryan desceram as escadas rapidamente:

– Então vamos dividir o resto das duplas- disse Joey- Rachel e eu podemos investigar a sala de apresentações. Daniel e Tyler ficam com o auditório, Nina e Esther com o estúdio, Aya e Adari com a sala de pinturas e por fim, Carlos e Kanoto podem ficar por aqui mesmo. Alguma objeção?

– Não- respondemos num uníssono.

– Então vamos, nos encontramos no refeitório.

Daniel me fitou com um sorriso no canto dos lábios, um ar pesado caiu sobre o lugar, senti como se tivesse morrido e ido parar direto no inferno, droga de vida, sempre foi e sempre será.

° ° °

Carlos Lins

Lutador de Nível Super Colegial

“Desconhecer o passado pode ser a melhor dádiva do ser humano”.

This Is a War

O saguão era gigantesco, demoraria um século até que conseguíssemos explorar cada canto dele. Eu comecei dando uma olhada nos quadros enquanto que Kanoto dava uma olhada nas revistas, havia centenas de quadros, divididos em setores que indicavam a turma. Era um modo de organização da escola, mesmo que você estivesse no último ano do ensino médio você teria que estudar três anos na escola, os alunos eram divididos em classes de acordo com o ano em que foram chamadas pela escola, geralmente eram apenas dezesseis alunos novos por ano, mas de vez em quando a escola resolvia chamar duas ou três turmas para um ano só, um modo de manter o número de alunos alto.

Ali estavam os retratos de todos os alunos que ainda estudavam na escola, os retratos dos formandos deviam estar em outro lugar. Comecei olhando pela primeira classe, que continha dezesseis pessoas, estavam dispostos em quatro fileiras com quatros retratos acima de uma pequena placa com as inscrições: First Class. Os retratos tinham molduras de mogno avermelhado e bem lustrado, e mostravam as fotos sorridentes dos alunos junto com seu nome e título, li rapidamente os sobrenomes... Yasuhiro... Hagakure... Makoto... Kyoko... Mukuro... E meus olhos pousaram sobre o nome de uma loira com um sorriso meigo, de nome Junko e título Fashion Girl.

– Então essa é a sua concorrente não é?- Kanoto olhou-me duvidosa e eu lhe apontei o quadro- a famosa modelo Enoshima Junko, se ela estudava aqui por que você foi chamada?

Voltei a olhar os quadros, não esperava que ela fosse responder, não depois do que aconteceu. Agora eu olhava o segundo grupo de alunos, principalmente para uma menina de cabelos negros chamada Tsumiki e com o título de Nurse.

– Não faço a mínima idéia de como- para minha surpresa ela respondeu eu sorriso para ela e ela sorriu sem jeito enquanto voltava a olhar as revistas, até que seus olhos pousaram em algo que com certeza era interessante- bom, pelo menos não até agora.

– O quê?

– Veja só o que diz essa revista- ela jogou a revista para mim- página 25.

Abri na tal página, havia uma manchete com a foto de uma escola os mesmos dezesseis alunos das duas primeiras classes sorriam escancaradamente para ela, e abaixo a inscrição: Inauguração da Filial da Topo da Esperança. A notícia falava sobre uma nova escola que estava sendo construída em algum lugar do Japão e que duas de suas turmas seriam transferidas para essa escola para começarem a viver suas novas vidas colegiais e que graças ao número de vagas que foi aberto na escola original, eles resolveram chamar dezesseis novos alunos e com uma novidade, eles teriam o mesmo título de alguns dos alunos que foram transferidos com apenas uma pequena mudança no nome por pura estética. Em anexo, havia uma lista, cujos nomes me espantaram:

Transferência de Alunos

SHSL Nurse: Mikan Tsumiki- Miranda Taylor

SHSL Swimmer- Asahina Aoi- Sea Daliver

SHSL Otaku/Doujinshi Artist- Hifumi Yamada- Klev Bisharp

SHSL Gangster- Fuyuhiko Kuzuryu- Crucius Seamakker

SHSL Hall Monitor- Ishimaru Kyotaka- Tyler Beackforth

SHSL Literary Girl/ Writer- Fukawa Touko- Rachel Summers

SHSL Idol/ Pop Sensation- Maizono Sayaka- Esther Spinelle

SHSL Ballerine- Clarabell Styvens- Aya Nakamura

E a lista seguia com o nome de todos nós e nossos respectivos “anfitriões”, mais aquele ultimo nome me chamou muito a atenção, larguei a revista em algum lugar e comecei a procurar na segunda turma o nome Clarabell Styvens, era a décima sexta estudante, loira e de olhos incrivelmente azuis, tinha feições finas e bastante meigas, tinha o título de bailarina, assim como Aya.

– Então esse é o real motivo de termos sido chamados, alunos foram transferidos para uma filial do Japão- Kanoto disse- mas pode ver que alguns títulos foram alterados, mas significam a mesma coisa. Todos nós temos alguém com o mesmo título.

– Todos não- corri os olhos pela lista- temos um estudante que tem um título original.

– Como assim?

– O Joey, ele é o Inteligente, mas o título certo para ele seria Genius, mas não existiu nenhum outro Gênio nesse colégio.

– Você olhou direito?

– Bom, pelo que percebi, sim!

– Mas uma parte da página foi recortada- ela disse analisando a revista- pode ser que o nome dele esteja ali.

– Ou, que ele é o nosso manda-chuva.

Ela me encarou surpresa, não esperava que eu fosse acusar de um de nós de ser o manda-chuva, mas se o nome dele foi tirado desta lista, é porque tinha um motivo muito forte para que isso viesse a ocorrer. E não consigo pensar em alguém mais apto para armar algo desse tipo, do que o jovem mais inteligente do planeta.

° ° °

Daniel Fray

Atleta de Nível Super Colegial

“O poder do dinheiro, da maldade, da frieza, da riqueza, inúmeros tipos de poderes, quem tem acha que pode tudo, mas na realidade, não conseguem nada”.

American Trash

De todas as pessoas eu tinha que ir justo com o Tyler? Não que ele fosse uma má pessoa, mas ele vivia pegando no meu pé, falando sobre regras e todo aquele sermão que monitores costumam dar aos outros alunos. Acho que o melhor a fazer é ignorá-lo, pelo menos por enquanto, aliás, não só ele, mas todos os outros alunos restantes, eles agora são bem mais perigosos do que antes e sei que em breve- talvez nem tão breve assim- teremos mais um assassinato, quer queiramos ou não, está tudo ficando uma bagunça mesmo.

O auditório é de um tamanho realmente espantoso, me lembra aquelas faculdades caríssimas que eu via na televisão, as cadeiras acolchoadas com couro vermelho se disponibilizam em declive, de modo que de qualquer cadeira poderemos ver quem está falando ou qual projeção está sendo feito. No palco, existe outro púlpito igual ao do ginásio, um projetor está acoplado ao teto e existem aparelhos de ar condicionado nas paredes, uma tela enorme cobre a parede atrás do púlpito. O auditório é uma espécie de sala de reuniões, pelo que eu li no site da escola, é onde são dadas as palestras pela escola aos alunos ou avisos extremamente cruciais. Fico imaginando o que teria sido discutido aqui, será que esse jogo foi decidido em uma dessas reuniões? Tirei essa idéia da cabeça, não seria possível, existe apenas um responsável por isso e quando eu encontrá-lo, juro que socarei a cara dele até criar uma poça de sangue.

– É maior do que o da minha antiga escola- riu Tyler- isso daqui deve ter custado uma grana preta, aliás, a escola inteira.

– Mas é o governo quem mantêm esta escola, quer dizer, os governos. Japão, EUA, China, Reino Unido, Brasil, Rússia, Austrália, África do Sul... Todos eles dão a sua contribuição ao colégio, a própria ONU é quem cuida da administração.

– Será que a ONU tem idéia do que está acontecendo conosco?- ele sorriu- aposto que não, quem fez isso deve ser muito poderoso.

– E como, manter esse jogo, nos alimentar, manter tudo limpo, abafar o nosso estranho desaparecimento e o mais estranho, fazer aquelas execuções cinemáticas, tudo isso custa bilhões- falei- não tem como uma única pessoa fazer isso.

– Na verdade tem sim- ele respondeu para a minha surpresa- você mesmo disse que os governos dão sua contribuição para manterem a escola funcionando, então, se os governos não estiverem cientes do que está acontecendo, o manda-chuva poderia utilizar o dinheiro enviado para criar esse jogo.

– Mas e os outros alunos?

– Existe uma filial da escola no Japão, devem ter transferidos eles para lá.

– Muito estranho não acha?- voltei a analisar a extensão do auditório- até que você não é tão chato Tyler, chega a ser esperto.

– É um elogio ouvir isso do meu maior ídolo do esporte.

– Então Tyler, pode me responder uma coisa?

– Sim!

– Que prazer você sente em ser um monitor.

– Na verdade, desde pequeno me alienaram a ser um bom garoto, os Beackforth sempre foram uma família muito reservada e eu não poderia ser o único rebelde, quando me tornei monitor eles finalmente me viram como um digno membro da família, e não a nada pior do que ser excluído da sociedade onde você vive.

– Como se a sociedade se importasse conosco- balbuciei num tom quase inaudível.

– Disse alguma coisa?

– Não, estava apenas pensando comigo mesmo.

– E você?

– Eu? O que?

– Conte-me sua história... Tenho certeza que a história do atleta mais jovem do mundo deve ser bem interessante.

Muito interessante, simplesmente tive tudo o que quis a vida inteira. Nossa que história de vida interessante, quer dizer, a menos que eu a enfeitasse um pouco. Comecei a contar uma história sofrida para Tyler que se emocionava a cada palavra, então é isso que a sociedade cria? Pessoas melosas? Grande baboseira, mas era melhor fazer uma história melodramática do que uma simples crônica ou resenha, ou algo do tipo.

– Nossa, eles nunca disseram isso nos jornais.

– É que eu não permito que eles publiquem esse tipo de coisa, é muito sofrido pra mim entende?

– Sim, entendo. Então Daniel, agora que nos conhecemos, podemos ser amigos.

– Por mim tudo bem- falei com um sorriso estampado na face.

De repente Ryan chega atônito na porta do auditório, sua face está bem mais pálida do que o de costume, ele parece ofegante o que significa que ele havia corrido bastante:

– Pessoal, vocês precisam ver o que a Natsuri encontrou!

Notas finais
Aqui vai um pequeno concurso para vocês: Quem é a garota violentada pelo Crucius? Darei três dicas: - Ela é loira(leve para a vida real, não deixe as cores do jogo/anime te enganarem). - Participou de um dos jogos anteriores; - Ela é a única que pode salvar os alunos, mas ao mesmo tempo é a ruína deles. E para os que acertaram o assassino, o prêmio é, ter a chance de escolher o que foi de tão importante que a Natsuri encontrou.