Notas iniciais
Hey people, eu realmente sinto muito, muito, muito pelo atraso. Mas como prometido está aí o capítulo de Free Time Events, e ele está cheio de trist... digo, de momentos alegres. Eu dividi ele como em pequenas oneshots dos momentos da Yuuka com os nossos queridos personagens que partiram, espero que gostem :3

Free Time Events

Yuuka Misaki

Dreamlife- The Royal

As batidas na porta aumentaram enquanto eu andava lentamente até ela, ainda eram oito da manhã e eu não pretendia sair do meu quarto, pelo menos não hoje. Esfrego os olhos ainda sonolenta, enquanto abro a porta dando de cara com a figura sorridente de Aru em frente a ela, trazendo em suas mãos uma pequena maleta preta. Olhei para ele curiosa, até que ele quebrou o silêncio:

– Bom dia Yuuka-san! – ele falou energicamente- será que eu posso entrar? Eu realmente preciso muito falar com você!

– Claro- faço um sinal para que ele entrasse e ele o faz todo animado, jogando a maleta em cima da minha cama, eu apenas fecho a porta com um pequeno sorriso- o que tem nessa maleta?

O garoto apenas deu uma leve risada enquanto abria a maleta revelando seu conteúdo, eu fiz uma expressão de surpreso é claro. Era uma daquelas maletas de maquiador, mas não uma qualquer, essa tinha de tudo. Todo tipo de maquiagem- ou quase todos- estavam ali naqueles compartimentos. Ele pegou alguns utensílios e piscou o olho para mim, fazendo um sinal para que eu me sentasse na cama:

– Hoje eu vou fazer uma maquiagem de arrasar em você! É claro que eu prefiro maquiagem artística, mas também sou bom em coisas convencionais- me sentei um tanto nervosa enquanto ele puxou uma cadeira do quarto para sentar-se na minha frente- vejamos o que combina mais com seu tom de pele.

– Não veio aqui só para me maquiar veio? – falei em tom irônico, ele deu um sorriso envergonhado.

– Você me pegou- abanando as mãos em sinal de rendição- eu vim aqui porque precisava de alguns... Conselhos sobre relacionamento. E você é a garota mais sociável aqui para debater sobre o tema.

– Conselhos de relacionamento? – dei uma pequena risada- vai me dizer que está gostando de alguma garota daqui? Quem é?

– Na verdade- ele me encarou com uma expressão séria, respirou fundo algumas vezes antes de finalmente dizer- não é uma garota... Eu sou gay.

– Oh! – disse surpresa, vendo o garoto desviar um pouco olhar, talvez ele esperasse que eu o desaprovasse por isso, mas eu apenas sorri e comecei a fazer cosquinhas na barriga do garoto enquanto dizia- e quem é o garotão sortudo!

– Para Yuuka- ele disse dando algumas leves risadas, depois corou um pouco quando disse- sabe, eu... Bem... Como posso dizer... Tudo bem, eu estou gostando do Kon.

– Ora, ora, ora... Parece que nosso amiguinho Aru gosta de garotos misteriosos- disse dando um leve tapinha em seus ombros, o garoto apenas corou um pouco mais- o Kon é um cara legal, apesar de ser bastante calado.

– Ele só é assim em público, mas acho ele super fofo, e ele me trata bem também. Claro que nós somos só amigos, mas bem, eu...- ele corou mais um pouco e eu apenas dei uma alta e sonora gargalhada- isso é sério!

– Desculpa Aru-kun, mas ver você assim desse jeito é muito engraçado. Não consegui me conter- o menino fez uma expressão zangada enquanto ajeitava os cabelos- tudo bem, tudo bem. Fazemos assim, você me faz uma maquiagem bem bonita, enquanto isso eu te dou uns conselhos sobre conquista.

– Finalmente- ele disse com um largo sorriso- espero que valham a pena.

– Pode deixar- inclinei minha cabeça para trás enquanto o garoto passava um pouco de pó no meu rosto- sabe Aru, eu não sei quase nada sobre você.

– Não há muito o que saber de mim- ele disse num tom bastante desmotivado- eu nem sei quem são meus pais de verdade. Só me contam que eu fui encontrado numa boca de fumo com quatro anos de idade. Fui adotado por uma maquiadora famosa e ela me ensinou tudo o que eu sei, e me deu o amor que eu precisava.

– Isso me parece muito bom, sabe encontrar alguém que te ame assim- falei enquanto o garoto continuava a me maquiar.

– Sim, sim. Mas ela morreu ano passado, e eu herdei a fortuna dela- ele disse em tom tristonho- ela foi minha mãe de verdade.

– Sinto muito.

– Não, não, tudo bem- ele continuou a me maquiar por um tempo, o silêncio era realmente inquietante, até que ele mesmo o cortou- mas eu tenho esperanças, meus amigos ainda estão lá fora, sei que tenho parentes vivos em algum lugar e vou encontra-los de novo. E agora quem sabe, acompanhado de um novo amor.

Ambos rimos muito naquele momento, depois disso ele fez um sinal para que eu me levantasse e me mostrou um pequeno espelho. Quando me vi não pude conter um gritinho de excitação, eu restava realmente mais bonita daquele jeito. Ele tinha jeito para a coisa, o abracei bem forte, ainda ficamos conversando um pouco, até que ele foi embora e eu resolvi dar uma volta.

° ° °

Andava pelas ruas da cidade um tanto entediada, não sabia ao certo a quanto tempo estava ali presa com meus colegas, mas sabia que quando saísse nada seria como antes. Olho em volta e vejo que cheguei até a área recém aberta, nunca fui de praticar esportes, mas confesso que achei aquelas piscinas muito convidativas, e resolvi dar uma passada lá, quem sabe só para nadar um pouco. Quando chego na entrada, me deparo com Aya, a garota quando me vê dá seu típico sorriso e corre em minha direção:

– Olá Yuuka-san- disse em sua voz doce de sempre, fazendo um leve sorriso meigo, ela provavelmente estava nos seus dias alegres- procurei pelos outros o dia inteiro, e você foi a primeira que encontrei.

–Mas e o Kocho? Vocês não andam sempre juntos- perguntei.

– Ah! Ele deve estar dormindo, ele reclamou que estava com dores de cabeça- ela disse num tom desanimado- espero que ele melhore logo sabe. Mas e então, o que quer fazer.

– Eu estava pensando em nadar um pouco- apontei para a quadra de natação, Aya apenas meneou com a cabeça e fez uma cara de tristeza- algum problema?

– É que eu não sei nadar muito bem, nunca tive tempo para me divertir por causa das responsabilidades com o templo, mesmo eu e minha irmã dividindo as tarefas não sobra muita coisa.

– Ser sacerdotisa nessa idade não é nada mole, eu sei disso- falei enquanto pegava na mão da garota- então vem, eu te ensino a nadar.

– Espera... Sério? – ela arregalou os olhos surpresa, depois de dar um alto grito de alegria- você é demais Yuuka-san!

Entramos na quadra de natação e vestimos roupas apropriadas, podia sentir a animação de Aya. Apesar de ela estar sempre mudando de quieta para alegre de um dia para o outro, eu sabia que ela era uma menina doce e meiga, assumir um templo com a idade dela não é nada fácil, ainda mais um dos templos mais movimentados. Ela deve ter tirado todo o seu tempo livre para estudar e nada mais, tenho certeza de que mesmo estando presa aqui, ela tira proveito disso para se divertir o que ela nunca pode. Depois de nos trocarmos eu pulei na piscina, sentindo a água fria e ao mesmo tempo relaxante, emergi da água numa felicidade infantil e vi que Aya estava na borda, um tanto reclusa.

– Vai entrar ou não? – falei em tom provocativo enquanto nadava até a borda- não precisa ter medo, é apenas água, nada demais.

A garota sentou-se junto a beira, colocando os pés na água aos poucos, eu fiz um sinal para que ela pulasse. Aya fez o que pedi e mergulhou na piscina, eu mergulhei também e segurei pelos seus braços erguendo-a. Ela sorriu como uma criança em meio a um monte de presentes, eu ria junto de sua expressão. Por vezes ela me lembrava uma criança, devia ter quinze anos no máximo, eram pessoas como ela que deixavam o lugar mais alegre.

– É bem fácil Aya, apenas mantenha-se relaxada, mova os braços assim- mostrei a ela como fazer o movimento dos braços- e não esqueça de bater as pernas.

– Eu vou tentar lembrar disso- ela falou enquanto respirava fundo e tentou nadar, mas ficou apenas se debatendo na água sem sair do lugar- eu não consigo!

Eu dei uma alta gargalhada, e fui ajudar a pobrezinha. Ficamos praticamente a manhã inteira na piscina, até que Aya conseguiu nadar de uma forma decente. E logo pude ver que ela estava realmente animada por ter aprendido a nadar. É bom ter esses momentos de alegria, me fazem esquecer as coisas ruins e lembrar que ainda há esperança no mundo. Ficamos na piscina ainda um bom tempo, e depois nos secamos e nos trocamos, foi uma manhã bem divertida.

– Eu me diverti muito hoje- Ela falou me abraçando- já estou a caminho de desbancar Aoi Asahina do topo das nadadoras.

– Falta muito para isso querida- falei dando uns leves tapinhas em sua cabeça, ela apenas me retribuiu com um olhar zangado- mas você aprendeu bem rápido.

– Bom saber disso- ela falou com um sorriso largo- talvez um dia, quando a gente sair daqui possamos nadar num lago perto do templo. Tenho certeza de que vai ser ótimo, e você vai poder conhecer minha irmã também, e eu vou te mostrar todos os pergaminhos antigos.

– Me parece uma programação ideal- disse com um sorriso- mas me diga Aya, tantas responsabilidades não cansam?

– Até cansam Yuuka, mas eu acredito que meu trabalho aproxima mais as pessoas de Deus, sabe com tanta maldade nesse mundo é preciso ter fé e esperança, e como sacerdotisa essa é a minha missão, levar a luz as pessoas- ela falou num tom determinado, quase que invejável- sei que tenho que sacrificar algumas coisas por isso, mas é o que me torna quem eu sou, apesar de todos os problemas e dificuldades eu não teria trocado isso por nada.

Eu sorri enquanto afagava os cabelos de Aya, ela realmente a pessoa mais bondosa que eu já conheci. A maioria das pessoas se preocupa apenas consigo mesma, mas ela visa a felicidade de todos e se esforça para isso. Eu confesso que pensaria duas vezes antes de sacrificar minha vida para cumprir uma missão que talvez não me traga nenhum benefício, mas eu admiro o trabalho de Aya e posso garantir que ela irá longe com ele.

° ° °

Estou a um bom tempo sentada em um dos bancos, observando o sol se pôr, mais um dia presa nesse lugar teria levado qualquer um a loucura, mas a maioria de nós já se acostumou com esse cotidiano. Confesso que era bem entediante estar ali, e até mesmo um pouco assustador, porque sabia que em breve Monokuma iria nos dar mais um de seus motivos para nos levar ao desespero, se ao menos houvesse um jeito de pará-lo.

– Pensando na vida- uma voz me surpreende e eu me virei assustada, dando de cara com a figura de Annie, que apenas riu com o meu susto e sentou-se do meu lado- você não é do tipo que fica refletindo.

– Ás vezes pensar é bom- falei num tom simpático.

– Pensar demais pode te deixar louca- falou ajeitando os longos cabelos ruivos e encarando o céu que tornava-se cada vez mais escuro- mas eu poderia ficar aqui sentada a noite toda ao invés de voltar para a fria solidão do meu quarto.

– Você é bem filósofa ás vezes, nem parece a ruiva zangada e esquentadinha dos primeiros dias- eu disse num tom irônico, ela apenas deu uma leve risada e me encarou com um sorriso simpático que nunca imaginei que ela fosse fazer.

– As coisas mudam não é? – ela disse me oferecendo um copo de café que eu só tinha percebido que estava com ela agora- peguei do mercado, é cappuccino, imagino que goste disso.

– Acertou na mosca- falei pegando o copo- pegou do mercado eu suponho.

– Aham, lá tem uma máquina de café- ela disse enquanto bebericava o seu- pena que não tem rum, um pouco de álcool não faria mal agora.

– Você não me parece ter idade para beber- digo num tom sarcástico dando uns goles meu cappuccino.

– E quem disse que piratas ligam para regras? – ela falou fazendo uma cara de superioridade e nós duas começamos a rir por um bom tempo, confesso que parecíamos duas loucas rindo sozinhas naquele banco no meio da noite.

– Eu sempre achei esse chapéu muito legal- falei tirando o chapéu da cabeça dela furtivamente e colocando na minha- acho ele meio que radical.

– Ei- ela falou irritada- me devolve, ele foi feito especialmente nas minhas medidas!

– Ah- falei tirando ele da minha cabeça com um largo sorriso- por isso está tão folgado, não sabia que sua cabeça era tão grande! –a garota ficou vermelha de raiva e cerrou os punhos.

– Eu vou te matar Yuuka Misaki!

Ela começou a correr atrás de mim e eu fugia zombando dela, ficamos correndo em círculos em volta do banco, até que ela finalmente conseguiu agarrara gola do meu casaco e me puxar com força, pegando seu chapéu de volta enquanto os nossos cafés caíam no chão. Depois disso começamos a rir descontroladamente, parecíamos mesmo duas loucas agora. Annie então pôs o chapéu de volta na cabeça e limpou a poeira da roupa.

– Não faça mais isso- disse fazendo uma cara de pouco caso- você até que não é tão fresca como eu esperava.

– E você não é tão chata como era antes- disse fazendo uma careta.

– Vem, eu pego outro cappuccino para você. E se você se comportar eu te deixou experimentar um pouco do rum especial que tem no meu quarto- ela falou piscando um dos olhos- mas não vá exagerar hein.

– Pode deixar!

E rindo nós fomos em direção ao mercado, afinal Annie não era tão chata assim.

° ° °

Era um dia realmente quente, era cerca de meio dia e já não sabia mais o que fazer para me livrar do calor excessivo. Havia pego umas roupas mais leves com Monokuma- não sei onde ele arruma tantas roupas nas nossas medidas- e estava andando pela cidade a procura de algo para me livrar do calor. E andando pelas ruas avisto Miya, ela está usando uma roupa bem diferente da convencional. Ela usava um biquíni azul bastante chamativo cobrindo os seios, a parte de baixo estava coberta por uma daquelas saias praianas com desenhos de flores, usava sandálias simples e um óculos escuros com armação cor de rosa. Ela estava literalmente “parando o trânsito”, me pergunto se ela está com tanto calor assim. A loira me avistou e tirou os óculos escuros da face fazendo uma expressão alegre:

– Yuuka-san! – ela correu até mim com uma animação bastante infantil- Yuuka, ainda bem que encontrei você, estava procurando alguém para ir ao parque aquático comigo. Sabe hoje está tão quente, e eu não acho o Onihiru-kun em lugar nenhum! – ela falava rapidamente, sem tempo para resposta, pegou pelo meu braço e já foi logo me arrastando como sempre.

– Calma Miya, não precisa arrancar o meu braço- ela largou meu braço e fez um pequeno sorriso de desculpas- você é mais forte do que aparenta.

– Desculpe, mas é que eu realmente não quero tomar banho sozinha numa piscina, é meio deprimente. Mas agora você vai comigo- ela disse sorrindo- tem uns tobogãs ótimos lá, mas antes temos que arrumar um biquíni para você.

– Tudo bem, tudo bem, eu me rendo- falei gesticulando com as mãos em sinal de rendição- mas vamos só nos duas, não vamos chamar mais ninguém?

– O resto do pessoal deve estar aproveitando algum lugar com ar fresco- ela disse me pegando pela mão e me guiando em meio as ruas- vamos logo e deixe de reclamar.

E dizendo isso me arrastou como sempre fazia, Miya era o tipo de pessoa escandalosa como já se esperava de uma atriz tão famosa como ela. No entanto ela era sim divertida, era difícil não rir com seus gestos exagerados ou com as piadas que ela contava de vez em quando. No entanto era cabeça dura e difícil de lidar as vezes, ainda me lembro de como ela quase morreu empalada naquelas lanças quando desafiou o Monokuma, apesar de seu jeito infantil e divertido, existe uma pessoa cheia de força de vontade e que não aguenta ser contrariada, uma outra Miya Watanabe que não conhecemos.

Ela me arrastou até o mercado, onde passamos longos minutos para que ela escolhesse um biquíni para mim. Vez ou outra soltava gritinhos excitados quando achava um biquíni que ficava bem em mim, para resumir escolhi- na verdade ela escolheu- um biquíni esverdeado no mesmo modelo que o dela e ela me arrastou mais uma vez, agora até o parque aquático. O local estava vazio como era de se esperar, mas a água das piscinas era bem convidativa.

– E então Yuuka, vamos logo escolher uma dessas piscinas para nadar, estou morrendo de calor! – ela falou tirando a saia praiana que usava, ficando apenas de biquíni- vamos naquela grande ali! – ela falou apontando para uma piscina larga e provavelmente funda, haviam algumas boias na mesma, creio eu que para facilitar a vida dos banhistas.

– Tudo bem então- falei um tanto desmotivada, enquanto Miiya me arrastava até a piscina.

– E lá vamos nós! – ela gritou enquanto pulava, encolheu as pernas e abraçou-se elas, fazendo o típico pulo “bala de canhão”, espirrando água em todos os lados quando caiu, depois ela emergiu com um sorriso largo- vem logo Yuuka, aqui está tão refrescante.

– Já estou indo- seguindo seu exemplo tirei meus óculos os colocando junto a saia de Miya e me atirei na piscina, a água estava uma delícia- você tinha razão, isso é ótimo contra o calor.

– Eu sempre estou certa, você devia procurar seguir mais os conselhos de Miya Watanabe- falou rindo enquanto nadava pela piscina- ai, o único momento em que eu gosto do calor é quando tem uma piscina como essas para poder se refrescar.

– Você não deve ter muito tempo para diversão né? Como uma atriz de renome sua agenda deve estar sempre cheia- comentei nadando para mais perto dela.

– Ás vezes, confesso que até me canso de tanto trabalho, não querem me deixar curtir meu tempo livre. São só compromissos, compromissos, compromissos- ela falou gesticulando de forma desinteressada- e ainda tenho que manter o peso, a maquiagem, entre outras coisas que convenhamos. São um saco, e você deveria entender isso, está entre as queridinhas da mídia. Só não é mais famosa que a Sayaka Maizono, porque canta muito mal.

– Ei- falei dando um pequeno soco em seu braço- eu canto muito está bem! Só que minha voz está completamente voltada para a divulgação de informações.

Ela fez uma expressão sarcástico e depois explodiu numa risada, fiquei encarando a garota por alguns segundos emburrada, até que ela parou de rir e sibilou um “desculpe”. Eu apenas sorri e voltei a nadar. Realmente aquela piscina estava ótima, a sensação refrescante que a água me dava me fazia esquecer a situação em que me encontrava, e esquecer tudo aquilo que me deixava aflita, resumindo, aquela piscina era demais.

– Yuuka-san! – Miya gritou chamando minha atenção, apontava para um escorrega avermelhado gigantesco perto de uma outra piscina- vamos lá!

– O que? – eu disse desesperada- não, obrigado. Odeio coisas tão altas assim!

– Ah não! – Ela disse num tom infantil, veio nadando para perto de mim e me agarrou pelo braço, tomando uma expressão raivosa- você vai comigo sim!

E não havia como discutir, pouco tempo depois eu me vi no topo do escorrega, eu me tremia de medo ao ver a altura daquele negócio. Seria realmente seguro estar ali? Eu nunca tinha medo de altura, mas quando se tratava de escorregas e tobogãs, ou qualquer outra coisa que fosse, meu estômago embrulhava. Miya me fez senta na ponta do escorrega, sele sentou atrás de mim, se segurando em meus ombros, eu encolhi as penas como ela pedi. Íamos descer as duas juntas:

– Você está se tremendo de medo Yuuka- ela zombou- parece até criança!

– Fica caladinha aí- ralhei com ela fazendo uma expressão irritada- vamos logo com isso.

– Vamos lá! – ela disse tomando impulso, e lá íamos nós descendo pelo escorrega.

Eu fechei os olhos, podendo sentir apenas vento e água em meu rosto, e os gritos de excitação. Depois me senti jogada para o ar e em seguida, caindo dentro da piscina, eu não havia me preparado direito e por isso senti a ardência da água em minhas narinas. Cheguei a superfície ofegante e tossindo muito. Miya apenas ria de mim, eu nadei até ela e com as duas mãos afundei ela, depois ela conseguiu se livrar e começou a jogar água em mim, começamos a rir:

– Yuuka-san, você é mesmo muito divertida- ela disse com um sorriso- obrigado por ter vindo aqui comigo!

– Eu é que agradeço por me trazer aqui- disse animada- eu precisava mesmo dessa piscina!

– Vamos de novo no escorrega?

– Mas nem morta!

E Miya começou a rir, logo eu também estava rindo, foi um momento bastante alegre.

° ° °

O jardim era um dos locais mais bonitos dali, tudo bem que estávamos presos e obrigados a aceitar o desespero, mas ainda podíamos aproveitar dos espaços para tentar levar uma vida normal até descobrirmos um modo de sair daqui. E como o jardim era fresco e muito bem cuidado, não seria nada mau ficar lá por um tempo para relaxar. Comecei passeando pelo lugar admirando as flores, algumas plantas exóticas que nunca tinha visto. E foi quando notei Percy, encostado em uma árvore, o semblante impaciente.

– Percy- falei animada indo em direção a ele- não esperava encontrar você por aqui. Gosta de jardins?

– S-sim, é um local bastante bonito aqui não é- ele disse num tom impaciente, podia notar que ele estava apreensivo com alguma coisa- apesar de não vir muito.

– Entendo. Está esperando alguém não é? Não quero atrapalhar- falei com o sorriso mais simpático que eu sabia fazer, ele apenas deu uma risada envergonhada e disse que não era nada demais.

Depois disso nos sentamos na grama, a brisa ali era mais suave do que no resto da cidade e a árvore proporcionava uma boa sombra. Era possível ouvir o canto dos passarinhos e ver uma ou outra borboleta voando entre as flores selvagens do lugar, me perguntava quem teria montado aquilo. Porque um maluco sádico como o Monokuma não teria delicadeza o suficiente para fazer algo assim, teria?

– É estranho não é? – a voz de Percy me chamou a atenção- estamos aqui presos, mas ainda assim tentamos viver normalmente. Parece que o ser humano consegue mesmo se adaptar a qualquer situação, está nos nossos genes.

– Pois é- falei com uma risada- me diz Percy, porque se interessou por genética?

– Bom, tem dois fatores na verdade. Meus pais eram cientistas e me levavam aos laboratórios, sempre tive uma... Curiosidade infantil pela ciência- ele falou com os olhos brilhantes, gostava mesmo do que fazia- e o outro motivo é, pense na vida como um cofre, dentro dele estão guardados todas as respostas, mas qual a senha para abri-lo? Simples, nossos genes, os códigos que nos levam as respostas estão no DNA de todos os seres vivos.

– Fascinante- comentei animada, ele sabia do que estava falando, afinal fora ele o descobridor de muitos fatos sobre doenças genéticas e na engenharia genética ele praticamente fazia milagres- admiro a sua paixão pela Genética.

– Pois é, quanto mais pesquiso sobre ela, mais eu me apaixono. Me descubro mais entendeu? E tenho certeza de que minha família está orgulhosa de mim- falou com um leve sorriso, apesar da pose de fortão ele era bem simpático- principalmente meu irmão Paul, ele é skatista profissional, eu o admiro muito porque ele lutou contra tudo para chegar onde está, até contra meus pais.

– Paul Schneider? Já entrevistei ele muitas vezes- disse rindo- ele é um fofo, assim como você! – Percy sorriu envergonhado enquanto olhava envolta, percebeu algumas flores próximas e recolheu um broto com cuidado.

– Essas flores são tão... diferentes. Sabe, nem parecem ser naturais, provavelmente Monokuma as modificou para que elas tivessem novas características- ele falou com uma certeza tão grande, que cheguei a me assustar- provavelmente ele é mais inteligente do que pensamos.

– Aquele urso maníaco é cheinho de surpresas- disse fazendo uma careta- mas devo confessar que ele fez um ótimo trabalho aqui nesse jardim... A propósito e sobre o seu projeto que me falou antes? O gene do talento.

– Ah sim! Ainda não saiu do papel, fiz umas pesquisas iniciais, mas iria começa-las realmente na Academia, e lá eu teria as pessoas perfeitas para fazer minha pesquisa- ele sorriu sadicamente- vocês!

– Nós? – falei assustada.

– Como descobrir o gene do talento sem usar pessoas talentosas? Iria ser ótimo, as pessoas poderiam descobrir aquilo que elas são boas e encontrar seu propósito na vida. Muitos estão aí perdidos em escolas, faculdades... Gênios se achando idiotas porque os obrigam a serem bons naquilo que eles não são, com minha descoberta as pessoas saberiam naquilo que elas são boas, e poderiam investir no mesmo sem perder tempo com futilidades.

– Isso seria sem dúvida incrível- gritei de excitação- eu quero fazer a cobertura completa disso quando acontecer.

– Mas com todos nós presos aqui, acho meio difícil de acontecer- ele falou desanimado.

– Não fique assim Percy, vai dar tudo certo. Vamos encontrar um meio de sair daqui.

– Espero que sim- ele deu um lugar sorriso.

E ficamos conversando o resto do dia no jardim, era bom saber que eu tinha amigos com quem contar, que meus colegas de classe me faziam esquecer o desespero.

Notas finais
Depois de postar esse capítulo quero dizer quatro coisas muito importantes: 1°- Teremos mais um autor, isso mesmo meus queridos, mais um autor para brincar o joguinho do desespero com vocês, o que vai ser muito divertido! 2°- Eu estou shippando muito YuukaXAnnie, mais do que eu esperava. 3°- Eu preciso ir para uma piscina urgente, escrever esse capítulo me deu inveja delas. 4°- A partir de hoje eu vou chamar vocês de MEUS WAIFUS. Meus porque vocês são MEUS mesmo, não tentem contestar. E waifus porque é um nome mega fofo que eu dou a pessoas queridas, e vocês são pessoas queridas!! Até a próximo meus waifus :3