Notas iniciais
Primeiramente bom dia... Segundamente... o julgamento XD

É a minha festa

"E eu vou chorar o quanto eu quiser"

Pity Party- Melanie Martinez

O que parecia ser um bar estava abandonado a bastante tempo, cadeiras e mesas jogadas pelos lados, manchas avermelhadas nas paredes descascadas e um forte cheiro de poeira e sangue, deviam ter feito um grande massacre ali dentro. Ao entrar ouviu o barulho de vidro quebrando, recuou e olhou para o chão rapidamente, eram garrafas de bebidas quebradas por todo o chão. Fora mesmo uma briga feia. Pôs o capuz do casaco e começou a andar pelo local, fazia um bom tempo que não encontrava um prédio de pé e aquele serviria como abrigo, pelo menos por um tempo, já que as pessoas lá fora estavam loucas matando umas às outras.

Levantou uma das cadeiras e sentou-se, retirando os sapatos e os pondo ao lado, começou a massagear os pés, doloridos por ter andado tanto. Desde que fugira, Player não tivera descanso algum. Ele sabia que “eles” o procuravam, e as únicas pessoas que se importam- ou se importavam- com ele estavam espalhadas pelo mundo afora, e provavelmente nunca mais os veria, talvez estivessem mortos a tempos. Calçou os sapatos, e suspirou pensativo, “Esse mundo está uma merda, quer dizer, sempre foi uma merda.”

Ouviu passos ao redor do bar, levantou-se em alerta puxando o punhal que estava preso no cinto. “Será que me acharam?”, foi quando elas entraram, de mãos dadas e com as roupas brancas manchadas de poeira, os cabelos brancos presos num rabo de cavalo, elas sorriram para ele de forma meiga:

— V-vocês? Eu pensei que já estivessem todos mortos- aproximou-se com certo receio, seria uma alucinação? – Y..

— Não nos chame pelo nome, Player- uma delas disse- nos chame de Sad Priestess e Paranormal, é mais seguro assim. Fake Medium deve estar pelas redondezas...

— Fake Medium? Espera, então o...

— Sim, ele está vivo, acho que todos os outros estão- a outra se pronunciou com um sorriso alegre- e já sabemos como encontra-los, vamos nos reunir todos mais uma vez.

— Sério?

— Sim, e viemos aqui para te buscar, vamos rever nossos antigos amigos.

° ° °

Mikazuki Onimaru

A sala de julgamento embora fosse a mesma das anteriores possuía algo diferente agora. Um ar mais pesado, mais sombrio, como se o desespero tivesse se tornado tão evidente a ponto de ser algo sólido e não uma mera sensação, eu arrepiei assim que sai do elevador. Ver que os pódios de Mayu, Watashima, Onihiru e Yuuka agora possuíam meras fotos me fazia lembrar que nunca mais os veria. Não só eles, mas todos os outros que não estavam mais em seus pódios. Monokuma estava sentado em seu trono, balançando uma taça de vinho de forma marota, com certeza ele estava se divertindo um bocado com a situação.

— Upupu, é um prazer revê-los aqui meus amores... Mais uma vez, oh, onde está a querida Yuuka-san? – ele imitou uma cara de surpresa- Oh, morreu? Oh, que tragédia, que coisa horrorosa...

— Já chega- Kon disse com voz firme- não fique zombando da morte dela seu monstro, você é quem deveria morrer seu urso de merda.

— Ora... Você não era todo quieto? Andou fumando aqueles trecos ilegais? Ah, não importa. Vão logo para os seus lugares, não quero que isso daqui dure mais que o necessário.

Todos nos posicionamos e ficamos em silêncio, olhei para a foto de Yuuka mais uma vez. Era difícil acreditar que ela não estava mais entre nós, mas eu não podia me abalar agora. Eu já tinha as peças em mãos, eu só precisava encaixá-las e teríamos o culpado. Conseguimos acertar até agora, por mais difícil que fosse nós desvendamos e não seria agora que eu iria errar alguma coisa, eu só precisava pensar bem.

(Clica)

— Bom, acho que devemos iniciar relembrando o que realmente aconteceu- Kon foi o primeiro a se pronunciar- digo, montar uma ordem para os fatos. Talvez isso nos ajude a chegar a uma resposta mais rápido.

— Bom- Kocho disse levando o indicador aos lábios- estávamos na festa, houve o apagão, então o assassino se aproveitou do escuro para matar Yuuka e quando a luz retornou estavam todos com cara de bobo e achamos o corpo. Foi isso não foi? Só posso pensar que o assassino é um dos que estavam lá, a menos que o Monokuma...

— Eu não matei ninguém se é isso que quer dizer Kazuo-kun- o urso riu-se em seu trono- exceto aquele chato Onihiru, mas ninguém se importa mesmo.

— Enfim, por enquanto vamos assumir que o assassino era um dos presentes na festa certo- Kon continuou a falar, cortando o urso- Mikazuki-san, tem alguma coisa para dizer?

Eu o encarei um tanto surpresa, eu havia me mantido calada aquele tempo todo. Em todos os julgamentos era sempre Yuuka quem tomava a iniciativa, quem criava os argumentos, eu apenas ficava quieta formulando teorias, tentando juntar as coisas até que chegasse a hora certa de falar. Mas aquele momento era diferente, eu precisava tomar a frente, eu precisava agir. Não podia mais me esconder nas sombras, não agora que as pessoas precisavam de mim.

— Acho que devemos focar nos fatos primeiros, os fatos nos levarão ao assassino. Por que não falamos do apagão? Afinal foi nele que tudo aconteceu não é verdade?

— Bom estávamos no meio da festa, quando a luz apagou por alguma falha técnica, então o assassino se aproveitou da falha e matou alguém, no caso Yuuka- Yui disse lentamente.

— Então ele ou ela foi bem sortudo- Nathan se pronuncinou- digo, se o assassino já estava planejando matar alguém, o apagão deu uma mãozinha para que tudo ocorresse bem.

— Mas é correto dizer que ele se "aproveitou" do apagão? — eu falei e todos me olharam curiosos- digo, quais as chances dele ter adiantado um assassino assim em questão de segundos sem ter cometido algum erro crasso.

— Então você acha que o apagão foi planejado pelo assassino? — dessa vez foi Cody quem falou- faz sentido.

— Acho que o apagão estava sim nos planos do assassino e tenho como provar isso, a primeira prova que tenho é a própria falha técnica, foi causada porque alguém danificou os fios da caixa de energia do cybercafé de forma que não durassem muito e comprometessem o resto da energia.

— Tem certeza de que os fios foram danificados propositalmente? – Nathan falou- não poderia ter sido um acidente?

— Tenho quase certeza de que os fios foram sabotados propositalmente, mas ainda existe outra prova que nos mostra que o apagão fazia parte do plano do assassino. Acho que um de vocês dois poderia me dizer qual é- olhei para Kon e Kocho, ambos me olharam sérios por alguns instantes até um deles se pronunciar.

— Está falando da tinta fosforescente não é mesmo? A que “marcava” trilhas no chão? – Kon falou forçando um leve sorriso- tem razão, aquela tinta não foi posta lá por acaso, o assassino precisava se guiar no escuro sem se comprometer, lanternas ou velas chamariam nossa atenção na hora.

— Então vamos assumir que o apagão fazia parte do plano do assassino desde o início- juntei as mãos como de costume e respirei fundo, eu precisava levar aquilo adiante- agora temos que pensar em como ele matou Yuuka. Ele a atraiu para o banheiro? Ou a viu indo até lá e resolveu matá-la?

— Bom, Yuuka segundo o que vocês me falaram foi ao banheiro antes do apagão não? – Cody comentou- o assassino deve ter aproveitado que ela estava mais isolada e por isso a escolheu como vítima.

(Clica)

— Sim, ele pegou a faca e a matou ali mesmo— Kocho disse lentamente, encarando o chão. Notei que havia algo muito errado ali.

— Esperem um segundo- chamei a atenção de todos para mim- não é estranho? Digo, estávamos todos próximos ao local do crime, ela teria gritado por ajuda assim que percebesse alguém a atacando. E não ouvimos nada.

— Tem razão, eu mesma não ouvi nenhum som, nem mesmo um gemido- Yui disse temerosa- Yuuka-san era esperta e ativa, poderia estar um pouco bêbada, mas estava bastante ciente da situação.

— Tenho certeza de que deve haver uma explicação para isso- Kon dizia enquanto tamborilava os dedos no pódio- nos truques de ilusionismo, sempre usamos algo para disfarçar, chamamos a atenção do público para algo afim de esconder as pistas.

— Está dizendo que existe algo “oculto” nesse assassinato? – Cody questionou curioso, Kon apenas me encarou e deu um pequeno riso, entendi no mesmo momento.

— A facada não foi a causa da morte, aquela faca estava ali simplesmente para disfarçar. E a prova disso estava nos Monokuma Files o tempo todo- puxei meu ID abrindo o arquivo com os dados sobre a morte de Yuuka- aqui diz que ela regurgitou uma grande quantidade de sangue, provavelmente a poça que encontramos no banheiro foi resultado disso.

— Mas se ela tivesse sido morta pela faca, teria mais sangue na região do abdômen- Kon completou- logo podemos assumir que o assassino tentou disfarçar a causa da morte, mas creio que há uma intenção maior do que apenas nos confundir.

— Talvez tenha uma pista na verdadeira causa da morte que nos leve ao assassino, por isso disfarçar ela seria tão importante- Cody ponderou por alguns segundos- mas antes precisamos saber qual a verdadeira causa da morte não é?

— Sim, teria de ser algo que matasse silenciosamente- Kocho falou lentamente- já que ninguém ouviu nenhum barulho não é mesmo.

— Bom nesse caso- eu tomei a frente novamente, me apoiando no pódio- o número reduz bastante. Na verdade acho que todos nós sabemos a resposta, a única forma de matar Yuuka sem que ninguém suspeitasse de nada seria por envenenamento.

— Envenenamento? – todos sibilaram surpresos, o local ficou em silêncio por alguns instantes, até que Monokuma pigarreou para chamar nossa atenção e Yui disse- Mas envenenar Yuuka... Quando? E como a pessoa saberia o momento certo para combinar com o apagão?

— É simples Yui-san, a envenenaram durante a festa. Provavelmente sem que ela percebesse, o assassino não teria total certeza de que o momento da morte combinaria com o do apagão, mas se Yuuka morresse ali na nossa frente e o apagão viesse depois, ignoraríamos ele completamente do caso, e provavelmente o rumo da investigação teria sido bem diferente.

— Bom, tem muitos venenos que podem ser usados aqui- Nathan disse- mas qual teria sido o método? Creio que não foi nada injetado... Ela teria percebido se fosse assim.

— É simples- forcei um pequeno sorriso- colocaram na bebida dela.

— Como tem tanta certeza? – Nathan voltou a questionar, erguendo uma das sobrancelhas.

— A mesa onde Yuuka estava ficava no canto, num local escuro e meio que escondido, longe da pista de dança, ideal para que alguém se aproximasse, colocasse algo na bebida e depois voltasse para pista naturalmente- Kon disse lentamente, como se encaixasse os fatos- provavelmente Onimaru-san deve estar pensando na taça que estava em cima da mesa não é mesmo?

— Sim, foi a única coisa que a vi ingerindo na festa minutos antes de...- respirei fundo, aquela palavra nunca fora tão difícil de ser pronunciada- morrer. De qualquer forma, podemos assumir que foi envenenamento também pela grande quantidade de sangue que ela regurgitou.

— E também tem o frasco de veneno- Cody disse- o que estava com uma quantidade menor que a dos outros... Provavelmente foi o assassino quem usou, não é?- assenti em afirmativo.

— Parece que estão chegando ao X da questão- Monokuma sibilou sentado em seu trono, balançando as patas de maneira infantil- mas ainda há muito o que descobrir não é mesmo?

(Clica)

— Mas agora o que precisamos descobrir é... Quem de nós pôs veneno na bebida da Yuuka? – Cody disse temeroso, encarando o chão com certa descrença- não é querendo tirar meu corpo fora, mas eu e Nathan não estávamos presentes. Então seria mais prática colocar quem estava na festa como suspeitos não é mesmo?

— Tem razão Cody- Nathan o apoiou com um sorriso- odeio admitir, mas... É um de vocês.

Olhamos uns para os outros desconfiados, um de nós quatro seria o assassino de Yuuka. Mas qual? Não conseguia enxergar em nenhum deles um assassino em potencial. Eu conhecia assassinos, passei a minha vida trabalhando para um assassino arrogante e mesquinho, sendo uma mera ferramenta, uma empregada que não conhecia o mundo além das paredes daquela casa maldita. E eu simplesmente não podia admitir que um deles fizera aquilo, eu ainda não sei a resposta, eu preciso de tempo e não posso acreditar que foi mesmo um deles, poderia ter sido tudo uma armadilha de Monokuma, mas no meu íntimo eu sabia, o motivo de Monokuma nos obrigou a fazer isso... Espere, já sei como ganhar tempo:

— Antes de prosseguirmos, gostaria de contar uma coisa a vocês- todos me encararam curiosos, eu não sabia porque estava contando aquilo agora, mas eu precisava de tempo para pensar mais sobre o caso- o motivo pelo qual Yuuka foi a vítima.

— O que quer dizer? – Kocho perguntou.

— Ela não foi uma vítima aleatória, as ordens que Monokuma deu ao assassino, foram para matar Yuuka, não qualquer um de nós- todos arregalaram os olhos, encarando o urso de forma agressiva- Nathan achou o papel com o motivo do assassino, que dizia perfeitamente o que ele teria que fazer... Eliminar Yuuka.

— Upupu... Não fiquem colocando palavras na minha boquinha de urso- o urso apoiou-se no braço do trono como se estivesse entediado- até porque o que eu faço não é da conta de vocês não é mesmo? Acho melhor correrem, o tempo do julgamento está passando, tic tac...

— Maldito- Kon praguejou- enfim, temos de voltar ao caso para podermos discutir outros assuntos.

Eu assenti em afirmativo, aqueles poucos minutos me serviram para pensar bem sobre tudo. As pessoas que estavam presentes na festa, uma delas havia matado Yuuka, uma delas era o assassino. Eu precisava me lembrar, tinha de ter algo... Espere, naquela hora durante o apagão, aquela corrente de ar. Isso, eu agora sabia de tudo.

— Yui-san- a garota me olhou surpresa- lembra o que você me falou durante a investigação? Sobre a sensação que teve durante a festa?

— S-sim, eu tinha a sensação de que havia mais alguém lá... Alguém que não devia estar...

— Era isso que eu precisava ouvir, já tenho a resposta para esse caso- todos me encararam surpresos- lembram do “baú” disfarçado de banco que encontramos? Não acham que tinha algo de errado ali?

— Está falando dos furos no baú? – Kon questionou, assenti em afirmativo- bom, eu realmente achei estranho. Geralmente os ilusionistas fazem furos como aqueles para poderem respirar dentro de caixas e também observar o movimento lá fora.

— Então, foi isso que aconteceu. Alguém usou aquele baú para se esconder durante a festa, ficou a espreita ali dentro esperando o momento certo para envenenar Yuuka, e depois sair no escuro e forjar a cena do crime. Tudo fazia parte do plano desde o começo.

— E como ele fez esses furos? – Nathan perguntou- digo, se alguém fosse fazer isso faria barulho, alguém teria escutado não é mesmo?

— Eu e Yui achamos um kit de furadeiras com silenciador, tenho certeza de que ele usou isso, dessa forma ninguém escutaria nada e o plano sairia perfeito... Ou quase perfeito.

— Mas eu não entendo- Kocho disse mexendo nos próprios cabelos, com uma expressão um tanto confusa- porque alguém que já estava na festa se esconderia no baú para fazer o plano? E como ninguém viu?

(Clica)

— A resposta Kocho-kun, é que o assassino estava na festa, mas ao mesmo tempo não estava...- ele me olhou confuso, procurando entender aonde eu queria chegar- o assassino é alguém que não participou da festa, nos fez acreditar que não apareceu por lá, quando na verdade esteve lá o tempo inteiro- automaticamente todos olharam para Nathan e Cody- eu me lembro perfeitamente agora, sobre como você sabia do veneno... Nathan.

° ° °

— Sim eu sei- abri uma das portas, analisando os frascos de veneno, pegando um conhecido meu que continha um líquido roxo- esse veneno por exemplo mata em cerca de dois minutos.

...

— As lindinhas aí já acabaram- Nathan estava parado na porta nos encarando.

° ° °

— Eu? – ele disse numa expressão séria, me encarando como quem ainda não tivesse entendido- não seja ridícula Onimaru-san, eu sequer cheguei perto do local da festa. Nenhum de vocês me viu por lá.

— Não vimos porque você se escondeu no baú antes dela começar- expliquei- você ficou lá quieto, esperando o momento certo para envenenar a bebida de Yuuka, e mais tarde esperou pelo apagão para forjar a cena do crime. Você tinha tudo planejado não é mesmo?

— Ora por favor, se eu desejasse matar alguém não bolaria um plano como esses, cheio de falhas e coisas mal feitas- ele assumia uma posição agressiva, mexendo no colar em seu pescoço- eu não matei Yuuka, não matei ninguém. Então já pode parar de querer ganhar tempo com essas historinhas bobas, não entendo porque me acusar, Cody também não estava na festa.

— Você era o único além de mim e Yuuka que sabiam de que forma o veneno utilizado agia.

— Está vendo, você também sabia, você pode muito bem ter envenenado Yuuka- ele disse em meio a um sorriso sarcástico, mas eu podia notar a tensão nele- não venha querer me incriminar pelos seus erros sua empregadinha de merda. Acha mesmo que eu ia me dar o trabalho de matar alguém aqui? Que eu ia me esconder num baú apertado, esperando Yuuka falar com você para eu encher a bebidinha dela de veneno? E depois ainda forjar uma cena de crime no meio de um apagão? Ora, por favor...

— Você conhece de aparelhos eletrônicos, saberia como danificar os fios- Yui sibilou lentamente.

— Sério que vocês estão caindo nessa? Não veem que é tudo uma mentira para me incriminar- ele gritou socando o pódio, olhando para a garota com uma ira imensa- eu não matei Yuuka, eu não estava naquela festa.

— Se não estava, como sabe que ela deixou a bebida lá para ir falar comigo- ele calou-se me encarando- vamos, você acabou de dizer... E ninguém aqui citou isso em momento algum... como sabe Nathan? – ele silenciou-se encarando o chão, o silêncio ponderou por alguns segundos.

— Upupu... Acho que vocês tem uma resposta... Já sabem o que fazer- todos votamos e esperamos o anúncio- vocês falaram que o assassino de Yuuka Misaki é Nathan Hopers e está... CORRETO!

(Clica)

Você tem algum tipo de retardo? – Cody explodiu gritando para o garoto- matar justo a pessoa que mais nos acolhia aqui dentro? Já não bastava ter bancado o gamer psicopata excluído ainda vem com essa?

E-eu- sua voz saia falha, em meio aos soluços, ele ergueu o olhar para nós, lágrimas desciam por seu rosto- não tive escolha... Eu não quis matar ninguém aqui dentro, nunca quis me meter no meio desse joguinho, mas aquela ordem... Se eu não matasse ela eu é que iria morrer...

Nós teríamos dado um jeito- Kon disse- nós teríamos te ajudado...

Não, não teriam- ele cortou imediatamente- não tinha saída, eu não podia morrer, eu não queria morrer... Era eu ou ela, eu não queria mas eu tive que fazer- ele começou a chorar cada vez mais- e agora eu vou morrer de qualquer jeito, mas que merda de fim de jogo é esse.

Foi por isso que me mostrou o motivo não é? – eu falei num tom calmo- para me mostrar que não fez isso por querer... Você estava tentando se... redimir? – ele assentiu em afirmativo.

Eu nunca me destaquei em nada nessa vida, todos os outros garotos eram mais rápidos, mais fortes, mais inteligentes. A única coisa que eu sabia fazer era ficar em casa jogando no computador dos meus pais ou em algum aparelho de vídeo-game. Meus pais viviam trabalhando, eu não tinha amigos... Não tinha nenhuma companhia a não ser meus jogos... Eu sonhava com o dia em que seria reconhecido pelo mundo, em que as pessoas me olhariam com admiração... Eu só queria que todos gostassem de mim, queria ser o rei... Por isso eu não poderia morrer, não poderia morrer para ser esquecido dessa forma.

Se queria tanto que gostassem de você, então porque agia dessa forma? – Kocho questionou- vocês faz coisas horríveis.

Eu não sei, acho que eu nasci assim- ele enxugou as lágrimas, voltando a expressão séria de sempre- talvez eu não tenha jeito mesmo, talvez eu mereça morrer.

Não diga isso...- Yui sibilou.

Não precisam ter pena de mim, apenas... Continuem, okay. Cheguem ao último nível- ele deu as costas para nós se pondo em frente a Monokuma- vamos logo com isso, não quero que isso dure mais do que o necessário... Até mais pessoal.

Se quer assim- O urso puxou o martelinho detrás do trono- vamos lá... Hora da Punição!

° ° °

(Clica)

Game Over

Nathan Hopers foi decidido como culpado.

Começando a Punição.

° ° °

(Clica)

The Legends of Nathan: Final Boss Battle

O local era um campo aberto, exércitos de Monokumas vestidos como soldados medievais lutavam ferozmente. No topo do que parecia ser uma colina, estava Nathan, usando uma armadura cinzenta estranha e empunhando uma espada. Em um canto, um Monokuma gigante tinha em suas mãos um console e conforme ele apertava os botões, Nathan se mexia, como se ele próprio fosse um personagem do jogo. E logo Monokuma lançou Nathan no meio da briga, saiu golpeando os soldados Monokumas numa velocidade quase inumana, como se a armadura que ele usava coordenasse todos os seus movimentos.

Após um tempo, estava somente ele de pé no campo de batalha. Todos os soldados mortos espalhados por ali, ele respirava ofegante quando um grande barulhão se fez. E surgiu no meio do campo de batalha um Monokuma enorme, usando uma armadura pesada e carregando consigo uma longa espada. O Monokuma que controlava Nathan o pôs para lutar contra o recém-chegado, golpes iam e viam, até que faíscas começaram a sair do console e este parou de funcionar, a armadura que Nathan usava se desprendeu no seu corpo, no exato momento em que o seu adversário o golpeara, fazendo a espada atravessar seu peito e o garoto cair sem vida no chão, soldados aparecendo pegando o corpo do garoto e o levando, celebrando como um herói que morreu em batalha. Logo um de som de desligamento foi ouvido, e um telão foi ligado mostrando as palavras: Fim de Jogo.

° ° °

Eu prometi para mim mesma que aquela seria a última execução, eu não iria permitir mais nenhuma morte. Estive neutra por muito tempo, agindo sob as sombras somente quando era necessário. Mas agora é diferente, agora é preciso que alguém tome a frente e descubra o que há de errado com essa cidade, descubra qual o verdadeiro segredo por detrás disso tudo. O urso maldito ria alto enquanto se servia de mais uma taça de vinho:

— Você sabe que vamos desmascarar você não é? – o ameacei apontando o indicador em sua face- eu vou descobrir quem você é.

— Eu sei que vai Onimaru-chan, na verdade espero ansiosamente para podermos nos ver cara a cara, mas até lá... É bom não apontar esse dedo para mim. Não vai querer acabar carbonizada vai?

— Seu...- respirei fundo e sai dali o mais rápido possível, eu prometo pessoal, eu prometo que vou acabar com tudo isso.

° ° °

Nathan apertava rapidamente os botões do seu Game Boy enquanto o personagem se mexia rapidamente pela tela. Estava na entrada da escola, ele sempre chegava um pouco mais cedo do que o normal para poder aproveitar aqueles momentos sem contato social com os outros. Não que desgostasse dos seus colegas, talvez até tivesse certo afeto por eles, mas a convivência as vezes era cansativa demais. Preferia a companhia de seus jogos, onde ele poderia ser o que quisesse.

— C-com licença- a voz doce e frágil o tirou da atenção do jogo, a dona da voz era uma garotinha de cabelos castanhos e sorriso tímido, ele a conhecia do clube de informática- posso fazer companhia a você, é que eu acabei chegando mais cedo.

Ele apenas acenou em afirmativo com a cabeça, enquanto ela se sentava ao lado dele. Como era mesmo o nome dela? Ele sabia que ela mexia com computadores, e que era da mesma turma de celebridades como Sayaka Maizono e Junko Enoshima... Mas ele não conseguia se lembrar do nome dela de maneira nenhuma:

— Sou Chihiro Fujisaki- ela disse lentamente- você deve ser Nathan Hopers não é? O gamer, sempre quis ser uma gamer.

— E porque não é?

— Sou péssima com jogos- ela deu uma leve risadinha- prefiro programar, me dou muito bem nisso.

— Somos do mesmo clube, posso te ensinar alguma coisa.

— Sério? Ficaria muito grata.

— Não é nada- sorriu e pela primeira vez não fora forçado, algo naquela garotinha despertara nele algo que a muito tempo não se lembrava... seus sentimentos.

° ° °

Alunos Restantes: 6/18

Notas finais
Hello people, bom, mais um caso chegou ao fim. E sinto em dizer que chegamos na reta final da fanfic, devem restar três ou quatro capítulos no máximo. O próximo será o último FTE e depois os capítulos finais :x Amo vocês ^^